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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

UMA BREVE EXPOSIÇÃO BÍBLICA DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO

TEMA: UMA BREVE EXPOSIÇÃO BÍBLICA DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO

AUTOR: Pr. Pedro Rocha

Introdução: O trabalho que se segue é apenas um pequeno degrau para aqueles que desejam ter uma breve introdução sobre esta doutrina tão temerosa em nosso meio. Quase não se menciona nem a palavra nem a doutrina da predestinação em nossas igrejas. Uns porque acham isso doutrina de Presbiterianos, e nós,  afinal somos batistas; outros por entender que esta doutrina e por demais misteriosa ou controvertida, que só produzirá confusão nas mentes dos crentes. E outros porque tem preconceito, ou não desejam ler a Bíblia sobre este tema. A mim, isso me parece um grande desperdício. Não conhecer esta doutrina é não ouvir aqueles segredos que Deus conta para os mais “chegados”, não que eu seja tão ‘chegado’ e vocês a redil, nada disso. Mas me definiria neste ponto como um “esforçado”, para provar deste néctar maravilhoso das Escrituras. Espero poder contribuir ao menos para despertar algumas dúvidas em meus leitores e/ou ouvintes, e quem sabe uma boa e calorosa discussão teológica em nosso meio.
                    O título deste trabalho é modesto, como modesta é a apresentação: “Uma breve exposição bíblica da doutrina da predestinação”. Não aprofundo na discussão teológica, desejo apenas apresentar a Bíblia e o que ela ensina sobre o assunto. Primeiramente precisamos certificar que esta doutrina está na Bíblia, uma vez fundamentada nas Escrituras, poderemos discutí-la nos termos da teologia.
                    A doutrina da predestinação faz parte dos decretos de Deus. Por isso é que as vezes na Teologia a palavra “predestinação” é empregada como sinônimo da palavra geral “decreto”. Quando passamos a tratar estritamente de predestinação, continuamos tratando dos decretos, porém, passamos do geral para o particular.

(1). Definição: 1. “decreto”. Neste caso vale ressaltar que a doutrina da predestinação faz parte dos decretos de Deus. Por isso é que as vezes na Teologia a palavra “predestinação” é empregada como sinônimo da palavra geral “decreto”. Quando passamos a tratar estritamente de predestinação, continuamos tratando dos decretos, porém, passamos do geral para o particular.
                       2. “O propósito de Deus com respeito a todas as Suas criaturas morais”
                       3. “O conselho de Deus concernente aos homens decaídos, incluindo a eleição soberana de uns e a justa reprovação dos restantes”
                       4. “Determinar previamente as fronteiras, predestinar”

(2). A doutrina da predestinação na história: Até os dias de Agostinho a doutrina da predestinação não era um assunto considerado importante na discussão teológica.

2.1. Os primeiros pais da igreja falam dela, porém faz-nos pensar que não tinham uma concepção clara do assunto. E eles a consideram como sendo a presciência de Deus com referência aos atos dos homens, baseado no qual Deus determina o destino futuro do homem.

2.2. Pelágio, não admitia uma predestinação absoluta, mas uma predestinação condicional, baseada na presciência de Deus sobre os atos dos homens.

2.3. Agostinho, a princípio pensava na predestinação condicional, porém uma reflexão mais profunda sobre o caráter soberano de Deus levou-o a ver que a predestinação não dependia da presciência de Deus sobre os atos humanos. Contudo ensinava a dupla predestinação: para a vida e para a morte. A primeira é um ato puramente soberano de Deus, neste caso os eleitos são objetos da predestinação, ao passo que a predestinação para a morte ela é judicial e leva em conta o pecado do homem, e os reprovados são os objetos da presciência.

2.4. Os semipelagianos, embora admitindo a necessidade da graça divina para a salvação, reafirmaram a doutrina da predestinação baseada na presciência.. Silenciaram a voz dos agostinianos e passaram a dominar principalmente entre os líderes da igreja.

2.5. A Igreja Católica Romana admitia a doutrina da predestinação, porém seus mestres sustentavam  que Deus queria a salvação de todos os homens, e não apenas dos eleitos. De um lado temos Tomás de Aquino movendo-se na direção do agostinianismo e Molina, seguindo em direção do semipelagianismo. Todavia, Tomás de Aquino não podia desenvolver esta doutrina livremente como fator determinativo em sua teologia.

2.6. No início Lutero e Melanchton aceitava a doutrina da predestinação, mas a convicção que Deus queria que todos os homens fossem salvos levou a enfraquecer a doutrina da predestinação na teologia luterana, passando a adotar uma predestinação condicional.

