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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Calvino Rima Com Assasino! (By Leandro Barbosa)

Bom, ontem tive uma discussão um pouco acalorada com um rapaz no facebook que disse que Calvino era uma alma piedosa e mal compreendida, bom, resolvi postar este texto do amigo Leandro para mostrar o quanto Calvino era "piedoso". Mas também quero deixar claro que, creio sim na eleição, doutrina amplamente divulgada por Calvino, mas isto não quer dizer que eu vá idolatrar uma assassino ou qualquer homem que seja, pois como seres humanos, somos cheios de falhas, e entregues a nossa própria depravação. Ainda ressalto que o problema não está na doutrina, mas no homem que entra com sua arrogância e a tudo distorce e interpreta a seu bel prazer.

Leiam todo o texto, examinem as referencias será de grande proveito. 
Paz,

Anja_Arcanja
Calvino Rima Com Assasino!


Irrita-me profundamente esta nova onda calvinista que nestes dias anda achocalhando as igrejas protestantes. Alguns representantes no Brasil têm de certa forma incentivado esta nova onda de radicalismo predestinatório, que vem oprimindo de forma desonesta e “bibliojenta” as pessoas. De forma irresponsável eles têm ressuscitado as antigas baboseiras doutrinarias do “Juanito” em um ímpeto sagrado saem por blogs, sites, meios de discussão teológica com intuito de moralizar estes ambientes. Quanto à sociedade, reafirmam a velha dicotomia de sagrado e profano, e a modelo de Calvino querem higienizar o mundo dos nojentos pecadores. Então como forma de mostrar a eficiência da doutrina calvinista, resolvi cumular alguns fatos que podem elucidar a eficiência da reforma promovida por João Calvino.

Em uma entrevista para uma revista, Isabelle Graesllé diretora do museu da reforma descreve Calvino como um homem de gênio muito forte, metódico, temperamental e calculista. Levantava cedo pela manhã já oprimindo os seus serviçais, sendo que fazia a sua secretária estar às cinco horas da manhã pronta para servi-lo em suas necessidades. Ele era um homem constantemente atormentado por dores de cabeça e enfermidades estomacais, sendo que aos trinta anos percebeu que precisaria de uma enfermeira, e encomenda uma esposa ao seu amigo Guillaume Farel descrevendo as seguintes características de perfil:

“Ela deve ser recatada, sensível e econômica, paciente e disposta a cuidar de minha saúde.” T.H.L Parker John Calvin Byografy

Calvino era “workaholic”, muito religioso, e possuía verdadeira ojeriza aos pecadores. Não admitia ser amigo de pessoas que não compartissem de suas convicções religiosas, ofendia-se de forma profunda se alguém discordasse ou o criticasse . Com freqüência perdia a cabeça discutindo teologia com seus adversários, o seu jeito irado se contrapunha com sua saúde fragilizada. Sua intolerância era tão generalizada que para demonstrar, podemos citar o relato do seu impasse sobre a trindade com o seu opositor o médico Miguel Servet. Só para citar, inspirado por um texto bíblico Miguel Servet foi precursor na descoberta da circulação sangüínea. Foi o primeiro a descrever a circulação pulmonar com exatidão. Servet era um Espírito inquieto, aguerrido, devotado em questões transcendentais de natureza religiosa e filosófica. Seguramente ele era uma peça importante em meio às disputas religiosas resultantes da Reforma. 

