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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Predestinação ou Livre-Arbítrio?

 
Por Luiz Carlos Beltran
A fé cristã apresenta-nos um dilema. De um lado, cremos que Deus nos criou moralmente responsáveis, com a capacidade de tomar decisões morais importantes. Se não fôssemos capazes de tomar decisões morais importantes, as Escrituras nos exortariam a desviar–nos do mal, ou a viver uma vida piedosa? Se não somos responsáveis pela livre escolha de nossas ações, de que maneira Deus nos recompensaria, ou nos puniria por essas ações de maneira justa? Por outro lado os crentes crêem também, que Deus detem controle soberano sobre tudo que concerne à criação. Ele é o Senhor da história e também o Senhor de nossas vidas. Vamos dormir todas as noites com a certeza de que tudo quanto acontece enquadra-se no plano de Deus. Nada pode atrapalhar Seu plano. Tudo quanto acontece está de acordo com a Sua vontade. O dilema tornou-se claro. Será que estas duas doutrinas cristãs básicas expressam a verdade? Se somos realmente capazes de tomar decisões morais relevantes, então não devemos ser competentes para agir contra a vontade de Deus? Se isto é verdade como podemos então declarar que tudo quanto acontece permanece no âmbito de Sua vontade? Se os seres humanos são livres de que maneira Deus é soberano? Por outro lado, se Deus exerce absoluto controle, de que maneira as decisões humanas são decisões verdadeiras? Em que sentido podemos ser responsabilizados por nossas ações, se Deus é responsável por tudo? Podemos ser livres e ao mesmo tempo predestinados?

PREDESTINAÇÃO

O vocábulo “predestinação” vem do grego “proordzo” que gravita por “seis vezes” em o Novo Testamento. Sua preposição grega (pró), faz com que esta palavra indique uma atividade feita de antemão. Com o passar do tempo esse vocábulo tornou – se sinônimo de “decreto divino” e, com este sentido, passou a indicar um conjunto de palavras e expressões com os seguintes resultados: “... determinado conselho e presciência de Deus...” Atos 2:23; “predestinação” Romanos 8:30; “beneplácito” Efésios 1:9; “o propósito de Sua vontade”Efésios 1:11; “eleição” I Tessalonicenses 1:4; “presciência de Deus” I Pedro 1:2; etc. Seja qual for à maneira que interpretemos esta doutrina, ela é proeminente na Bíblia. E, de fato uma das doutrinas notáveis das Escrituras Sagradas.

Necessariamente, três pontos importantes devem ser aqui anotados:

1. Predestinação Incondicional (Calvino e seus seguidores)

2. Predestinação Restrita (Arminio e seus seguidores)

3. Predestinação Condicional (Sistematizada por Paulo)


PREDESTINAÇÃO INCONDICIONAL

 João Calvino

Para Calvino, o ponto principal na salvação da pessoa humana era a sua “predestinação incondicional”. Recebeu as primeiras informações por meio de Agostinho. Seu pensamento teológico era: “Deus criou o homem como um ser puro e à sua imagem e o dotou de livre – arbítrio. (Agostinho ensina que após a queda, o homem perdeu o livre – arbítrio)”. Era capaz de ser restaurado, não por si mesmo, mas sim pela graça de Deus. Esta graça não vem porque o homem crê, antes precede a fé e é dada para que o homem creia. Por meio desta graça se chega ao estado de arrependimento, deste se passa à conversão e depois é a perseverança final. Calvino então delineou a “predestinação incondicional” da seguinte maneira:
“Predestinação é o decreto divino com referência aos seres morais – os anjos e os homens”.

Que é calvinismo?

Calvinismo é o sistema teológico das igrejas reformadas cuja expressão doutrinária oficial é a confissão de fé de Westminster, redigida por determinação do parlamento inglês. Os trabalhos tomaram cinco anos e meio, terminando em 1648, deles participando 120 ministros ou teólogos, 11 “lords”, 20 “comuns” (alguns eram das universidades de Oxford e Cambridge e 7 delegados da Escócia). Mas foi o Sínodo de Dort [1], em Dertrecht, na Holanda, reunido em 1618 – 1619, que teve o objetivo de contra–atacar o arminianismo. Foi ali que surgiram os “cinco pontos do calvinismo” em resposta aos cinco pontos do memorial arminiano.