2.7. Calvino sustentou firmemente a doutrina agostiniana da predestinação, como sendo dupla e absoluta.. Dava ênfase ao fato de que o decreto concernente à entrada do pecado no mundo foi um decreto permissivo, e que o decreto de reprovação foi elaborado de maneira que Deus não seja apontado como o autor do pecado, nem responsável por este de modo nenhum. Todas as confissões reformadas (calvinistas) incorporam esta doutrina.

2.8. Os arminianos investiram contra esta doutrina, suplantando-a pela doutrina da predestinação condicional.

2.9. Schleiermacher, o pai do liberalismo, deu uma formulação inteiramente diversa para a doutrina da predestinação. A religião para ele era um sentimento de dependência absoluta da causalidade própria da ordem natural, que predeterminam todas as decisões e ações humanas, e a predestinação foi identificada com esta predeterminação feita pela natureza ou pela conexão causal que há no universo.

2.10. Na teologia moderna a doutrina da predestinação não encontra apoio real. Ela é ora rejeitada, ora alterada de tal forma que fica irreconhecível. Uns a chamam de determinismo, outros a apresenta como uma predestinação de todos os homens a se conformarem à imagem de Cristo. Para outros ela se reduz a certos privilégios ou ofícios.

2.11. Karl Barth, dirigiu sua atenção à doutrina da predestinação, mas sua elaboração está longe do pensamento de Agostinho e Calvino. Ele se faz ouvir em concordância com os reformadores no que diz respeito a soberana liberdade de Deus em sua eleição, revelação, vocação, e assim por diante. Mas não ensina a predestinação como uma predeterminada separação entre os homens, e descarta o conceito de uma eleição particular. Ele entende que o homem por ser pecador, está reprovado diante de Deus, mas por causa de Cristo ele é escolhido, ou seja do lado humano o homem é sempre reprovado, mas, visto do lado divino, é sempre eleito.

(3). Termos bíblicos para a predestinação - Vamos considerar os seguintes termos:

3.1. A palavra hebraica “yada” – Pode significar:
1.     “conhecer”
2.     “tomar conhecimento” de alguém ou de alguma coisa.
3.      “tomar conhecimento de alguém com cuidado amoroso,
4.     “fazer de alguém objeto de amoroso cuidado ou de amor eletivo.

 Este é o sentido que aparece nos textos a baixos:
Ø      “Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.” (Gn 18.19)

Ø      “De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.” (Am 3.2)

Ø      “Eu te conheci no deserto, em terra muito seca.” (Os 13.5)

3.2. As palavras gregas “ proginoskein” e “prognosis” – O sentido destas palavras no NT não são definidos pelo uso delas  no grego clássico, mas pelo sentido especial de “yada”. Elas não indicam simples previsão ou presciência intelectual, nem mera obtenção de conhecimento de alguma coisa de antemão, mas  conhecimento seletivo que toma em consideração alguém favorecendo-o, e o faz objeto de amor, aproxima-se da idéia de predeterminação. Este é o sentido das passagens a baixo:

Ø      “A este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos.” (At 2.23)

Ø      “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaramque se fizesse”. (At 4.28)

Ø      “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

Ø      “Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo”.(Rm 11.2)

Ø      Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1 Pd 1.2)

Estas passagens perdem seu significado, se as palavras forem entendidas apenas no sentido de conhecer alguém antecipadamente, pois neste sentido Deus conhecem todos os homens. Este conhecimento prévio inclui a certeza absoluta desse estado futuro, e por esta razão chega bem perto da idéia da predestinação. Em I Pedro 1:2 a palavra para "presciência" é a mesma para "conhecido" no vigésimo versículo do mesmo capítulo, onde o significado não pode ser "conhecimento" sobre Cristo. O conhecimento de Deus sobre as pessoas não tem limites, ao passo que Seu conhecimento de pessoas é limitado aos que são realmente salvos e glorificados.

3.3. A palavra grega “eklegethai” e “ekloge” –  Muitos pensam que esta palavra  incluem a penas a idéia de um chamamento para dado privilégio, ou a idéia do chamamento para a salvação, mas seu sentido não esgota nisto. A ênfase destas palavras recai no elemento de:
1.     escolha ou seleção mediante o decreto de Deus, concernente ao destino eterno dos pecadores;
2.     escolha acompanhada por beneplácito;
3.     escolha de Deus de certo número de membros da raça humana colocando-os numa relação especial com Ele;
4.     chamamento para dado privilégio;
5.     chamamento para a salvação;
6.     refere-se a uma eleição anterior e eterna.

