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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Em defesa do Pr Ricardo Gondim: Estado Laico, Direitos Civis, Onipotência e Heresias




Em defesa do Pr Ricardo Gondim: Estado Laico, Direitos Civis, Onipotência e Heresias

O professor de teologia Adilson Vieira, na qual tive o privilégio de ter aulas com ele, enviou o e-mail abaixo, na qual reproduzo aqui, a várias pessoas, inclusive a mim.
Nele o professor Adilson procura re-significar, ou colocar nos seu devido lugar, os últimos textos, entrevistas e declarações do pr Ricardo Gondim. Vieira entende que estão fazendo um julgamento equivocado da pessoa do pastor Gondim, retirando, inclusive, suas frases dos contextos próprios originais, e, deixando-as soltas, na qual acaba adquirindo interpretações diferentes do verdadeiro sentido e intenções do referido pastor.
Bom, como pretendemos pensar juntos, não poderíamos deixar de abrir este espaço para mais esse comentário. 
Esclareço, ainda, que o professor Vieira autorizou a publicação deste material após minha solicitação, por e-mail. Veja:
Pessoal,
Esta matéria [entrevista do Pastor Ricardo Gondim à Revista Carta Capital, além de outras como: Ricardo Gondim não quer um país evangélicoRicardo Gondim solta o verbo: Em entrevista, pastor não poupa desabafo sobre acusação de heresiaRicardo Gondim: "Perdi a fé" - Será que ele tem razão?! É preciso reconstruir?! – Nota do Editor]tem sido motivo de muita conversa: alguns contra outros a favor. Antes de julgarmos ou dizermos que fulano é herege (ainda bem que não estamos mais na era medieval pois certamente alguns de nós não estaríamos mais aqui ) tentemos entender a matéria.

Para entender a entrevista é necessário entender que ela foi feita levando em consideração o ESTADO LAICO da nação.

O Brasil vive regime LAICO, para quem não sabe o que é (aqui está um dos motivos de muitos não entenderem a entrevista), abaixo segue esclarecimento:

“A palavra laico significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas. Que siga os ditames da sua consciência (quer no caso em que se acredite que seja divinamente inspirada, quer pela razão, intuição, estética ou qualquer processo pessoal), ao invés de seguir, ou obedecer cegamente às regras, hierarquias e autoridades morais ou eclesiásticas de uma religião organizada. Politicamente, poderíamos dividir os países em duas categorias, os laicos e não laicos, nos países politicamente laicos a religião não interfere na política. Países não laicos são teocráticos (forma de governo onde o povo é controlado por um sacerdote ou líder religioso que governa, supostamente, segundo o desejo de uma divindade), e a religião tem papel ativo na política e até mesmo constituição. Essa visão política está relacionada a laicidade e laicismo (doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa. Não deve ser confundida com o ateísmo de Estado) e o secularismo (Política de separação entre religião e Estado, a partir da ideia de que os sacerdotes e as instituições religiosas não devem ter poder político nem influenciar nas leis).”

O que deixou muitos “crentes” de boca aberta é o fato de na entrevista o Pr. Ricardo se dizer favorável à união civil entre homossexuais. Veja que ele diz que o Estado é Laico e sendo assim ele (ou qualquer religião no Brasil) não tem o direito de não dar direitos civis aos homossexuais.

O Estado deve dar direitos aos homossexuais, imagine a seguinte cena: Um casal homossexual [mesmo que não concordemos – Nota do Editor] casa-se e vive uma união estável durante anos e um deles vem a falecer. O que eles construíram juntos é direito de quem?

Já pensou o Pai ou Irmão ou Primo virem e dizer ao parceiro viúvo de que a casa onde mora não pertence ao parceiro viúvo que ajudou a construir. Isso é correto? Evidentemente que não. É sobre isso que gira a entrevista.

Em momento algum ele defendeu o homossexualismo e nem o Pr. Ricardo é gay, como alguns tem sugerido, ou, que ele vá celebrar casamentos gays. Isso é ridículo!!

