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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Jesus e sua parábola do bom samaritano

  

Os judeus devem ter morrido de ódio quando Cristo disse que não tinha visto fé tão grande em Israel quanto a de um Centurião Romano que veio lhe pedir ajuda. Isto é, seria semelhante a dizer para um Umbandista que não se viu fé tão grande no Brasil inteiro quanto a dele. Se Cristo dissesse isso no Brasil, o matariam de novo sem acreditar que de fato o mesmo pudesse ser Cristo. Eu acredito que sem sombras de dúvidas, os outros personagens da parábola são análogos, hoje em dia, a Pastores e Padres, diáconos, e todos os títulos evangélicos e católicos que não caberiam aqui. É análogo a qualquer líder espiritual de qualquer religião que seja intolerante e portador de ódio a quem não é igual a ele. Vale ressaltar antes que queiram xingar-me, que tenho uma boa lista de Padres e Pastores que admiro.

       Mas, voltando o assunto, o interessante também foi o fato de que Cristo que tinha acabado de ter sido rejeitado na Aldeia samaritana ao passar por com intuito de tentar pregar, mesmo assim Cristo coloca um samaritano como protagonista de bondade em sua parábola, e isso, mesmo sabendo que samaritanos tinham cultura idólatra oriundas das influências babilônicas e árabes do nascimento deste povo. Outro detalhe é de que seus discípulos perguntaram, com mania de mandinga gospel, se Cristo queria que eles pedissem que caísse fogo dos céus. Ódio semelhante que vejo no meio Cristão evangélico. Alguém já viu por aí em jornais notícias de que pastor e seus adeptos invadiram Centros de Umbanda ou Candomblé e quebraram tudo? Bom, eu já vi! A resposta de Cristo foi doce e apaixonante, ele disse que veio para salvar e não destruir. Quanto carinho aos que o tinha negado.

Lucas 9:53-56

53- Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém.

54- E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?

55- Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.

56- Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia.


Tal povo tinha práticas abomináveis para a religião que Cristo seguiu: o Judaísmo. O que me faz rir, tamanha a ironia, foi Cristo fazendo um Escriba, equivalente nos dias de hoje a um teólogo fundamentalista, admitir que o bom da história foi quem ele, o Escriba, abominava: um Samaritano!

Simplesmente demais!  Ainda disse para o Dr. da Lei da Escrituras para ir e prosseguir de tal modo, isto é, imitar o samaritano! Tenho certeza de que se ateus, budistas, cientistas ou qualquer grupo social que seja, não tivesse ido com a cara de Cristo naquele dia, Cristo teria usado como exemplo de bondade, teria sido protagonista de bondade e amor na parábola. Dizendo que bondade não depende de ser participante de grupo social, classe social, religião, que com crença ou sem crença, com poder ou sem poder aquisitivo, sim, a bondade pode vir de qualquer pessoa não dependo desses rótulos. A bondade é inerente ao ser humano e não a etnia, gênero sexual, crença ou não-crença.

Outra postagem pertinente ao tema no link A parábola do ogan da rocinha

Lucas Gonzaga

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Além do bem e do mal (By KILIN)




“E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” Gênesis cap. 32 vs. 30

Ambigüidade, sagacidade, habilidade de trafegar entre o sagrado e o profano são só algumas expressões que definem um dos mais polêmicos e controversos personagens da Bíblia.
Quem em sua honesta auto-avaliação, nunca teve um dia(s) de Jacó na vida?

Admirado por alguns, desprezado por outros e totalmente insignificante por aqueles que fogem de si mesmo não querendo ou não tendo a coragem de assumir um pouco que seja desse que é umrascunho bem definido de todos nós.

Um típico exemplo de como a escandalosa e indecifrável Graça de Deus pode ser projetada em personalidades nada convencionais e totalmente contraditórias as concepções elaboradas pelas cartilhas da moralidade desprovidas do sentimento de identificação com a própria natureza, equivocada quanto a imagem de si mesmo.

Só muda o endereço e o momento dos acontecimentos, mas a história alimentada por uma biografia que de inusitada passa a ser padronizada e repleta de altos e baixos, assume personalidades bem conhecidas do nosso cotidiano a começar por nós mesmos.