Cinco pontos do Calvinismo:

1. Total depravação – O homem natural não pode apreciar sequer as coisas de Deus. Menos ainda salvar–se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não tomar a iniciativa, infundindo–lhe fé salvadora e fazendo – o ressuscitar espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente. (Sl.51:5; Jr.13:23; Rm 3:10-12; 7:18; I Cor. 2:14; Ef.1:3, 12; Col.2:11-13)

2. Eleição incondicional – Deus elegeu alguns para a salvação, reprovando os demais. Deus não tem obrigação de salvar ninguém, nem homem nem anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando todos os demais) e torna – los filhos adotivos quando eram ainda filhos das trevas: teve misericórdia de algumas criaturas e deixou as demais (inclusive os demônios) entregues as suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé como a salvação, é dom de Deus ao homem, não do homem a Deus. (Mal. 1:2-3; João 6:65; 13:18; 17:9; At. 13:48; Rm. 8:29-33; 9:16; 11:5-7; Ef.1:4-5; 2:8-10; II Tess. 2:13; I Pe. 2:8-9; Jd.1:4)

3. Expiação limitada ou particular – Segundo Agostinho a graça de Deus é “suficiente para todos, eficiente para os eleitos”. Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi–lo. Ele abriu a porta para salvação para todos, porém só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram. (João 17:6, 9, 10; At20:28; Ef.5:25; Tito 3:5)

4. Graça irresistível ou infalível – Embora os homens possam resistir à graça de Deus, ela é todavia infalível: acaba convencendo o pecador de seu estado depravado, convertendo–o e santificando–o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como o rapaz apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acabam casando – se com ele, livremente. Deus age e o crente reage livremente. Quem se perde tem consciência de que está livremente rejeitando a salvação.

Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros demonstram total indiferença para com as coisas sagradas. Todos porém agem livremente. (Jr.3:3; 5:24; 24:7; Ez.11:19-20; 36:26 – 27; I Cor. 4:7; II Cor.5:17; Ef.1:19-20; Col.2:13; Hb.12:2)

5. Perseveração dos salvos – Alguns preferem dizer “perseverança do Salvador”. Nada há no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente exercendo misericórdia e disciplina na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em seu pecado e ressuscitou. Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor e a graça salvífica de Deus infundiu – lhe fé para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perde – la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação. Poderá pecar e morrer fisicamente (I Cor. 5:1-5). Os apostatas nunca nasceram de novo, jamais se converteram. (Is.54:10; João 6:51, Rm.5:8-10, 8:28, 32, 34-39; 11:29; Fl.1:6; II Tess.3:3; Hb.7:25)

PREDESTINAÇÃO RESTRITA

 Jacó Arminio

Jacó Arminio era um distinto pastor e professor holandês, cuja formação teológica havia sido profundamente calvinista. De fato, boa parte de seus estudos ocorreu em Genebra sob a direção de Tedoro de Beza, o sucessor de Calvino nessa cidade. Voltando a Holanda, ocupou um importante púlpito em Amsterdã e logo sua fama se tornou grande .Devido a essa fama e ao seu prestigio como estudioso da Bíblia e da teologia, os dirigentes da igreja de Amsterdã lhe pediram que refutasse as opiniões do teólogo Dirck Koornhert que havia atacado algumas das doutrinas calvinistas, particularmente a predestinação.

Surge a predestinação restrita. Como sugere o termo, se entende “a predestinação” ou “a eleição” mais ocasionada por parte de “livre–arbítrio” humano, do que ocasionada pela soberana vontade de Deus. Diverge, portanto, da “predestinação incondicional” que ensina que a salvação humana depende de uma “eleição absoluta e soberana” de Deus: onde a vontade do homem fica excluída. E de igual modo, da “predestinação condicional” que ensina que na salvação humana existe uma espécie de “cooperação mútua” tanto por parte de Deus (o doador) como por parte do homem (recipiendário). “Chegai–vos a Deus e Ele se chegará a vós. Portanto os dois cooperam para tal fim” (Tg.4:8). Por fim, depois de profundas lutas de consciência, chegou–se à conclusão de que Koornhert tinha razão. Arminio passou a fazer objeções as idéias calvinistas sobre a “predestinação incondicional”.