Vejamos os textos a baixo:

Ø      “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleiçãopermanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. (Rm 9.11)

Ø      “Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescentesegundo a eleição da graça.” ( Rm 11.5)

Ø      “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”. (Ef 1.4)

Ø      “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade.” ( 2 Ts 2.13)


3.4. As palavras gregas “proorizein” e “proorismos” – Estas palavras se referem à predestinação incondicional, ou absoluta. Elas se referem a predeterminação do homem para certo fim, e de acordo com a bíblia, o fim pode ser bom ou mau (veja At 4.28; Ef 1.5). Contudo , o fim a que se refere não é necessariamente o fim último, é um fim dentro do tempo, o qual por sua vez, é um meio para o fim último. Vejamos os textos a baixo:

Ø      “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaramque se fizesse”. (At 4.28)

Ø      “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

Ø      “Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória.” ( 1 Co 2.7)

Ø      “E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade...nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinadosconforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade.” (Ef 1.5,11)

3.5. As palavras gregas “protithenai” e “prothesis” – A idéia nestes vocábulos é que Deus põe diante de si um plano definido. Refere-se ao propósito de Deus, de predestinar certos homens para a salvação. Estas palavras aparecem nos textos a baixos:


Ø      “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

Ø      “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. (Rm 9.11)

Ø      “fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs.” (Ef 1.9)

Ø      “nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sidopredestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade.”(Ef 1.11)

Ø      “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.” (2 Tm 1.9)



4. Autor e objeto da Predestinação

4.1. Autor: O decreto da predestinação é “um ato concomitante das três pessoas da Trindade, que são uma só em seu conselho e sua vontade. Mas na economia da salvação, como nos é revelada na Escritura, o ato soberano de predestinação é atribuído mais particularmente ao Pai”.(1)Observe os textos a baixo:


Ø      “ Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a tua palavra...Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus”. (Jo 17.6,9)

Ø      “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

Ø      “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),.. foi-lhe dito: O maior servirá o menor... Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.” (Rm 9.11-13)


Ø      “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”. (Ef 1.4)

Ø      “E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade...nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade.” (Ef 1.5,11)

Ø      Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1 Pd 1.2)


4.2. Os objeto: O decreto da predestinação inclui todas as criaturas racionais. Sendo: Todos os homens, bons e maus; Os anjos, bons e maus e Cristo como Mediador. Vamos analisar por parte:

4.2.1. Todos os homens, bons e maus: Esta predestinação nos é ensinada nas Escrituras, não apenas como grupos, mas também como indivíduos. Os textos a baixos nos leva a esta conclusão. ( At 4.28; Rm 8.29,30: 9.11-13: Ef 1.5,11)

4.2.2. Todos os anjos, bons e maus: Temos menção na Bíblia de anjos santos (Mc 8.38; Lc 9.26), de anjos ímpios, que não conservaram o seu estado original (2 Pd 2.4: Jd 6), mas também faz menção de anjos eleitos em 1 Tm 5.21: “Conjuro-te diante de Deus, e de Cristo Jesus, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com parcialidade.” Como podemos conceber a predestinação dos anjos ?  Os Batistas deste 1689 já  criam na predestinação tanto dos homens, quanto dos anjos. Na Confissão Batista de Londres  lemos: “Pelo decreto, e para manifestação da glória de Deus, alguns homens e alguns anjos são predestinados (ou preordenados) para a vida eterna através de Jesus Cristo,7 para louvor da sua graça gloriosa.8 Os demais são deixados em seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação; e isto para louvor da justiça gloriosa de Deus. Os anjos e homens predestinados (ou preordenados) estão designados de forma particular e imutável, e o seu número é tão certo e definido que não pode ser aumentado ou diminuído.” (2)
A). O que vem significar esta predestinação dos anjos ?
1.     Para alguns, significa simplesmente que Deus determinou de modo geral que os anjos que permanecessem santos seriam confirmados num estado de bem-aventurança, ao passo que os demais estariam perdidos. Tal idéia não harmoniza com a visão bíblica da predestinação.
2.     A verdade é que Deus, decretou dar a um certo número de anjos, uma grande capacidade para permanecerem santos, uma graça especial da perseverança; e privar desta graça os demais.

B). A diferença da predestinação dos homens e dos anjos: Quanto a predestinação dos homens, Deus escolheu certo números de homens dentre a multidão dos caídos. Enquanto que na predestinação dos anjos, Deus não esperou a queda deles para depois escolher os eleitos. Também os homens foram eleitos ou predestinados tendo Cristo como Mediador, ao passo que os anjos  foram eleitos ou predestinados tendo Cristo como Chefe, isto é, para estarem em relação ministerial  com ele.

4.2.3. Cristo predestinado como Mediador: Ele é objeto da predestinação nos seguintes sentidos:

A). Havia um amor especial do Pai, distinto do seu amor usual ao Filho, desde toda eternidade.

