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quarta-feira, 22 de junho de 2011

ORAÇÕES CONFUSAS (By Bruno d Assis de Oliveira)

"Iahweh, tu és a minha lâmpada; meu Deus ilumina a minha treva." (Salmos 18:29)

.


Abba Amado,

O que - ou quem - são as minhas trevas? Sozinho, apenas com a luz da minha consciência não consigo discernir. Creio que boa parte das minhas trevas são esses ambientes em que minha alma e meu corpo não discerne a Tua Presença. Ou mesmo esses lugares onde o ódio e o mal "criam" suas raízes e habitam em ambientes tão inóspitos.

Pai, que a semente do ódio, que a semente do mal não crie raízes, tronco, caule...e muito menos, frutos. O fruto de um ser fragmentado, dividido, diabolizado, um ambulante ser do não-amor, um egoísmo tão "egolátrico" que o "deus" de culto, devoçãoé o "si-mesmo" com a própria carne, o próprio corpo devorado pelas fomes e anseios existenciais...

Ilumina-me! Traba-me a tua candeia e mostra as minhas trevas...

...será que é essa solidão mórbida, em que o outro não sacia - mesmo que brevemente - esse anseio por companhia, por completude?

...o Tempo desperdiçado?

...esses meus "eus" fragmentados?

...

Aqui estou. Sou Teu. Que a Luz seja a firme consciência da tua presença, da Tua Presença, do Teu Amor encarnado no cotidiano...

Aqui estou.

Teu,

Bruno.


ESCATOLOGIA - O DIA DO SENHOR

Encontramos o termo “Dia do Senhor” muitas vezes na Palavra, sempre relacionado a eventos escatológicos e decisivos para o cumprimento final do plano do Senhor para a humanidade. O primeiro a citar tal termo é o profeta Isaias, há aproximadamente 700 anos A.C.
Mas, o que significa Dia do Senhor? Diante desse questionamento, se apresentam duas posições principais: alegorizar o termo “dia”, fazendo com que o “Dia do Senhor” abranja o espaço de tempo maior que um dia de 24 horas, ou tomar o termo “dia” num sentido literal, no qual o “Dia do Senhor” será realmente um dia específico. Sendo congruentes com a nossa concepção literalista das Escrituras, não vemos razões suficientes para não considerar o “Dia do Senhor” como um dia literal de 24 horas ou o glorioso dia da vinda de Jesus.
Alguns tentam alegorizar o termo “Dia do Senhor” tomando como base a relação feita por Paulo e também por Pedro entre o Dia do Senhor e a chegada abrupta de um ladrão (I Tessalonicenses 5:2, II Pedro 3:10). Tomando como base essa premissa, afirma-se que o Dia do Senhor começará de forma iminente e inesperada. 
              Porém, analisando os contextos do que foi escrito pelos apóstolos, vemos que tanto Paulo como Pedro associam o fato do Dia do Senhor ser comparado à chegada de um ladrão, ao despreparo e incredulidade daqueles que não esperam a vinda de Jesus e até mesmo zombam dessa possibilidade, sendo surpreendidos diante da vinda de Jesus (I Tessalonicenses 5:4, II Pedro 3:3-5). O próprio Senhor tinha revelado que o dia de sua gloriosa volta, logo após a grande tribulação, causaria a “lamentação” das nações:

 E, logo depois da aflição daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão , e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória ” (Mateus 24:29-30).   
             
               A seguir, daremos algumas razões bíblicas que mostram claramente que não se pode atribuir o Dia do Senhor ao período tribulacional, como é defendido em alguns modelos escatológicos, e sim a um dia específico e literal, o qual ocorrerá imediatamente após a grande tribulação:  

               1. No texto de Apocalipse 6:12-17 é narrado que os homens, em determinado momento, sofrerão um pavor repentino e tratarão de se esconder diante de um evento iminente: “O grande dia da sua ira” (v.17). Note que, os sinais que iniciam essa reação desesperada das pessoas no final da tribulação, são os mesmos sinais descritos por Joel como anteriores ao Dia do Senhor e por Jesus como imediatamente posteriores à tribulação e imediatamente anteriores a sua gloriosa volta: o sol e a lua escurecendo (Apocalipse 6:12). Por outro lado, vemos que a maior parte das pessoas durante a tribulação se maravilhará com a besta, seguindo-a e adorando-a, sendo mundialmente enganados e manipulados (Apocalipse 13:3-4, 13:15, II Tessalonicenses 2:9-11).
Consequentemente, o Dia do Senhor não parece de forma alguma estar relacionado ao período tribulacional em si e sim ao dia glorioso da volta de Jesus. O desespero daqueles que não estão preparados para a vinda de Jesus se dará a partir da concretização de sinais que, de acordo com o Mestre, se darão logo após a grande tribulação (Mateus 24:29, Apocalipse 6:12-17).

