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sábado, 30 de julho de 2011

O EVANGELHO DA PÓS-MODERNIDADE (Pr. Pedro Rocha)

Que tipo de evangelho tem sido proferido pela chamada “igreja evangélica” atualmente? Destaco aqui alguns pontos que certamente você já ouviu.

1. É o evangelho que coloca a felicidade ao alcance da mão, ali na prateleira, na loja da esquina, publicitada em todo tipo de mercadoria.

2. É o evangelho da alma que se dilacera, seja pela frustração de não dispor de meios para alcançá-la; seja por angariar os produtos do fascinante mundo do consumismo religioso e descobrir que, ainda assim, o espírito não se sacia.

3. É o evangelho que se repete incessantemente que todos temos a obrigação de ser feliz, de vencer, de nos destacarmos do comum dos mortais. Sobre esses recai o sentimento de culpa por seu fracasso.

4. É o evangelho que anuncia uma esperança, que apregoam o caráter miraculoso da fé. Jesus é a solução de todos os problemas. Inútil procurá-la nos sindicatos, nos partidos, na mobilização da sociedade.

5. É o evangelho que engolido pelo vácuo pós-moderno, tende a reduzir-se à esfera do privado; olvida sua função social; ampara-se no mágico; desencanta-se na auto-ajuda imediata.

6. É o evangelho que é ocupado pelo oráculo poderoso da mídia; os dogmas inquestionáveis do mercado da fé; o amplo leque de propostas esotéricas.

7. É o evangelho adaptado às necessidades psicossociais de evasão, da falta de sentido, de fuga da realidade conflitiva.

8. É o evangelho impregnado de orientalismo, de tradições religiosas egocêntricas, ou seja, centradas no eu, e não no outro, capazes de livrar o indivíduo da conflitividade e das responsabilidades sociais.

9. É o evangelho que, manipula o sagrado, submetendo-o aos caprichos humanos. O sobrenatural se curva às necessidades naturais.

10. É o evangelho das técnicas psicoespirituais, de onde derivam a prosperidade, a cura, o alívio, o encontro com o transcendente.

11. É o evangelho que ensina que as dificuldades pessoais e sociais devem ser enfrentada pela auto-ajuda, a meditação e a prática de ritos.

12. É o evangelho onde o sagrado passa ser ferramenta de poder, para controle de corações e mentes, e também do espaço político. O Bem identifica-se com a minha crença religiosa.

13. É o evangelho que cria uma Igreja, mais voltada à sua dilatação patrimonial que ao aprimoramento do processo civilizatório, evita criticar o poder político para, assim, obter dele benefícios: concessão de rádio e TV etc.

14. É o evangelho que ajusta a sua mensagem a cada grupo social que se pretende alcançar.

A este evangelho Paulo já pronunciou a sentença divina: “Seja anátema!”

Pr. Pedro Rocha   

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