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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

LILITH – A ‘OUTRA’ DE ADÃO QUE A BÍBLIA NÃO QUIS CONTAR



Existe uma polêmica extraída de algumas lendas do folclore assírio, babilônico e hebraico que afirma ter Adão uma ‘outra’ mulher antes de Eva ser criada.

Baseado nos texto bíblicos de Gn 1.27; 2.18,22 alguns estudiosos vêem a possibilidade da mulher criada em Gn 1.27 ser a tal Lilith.

Existem insinuações de que Lilith pode ter sido retirada da Bíblia durante o Concílio de Trento, a interesse da Igreja Católica, para reforçar o papel das mulheres como devendo ser submissas, e não iguais, ao homem. Porém muitas pinturas e esculturas a retratam como a serpente que tentou Eva a comer o fruto do conhecimento.

Uma interpretação possível é de que ela seja a mulher que Caim encontrou depois de ser expulso e, portanto, tendo com ele seu primeiro filho, Enoque e fundando uma cidade de mesmo nome.

Nas bíblias atuais seu nome aparece uma única vez, em Isaías 34:14: "E as feras do deserto se encontrarão com hienas; e o sátiro clamará ao seu companheiro; e Lilith pousará ali, e achará lugar de repouso para si." Nas traduções recentes da Bíblia a palavra Lilite é substituída por demônio ou bruxa do deserto. Fantasma, na Revista e Atualizada.

A Versão da Bíblia do Rei James, traduziu a palavra “Lilith”, por “coruja”. João Ferreira de Almeida, nesta passagem relata que “… os animais noturnos ali pousarão”, não havendo menção da coruja, como é frequentemente, muito embora erroneamente, citado no Brasil (tratando-se de um claro exemplo da forte influência da cultura anglo-saxã no mundo lusófono atual).

No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira mulher criada por Deus junto com Adão (Gn 1.27), que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, passando depois a ser descrita como um demônio.

De acordo a interpretação da criação humana no Gênesis feita no Alfabeto de Ben-Sira, entre 600 e 1000 d.C, Lilith foi criada por Deus com a mesma matéria prima de Adão, porém ela recusava-se a "ficar sempre por baixo durante as suas relações sexuais". Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilith foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal e a primeira feminista.

Nos livros sagrados do judaísmo o mito de Lilith está inserido numa versão não oficial da antropogênese. Há referências no Talmud, no Zohar e no Tora. Enredos confusos envolvem a personagem: ora aparece como a mulher insubmissa, que precedeu Eva mas, por sua rebeldia, foi expulsa do Paraíso; ora, é personificação que se refere a uma espécie de "história não contada" de Eva.

Outra versão, apresenta razão diferente para a revolta de Lilith. A primeira mulher de Adão, a tradicional Eva, teria tido filhos. Entretanto, os anjos, enciumados por causa das atenções de Deus para com o homem, vingativos, mataram impiedosamente as crianças. Embrutecida pelo infortúnio supremo, Eva transforma-se em Lilith e abandona o Jardim das Delícias.

A imagem mais conhecida que temos dela é a imagem que nos foi dada pela cultura hebraica, uma vez que esse povo foi aprisionado e reduzido à servidão na Babilônia, onde Lilith era cultuada, é bem provável que vissem Lilith como um símbolo de algo negativo. Vemos assim a transformação de Lilith no modelo hebraico de demônio. Assim surgiu as lendas vampíricas: Lilith tinha 100 filhos por dia, súcubus quando mulheres e íncubus quando homens, ou simplesmente lilims. Eles se alimentavam da energia desprendida no ato sexual e de sangue humano. Também podiam manipular os sonhos humanos, seriam os geradores das poluções noturnas. Mas uma vez possuído por uma súcubus, dificilmente um homem saía com vida.

Há certas particularidades interessantes nos ataques de Lilith, como o aperto esmagador sobre o peito, uma vingança por ter sido obrigada a ficar por baixo de Adão, e sua habilidade de cortar o pênis com sua vagina segundo os relatos católicos medievais. Ao mesmo tempo que ela representa a liberdade sexual feminina, também representa a castração masculina.

Nos dois últimos séculos a imagem de Lilith começou a passar por uma notável transformação em certos círculos intelectuais seculares europeus, por exemplo, na literatura e nas artes, quando os românticos passaram a se ater mais a imagem sensual e sedutora de Lilith, e aos seus atributos considerados impossíveis de serem obtidos.

