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sábado, 4 de junho de 2011

SOTERIOLOGIA (a doutrina da Salvação)

SOTERIOLOGIA (a doutrina da Salvação)


 


*O CHAMADO EFICAZ.


Há certos assuntos que são preliminares à Salvação em si. Todos os homens estão perdidos no pecado, cegos espiritualmente e incapazes de crer. É preciso algum ato de interferência de Deus entre sua decisão eterna e a conversão do indivíduo no tempo; o chamado eficaz.
O chamado eficaz é uma obra especial de Deus nos eleitos, dando-lhes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam.
Evidencia-se pelas Escrituras que existe um chamado geral para a Salvação,(Mt 11:28) além disso, quando Jesus disse: "MUITOS SÃO CHAMADOS MAS POUCOS OS ESCOLHIDOS"(Mt 22: 14) é provável que estivesse fazendo referência ao convite universal de Deus. Mas há uma clara diferença entre chamados e escolhidos. Vemos Jesus lançando convites especiais, veja: (Mt 4:18-22; Mc 1: 16-20; Jo 1: 35-51).
O chamado especial é uma obra do Espírito Santo, porque a depravação que caracteriza todos os homens os impede de captar a Verdade revelada por Deus.
O chamado especial ou eficaz é suficientemente poderoso para combater os efeitos do pecado. Ele se torna tão atraente que a pessoa de fato crê.

*A CONVERSÃO.

Qual a ordem lógica na experiência da Salvação? Não existe uma ordem cronológica. Conversão, Justificação, Regeneração, União com Cristo e Adoção, tudo isto se dá no mesmo instante. Somente a Santificação é tanto um ato como um processo, mas trataremos deste assunto mais posteriormente.
A Conversão consiste em dois elementos: Arrependimento e Fé. Mas o homem por si mesmo, nem pode voltar-se para Deus, muito menos se arrepender. A única coisa que a Graça Preveniente o capacita a fazer, é pedir a Deus que o volte para Ele (Sl 85: 4; Jr 31: 18; Lm 5:21). as Escrituras nunca pedem ao homem que a si mesmo se justifique, regenere, ou adote. Somente Deus pode fazer estas coisas.
O Arrependimento é o ato de o incrédulo dar as costas ao pecado, e fé, seu ato de voltar-se para Cristo. São respectivamente o aspecto negativo e o positivo do mesmo acontecimento. Em certo sentido, um é incompleto sem o outro, e um é motivado pelo outro.
As Escrituras não nos especifica o tempo implicado na Conversão. Em algumas ocasiões (Pentecostes) parece ter ocorrido uma decisão cataclísmica,com a mudança acontecendo num piscar de olhos. Pra outros, porém a Conversão foi mais um processo (Nicodemos Jo 19: 39) de modo semelhante as reações emocionais que acompanham a Conversão podem variar em muitos aspectos. A conversão de Lídia parece ter sido muito simples e calma quanto à natureza(At 16:14). Por  outro lado, lemos a respeito do carcereiro Filipense que, ainda tremendo de medo por ter ouvido que nenhum dos prisioneiros havia escapado depois do terremoto clamou: " QUE DEVO FAZER PARA SER SALVO?"(V 30). As experiências de Conversão deles foram muito diferentes, mas o resultado final foi o mesmo. Às vezes a igreja se esquece que há variedade na forma de Deus Agir.
É importante também fazer distinção entre Conversão e conversões. Só existe um grande ponto na vida em que o indivíduo volta-se para Cristo em resposta à sua oferta de Salvação. Mas pode haver outros pontos que os crentes precisem abandonar certas práticas ou crenças para não retornar à vida de pecado. esses eventos porém são secundários, são reafirmações daquele grande passo já dado. Diríamos que podem ocorrer muitas conversões na vida Cristã, mas apenas uma Conversão.
Passemos adiante e vamos tratar dos dois aspectos da conversão: Arrependimento e Fé.