·        “Qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós.” ( 1 Pd 1.20)

·        “e, chegando-vos para ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e preciosa.” ( 1 Pd 2.4)

B). Ele como Mediador era objeto do beneplácito de Deus. ( Leia 1 Pd 2.4)

C). Ainda como Mediador ele foi adornado coma imagem especial de Deus, à qual os crentes devem conformar-se.

·        “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

D). O reino em toda a sua glória foram ordenados a Ele, para que ele os passe aos crentes.

·        “E assim como meu Pai me conferiu domínio, eu vo-lo confiro a vós.” ( Lc 22.29)

 

5. As duas partes da Predestinação: Eleição e Reprovação


5.1. ELEIÇÃO: “A Eleição se refere ao decreto divino de escolher, dentre a humanidade condenada, certos indivíduos para serem beneficiários do Dom gratuito da salvação. Deus fez isso sem referência aos méritos, ao estado da vontade, ou a fé prevista dos eleitos.” (3)

5.1.1.A importância da Eleição: A Eleição é como uma luz que ilumina o significado da palavra "graça". Sem ela, a graça é entendida como a recompensa por alguma atividade ou disposição humana, e não como a causa desta disposição. Se a definição correta da palavra "graça" é "um favor imerecido", então a graça tem que ser independente de qualquer atividade humana. No momento em que aceitamos este conceito, entendemos porque a graça e a eleição são inseparáveis. Não é lógico proclamar a doutrina da salvação pela graça enquanto negamos que a Eleição o seja. Paulo expressou esta unidade com estas palavras: "Assim pois também agora, no tempo de hoje sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça.”(Rm 11:5)

5.1.2. A Bíblia fala de diferentes tipos de eleição: Vejamos alguns:

1. Eleição para serviço ou testemunho: Deus elege certas pessoas ou nação, como no caso de Israel, para serem suas testemunhas diante dos homens dando a eles oportunidade de conhecer ao Senhor e serem nele abençoados. No caso de Abraão e sua posteridade há pelo menos três razões desta escolha : 1).Manter acessa uma luz  de conhecimento do verdadeiro Deus no mundo. Se não fora Israel este conhecimento teria desaparecido da terra. (2).Deus queria se revelar ao mundo por meio de Israel. Este povo foi o depositário dos “oráculos de Deus” (Rm 3.1,2). (3).Deus quis por meio deles enviar o Salvador ao mundo. “A salvação vem dos judeus”, disse Jesus (Jo 4.22).

2. Eleição de nações e comunidades para o conhecimento e para os privilégios do Evangelho: Este tipo de eleição tem sido chamado de “Eleição Nacional”. Tal eleição pode ser exemplificada na nação judaica, no passado, e em certas nações européias, assim como na América, na era cristã. É inegável que Deus concedeu privilégios a Israel, que não concedeu a nenhuma outra nação no passado, bem como é inegável que Deus, durante a era Cristã tem, dado oportunidades a certas nações que recusou a outras. Quando o Espírito Santo impediu Paulo de anunciar o evangelho na Ásia e teve a visão de um homem da Europa, uma parte do mundo foi soberanamente excluída do anúncio do evangelho, e outra parte soberanamente  foi dada os privilégios do evangelho (At 16.6-10). Samuel Falcão em seu livro “Predestinação”, citando o Dr. Boettner,  escreve:  “A disparidade relativamente aos privilégios espirituais nas diferentes nações só se deve atribuir ao beneplácito de Deus”(4).

3. Eleição para serviço no sentido mais geral: Há certas pessoas a quem Deus dá talentos  especiais e coloca em posições de grandes responsabilidade. Por exemplo, os magistrados (Rm 13.1-7), de acordo com Paulo eles são eleitos por Deus para exercerem autoridade no interesse coletivo. Deus tem um plano para cada ser humano e de acordo com este plano ele dá talentos especiais ou inclinações, que os capacitam para sua vocação especial. Todavia ninguém pode reclamar com Deus, como escreve Paulo: “Quem és tu ó homem ,para discutires com Deus? Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?” (Rm 9.20).

4. Eleição para a Salvação: Esta é a mais importante de todas. Ela é ensinada tanto no Velho como no Novo Testamento. Neste caso pode-se dizer que a eleição é o propósito de Deus, de salvar certos membros da raça humana, em Jesus Cristo e por meio de Jesus Cristo.

5.1.3. As características da Eleição:

1. É uma expressão da vontade soberana de Deus, do beneplácito divino: Isso exclui a idéia de que a eleição é determinada por alguma coisa existente no homem, como a fé ou as boas obras previstas.