O que fica bem associado entre Jacó e nós, é que somos definidos e absorvidos pelas pessoas prioritariamente pelas nossas visíveis ações, ainda que o todo do contexto e do conteúdo do nosso interior seja a expressão da verdade de quem somos e de como fazemos a leitura da vida com as suas diversas dinâmicas e propostas.

Por esta razão, é que Jacó encarna bem a lição de que “o que se planta é o que se colhe”,independente da consciência ou inconsciência, boas ou más intenções com que traduzimos na prática nossas convicções.

A crise de “to be or not to be: that’s the question” se instala de vez, quando somos visitados por um insight da benevolência Divina, é aí exatamente que entramos numa luta pelas rédeas da nossa existência, que só conseguimos equilibrar quando aceitamos o fato de que A GRAÇA estáalém do bem e do mal.

Mesmo depois de discernir e ser discernido pela revelação de uma experiência com a DIVINDADE inerente a qualquer mero mortal, o “to be or not to be: that’s the question” continua latente e bem presente nas nossas inclinações que agora “devem satisfação” a duas realidades com potencial de nos conduzir em caminhos de plenitude e novidade e caminhos de obscuridade.

A pergunta que não cala é: E a Graça continua como habitante do meu ser? A resposta é: Sempre!

Sempre porque ela não se decifra com códigos de ética moral, sempre porque ela escandaliza até mesmo os pudores de quem se percebe impróprio e que se sente constrangido com a decisão unilateral do Criador em re-inventar uma relação com sua criatura que era irremediável pela própria consciência.
Jacó é a representação da possibilidade de pacificação da alma a nossa disposição mesmo envolvidos em sentimentos de inadequação, rejeição e menosprezo, pois é aí que reside a GRAÇA da GRAÇA, que não imputa, mas absolve, sempre nos convidando a um relacionamento que nos conduza em escolhas de paz consigo mesmo, como conseqüência da decisão de invocá-la nos sucessos e retrocessos da vida, sabedores de que é o imerecimento mesmo que nos credencia a sermos alvo das mãos estendidas do SER que é PAI.

A mulher siro-fenícia e sua nova proposta de fé




Texto publicado no livro "O Espírito sopra onde quer"
SOUZA Daniel (org.) São Leopoldo, CEBI, REJU, 2011.
O Espírito Sopra onde Quer. 


Texto Bíblico: Marcos 7.24-30

Objetivo: Conhecer e viver uma fé libertadora, além dos padrões, e ter a liberdade de se jogar, sem medo, a essa fé.

COM OS OLHOS NA VIDA...
Minha infância foi uma infância feliz. (...)
Não era preciso dizer os nomes dos deuses nem eu os sabia.
O sagrado aparecia, sem nome, no capim, nos pássaros, nos riachos, na chuva, nas árvores, nas nuvens, nos animais.
Isso me dava alegria!
Como no paraíso...


(Rubem Alves, “Se eu pudesse viver minha vida novamente”)

Há um tipo de religiosidade hoje, que nos oprime. Somos treinados no modo de viver a nossa fé. Aprendemos o(s) nome(s) de Deus, o que dizer ou o que não dizer a ele/a, como nos portar diante do sagrado, como sentir a espiritualidade. Aprendemos fórmulas, ritos, palavras mágicas para que nos encaixemos nessa relação com o divino. Não temos a chance de descobrir nossa espiritualidade, de perceber o início e o caminho de nossa fé. Não há um diálogo com o sagrado; há apenas a ordem de permanecer calada/o e colocar máscaras religiosas que nos fazem acreditar em uma pseudorreligiosidade sadia. Há respostas para tudo nesse tipo de religiosidade: o porquê dos males, a causa dos problemas, os passos para alcançar o sucesso. Mas quando essas respostas não são suficientes para o completo entendimento, a expressão “Deus sabe de todas as coisas”, é jogada em nosso rosto, como um sinal de que devemos nos calar e aceitar a realidade, sem questionar.