* O ARREPENDIMENTO:


O aspecto negativo da Conversão é o abandono ou repúdio ao pecado. Isso é o que entedemos por arrependimento. Quando examinamos o Arrependimento e a Fé, devemos nos lembrar de que não podemos de fato separá-los. Vamos tratar primeiro o Arrependimento porque, pela lógica, o lugar em que se estava, precede ao lugar a que se vai.
*A IMPORTÂNCIA DO ARREPENDIMENTO:


A importância do arrependimento não é sempre reconhecida como deveria ser. Os evangelistas apelam aos não salvos para aceitarem a Cristo e crerem, sem mostrar ao pecador que está perdido e carece de um Salvador. O Arrependimento era a mensagem do Velho Testamento (Dt 30:10; 2Rs 17:13; Jr 8:6; Ez 14:6; 18:30). Foi o ponto alto da pregação de João Batista (Mt 3:2), de Cristo (Mt 4:17; Lc 13:3,5), dos doze como grupo (Mc 6:12) e de Pedro em particular no dia de Pentecostes (At 2:38). Era também fundamental na pregação de Paulo (At 20:21;26:20). O arrependimento é algo em que todo o Céu está interessado (Lc 24:46,47), é o fundamento dos fundamentos (Hb 6:1) Porque é uma condição absoluta para a Salvação.

* O SIGNIFICADO DE ARREPENDIMENTO:


O dicionário comum define arrependimento como sendo uma sincera e completa mudança de mente e disposição com relação com relação ao pecado, e abandono voluntário dele.
Exceto por ser desajeitada, é uma definição ótima. Observe que arrependimento é essencialmente uma mudança de mente, tomando a palavra em sentido mais amplo,tem não obstante três aspectos: - intelectual, emocional e volitivo.

* INTELECTUAL:


É uma mudança em relação ao pecado, a Deus e ao próprio eu. As Escrituras falam deste aspecto como conhecimento do pecado (Epignosis hamartias) (Rm 3:20) Sl 51:3,7; jó 42: 6; Lc 15:17,18 tratam deste deste aspecto do arrependimento.

*EMOCIONAL:


É a fase do arrependimento no qual pensamos mais freqüentemente. Na realidade, a palavra arrepender vem do latim re plus poenitere, " ficar triste de novo". Temos que lembrar que a tristeza pelo pecado e desejo pelo perdão são aspectos do arrependimento (Sl 51:1,2;2Co 7:9,10). As Escrituras apresentam a idéia com a palavra grega Metamelomai " ter um sentimento de cuidado, preocupação e pesar".


* VOLITIVO OU VOLUNTÁRIO:


Subtende-se uma mudança de vontade e da disposição. É a volta íntima contra o pecado. É a apresentada na
Escritura pela palavra grega Metanóia que significa mudança de idéia.
Não somos Salvos para o arrependimento, mas sim para que nos arrependamos. O verdadeiro arrependimento nunca existe independentemente da fé. Isto é, não se pode voltar contra o pecado sem ao mesmo tempo voltar-se para Deus. Os dois estão inseparavelmente unidos. Quando examinamos a questão do arrependimento não podemos deixar de nos impressionar com sua importancia como pré-requisito para a Salvação. A quantidade dos Versículos e a variedade dos contextos em que se destaca o arrependimento deixam claro que ele não é opcional, mas indispensável. Isto é um argumento irrefutável contra Dietrich Bonheffer que chama de "graça barata" (ou crença fácil). Não basta simplesmente crer em Jesus e aceitar a oferta da Graça. É preciso que haja uma alteração interior da pessoa.

  • OS MEIOS DO ARREPENDIMENTO:


    No lado Divino, o arrependimento é dádiva de Deus (AT 11:18; 5:31; 2tM 2: 25). Como então é o homem responsável por não tê-lo? Somos chamados a arrependermos para que possamos sentir nossa própria incapacidade de fazer isto, e conseqüentemente sermos jogados para Deus e pedimos a Ele que execute esta obra da Graça em nossos corações.
    No lado humano, é trazido por diversas coisas. A Palavra de Deus (Lc 16: 30,31), a pregação do Evangelho (Mt 12:41; Lc 24:47; at 2:37,38), a Bondade de Deus para com suas criaturas (Rm 2:24; 2 Pe 3:9), pela correção do Senhor (Ap 3:19; Hb 12:10,11), crença na Verdade (Jonas 3:5). E uma nova visão de Deus (Jó 42:56,6). São os meios que deus usa para produzir arrependimento.

*A FÉ:


A Fé é o aspecto positivo da Conversão. O ato de se apossar das promessas da Obra de Cristo. A fé está bem no centro do Evangelho, Pois é o veiculo pelo qual somos habilitados a receber a Graça de Deus.
Assim como no caso do arrependimento, o caso da fé não recebe a atenção que merece. grande importância é dada a conduta; o credo da pessoa é considerada uma questão indiferente. No entanto, a vida da pessoa é governada por aquilo em que ela crê.