Quando ele diz que “nem toda relação homossexual é pecado”, você tem que ler e entender essa resposta dentro de um regime Laico. O Estado ou Nação Laica não vê [compreende – Nota do Editor] essas relações como pecado, e não vê mesmo!! Assim como não vê divórcio como pecado, se o divorciado casar novamente. A propósito, a Igreja Católica não celebra casamentos (até onde sei) de divorciados (seja hetero ou não), e, ninguém neste país (que esteja sobre um regime laico como o Brasil) pode obrigá-los a fazê-lo. Por quê? Porque as leis do Estado não podem interferir nas leis religiosas. Se pudessem onde estaríamos?

E aqueles que chamam o Pr. Ricardo de herege o que eles seriam? Pois tenho a convicção de que muitos divorciados estão hoje casados novamente e felizes em seus novos relacionamentos celebrados por pastores evangélicos. Novamente estamos, como diria Jesus: “coando mosquito e deixando passar um camelo”.

Outra coisa que é preciso levar em consideração sobre o regime Laico é a Liberdade. Isso é uma conquista!! Quando o Pr. Ricardo escreveu o artigo “Deus nos livre de um Brasil Evangélico” ele afirmara sobre a interferência religiosa daqueles que tem uma agenda escondida e querem se promover e auto-promover pela [e através da – Nota do Editor] religião, alguns até criaram partido político.

Eu digo claramente que nunca vou querer um país sobre a liderança de um Edir Macedo, RR Soares, Valdomiro ou outro qualquer. Estes, com shows de milagres, jogam nuvens sobre a visão das pessoas não permitindo que sejam vistos como eles realmente são. Vejam que em Atos havia um mágico chamado Simão, Filipe pregou e ele converteu-se, mas este Simão tinha uma agenda escondida. Esta foi a diferença:

- Simão tinha milagres (para impressionar) Filipe tinha projeto (para transformar vidas);
- Simão não tinha projeto (o projeto era ele mesmo; note que todos, pobres e ricos o chamavam de Grande Divino, Simão queria ser conhecido como homem de grande poder - semelhança nos dias de hoje?) Filipe tinha Pedro e João (Comunidade a serviço do outro);
- Simão queria engrandecer-se sozinho e Filipe, quando o Evangelho cresceu, não quis ser presidente de nada, chamou Pedro e João para dar continuidade.

Gente, liberdade é isso e eu poderia morrer pelo direito que você tem de discordar de mim. Saibamos divergir sem denegrir. Alguns são predestinistas, outros não. Isso faz dele inimigo? Um diz que Deus tem que ser um exímio conhecedor e o outro diz que Ele abre mão deste conhecimento pelo privilégio de relacionamento. Aí passam a apontar os defeitos de uma ou outra teoria. Um acha que ganha por mostrar um maior numero de versículos (veja eu tenho 337 versículos que provam que Deus é Onipotente e eu mostro a você mais 413 onde posso mostrar ao contrário). Não é assim que se faz Teologia, Cristianismo, Homens e Mulheres de caráter.

A maioria dos seminários não ensina, e nem tem interesse em ensinar os valores deixados por Jesus. Alguns acham que o seminário é igreja, e, portanto, não pode haver discussão com equilíbrio. Dão uma lista de versículos a serem decorados, e pronto! Ao contrário, seminário é lugar de formação de pensadores. Pessoas que pensam, refletem. É assim, pelo menos, que faço em minhas aulas e o resultado é bem melhor do que o oposto.

Em quê temos sido diferentes dos Sacerdotes que mataram Jesus? O que é o Evangelho?Evangelho é saber se a pessoa está sendo transformada por Deus.

Como você trata quem não pode beneficiá-lo de volta ou aqueles que discordam de você? Como você trata aqueles que têm sido maltratados pelos outros?

Se você quiser saber verdadeiramente se algo é de Deus ou do Diabo pergunte qual é o verdadeiro propósito do que está sendo feito.

Repito: você tem o direito de discordar, mas nunca de denegrir.

Paz seja com todos.

Adilson Vieira
Carpe Diem 

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