Durante toda a sua vida, Servet escreveu sobre questões religiosas e dedicou-se à exegese da Bíblia. Um dos temas prediletos de Servet era sobre retorno da igreja a um cristianismo "puro", tal como fora ensinado por Jesus. Um dos dogmas da Igreja que ele contestou, e que foi o motivo de sua desgraça foi o da Santíssima Trindade. Era notável que as suas idéias desagradaram tanto aos católicos como aos protestantes. Acusado de heresia, Servet foi preso e julgado em Lyon, na França. Conseguiu evadir-se da prisão e quando se dirigia para a Itália, através da Suíça, foi vitima de uma arapuca armada por Calvino e preso em Genebra. Antes de Servet ser capturado, Calvino escreveu a seu amigo Farel, em 13 de fevereiro de 1546 dizendo:

“Se Servet vier à Genebra, eu nunca o deixarei escapar vivo se a minha autoridade tiver peso”

Durante o julgamento de Servet, Calvino escreveu:

“Eu espero que o veredicto seja pena de morte.”

Como prometido, Servet foi julgado e condenado a morrer na fogueira por decisão de um tribunal eclesiástico sob direção do próprio Calvino. A sentença foi cumprida em Champel, nas proximidades de Genebra, no dia 27 de outubro de 1553. Puseram na cabeça de Servet uma coroa de juncos impregnada de enxofre, e o queimaram vivo em fogo lento com requintes de sadismo e crueldade. Reza a lenda que enquanto servet morria, João Calvino sorria de uma janela em um sobrado vendo o médico queimar vivo em lenhas verdes, fato este que durou por cerca de 30 minutos. Tudo isso por haver discordado do ensino da trindade. Segue o relato da morte de Servet:

“Farel caminhou ao lado do homem condenado e manteve uma constante enxurrada de palavras, em completa insensibilidade ao que Servet pudesse estar sentindo. Tudo que ele tinha em mente era extorquir do prisioneiro um reconhecimento de seu erro teológico – um chocante exemplo de uma desalmada cura de almas. Depois de alguns minutos disso, Servet cessou de responder e orou silenciosamente para si mesmo. Quando eles chegaram ao local de execução, Farel anunciou a multidão que assistia: ‘Aqui você vê o poder que Satanás possui quando ele tem um homem em seu poder. Este homem é um distinto estudioso e ele no entanto acreditava que estava agindo corretamente. Mas agora Satanás o possui completamente, como ele poderia possuir você, cairia então você em suas armadilhas.
Quando o executor começou o seu trabalho, Servet sussurrou com voz trêmula: ‘Oh Deus, Oh Deus!’ O opositor Farel vociferou para ele : ‘Você não tem nada mais a dizer?’ Neste momento Servet respondeu para ele: ‘O que mais eu posso fazer, mas falar com Deus!’ Logo após isso, ele foi suspenso até a fogueira e amarrado as estacas. Uma coroa com enxofre foi colocada em sua cabeça. Quando as fagulhas foram acesas, um lancinante grito de horror brotou dele. ‘Misericórdia, misericórdia!’ ele clamou. Por mais de meia hora a horrível agonia continuou, porque a fogueira havia sido feita com madeira semiverde, que queima lentamente. ‘Jesus, Filho do eterno Deus, tenha misericórdia de mim,’ o homem atormentado clamava do meio das chamas ...”  The Heretics (Os Hereges) p.327 

A morte de Servet não teve somente como motivo uma vingança pessoal de Calvino, mas também implicações políticas. A oposição ao governo de Calvino usava-se da imagem de Servet para afrontar a sua autoridade em genebra, esta que se encontrava em decadência. Em suma, matar Servet era mais do que necessário naquele momento, pois ele precisava da morte do médico para afirmar o seu poder em Genebra. Calvino era tão louco que quando foi dar uma explicação sobre o assassinato de pessoas inocentes que eram consideradas hereges, ele justificou: 

“Todo aquele que sustentar ser injustiça punir os hereges e blasfemadores torna-se cúmplice do crime deles... Não é questão de autoridade do homem; é Deus que fala”

Ainda podemos citar outro opositor de Calvino, Jerome Bolsec que foi um opositor direto. Ele publicamente desafiou os ensinamentos de Calvino sobre predestinação, juntamente com apoio de muitos outros, achavam ser moralmente repugnante. Como resultado ele foi banido da cidade em 1551, mas em 1577 publicou uma biografia de Calvino. Segue um trecho deste relato:

"... Ele foi irremediavelmente tedioso e mal-intencionado, sedento de sangue e frustrado. Tratou suas próprias palavras como se fossem a Palavra de Deus, e se permitiu ser adorado como Deus. Além de freqüentemente ser vítima de suas tendências homossexuais, ele tinha o hábito de ceder-se sexualmente com qualquer mulher a uma curta distância.” 