Religiosidades excludentes têm dado conta da nossa espiritualidade? Tais fórmulas religiosas são suficientes para nos ensinar essa relação com o divino? Será que essas respostas prontas, não dialogais, não fazem com que a nossa fé seja fraca e sem raízes? Como criar uma profunda relação com o divino, sem pensar, sem questionar, sem poder aprender com o outro a caminhada da fé?



COM OS OLHOS NA VIDA DO TEXTO...
A passagem da mulher siro-fenícia no caminho de Jesus, nos traz novas leituras sobre essa relação com o divino. Uma mulher estrangeira, humilhando-se aos pés de um profeta judeu, por causa de sua filha, que estava endemoniada. Ela sabia que as mensagens de Jesus não eram para o seu povo, que a cura que ele podia realizar não era destinada à sua filha. Mas contra toda a etiqueta, ela se jogou aos pés do profeta, e clamou por sua filha. Podemos aprender muito com essa mulher e sua fé, que foi lembrada nas narrativas do movimento de Jesus.

Ela ultrapassa o silêncio
Uma mãe desesperada, que não mediu esforços por amor à sua filha. Ela sabia que ali estava o profeta que poderia livrar a menina do mal. Passa por cima da etiqueta, quebra o silêncio, e joga-se aos pés de Jesus. Os discípulos pediram que Jesus a dispensasse, que a calasse, mas essa mulher não pode ser silenciada. Ela é determinada e quer ser ouvida, e é o que faz, levanta sua voz, e manifesta seu anseio.
Devemos ultrapassar o silêncio exigido dessa religiosidade instituída. Precisamos falar, pedir, levantar a voz, compartilhar nossas necessidades e buscar a realização dos nossos desejos, diante de Deus.

Ela dialoga com o mestre
Quando Jesus a ouve, dá uma resposta xenófoba[1] esperada, por causa de sua missão destinada unicamente aos judeus. Ele a dispensa, mostra que ela não é prioridade diante de tantas pessoas a serem atendidas e curadas por ele. A mensagem de Jesus era como uma pérola, que não podia ser desperdiçada e jogada aos porcos e cães (Mateus 7.6). Neste sentido, os pagãos eram caracterizados como esses animais impuros, e sua mensagem não poderia ser esbanjada com eles. Mas é aí que vem a surpresa: ela questiona, dialoga com o mestre. Mesmo que clamando por migalhas, ela reivindicou seu direito de ser ouvida e atendida. Sua reação foi tão inesperada, que Jesus se surpreende e muda seu discurso. Ele volta sua atenção para ela, valoriza sua atitude e atende ao seu pedido. Diferente dos outros diálogos, ela tem a última palavra, seu argumento prevalece sobre o de Jesus.

Ela ensina uma fé libertadora
A postura da mulher siro-fenícia é valorizada por Jesus. “Por causa desta resposta, você pode ir; o demônio já saiu de sua filha” (v. 29). A mensagem de Deus é abundante o suficiente para satisfazer não apenas os judeus, mas também os gentios. Ela entendeu isso, e nos ensinou uma fé que poucos haviam compreendido, nem mesmo os próprios discípulos. Sua liberdade em se expressar, sua liberdade ao não se calar, sua liberdade em clamar por ajuda, dialogar com o mestre e reivindicar sua cura, trouxe a libertação de sua fé. Essa fé não se encaixa nos padrões impostos. Essa fé vai além da etnia, do gênero, da posição social ou do próprio credo. Essa fé salvou sua filha, salvou sua relação com o divino, salvou a nossa própria concepção de diálogo com o sagrado, por ter sido registrada nos evangelhos. Sua fé traz a libertação da nossa própria.




COM O TEXTO OLHANDO A VIDA...
A mulher siro-fenícia nos ensina uma nova postura de fé. Intensa, transparente, saborosa, além das normativas. Ela nos ensina a viver uma fé inteligente, que dialoga com o diferente e nos leva em direção da cura de nossos preconceitos. Essa mulher ensinou Jesus a superar seu próprio preconceito[2]. E nos ensina a vencer o nosso.

Que, seguindo seu exemplo, não nos calemos diante da injustiça; que não nos conformemos com as imposições religiosas; que não tenhamos medo de viver uma fé intensa. Que a nossa fé nos liberte de nós mesmos, e nos leve em direção a uma nova relação com o divino.

