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domingo, 29 de maio de 2011

Abandonei-me ao vento


Abandonei-me ao vento
Carlos Nejar 

Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
Explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
Ganhei um outro livre, que me sabe


Quando me levantar e o corpo solte
O meu despojo vão. Em toda parte
O vento há-de soprar, onde não cabe
A morte mais. A morte a morte explode.


E os seus fragmentos caem na viração
E o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.


Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
Abandonei-me. E assim fiquei conciso,
Eterno. Mas o amor guardou meu nome.

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