               2. As passagens de Joel 2:31-Atos 2:20 e Mateus 24:29-Marcos 13:24, nos revelam os mesmos sinais cósmicos que marcam o final da tribulação e o começo do dia do Senhor. De acordo com esses versos, o dia do Senhor e a tribulação não são eventos paralelos e sim subsequentes: primeiro ocorre a tribulação e depois ocorre o dia do Senhor.

              3. A primeira vez em que vemos o termo “dia do Senhor”  mencionado na Bíblia é no capítulo 2 de Isaias. O profeta escreve que só o Senhor será exaltado nesse dia . Quando estudamos as profecias apocalípticas, notamos que o anticristo será adorado como um deus. Consequentemente, o dia do Senhor e a tribulação não podem ser eventos paralelos (Isaias 2:11,12,12 e Apocalipse 13:12). O anticristo não poderá ser adorado no dia do Senhor, pois Isaias nos revela que só o Senhor será exaltado nesse dia. Também, todos os ídolos serão abolidos no dia do Senhor, o que não condiz com a realidade tribulacional , na qual a imagem da besta e outros ídolos serão adorados pela população (Isaias 2:18, Apocalipse 9:20-21 e Apocalipse 13:15)

             4. Zacarias 14:7 indica que o dia do Senhor será um dia literal de 24 horas. O texto hebraico diz literalmente: “esse dia será um” (veja também Isaias 10:17)

              5. Por tres vezes a frase “o dia do Senhor vem” é usada no Antigo Testamento (Isaias 13:9, Joel 2:1 e Zacarias 14:1). Nesses tres casos, as passagens começam a descrever imediatamente depois a batalha do Armagedom. No Novo Testamento, é revelado que o dia do Senhor virá como um ladrão à noite (I Tessalonicenses 5:1-2 e II Pedro 3:10). Nesses dois últimos casos uma destruição surpreendente e definitiva também ocorre imediatamente após a concretização do dia do Senhor.

              6. Joel 3:9-17 descreve a reunião dos exércitos das nações contra Jerusalém para a batalha do Armagedom, os sinais cósmicos (o sol e a lua escurecendo), e a vinda do Senhor. Após a reunião dos exércitos, porém antes dos sinais cósmicos, Joel escreve que o dia do Senhor está “perto”. O dia do Senhor começa após a reunião dos exércitos para a batalha do Armagedom, que acontece no final da tribulação, de acordo com Apocalipse 16:13-16.

              7. De acordo com Apocalipse 16, os exércitos das nações serão reunidos de forma maligna do final da tribulação para “a batalha do grande dia de Deus”. Fica claro que “o dia de Deus” será logo após a tribulação. Pedro revela que os termos “dia de Deus” e “dia do Senhor” são sinônimos (II Pedro 3:10-12).

               8. Em II Tessalonicenses 2:1-3 está escrito que o dia do Senhor não virá antes da apostasia e da revelação do filho da perdição. O versículo 4 indica como ele será revelado, relacionando essa revelação a sua presença no templo, no meio da tribulação (veja Mateus 24:15). Então, o dia do Senhor não pode ocorrer antes da metade da tribulação.

               9. De acordo com Malaquias 4:5, Elias o profeta virá antes do dia do Senhor. Há indícios para acreditar que Elias será uma das duas testemunhas. Consequentemente, o dia do Senhor não pode começar antes da missão das duas testemunhas em plena tribulação.