·        “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama.” (Rm 9.11)

2. É imutável e, portanto torna segura e certa a salvação dos eleitos: Pela obra salvadora em Jesus Cristo, Deus executa o decreto da eleição com a sua própria eficiência. Como é de seu propósito que certos indivíduos creiam e perseveram até o fim, Deus mesmo assegura este resultado pela obra objetiva de Cristo e pelas operações subjetivas do Espírito Santo.

·        “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.” (Rm 8.29,30)

·        “Todavia o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os seus, e: Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.” ( 2 Tm 2.19)

3. É eterna: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo (Ef 1.4).Outras referências tais como Mt 25.34; Rm 8.29; Ef 1.5,9;2 Tm 1.9; Ap 13.8, ensinam explicitamente que a eleição não ocorre no tempo, mas na eternidade. A eleição jamais deve ser identificada com alguma seleção temporal, mas, antes, deve ser considerada eterna.

4. A eleição é incondicional: O ponto de vista que a eleição teve lugar na eternidade, mas que foi tendo em vista o arrependimento previsto e fé carece de apoio das Escrituras. De acordo com este ponto de vista, Deus, na eternidade, olhou através dos séculos e viu quem ia se arrepender e crer, e estes que Ele viu de antemão foram eleitos para a salvação. Este ponto de vista está correto só em um ponto, que é: a eleição teve lugar na eternidade. Mas está errado quando faz a base da eleição ser algo no pecador, em vez de alguma coisa em Deus. Leia Efésios 1:4-6, onde diz que a eleição e predestinação são "segundo o beneplácito de Sua vontade" e "para louvor e glória de Sua graça". Desde que os homens são todos pecadores e perderam o direito às bênçãos de Deus, não há base para esta distinção neles. Tanto a fé como as boas obras na vida do crente, são frutos da graça de Deus. Leiamos a Bíblia:

·        “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama.” (Rm 9.11)

·        “Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.” (At 13.48)

5.     É irresistível: Sobre este ponto fica mais claro falar sobre o que não estamos dizendo. A eleição é irresistível em que sentido ?
1.     Não significa que o homem não possa opor-se à sua execução até certo ponto. Os que se dizem salvos hoje, não aceitaram o Evangelho no primeiro apelo que lhe fizeram, resistiram por um certo ponto.
2.     Não significa que Deus na execução de seu decreto, subjuga a vontade humana de tal modo que este indivíduo não saiba da decisão que está tomando. Os salvos resistiram até certo ponto, mas houve um momento em que sentiram como Daniel, “tocados pela mão de Deus”.
3.     Significa sim que por mais que o homem resista, sua oposição não prevalecerá contra o propósito de Deus.
4.     Também significa, que Deus exerce e exercerá tal influência sobre o espírito humano, que o levará a querer o que Deus quer. Isso está de acordo com as Escrituras a abaixo.
·        “O teu povo apresentar-se-á voluntariamente no dia do teu poder, em trajes santos; como vindo do próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade.” (Sl 110.3)

·        “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.(Fp 2.13)


6).  A eleição não merece a acusação de  injustiça: Esta é uma das objeções mais comum nesta doutrina. Mas o fato de Deus escolher alguns e os demais são deixados em seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação, não pode pesar a culpa de injustiça por parte de Deus. Só podemos falar de injustiça quando uma parte pode reivindicar algo de outra. O pecador não tem direito a salvação e ao perdão de Deus. Ao pecar ele perdeu o direito às bênçãos de Deus. Como o homem não tem direito a salvação, mas a morte, Deus não tem a obrigação de salvar este homem. Logo o que este homem pode exigir de Deus? Nada. Se Deus devesse salvação e perdão a este homem, seria injustiça Deus salvar apenas alguns. Portanto salvação não é questão de justiça, mas de misericórdia. Pelo menos é isso que Paulo entendia. Veja:
“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)


5.1.4. O propósito da eleição: Existe um duplo propósito na eleição. Sendo:
1.     O propósito próximo é a salvação dos eleitos: A Bíblia ensina que o homem é escolhido, ou eleito para a salvação.
Ø      “Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu um espírito entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço, e em retribuição; escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e tu encurva-lhes sempre as costas. Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.”(Rm 11.6-11)

Ø      “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade.” (2 Ts 2.13)

2. O objetivo final é a glória de Deus: Tudo o que Deus faz, ele o faz para a sua glória.

Ø      “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.” (Ef 1.3-6)

Fica evidente que o eleito, é eleito para a salvação e esta salvação resulta na glória de Deus.