Memorial Arminiano

Eis uma exposição resumida dos cinco pontos do memorial arminiano:

1. O decreto divino de predestinação é condicional, não absoluto. Deus escolheu as pessoas para a salvação antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé para crer em Cristo e salvar – se.
Os que perdem, perdem – se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, sujeitaram a graça auxiliadora de Deus. (Dt.30:19; João 5:40, 8:24; Ef.1:5-6, 12; 2:10; Tiago 1:14; I Pedro 1:2; Apoc. 3:20;22:17).

2. A expiação é universal – O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa, salvar – se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, e todos quantos crêem, serão salvos. (João 3:16; 12:32; 17:21; I João 2:2; I Cor. 15:22; I Tim.2:3-4; Hb.2:9; II Pe.3:9)

3. Livre–arbítrio ou capacidade humana – Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender – se e crer por livre – arbítrio cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito e só é regenerado depois de crer porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento. (Is.55:7; Mt.25:41, 46; Mc.9:47-48; Rm.14:10, 12; II Cor.5:10)

4. O pecador pode eficazmente rejeitar a graça - Deus faz tudo que pode para salvar os pecadores. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não lhe pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível, em irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação. (Lc.18:21; 19:41-42; Ef.4:30; I Tess.5:19)

5. Os crentes regenerados pelo Espírito podem cair da graça e perder–se eternamente - Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim será salvo. (Lc.21:36; Gal.5:4; Hb.6:6; 10:26-27; II Pe.2:20-22; Rm.11:22)


PREDESTINAÇÃO CONDICIONAL

Trata–se dos fundamentos do apóstolo Paulo. Segundo o pastor Severino Pedro da Silva, autor do livro A Doutrina da Predestinação - CPAD, esse modelo mantem um “equilíbrio bíblico”. A doutrina da predestinação condicional sempre se refere “ao meio” da salvação e nunca ao “destino eterno” irrevogável de cada pessoa. No contexto da promessa divina esta predestinação é vista englobando a igreja como um todo, e, quando se refere a uma “eleição individual” ou “pessoal”, refere-se a chamada diretiva de Deus para um serviço no seu reino.

a) Sentido individual – Deus escolheu Abrão para que fosse pai de uma multidão de nações (Gn.12:1 e 53; Ne.9:7); Arão para o sacerdócio (Sl.105:26); Moisés como libertador (Sl.106:23); Davi para ser rei de Israel (I Reis 8:16); Salomão para continuidade de seu nome (I Cr.28:5); Isaías como profeta (Is.49:1-6); figura profética de Paulo (At.9:15-16; 13:47; Jeremias (Jr.1:5); João Batista (Lc.1:76); Pedro (At.15:7); Rufo (Rm.16:13). Nesse mesmo sentido Jesus é também denominado como tendo sido escolhido de Deus (Is.42:1; Mt.12:18).

b) Eleição coletiva – Rm.8:29-30; Ef.1:5,11. Deus não predestina alguns para a condenação sem antes lhes oferecer oportunidades para a salvação.

c) O propósito de Deus – Rm.9:15. Deus tolerou os vasos da ira, mas preparou os vasos da misericórdia.


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Auxilio:

[1] O sínodo de Dort foi um sínodo nacional que teve lugar em Dordrecht, na Holanda em 1618/19, pela Igreja Reformada Holandesa, com o objectivo de regular uma séria controvérsia nas Igrejas Holandesas iniciada pela ascensão do Arminianismo. A primeira reunião do sínodo foi tida a 13 de Novembro de 1618 e a última, a 154ª foi a 9 de Maio de 1619. Foram também convidados representantes com direito de voto vindos de 8 países estrangeiros. O nome "Dort" era um nome usado na altura em inglês para a cidade holandesa de Dordrecht. O sínodo é por vezes chamado de Sínodo de Dordt, ou Sínodo de Dordrecht.

O sínodo decidiu pela rejeição das idéias arminianas, estabelecendo a doutrina reformada em cinco pontos: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, vocação eficaz (ou graça irresistível) e perseverança dos santos. Estas doutrinas, descritas no documento final chamado Cânones de Dort, são também conhecidas como os Cinco pontos do calvinismo.


Fonte: http://blogdopcamaral.blogspot.com/2011/05/predestinacao-ou-livre-arbitrio.html
Via:http://www.vozesdareforma-mep.blogspot.com/ 

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