              10. Há muitos sinônimos para o “dia do Senhor” no Novo Testamento. Nós sabemos que no dia do Senhor, Ele virá com poder, acompanhado de todos os seus santos (Zacarias 14:1-6, Atos 1:9-12 e I Tessalonicenses 3:13). Nós também sabemos que há várias combinações do nome de Jesus no Novo Testamento: Jesus, Cristo, Jesus Cristo, Cristo Jesus, Senhor Jesus, Senhor Jesus Cristo e Senhor. Consequentemente, todos os versículos que daremos a seguir falam de um único evento: o glorioso dia em que Jesus virá em glória (Filipenses 1:10-dia de Cristo, Filipenses 1:6-dia de Jesus Cristo, I Coríntios 1:8-dia do Senhor Jesus Cristo, I Coríntios 5:5-dia do Senhor Jesus, I Tessalonicenses 5:2-dia do Senhor, II Pedro 3:12-dia de Deus, Apocalipse 16:14-dia de Deus Todo-Poderoso. Portanto, não há suficiente base bíblica para diferenciar o dia do Senhor usando como argumento apenas o nome diferenciado dado ao Senhor nas diferentes passagens neo-testamentárias .
 De acordo com esses princípios, cremos que o dia do Senhor ocorrerá logo após a tribulação e será a manifestação poderosa de Cristo, vindo sobre as nuvens como Rei e Senhor, para arrebatar aqueles que o esperam, derrotar os exércitos do anticristo reunidos no Armagedom e instaurar o seu reino de paz sobre a Terra Maranata!

Pr Jorge de O. Bezerra
Teólogo – Mestrado em Ministério Urbano
Escritor e Conferencista

domingo, 19 de junho de 2011

SOTERIOLOGIA - A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO

A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO

SIGNIFICADO: “A Regeneração é a transformação que Deus opera nos indivíduos que crêem”.  Ele reverte suas tendências naturais, dá uma nova vitalidade espiritual à vida deles e, assim, restaura-os ao que se desejava de inicio que fossem. Em outras palavras: é Obra do Deus triúno e só dEle! (Ez 11: 19,20).
No Novo Testamento o termo que transmite de modo mais literal a idéia de Regeneração é palingenesia (“renascimento”). Ele aparece duas vezes apenas. Em Mateus 19:28, em que se refere ao novo mundo e em Tito 3:5, que se refere à Salvação; aqui temos a idéia Bíblica do novo nascimento. A exposição mais conhecida e mais extensa do conceito de novo nascimento é encontrada em João 3:1-21, mas especificamente nos versos 3 e 7. Na mesma conversa, Jesus falou em ser “nascido do Espírito”. Ele tinha em mente uma Obra sobrenatural transformando a vida do indivíduo, Obra esta indispensável para que se possa entrar no reino de Deus, não é algo que se alcance por esforço humano, ao contrário da conversão, na Regeneração, a alma é passiva (Jo 1:12,13; 10:10,28; Tg1:18;1Pe 1:3,23;1Jo 2:29,5:1,4; 2Co 5:17; Ef 2:1-10; Jr 24:7; Ez 11:19,20).
A NECESSIDADE DA REGENERAÇÃO
A santidade é uma condição indispensável para sermos aceitos na comunhão com Deus. Mas toda a humanidade é depravada por natureza, e quando chega a consciência moral, torna-se culpada de transgressão real. Em seu estado natural, portanto, a humanidade não pode ter comunhão com Deus.
A natureza humana não pode ser mudada por reformas sociais ou pela educação. Precisa ser transformada por uma Obra do Deus Triúno. A Regeneração é especificamente uma Obra do Espírito Santo, e apesar de se completar instantaneamente, não é um fim em si, mas uma mudança de impulsos espirituais.
As Escrituras mostram esta experiência como sendo um novo nascimento, pelo qual o homem se transforma em filho de Deus (Jo 1:12; 3: 3-5;1Jo 3: 1). Por natureza os homens são “filhos da ira” (Ef 2: 3) “filhos da desobediência” (Ef 2: 2) “filhos do mundo” (Lc 16: 8), e “filhos do diabo” (1Jo 3: 10; At 13: 10).
Somente o novo nascimento pode produzir uma natureza santa dentro dos pecadores de modo a tornar possível a comunhão com Deus.