*A IMPORTÂNCIA DA FÉ:


A Escritura diz que somos salvos pela Fé (At 16:31; Ef 2:8, Rm 5 :1), enriquecidos com o Espírito (Gl 3:5-14), santificados pela fé (At 26:18), guardadas pela fé (1Pe 1:5; Rm 11:20; 2Co 1:24; 1Jo 5:4), estabelecidos pela fé (Is 7:9), curados pela fé (Tg 5:15; At 14:9); andamos pela fé (2Co 5:7), sobrepujamos dificuldades (Rm 4: 18-21).

*O SIGNIFICADO DA FÉ:


O que é fé? Imediatamente nos lembramos da declaração em Hebreus 11:1, é esta uma definição de fé? Moule diz a respeito destas palavras:
"Elas não definem a fé em si; elas não a descrevem em seu poder. São o tipo de declaração que fazemos quando dizemos: conhecimento é poder. Essa não é uma definição de conhecimento de modo algum. É uma descrição dele em um de seus grandes efeitos."
As vezes a fé é retratada como antítese da razão, como algo que se pode confirmar. É verdade que a fé não se estabelece sobre a base anterior formada por provas irrefutáveis. Mas também acontece de a fé, uma vez empenhada, nos permitir deduzir e reconhecer várias provas que a sustentam. Ela atua em conjunto com a razão, e não contra ela. A fé é o ato da alma voltar-se para Deus como o arrependimento é o ato da alma voltar-se contra o pecado.
As Escrituras mostram a fé como um ato do coração. Sendo portanto uma transação intelectual, emocional e volitiva.

* INTELECTUAL:


É a crença na Revelação de Deus na natureza e nos fatos Históricos da Escritura, e nas doutrinas ali ensinadas quanto à pecaminosidade do homem, a Redenção providenciada em Cristo, as condições para a Salvação e para todas as bençãos prometidas aos filhos de Deus.

*EMOCIONAL:


É enfatizado em passagens como Sm 106:12,13; Mt 13:20,21; Jo 8:30,31. Podemos definir o elemento emocional da Fé como o despertar da alma para suas necessidades pessoais e para a aplicabilidade pessoal da Redenção fornecida em Cristo, juntamente com um assentimento imediato a essas verdades.
Aqueles que tem uma  quantidade indevida de emoção em sua fé, tem a tendência a escorregar e sentir a necessidade de serem " salvos" muitas vezes novamente.

*VOLUNTÁRIO OU VOLITIVO:


É a conseqüência lógica do intelectual e emocional. Certamente ninguém que não se apropriar a Cristo pode ser salvo, e ninguém obtém a resposta às suas orações se não receber de todo coração a promessa de Deus.
O elemento volitivo inclui a rendição do coração a Deus, e a apropriação de Cristo como Salvador. (Pv 23:26, Mt 11:28,29;Lc 14: 26,33). A pessoa enferma tem de se render a seu médico, mas tem também de se apropriar o remédio para a sua doença.

* A FONTE DA FÉ:


O LADO DIVINO:

No lado divino, fé é o dom de Deus (Rm  12:3; 2Pe 1;1; Ef2: 8,9).

O LADO HUMANO:


No lado humano, a fé é produzida pela palavra de Deus (Rm 10:14,17; At 4:4), nossa salvação principia com uma crença intelectual da palavra de Deus. É também produzida ao olharmos para Jesus (Hb 12: 2) , a oração é também definitivamente apresentada como um meio para a fé (Mc 9: 24; Lc 17: 5; 22:32).

*OS RESULTADOS DA FÉ:


SEGURANÇA.


É verdade que a segurança vem pelo testemunho do Espírito Santo (Rm 8: 16), intimamente associada à segurança estão a paz (Rm 5:1; Is 26:3), e o descanso (Hb 4:3) conseqüentemente o gozo (1Pe 1: 8).

BOAS OBRAS.


A fé necessariamente leva às boas obras. fomos salvos independente de boas obras (Ef 2: 9; Rm 3:20), mas mesmo assim "para boas obras" (Ef 2:10). Tiago enfatiza a manifestação da fé pelas "obras" (Tg 2: 17-26). Outros textos concernentes: Gl 2:16; 3:10; 5: 6; Tt 1:16; 2: 14; 3:8; Sl 116: 10.

Anderson Luiz de Souza


BIBLIOGRAFIA:


Bíblia revista e atualizada - Almeida, João Ferreira de 
Bíblia de estudo NVI - Nova Versão Internacional.
Palestras em Teologia Sistemática – Thiessen, Henry Clarence.
Introdução à Teologia Sistemática – Erickson, Millard J.

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