5.2. REPROVAÇÃO: Esta é uma doutrina bastante desagradável para o sentimentalismo humano. Nem todos os que aceitam a doutrina da eleição, se acham à vontade quando o assunto é a reprovação, ou preterição. Mesmo Calvino, estava consciente da  profundidade desta doutrina. E chegou a chamá-la de  “Decretum horribile”(5). Mas a dificuldade desta doutrina não pesa somente sobre os calvinistas, mas sobre todas as escolas teológicas. Apesar das dificuldades em aceitação desta doutrina e dos muitos adversários que se tem levantado contra ela no decorrer dos séculos, ela está lá e permanece palmilhada nas páginas das Escrituras. A doutrina da reprovação é uma consequência lógica da doutrina da eleição. Ao, se Deus não escolheu todos, logo alguém foi rejeitado ou reprovado. Mas tudo depende de como se encara e se argumenta sobre o assunto.

5.2.1. Nossa dificuldade de compreensão do pecado: O pecado é um fato incontestável. Todos aceitamos isso, porém temos dificuldades de compreender o mal ou a permissão de Deus para o pecado no gênero humano.

5.2.2. Deus odeia o pecado e sua justiça exigem que os pecadores sejam punidos: Ninguém que conhece a Bíblia, nega tal verdade; Deus tem o direito de punir os transgressores da sua lei, e podia condenar todos, uma vez que todos pecaram, sem com isso ser taxado de um Deus injusto.

5.2.3. Uma pergunta que merece uma resposta: Deus foi injusto em reprovar os transgressores de sua santa vontade ? Ora, se admitimos que Deus foi justo na condenação dos pecadores, temos que admitir que Deus também foi justo ao condenar os não eleitos, que são pecadores.

5.2.4. Os arminianos não tem dificuldade em aceitar a reprovação, ou rejeição dos anjos caídos, para os quais Deus não fez nenhuma provisão ( 2 Pd 2.4). Vemos que alguns não tem repugnância a reprovação destes anjos e até glorificam a Deus, mas quanto aos homens, (que  não caíram por culpa de Deus, mas de um ato voluntário de sua vontade, portanto merecedor é do castigo de Deus),  somos relutantes em aceitar esta doutrina na vida destes homens.

5.2.5. A reprovação é um ato negativo de Deus: Diferentemente da eleição, que é um ato positivo de Deus, pelo qual ele escolhe, do meio da massa perdida do gênero humano, certo número de pessoas para a salvação; a reprovação é um ato negativo de Deus, pelo qual ele deixa que o resto da humanidade, em seus pecados sofra as consequências de sua desobediência. Neste caso “os eleitos são monumentos da graça. Os não eleitos serão uma revelação de sua justiça”(6)

5.2.6. Prova da doutrina da reprovação: Todos os argumentos que provam a eleição, provam igualmente a reprovação, como já mencionamos a reprovação é a consequência lógica da eleição. Vejamos:

1.     A regeneração é  um ato soberano e poderoso de Deus. Somente Deus pode regenerar. Se ele não regenera a todos, claro que não é seu propósito fazê-lo, logo ele decidiu não eleger todos. Neste caso houve reprovação de alguns.

2.     Nem todos vão a Cristo. E sabemos pelas palavras do próprio Cristo que “ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6.44). Se todos não vem a Cristo é porque ele não leva todos a ir a Cristo. Logo alguém está reprovado aqui.

3.     A fé é uma dádiva de Deus, se todos os homens não a recebem, é claro que Deus decidiu não conceder a todos. Jesus falava aos judeus que o rejeitavam: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.” (Jo 10.26). E quem são suas ovelhas?  A resposta está em Jo 10.29, aqueles que o Pai lhe deu.

4.     Deus deu a Cristo um povo especial, a quem ele escolheu  “do mundo”. E estes e ninguém mais são objetos da sua oração intercessória em João 17.9: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus”. Sendo assim é claro que o resto do mundo não foi contemplado, não foi dado a Cristo. Neste caso temos a reprovação do restante.

5.     O caso dos cidadãos de Tiro, Sidom e Sodoma em Mateus 11.21-24: “Ai de ti, Corazin! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito elas se teriam arrependido em cilício e em cinza. Contudo, eu vos digo que para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? até o inferno descerás; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Contudo, eu vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.” Apesar de Deus prever o arrependimento destas pessoas, não lhes deu uma oportunidade de se arrependerem. Isso prova duas coisas: Primeiro que arrependimento previsto não serve de base para Deus eleger ninguém. Segundo se Deus não lhes deu uma oportunidade de ver os milagres de Cristo para que eles se arrependessem, segue-se que foram rejeitadas, não foram contempladas. Há injustiça em Deus por condenar o povo corrupto de Sodoma ? Certamente que não.