De acordo com Bolsec, Calvino teve de renunciar aos seus benefícios ministeriais em Noyon por conta da exposição pública de suas atividades homossexuais. Bolsec teve como base de seu trabalho biográfico uma série de entrevistas que realizou com "indivíduos de confiança" (personnes digne de foy).
Calvino como todo bom fanático endossava que Deus o ordenava a assassinar os hereges, ele se colocava na posição de mão divina para punir pecadores. Nos seus primeiros anos de governo em Genebra, João Calcino matou 58 pessoas por discordarem dele; 4000 padres; 1200 freiras foram estupradas e mortas, 200 Igrejas foram saqueadas e seus valiosos vasos roubados e os mesmos serviam para transportar o dinheiro que servia de pagamento para o exército mercenário de Calvino. Os Calvinistas em perseguição aos católicos franceses cometiam atos de barbárie como pegar as vísceras de pessoas que eles matavam e enchiam de capim e davam para os seus cavalos. 

Bem, diante de tantas evidências pode-se dizer ser um orgulho ser um seguidor de Calvino? Ou que um homem de tamanha maldade possa ter sido inspirado por Deus? É evidente que a história do calvinismo é permeada por corrupção, sangue, entre outras aberrações que foram citadas nas fontes acima. Antes de qualquer cristão se cognominar calvinista deveria analisar historicamente as fontes que permeiam esta construção teológica da predestinação. Sabendo que nela estão implícitos precedentes que abrem este vácuo para o fanatismo e o radicalismo evangélico. Na questão de aberração os adeptos do calvinismo estão seguindo as doutrinas com perfeição, usando-se de argumentos desprovidos consciência, fazendo juz ao o seu herói e mestre. É notável que em meio a esta ressurreição calvinista, velhos sonhos a molde de Calvino têm ressurgido. Sobre este assunto, creio que o apostolo Tiago faz uma perguntinha que vem muito a calhar e que será essencial para terminar nossa reflexão:

“Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?” (Tg 3.11).

Leandro Barbosa

Bibliografia:

REZENDE Joffre M. O trágico destino de miguel servet. Disponível em: http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/Servet.htm

WALSH, William Thomas. A perseguição dos católicos franceses por calvinistas. Disponível em: http://www.veritatis.com.br/article/2803

BAINTON, Roland H.  Hunted Heretic (The Beacon Press, 1953), p. 207.

MCGRATH, Alister E. (1990), A Vida de João Calvino, Oxford: Basil Blackwell, pp 16-17

João Calvino, Actes du procès Intenté par Calvin et les autres Ministres de Genève à Jérome Bolsec de Paris (1551), Corpus Reformatorum ( Brunsvigae , 1870), vol. 36, Opera, vol. 8, 141-248

NIGG, Walter  The Heretics (Alfred A. Knopf, Inc., 1962), p. 328

FULTON, John F. Michael Servetus Humanist and Martyr (Herbert Reichner, 1953), p. 35

WALKER, John Calvin (New York, 1906), 116-119, 315-320

3 comentários:

Lixeira Teológica disse...

Grato por divulgar o texto querida amiga!

Fabio Valle disse...

O povo que não sabe a sua história está fadado a repeti-la.

Claudio Silva disse...

Talvez goste de ler este texto amiga Anja:
http://www.baciadasalmas.com/2014/prefacio-a-castellion/
Mandei também o link para o leandro Barbosa.
Abração
Claudio
Charqueadas RS

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