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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Religiosidade (By Adeneir)


A andar pelas plantações
Misturam se cores e cores.
O verde e o cinza, que parece prata, mas é seco.
O dourado e o ocre, que parece nobre, mas é ferrugem.
O negro e o branco, que parece dia, mas é neblina.
A neblina nunca engana é clara, mas ofusca.

A andar pelas plantações
Misturam-se sinais e sinais,
A força e a fraqueza, que parece amparo, mas é impotente.
A compreensão e a dúvida, que parece aceitação, mas é receio.
A vida e a morte, que parece descanso, mas é morte...
A morte nunca engana não se passa por vida ela é morte.

A andar pelas plantações
Misturam-se toques e toques,
O amor e o descaso, que parece um valor, mas é desprezo.
A confiança e o temor que parece um elo, mas é medo.
A fidelidade e a junção que parece aliança, mas é traição.
A traição nunca engana, vestida de lealdade é traição.

A andar pelas plantações
Misturam-se caminhos e caminhos,
A fé e o ceticismo, que parece força, mas é ignorância.
A obra e o ócio, que parece digno, mas é vão.
O doar e o querer, que parece presente, mas é cobrança.
A cobrança nunca engana, mesmo que seja de si próprio, ela é cobrança.

A andar pelas plantações
Misturam-se pessoas e pessoas,
Boas e más, que parecem belas, mas são ruins.
Néscias e sabias que parecem compreender, mas não sabem.
Guiados e guias, que parecem saber o caminho, mas estão perdidos.
Os perdidos não enganam, sempre se perdem em algum ponto do caminho.

A andar pelas plantações
Misturam-se plantações e plantações,
A missão e a intensão, que parece visão, mas é pretensão.
O trigo e o joio, que parece fruto, mas é praga.
A lavoura e a plantação, que parece ceara, mas é religião.
A religião não engana, apenas oferece o engano por opção.

Autor: Adeneir Sousa de Oliveira

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