6.     Existe dois grupos de pessoas da qual a Bíblia fala com respeito a nomes arrolados no livro da vida. A primeira diz respeito aos eleitos, assim lemos as seguintes passagens das Escrituras:

Ø      “Contudo, não vos alegreis porque se vos submetem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.” (Lc 10.20)

Ø      “E peço também a ti, meu verdadeiro companheiro, que as ajudes, porque trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros meus cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.” (Fp 4.3)

No segundo grupo a Bíblia fala daqueles “cujos nomes não foram escritos       no livro da vida do Cordeiro (Ap 13.8)

7.     Inúmeras referências nas Escrituras descrevem a decisão divina a respeito dos não eleitos, a qual passo a demonstrar a baixo.

Ø      “E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Ap 13.8)
Ø      “E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição”. (Rm 9.22)

Ø      “Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” (Jd v.4)

Ø      “E: Como uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porquetropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados. (1 Pd 2.8)

Ø      “Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitosalcançaram; e os outros foram endurecidos”. (Rm 11.7). Observe a conclusão clara do apóstolo. Há dois grupos aqui, “os eleitos”, e “os outros”. Também há aqui dois resultados: os eleitos  “alcançaram”. Os outros foram “endurecidos”. Isso é reprovação.

8.     Quando Paulo pregou em Filipos para um grupo de mulheres, somente Lídia se converteu. E a Bíblia  diz  porque Lídia se converteu. Atos 16.14: E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia”. Todas as mulheres ouviram a chamada geral do Evangelho, mas somente Lídia recebeu a chamada eficaz. É o mesmo caso de Atos 13.48: “Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.”Ora, se é Deus quem abre o coração para entender à Palavra, se creêm os são destinados para a vida eterna, e ele não faz isso com todos, logo segue-se que há uma reprovação de um certo grupo de pessoas, mesmo elas ouvindo o evangelho, pela chamada geral. Isso confirma as palavras de Jesus: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14).
9.     A Bíblia dá testemunho de pessoas cujos corações Deus endureceu: Um exemplo clássico deste endurecimento de coração é Faraó. Vejamos o que a Bíblia nos informa sobre este caso.

9.1. O endurecimento de Faraó:
Ø      “Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.” (Ex 7.3)
Neste texto temos uma afirmação de Deus, que ele endureceu o coração de Faraó. Mas isso não quer dizer que Deus foi a causa eficiente do endurecimento do coração dele, mas que Deus o entregou à perversão de seu próprio coração. Pois lemos em Êxodo 8.15: “Mas vendo Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.” O endurecimento do coração de Faraó foi um ato de misericórdia de Deus. Cada vez que vinha uma praga, ele confessava “pequei” (Ex 9.27). Mas tão logo a praga era retirada, Faraó endurecia o coração. Deus poderia e somente Ele poderia abrandar aquele coração, mas Deus não fez. Ele recusou conceder-lhe sua graça regeneradora, e Deus tinha todo direito de proceder assim. Primeiro porque Faraó antes da intervenção miraculosa de Deus no Egito, ele já era um pecador, portanto merecedor da ira de Deus. Segundo, porque graça é favor imerecido, ninguém merece, ou fez por merecer. É favor de Deus e Ele a dá a quem quiser. “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

9.2. Os filhos de Eli: “Todavia eles não ouviram a voz de seu pai, porque o Senhor os queria destruir.” (1 Sm 2.25). A atitude de Deus foi de todo negativa para eles. Deus decidiu não secundar o conselho do pai com a operação eficaz de sua graça, e o fez com um fim determinado: “os queria destruir”.

9.3. O caso dos gentios de Romanos 1.28: “E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm.” Alguém poderia objetar dizendo que foram entregues porque antes assumiram uma decisão de rejeitar. Não. Eles rejeitaram porque são pecadores. Quem na face da terra não rejeitou ou ainda rejeita o conhecimento de Deus ? Somente aqueles que já foram agraciados com a graça regeneradora, ou seja, os eleitos.

“Em todos os reprovados há uma cegueira e endurecimento pertinaz de coração. E quando de alguns deles, como Faraó, se diz que Deus os endureceu, podemos ficar certos que em si mesmos já são dignos de ser entregues a Satanás. Os corações dos ímpios nunca, naturalmente, são endurecidos por influência direta de Deus, - Ele simplesmente permite que alguns cedam aos maus impulsos já existentes em seus corações, de modo que, como resultado da própria escolha deles, tornam-se cada vez mais calejados e obstinados”. (7)

5.2.7. Justiça da Reprovação: A primeira impressão que temos da doutrina da reprovação é há nela injustiça. Todos perguntam: “Se Deus escolheu uma parte e deixou o restante a perecer, porque ele não escolheu todos ?” Suas imediatas conclusões são: “Ele foi injusto para com aqueles que não escolheu”. Paulo, refuta esta objeção em sua doutrina da reprovação com as palavras abaixo: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

