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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O que a religião e a graça fazem com quem falha (João 8:1-11)




Introdução




Estamos diante de uma cena que se repete todos os dias.  Uma multidão
entusiasmada com a possibilidade de apedrejar alguém. Somos hábeis em
apedrejar pessoas. Apedrejar o outro alivia a nossa natureza carnal e violenta.
Apedrejar o outro dá a sensação de que somos bons e sem pecado, além de
mostrar a todos que estamos cooperando com a eliminação de gente errada em
nosso meio e, assim, promovendo a purificação do ambiente.
Aquela multidão caminhou empolgada com a notícia do apedrejamento que na
próxima hora. O vozerio era grande. Provavelmente aquela mulher, aqui e ali
ouviu uma piadinha sarcástica, fazendo com que todos rissem, menos ela. Ela
não ria. Talvez até chorasse. Se não estava chorando, o rosto era de um sério de
morte, petrificado. Ela sabia que daquela vez não escaparia. E o pior, a vergonha...
A vergonha era grande. Talvez fosse melhor morrer do que enfrentar o seu
marido, seus amigos. Como enfrentar novamente seus vizinhos (a sua cidade)
como uma adúltera pega em flagrante?
Ela era mais uma pessoa que havia falhado diante de Deus. Veja comigo o que
a religião faz com quem falha, e depois, acompanhe o que a graça faz com essa
mesma pessoa.

A religião aplica as penas da lei a quem
tropeçou na vida 


“...na Lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu,
pois, que dizes?” (João 8:5)
A religião é impiedosa. Por isso, a misericórdia não cabe no coração de um
religioso, mas sim as penas da lei. Ele a aplica sobre quem falhou e depois diz: “É
para dar exemplo”.
O que a religião e a graça
fazem com quem falha
(João 8:1-11)

A religião não considera a vida do outro 


“...disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante
adultério.” (João 8:4).
A vida do outro não é considerada pelo religioso. Por isso, não têm nenhum
remorso em levar alguém à morte. Pouco importa seu nome, pouco importa sua
história. “tais mulheres” é o máximo de sua consideração àquela que falhou. A
vida do outro nada significa pra quem é religioso.
Quem é religioso pouco importa com a reputação do outro. Observe que eles
fazem a mulher ficar de pé no meio de todos. Diz o texto que “os escribas e
fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e,
fazendo-a ficar de pé no meio de todos...” (João 8: 3).

A religião manipula as circunstâncias
para acusar o justo 

“Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar...” (João 8: 6)
A vida daquela mulher pouco importava; na verdade, ela era uma isca para
acusarem Jesus. O que eles queriam mesmo era a condenação de Jesus. Quem
não conhecesse o contexto pensaria que aqueles homens eram de fato santos
homens de Deus, que queriam maior santidade entre o povo.
Os bastidores dessa história, porém, revelam que eles queriam matar Jesus.
Para tanto, manipulavam as circunstâncias, a história, para colocar Jesus fora
de cena. Mesmo que isso custasse a vida de uma pessoa.

A religião é falsa, hipócrita 


“...disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante
adultério” (João 8:4)
Observe que em público tratam Jesus de “Mestre”. Pelas costas querem a sua
morte. Conheço muita gente assim hoje, que vive tratando o outro de pastor e
reverendo, em público, mas nas conversas malignas querem mesmo é a morte
de seu líder.

A graça, por sua vez, considera a vida, mesmo que
essa vida seja condenável


“... Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe
atire pedra” (João 8:7)
Aquela mulher estava errada mesmo. Ela era condenável pela Lei de Moisés.
Talvez até fosse “falada”por suas escapadas sexuais, o que a tornou uma presa
fácil para ser levada até Jesus, naquela madrugada. Mesmo assim, o Senhor
a trata com graça.
O que é a graça senão dar a alguém o que essa pessoa não merece? Aquela
mulher recebeu a graça de uma defesa: a melhor defesa. Só Jesus estava do
seu lado – e era o que bastava.
A graça mantém a vida, mesmo daquele que fez por merecer a morte. A graça
me dá uma nova chance de viver, apesar dos acusadores. Foi isso que Jesus
fez àquela mulher. Ela estava toda errada, mas a graça de Deus a acolheu e
lhe disse: “Continue viva”.

A graça sempre vence a religiosidade, ainda que a 
religiosidade tenha platéia maior


“... foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até
aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava”
(João 8: 9)
A religião tem muitos adeptos. É fácil ser religioso, por uma razão muito
simples. A religião não tem compromisso com a vida, e sim com a morte.
Como “o mundo jaz no maligno”, então a morte é o curso natural. Nada
mais natural do que defender a morte num mundo morto que a promove
continuamente. Mesmo assim, a graça vence a religião. É a minoria vencendo
a maioria, porque essa minoria é a minoria da poderosa graça de Deus.
Uma única palavra desmontou o pensamento religioso. “Aquele que dentre
vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra” (João 8:7). A
religião não prepara a pessoa para refletir sobre si mesma, e sim para acusar
o outro. No momento em que Jesus os fez refletir sobre si mesmos, não
puderam levar adiante o projeto de morte do outro.

A graça permanece sempre ao lado de quem falhou


“Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher,
perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém
te condenou?” (João 8:10)
A graça é a que continua ao nosso lado, quando a acusação vai embora
envergonhada. Todos foram embora, só restando Jesus e a mulher. A mulher
também não foi embora. Interessante isso. Enquanto todos se retiravam, fico
pensando sobre o que passou pelo coração daquela mulher? “O que eu faço?!
Também vou embora ou fico aqui?”
Eu creio que ela entendeu que o lugar mais seguro pra ela, naquele momento,
era ao lado do seu defensor: ao lado de Jesus. Ali ao lado de Jesus não havia mais
xingamentos, mais acusações, não havia olhares de desprezo.
Ao lado de Jesus só havia consideração e compreensão. Ela não queria ir embora.
Ficaria ali, mesmo envergonhada, mas ficaria ali, na segurança da graça do seu
Senhor.
Seu Senhor? Sim, o seu Senhor. Observe a resposta que ela dá a Jesus.  “Mulher,
onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela:
Ninguém, Senhor” (João 8:10-11).

A graça me livra da condenação, mas ordena a santidade


“Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu
tampouco te condeno; vai e não peques mais” (João 8: 11)
O único ali que poderia condenar era Jesus, pois Ele não tinha pecado. Mas ele
diz: “Nem eu tampouco te condeno”. E acrescenta: “Vai e não peques mais”.
A graça não faz acordo com o pecado. A graça apenas me livra dele, e insiste em
que eu seja santo, pois a graça de Deus não é libertina. Ela é santificadora.

Conclusão


Era madrugada e Jesus voltou ao templo. Ali ele ensinava as multidões. Os
religiosos, por sua vez, foram até lá não para promover a vida, mas para acusarem.
Lá estavam eles, mesmo diante de Jesus, querendo a morte daquela que falhou.
É assim que age um religioso. Ele faz da casa de Deus a casa da morte, a casa da
sentença capital, a casa do desespero. Para ali ele leva as pessoas para perderem
a esperança de vida. Foi isso que fizeram com aquela mulher.
Mas Jesus a salvou. A graça entrou na história daquela mulher e a libertou de
seus acusadores. Para ela a casa de Deus agora era a cada da vida, da esperança,
a casa da graça.
Que o Senhor faça de cada um de nós agentes de sua graça. Somos filhos da
graça para promover relacionamentos graciosos e santos Nele.
Que seja assim entre nós!
Amém!

Encontro Vinho Novo
www.encontrovinhonovo.com.br

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