Como se pode notar as lendas em torno desta “outra” mulher de Adão, pode ser confusa e enigmática, no entanto desta imagem lendária se extrai várias ênfases para a vida e para os movimentos sociais-teológicos-religiosos, como por exemplo a emancipação feminina.

Devemos ter conhecimento de todos os fatos, ainda que estranhos a nossa fé, sabendo que muitos aceitam ou pregam sua crença a partir deles, porém a bíblia nos adverte a viver nossa devoção “Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade.” Tito 1:14.

Amontoado em Histórias e Parábolas



8 comentários:

Priscila Anjo disse...

Muito bom, Anja!
Amo a Lilith!!
Somos um pouquinho dela, né?
Nossa "anima", nosso arquétipo ;)

Anja_Arcanja disse...

Somos um pouquinho??? Querida... Somos descendentes direta de Lilith... rsrsrsrsrs

Bjux da Anja

Márcio Mendes disse...

Dentro da análise bíblica tem de haver a concordância com o todo, neste caso onde mais tem citado alguma referencia dessa tal lilith?

O feminismo tem seu lugar, paulo falou sobre os deveres de ambos (macho e fêmea) todos são equivalentes, mas na prática o que impera é o machismo, porque não obedece as escrituras!
Na graça que é de graça!

Anja_Arcanja disse...

Márcio Mendes, não precisa ler correndo para poder comentar de qualquer jeito, opu seja, comentar sem sequer ter entendido ou quem sabe não ter lido de fato o texto. Grata por seu (meio) comentário!!!

Sola Gratia
Anja_Arcanja

Joao Marinho disse...

Sempre achei esquisita a ideia de que a analise bíblica TEM de concordar com o todo. Tem por quê? A Bíblia foi escrita ao longo de milhares de anos, é obra de autores de épocas diferentes, estilos diferentes, histórias diferentes e até povos diferentes. Sem falar nos escribas que muito alteravam, dos livros de autores desconhecidos e daqueles, como os Evangelhos, que são atribuídos a uns, mas escritos por outros (seguidores). Qualquer tentativa de fazer um "todo harmônico" é, antes, um ideal imposto pelos concílios judaicos e cristãos na escolha do cânon e, portanto, uma tentativa desesperada dos editores - e não dos autores. Uma interpretação realmente científica da Bíblia - que, por sinal, muitos hoje já têm feito - é analisar cada livro individualmente, de forma, inclusive, a detectar diferentes autores e adições de escribas posteriores em um mesmo livro - e só daí procurar estabelecer uma análise relacional, mas não necessariamente harmônica, com os demais livros e os motivos que levaram o livro ora analisado a estar no cânon. Motivos estes que passam, muitas vezes, ao largo de inspiração espiritual e respondem a processos políticos e até econômicos. Todo o respeito a Lilith - que, citada em Isaías, dá pistas de que o mito era bem conhecido (por sinal, que são Adão e Eva, se não mitos?)

Anja_Arcanja disse...

rsrsrs AMEI seu comment João!! Sim, concordo com tudo que vc disse, e há sim uma vertente na teologia que pressupõe que Adão e Eva não passem de mitos (assim como Lilith), para trazer à luz daquela época (em que pouco ou quase nada se conhecia da ciencia), uma explicação para o surgimento da humanidade. Mas eu ainda creio no criacionismo, mas não como a igreja diz que foi, mas do meu jeitinho angelical de ver as coisas... rsrsrs grata por sua ressonancia.

Bjux da anja pra vc meu lindo jornalista...

Joe disse...

Existe uma serie que fala de lilith, é incrível como eles são precisos, ela foi a primeira alma humana ( a primeira morta) e lucifer a comrompeu e a transformou em primeiro demônio. Eles também falam de Eva, que também se tornou malifica e começou a fazer minstros e foi aprisionada no purgatório. Essa serie é supernatural.

Pobre Adão, não teve sorte com mulheres.

Se ele fosse gay, até hoje ele estaria no paraíso!!

Daniel disse...

A foto principal da matéria me lembra Lady Gaga! rsrs Adorei!

Adorei o artigo também. Adoro o mito de Lilith.

E também foi bem oportuna a citação da série Supernatural - ou Sobrenatural - pelo colega acima. Engraçado com a coisa é sempre sexista. Apenas Lilith e Eva tornaram-se maléficas na trama. Adão permaneceu santo! rs

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