1). Como a Bíblia apresenta a humanidade: Toda  esta doutrina repousa sobre o princípio da precedente doutrina do pecado original e da total incapacidade. Sustentamos  o seguinte:

1.      Que Deus criou o homem originalmente à sua própria imagem e semelhança, em conhecimento, retidão e santidade, imortal e investido do domínio sobre as criaturas, dotado de perfeita liberdade da vontade, possuindo espontaneidade e capacidade de autodeterminação, com poder de escolher o bem e o mal, e de assim determinar seu próprio caráter;
2.      Adão pecou voluntariamente, sob a tentação do Diabo, e assim caiu do estado em que fora criado;
3.      Que a consequência deste pecado sobre Adão foi a corrupção de toda a sua natureza, de sorte que ele tornou-se espiritualmente morto, e por isso mesmo indisposto, incapacitado e oposto a todo o bem espiritual. Além desta morte ele se fez mortal e passível de todas as misérias desta vida e da morte eterna;
4.      Devido a união entre Adão e seus descendentes, as mesmas consequências de sua transgressão lhes sobrevieram;
5.      Tal inerente e hereditária depravação é verdadeira  e propriamente da natureza do pecado;
6.      Que a regeneração, ou a vocação eficaz, é uma ação supernatural do Espírito Santo, no qual a alma é o sujeito e não o agente; que é soberana, concedida ou retida segundo o beneplácito de Deus, fazendo assim a salvação ser um dom gratuito de Deus.

Paulo nos faz silenciar diante  de nossa culpa: “Que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3.19).


2). A eleição e a reprovação procedem de fundamentos diferentes: A primeira procede da graça de Deus, a segunda, do pecado do homem. O fato de Deus escolher salvar alguém independentemente de seu caráter e demérito, não significa que ele escolhe condenar pessoas a despeito do caráter ou merecimentos delas. A base da eleição é a graça. A base da reprovação é o pecado. Agostinho faz o seguinte comentário sobre este assunto: “A condenação cabe aos ímpios por uma questão de dívida, justiça, e merecimento, ao passo que a graça, concedida aos que são libertos, é livre e não merecida, de modo que o pecador condenado não pode alegar que não merece esse castigo, nem o piedoso pode gabar-se ou vangloriar-se, como se fora digno de sua recompensa.”(8)


5.2.8. A razão da Reprovação: Paulo, terminando sua exposição sobre este assunto exclamou: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.33-36). Isso significa que Deus não nos dá a conhecer as razões pelas quais decidiu reprovar uma parte do gênero humano, não a contemplando, para que pereça em seus pecados. Sabemos que ele escolheu uns e reprovou outros. Ele deve ter tido boa e justa razão que não revelou, mas que um dia compreenderemos. Mas pelo pouco que conhecemos de Deus, podemos ter uma vaga idéia da razão pela qual existe estas duas doutrinas: a eleição e a reprovação. A primeira pode ser para dar a conhecer da sua misericórdia, a segunda, para dar a conhecer da sua justiça. Se todos os membros da raça humana se salvassem, não saberíamos apreciar o valor de nossa salvação. Pois não haveria um contraste para medí-la. Pelo contraste de nossa glória e bem-aventurança com a vergonha e a condenação dos perdidos, compreendemos melhor a grandeza da nossa salvação. Além disso no julgamento dos condenados veremos a santidade e a justiça de Deus. E a condenação deles redundará no louvor da justiça de Deus, enquanto que a salvação dos eleitos resultará no louvor de sua graça.













NOTAS

(1). BERKHOF,  Louis – Teologia Sistemática – Ed. Luz Para o Caminho – Pg. 114
(2). Op. Cit. Cap. III, parágrafos 3 e 4.
(3). ROCHA, Pedro - Uma Abordagem da Doutrina da Eleição sob a Perspectiva Bíblica, Histórica e Teológica  – Monografia - SETEBAN
(4). Op. Cit. Pg.  111
(3).O N.T. Interpretado Versículo por Versículo – pg. 738
(4).O N.T. Interpretado Versículo por Versículo – pg. 534
(5). FALCÃO, Samuel – Predestinação – pg. 155
(6). FALCÃO, Samuel – Predestinação – pg. 156
(7). FALCÃO, Samuel – Predestinação – pg. 163
(8). Citado por - FALCÃO, Samuel – Predestinação – pg. 165,166



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(27). ROCHA, Pedro - Uma Abordagem da Doutrina da Eleição sob a Perspectiva Bíblica, Histórica e Teológica  – Monografia - SETEBAN

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