OS MEIOS DA REGENERAÇÃO
(1)   A vontade de Deus. (Jo 1: 13; Mt 19: 26; Lc 1: 37; Ez 11: 19,20; Sl 51: 10; Jo 6: 44).
(2)   A morte e a ressurreição de Cristo. O novo nascimento está condicionado à Fé no Sacrifício de Cristo, pagando a pena em nosso lugar (1Pe 1: 3; At 4: 11,12; Jo 14: 6; Jo 6: 47; 1Pe 2: 24).
(3)   A Palavra de Deus. A água que limpa e purifica (Jo 3: 5; 15: 23) a Semente que cresce, floresce e frutifica (Lc 8: 11; 1Pe 1: 23-25), a água simbolizava muitas vezes a palavra (Jo 3: 5; Ef 5: 26), o Espírito (Tt 3: 5) ou Cristo (Jo 7: 37). Paulo gerou os Coríntios media    nte o Evangelho (1Co 4: 15), mas batizou apenas alguns (1Co 1: 14-16).batismo não salva, é apenas confissão de Fé.
(4)   Os ministros da Palavra. Os semeadores contribuem pregando o Evangelho da Salvação e chamando ao arrependimento (Gl 4: 19; Is 61: 1-3; Mc 16: 15,16; Rm 10: 14,15)
(5)   O Espírito Santo. O Agente real e eficaz na Regeneração (Tt 3: 5; Jo 14: 26; 3: 5,6). Não é o simples avivamento na claridade que vai permitir que um cego veja; a enfermidade do olho tem de ser curada primeiro antes que os objetos externos se tornem visíveis. “O novo nascimento não é percebido quando ocorre. Antes, vai demonstrar uma nova sensibilidade às coisas espirituais, uma nova direção na vida e uma capacidade crescente de obediência a Deus”.
OS RESULTADOS DA REGENERAÇÃO
As Escrituras declaram que há diversos resultados definidos que se seguem à Regeneração. São de natureza tal a servir de provas quanto a real regeneração da alma.
(1)   Aquele que é nascido de novo vence a tentação (1Jo 3:9; 5: 4, 18). Consequentemente, a pessoa regenerada pratica a justiça.
(2)   A atitude da pessoa regenerada é diferente. Ela habitualmente ama os irmãos (1Jo 5: 1), a Deus (1Jo 5: 2; 4: 19), à Palavra de Deus (Sl 119: 97; 1Pe 2: 2), seus inimigos (Mt 7: 11), e as almas perdidas (2Co 5: 14).
(3)   A pessoa regenerada também goza de certos privilégios de filha, como por exemplo, a satisfação de sua necessidade (Mt 7: 11), de uma revelação da vontade do Pai (1Co 2: 10-12), e de ser guardada (1Jo 5: 18).
(4)   O homem que é nascido de Deus é também herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo (Rm 8: 16,17).
Anderson Luiz de Souza

Bibliografia:
Palestras em Teologia Sistemática – Thiessen, Henry Clarence.
Introdução à Teologia Sistemática – Erickson, Millard J.
Bíblia Revista e Atualizada – Almeida, João Ferreira de.
 

Dores e dores ( Ricardo Gondim)

Dores e dores
Ricardo Gondim




Algumas dores são localizadas. Outras se disseminam; tudo dói. Explico melhor. Algumas feridas só machucam no local; uma queimadura, um espinho, uma contusão, indicam exatamente o lugar e o tipo de dor. Mas há sofrimentos que se alastram de tal maneira que se perde inclusive a origem da ferida. Basta apertar onde foi machucado e sensações desagradáveis se espalham como ondas. A dor fica sistêmica. Mas isso vale não só para o físico. Há feridas da alma que são septicêmicas.
As feridas narcísicas, por exemplo, não machucam apenas em um determinado ponto. Elas se transformam em agonias integrais. Feridas narcísicas são as que vêem da infância ou quando o esforço de firmar a identidade foi frustrado. E sempre que alguém toca nessas ulcerações da alma, tudo sofre.
Por isso, sejamos sempre cuidadosos com os juízos. Podemos lacerar uma pessoa por inteiro. Os juízos são sempre temerários. Quanto menos conhecemos uma pessoa, mais rápidas as sentenças. Caso tivéssemos acesso aos dilemas mais íntimos, às disfuncionalidades familiares mais antigas, talvez usássemos de mais misericórdia quando condenamos.
O rei Davi optou ser julgado por Deus e não pelos homens porque sabia que Deus conhece os porões subjetivos do espírito, as hesitações da alma e os medos do coração. E os homens concluem com vereditos precipitados; com análises superficiais.
Zidane, o jogador de futebol francês, perdeu a distinção porque um adversário fez algum comentário danoso sobre sua mãe e irmã. Cutucado na ferida narcísica, todo o homem reagiu. Cristo advertiu àqueles que desprezam essas sensibilidades e partem para chamar o próximo de “raca”, que significa louco. Eles são dignos do inferno.
Já constatei o estrago que uma palavra mal dada produz, pois tratei de pessoas destruídas pela dor narcísica. Não existem xingamentos ingênuos, tudo o que se fala não produzi efeitos momentâneos, mas consequências boas ou arrasadoras na autoestima de alguém. Em minha breve existência, cuidei de mulheres destruídas por comentários levianos. Conheci homens boicotados de se tornarem tudo o que podiam porque alguém, que conhecia suas feridas narcísicas, alfinetaram onde mais doía. Para destruir uma pessoa, basta lembrar malfeitos, vergonhas públicas, deficiências físicas, inadequações familiares. A música interpretada por Ana Carolina carrega uma sensibilidade especial. Ela fala de um “vendedor de flores que ensina seus filhos a escolher seus amores”. Quanta ternura! O mundo seria diferente se lidássemos com o próximo com a delicadeza de quem mexe com pétalas de rosa.