Deus, Deusa, Deuses... precisamos aprender, como Jesus aprendeu com a mulher siro-fenícia, a dialogar. Sempre queremos impor, falar, mas não estamos dispostos/as a ouvir, a mudar nossa postura. E isso faz com que a nossa fé seja opressora. Esse diálogo inter-religioso é possível. Podemos compartilhar nossa fé com irmãos/ãs de outras confissões. Esta é a fé libertadora. Vamos dar as mãos, juntar nossas vozes, e unir nossas espiritualidades, caminhando juntos/as em direção ao sagrado.

[1] Aversão à(ao) estrangeira(o).
[2] Para um estudo sobre o assunto: FIORENZA, Elisabeth S. “O Movimento de Jesus como Movimento de Renovação dentro do Judaísmo”, in: “As origens cristãs a partir da Mulher – uma nova hermenêutica”. Paulinas, 1992.

SUGESTÕES DE LEITURA:
FIORENZA, Elisabeth S. “O Movimento de Jesus como Movimento de Renovação dentro do Judaísmo”, in: “As Origens Cristãs a partir da Mulher – uma nova hermenêutica”. Paulinas, 1992.
PEREIRA, Nancy Cardoso. Revista RIBLA: As mulheres e a violência sexista. Petrópolis: Vozes, 2002.
REILY, Duncan Alexander. Ministérios Femininos em Perspectiva Histórica. Campinas/São Bernardo do Campo: CEBEP/EDITEO, 1997. 


Licença Creative Commons
A mulher siro-fenícia e sua nova proposta de fé de Priscila Pereira é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
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Metáforas desconcertantes do divino (By Gondim)



Ricardo Gondim

Nietzsche disse que só acreditaria no Deus que soubesse dançar. As implicações filosóficas e existenciais dessa afirmação são enormes. Entre algumas: contingência, liberdade humana, o uso da sabedoria no improviso, desmonte da existência engrenada. Dizer que Deus dança significa que a vida pulsa com liberdade. Começo, meio e fim não jazem nos grilhões da necessidade.

Em desagravo à espiritualidade nietzscheniana, atrevo-me dizer que o Deus que dança não é estranho ao relato bíblico.

Sofonias (3.17) descreve Deus se regozijando com júbilo, cheio de brados de alegria. Deus se deleita tal qual o pai que se surpreende com a pergunta criativa do seu guri, igual ao professor que aceita ser ultrapassado pelo aluno, parecido com a mãe que se encanta com a bailarina que nasceu de suas entranhas. A alegria divina ou humana vem da percepção gostosa de um momento que, mesmo esperado, podia nunca acontecer. Isso desengrena o futuro e cria o insólito. Só o imprevisto tem força de gerar alegria ou decepção.

Os profetas não economizavam predicados portentosos para o Divino: Senhor dos Exércitos, Todo Poderoso, Rei, Santo Juiz. Mas, diferentemente das divindades gregas que, posteriormente, seriam descritas a partir dos absolutos da metafísica, os judeus se valeram de histórias, contos e parábolas para descrever Elohim Javé. Sem a aura de sacralidade das antigas divindades, eles não tiveram medo de dizer que Deus assobia – Isaías 5.26, 7.18. “Assobiarei para eles e os ajuntarei, pois eu já os resgatei…” (Zacarias 10.8). Nietzsche, estou certo, não teria muito problema em crer num Deus que assobia.

Um dos mais celebrados atributos dos deuses foi a constância. Contudo, Javé não se sente constrangido a comportamentos padrões. Os escritores o descrevem como um Criador arrependido, depois que constata o aumento da perversidade entre os filhos dos homens: “Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração” (Gênesis 6.8). Javé também se arrependeu de extrapolar sua severidade  ao anunciar a destruição de uma cidade: “Tendo em vista o que eles fizeram e como abandonaram seus maus caminhos, Deus se arrependeu e não os destruiu como tinha ameaçado” (Jonas 3.10).