Educação, finesse e sensibilidade não vêem de berço. São construções que demoram às vezes a vida toda. Nesta geração individualista, em que as pessoas mal se preocupam com a felicidade alheia, já faltam espaços para cuidar de tantos que pedem ajuda para dores que nem eles mesmos conseguem expressar.
Zelemos com um guarda nos lábios para que nossas palavras produzam vida, nunca morte.
Soli Deo Gloria

Licença Creative Commons
Dores e dores de Ricardo Gondim é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Based on a work at www.ricardogondim.com.br.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Wild Horses - The Rolling Stones (tradução) cavalos selvagens

Wild Horses

Rolling Stones

Childhood living is easy to do
The things you wanted I bought them for you
Graceless lady, you know who I am
You know I can't let you slide through my hands

Wild horses couldn't drag me away
Wild, wild horses couldn't drag me away

I watched you suffer a dull aching pain
Now you decided to show me the same
No sweeping exits or offstage lines
Can make me feel bitter or treat you unkind
Wild Horses couldn't drag me away
Wild, wild horses, couldn't drag me away

I know I dreamed you a sin and a lie
I have my freedom but I don't have much time
Faith has been broken tears must be cried
let's do some living after we die
Wild Horses, couldn't drag me away
Wild, wild horses, couldn't drag me away

Wild Horses couldn't drag me away
Wild, wild horses, we'll ride them someday
 

Cavalos Selvagens

A infância é algo fácil de viver
As coisas que você queria eu trouxe pra você
Dama sem graça, você sabe quem eu sou
Você sabe que não posso deixar você deslizar pelas minhas mãos

Cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora
Selvagens, cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora

Eu assisti você sofrer uma dor lancinante
Agora você decidiu me mostrar o mesmo
Nenhuma saída ligeira ou falas nos bastidores
Podem me fazer sentir amargurado ou lhe tratar com grosseria
Cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora
Selvagens, cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora

Eu sei que eu sonhei para você um pecado e uma mentira
Eu tenho minha liberdade mas não tenho muito tempo
Fé foi quebrada lágrimas precisam ser choradas
Vamos viver algo depois de morrermos
Cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora
Selvagens, cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora

Cavalos selvagens não conseguiriam me carregar embora
Selvagens, cavalos selvagens cavalgaremos neles um dia

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O homem entre as marés Divino preconceito - Mais uma frustrada tentativa de mostrar a verdade sobre o falso amor da soberana igreja

Divino Preconceito

Todo discurso tem algum potencial para gerar a polarização, mas reservamos para alguns uma potência tanto particular quanto arbitrária. Assuntos que despertam opiniões ao mesmo tempo inflamadas e opostas são em geral os assuntos que convém evitar. Em nome da paz ou da covardia, é simplesmente mais fácil não falar sobre eles, sob o risco de acender a indignação de gente que habita com muita convicção cada um dos polos que se condenam.
Porém também é verdade que não elegemos os discursos polarizadores ao acaso; os assuntos que elegemos como polêmicos revelam muito mais sobre nós do que gostaríamos. Se você acha de fato importante saber e discutir em que ponto de um ser humano adulto outro ser humano adulto escolhe colocar o seu órgão sexual, na intimidade de seu quarto e em seu tempo livre; se é a esse tipo de investigação criativa que você está ponderando dedicar uma parte substancial do seu tempo, esse é problema sexual seu. Como uma vez aprenderam homens respeitáveis ao redor de uma mulher adúltera, o comportamento verdadeiramente inquietante é o que faz da sexualidade do outro uma bandeira e um problema para si mesmo. É aqui que jaz a verdadeira perversão.
Porém o problema com os discursos polarizadores é que aparentemente não há como apaziguar a tensão que produzem. Se você deixa de se pronunciar a respeito, nada de fato muda e a tensão permanece; se você escolhe se pronunciar, tudo que consegue fazer é atiçar a fogueira, demarcando e acentuando a distância entre os grupos antagonistas.
Eu mesmo tenho opiniões muito severas a respeito desse e de outros assuntos, e já achei que a mera exposição de minha iluminada opinião poderia contribuir para mais do que meramente acentuar o problema. Outros já pensaram como eu. Porém, como descobriu Pedro diante de um auditório de incircuncisos, nossas convicções podem muito bem ser redimidas – isto é, revistas – pelas nossas histórias.
O propósito desta nota é contar o que sei a respeito de um homem, Andrew Marin, e que sei porque já o vi contando essa história muitas vezes.
Andrew (americano, sorridente, atarracado, popular, desportista amador) foi até seus anos de ensino médio um cristão convicto e um homófobo militante, daqueles que se rebaixam sem hesitação à intimidação física e verbal. Não deve haver dúvida, do mesmo modo, de que Marin entendia essas duas vocações (seu cristianismo ardente e seu desprezo ativo pelos homossexuais) como manifestações de uma mesma paixão pela verdade.
Sua vida teria sido mais simples se na época de colégio seus três melhores amigos de infância (duas garotas e um rapaz) não tivessem confiado nele o bastante para fazerem, um a um e sem saberem um do outro, a mesma confissão: Andrew, posso te contar uma coisa? Por favor, não conte pra ninguém, mas eu sou gay.
Foi assim que, num intervalo de três meses, Andrew Marin encontrou-se pela primeira vez com seus três únicos amigos e, como bom cristão, cortou todo laço com eles. Perdeu-os porque eram homossexuais.
Marin mergulhou num estado de profunda e sinfônica perplexidade. Seu mundo havia sido miseravelmente subtraído debaixo de seus pés, e ele passou a requerer do seu Deus e da sua Bíblia uma explicação e uma solução. Ele queria de volta o mundo das suas seguranças anteriores, e exigia que Deus lhe revelasse uma razão, uma secreta justificativa para a tristeza que estava sentindo.
Deus não lhe deu uma resposta, mas o homem creu ouvir na escuridão:
– Andrew, o que você deve se perguntar é como devem ter se sentido os seus amigos, crescendo com você durante todos esses anos: os amigos que, sabendo que você se mostrava em tudo abertamente contrário ao que eles são e ao que representam, escolheram permanecer seus amigos.
Desta caverna emergiu um homem absolutamente notável. Marin decidiu que sua vida deveria servir de ponte entre dois discursos altamente incompatíveis, o dos conservadores evangélicos norte-americanos e o da exuberante comunidade homossexual de seu país. Ele refez o trajeto, pediu perdão a seus amigos e mudou-se para o bairro gay da sua cidade, Chicago, onde reside com a esposa há mais de dez anos. Ali Marin vive, permanece disponível e promove reuniões não-ortodoxas em lugares absolutamente não-ortodoxos, ao mesmo tempo em que organiza os movimentos de uma pequena mas ambiciosa fundação.
Tendo em vista a perene discussão a respeito de até que ponto a orientação homossexual é uma escolha ou um destino, Marin achou melhor subverter os raciocínios subjacentes e adotou como lema a frase O amor é uma orientação, que é também o título de seu livro. Para Andrew Marin, iluminado pelo que vê no sol dos evangelhos, o amor é que é, sem espaço para discussão e em todos os sentidos, uma inescapável orientação. Neste clima e neste momento da história isso implica que os cristãos devem amar formidavelmente e exuberantemente os homossexuais.
Mas na boca de Marin isto não se limita ao batido discurso de odiar o pecado e amar o pecador. Para começar, quando perguntado, Marin recusa-se a dar respostas simplistas e polarizadoras para as perguntas mais quentes que cercam a questão. Ele explica que aprendeu com Jesus a não dar respostas simples para questões complexas, e essa sua postura (precisamente como no tempo de Jesus) desperta por vezes a indignação de gente dos dois lados do muro.
Para muitos conservadores evangélicos, Marin é uma abominação e seu ministério é uma farsa porque, apesar de se apresentar como conservador, ele se recusa a admitir com todas as letras e enfatizar o que eles enxergam como essencial: que a conduta homossexual é incontornavelmente pecaminosa e que não há conjuntura em que ela possa ser considerada aceitável diante de Deus e dos homens. Semelhantemente, para muitos na comunidade homossexual Marin é uma falso amigo e um propagandista infiltrado, porque apesar desse papo de amor ele se recusa a admitir com todas as letras o que eles enxergam como essencial: que a conduta homossexual entre adultos é coisa legítima, íntegra e sã, que merece a celebração dos homens e as bençãos da igreja tanto quanto qualquer relação heterossexual.
Andrew Marin é esse homem que deixa-se queimar entre os extremos, lutando centímetro por centímetro para promover o diálogo sem contribuir para acentuar uma distância que como está já é paralisante. Marin tornou-se um gigante porque teve de fato um bom professor, e aprendeu com o Jesus dos evangelhos que um discurso polarizador não deve ser jamais alimentado. Todo discurso aplicado ao extremo (e os discursos tendem aos extremos) gera esterilidade, hostilidade e desumanização. A ferida dos ódios resultantes só pode ser estancada pelo remédio do amor – o amor que é uma orientação: ao mesmo tempo uma escolha e um destino.
E é de Marin a definição mais fulgurante de amor que jamais ouvi: amor, explica ele, é a expressão mensurável de comportamentos não-condicionados. Permita-me repetir: amar é prover expressões mensuráveis de comportamento não-condicionado. Proponho que façamos todos nós uma tatuagem muito visível e incômoda com essa frase; só depois de recitá-la solenemente para nós mesmos ganharíamos o direito de atirar a primeira pedra.
De que forma Andrew Marin dá evidência desse amor não-condicionado? Ele vive há uma década entre gente que não compreende e não tem ferramentas para compreender. Ele os defende diante de gente que os considera indefensáveis, e recebe a condenação dos que está defendendo porque acham que ele não está indo longe o bastante. Cada um a seu modo, os dois lados acham insuficiente a proposta de amor de Marin. Mas o maluco, o insensato, continua amando.
Nos Estados Unidos, cristãos que frequentam as passeatas gay costumam fazê-lo para levar cartazes que dizem coisas edificantes tipo DEUS ODEIA BICHAS ou VÃO ARDER NO INFERNO. Andrew Marin e seus amigos vão a essas passeatas com cartazes que dizem apenas I’M SORRY – e pedem a quem quiser ouvir desculpas por todo o ódio que já foi derramado sobre os homossexuais no nome daquele que nada tem a ver com o ódio.
Por trás dessa sua singeleza, dessa impertinência de Marin em amar o inimigo tido como o mais desprezível, espreita uma subversão ainda maior: a ousadia de sugerir que um cristão não deve ser capaz de extrair sua identidade de algo que não seja o amor. Para esse pequeno americano, não somos cristãos quando confessamos, quando escolhemos o mesmo adversário ou quando concordamos a respeito de alguma doutrina; somos cristãos enquanto afirmamos teimosamente, sempre em atos mais do que palavras, a supremacia do amor.
É claro que ninguém dá ouvidos ao cara, porque seu ministério é pequeno e sua proposta insensata. Se amar for de fato prover expressões mensuráveis de comportamentos não-condicionados, quem se mostrará pronto a amar? Porque, se for assim, amar não seria você aprovar a conduta de dois caras sentados de mãos dadas no banco da sua igreja, mas seria você respirar fundo e não condená-los por eles estarem ali. Amar não seria você concordar com as posturas do Ricardo Gondim a respeito de qualquer assunto, mas seria concluir que o seu compromisso mútuo com o amor basta para vocês continuarem juntos debaixo de um mesmo teto editorial. Essas seriam expressões genuínas de comportamento não-condicionado. Porque quando não estamos defendendo o amor estamos defendendo meramente a nossa convicção, ou pior, a nossa reputação – e até os pecadores fazem o mesmo. Qualquer homossexual poderia nos ensinar a amar mais e melhor.

Paulo Brabo

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