Com o fluir da história, certos mandamentos caducam, perdem a razão de ser, e merecem ser descartados. No período pós-exílio babilônico, foi necessário acabar com a lógica sacrificial de imolar animais inocentes. Os holocaustos se mostraram inúteis na transformação de pessoas. Jeremias teve peito de desdizer o que se considerava mandamento. Para ele, Javé  nunca havia ordenado derramamento de sangue  (quando, de fato, o Senhor exigira que se imolassem animais).

“Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: ‘Juntem os seus holocaustos aos outros sacrifícios e comam a carne vocês mesmos! Quando tirei do Egito os seus antepassados, nada lhes falei nem lhes ordenei quanto a holocaustos e sacrifícios. Dei-lhes, entretanto, esta ordem: Obedeçam-me, e eu serei o seu Deus e vocês serão o meu povo. Vocês andarão em todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem’” (Jeremias 7.21)

Numa expressão chula, no Brasil chamam o homem traído de corno. Embora o termo esteja completamente desconectado do hebraico, o profeta não teve vergonha de comparar a sua sorte à do Senhor. E de usar a própria história para fazer paralelo entre deslealdade conjugal e espiritual. Para escancarar a dor da infidelidade, Oseias, corneado por sua mulher, Gômer, disse que Israel fazia o mesmo com Deus. “Vá, trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser amada por outro e ser adúltera. Ame-a como o Senhor ama os Israelitas, apesar de eles se voltarem para outros deuses e de amarem os bolos sagrados de uvas passas” (Oseias 3.1).

O mosaico de metáforas atribuídas ao Divino é minimizado na teologia pelo termo técnico de antropomorfismo. Mas, os exegetas que procuram construir uma imagem de Deus sem essas inúmeras metáforas, acabam com um Deus apático, distante, indiferente, inacessível. Ao anularem as múltiplas descrições bíblicas, ficam com o Motor Imóvel aristotélico.

Jesus de Nazaré ousou desmontar todos os devaneios que  antigos nutriam sobre Deus. O Evangelho de João diz que “ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (Jo 1.18). Quando Felipe pediu para ver o Pai, Jesus não hesitou: “Quem me vê, vê o Pai”. Portanto, a metáfora mais verdadeira de Deus encarnou e foi reconhecida em Jesus, o Cristo.

Em Jesus, Deus bate à porta e espera ser recebido para um jantar. Em Jesus, Deus relativiza as exigências cerimoniais de dias e espaços sagrados para preservar vidas. Em Jesus, Deus ama sem se impor – ainda ressoam de seus lábios a escandalosa condicional: “Se alguém quiser me seguir…”.

Creio que Nietzsche era ateu da Causa Primária, do Relojoeiro, do Supremo Arquiteto, do Superintendente da Meticulosa Providência. Ele desprezou meras caricaturas distorcidas do Pai que mandou preparar churrasco para um grande baile. Não consigo imaginar Deus sentado, observando a festança do dia da volta do Filho Pródigo. Naquele dia, Ele dançou.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Robinson Cavalcanti - Ressonâncias de uma utopia possível




Ler "A utopia possível” foi muito marcante para mim. Eu tinha entre 18 e 19 anos e estava no segundo ano do seminário. Eu já estava num processo de reconstrução, de refundação de uma série de conceitos que tinham moldado minha vida até aquele momento. O que essa leitura fez foi potencializar a mudança. Junto com outros livros, “A Utopia possível” me fez enxergar um novo horizonte para a experiência de fé. Os textos de Cavalcanti me abriram muitas janelas para a vida e para transcendência; me ajudaram a romper com um passado religioso opressor.

Nasci e cresci numa redoma bastante fundamentalista, reacionária, sectarista, supersticiosa, de extrema direita política e avessa ao conhecimento científico. Não me dava muito bem com esse mundo, mas, devido a um temperamento amistoso, não consegui ser rebelde. Me faltou ímpeto e sobrou medo.

Eu tinha medo de tudo, mas principalmente de um Deus ágil em vingar servos que se amotinam. E olha que esse Deus metia medo mesmo! Ele tinha, a seu serviço, um grupo de comparsas que fazia parte do trabalho sujo. Bastava um pequeno escorregão para que ele autorizasse a convocação de um conselho do mal, chamado de “reunião de ministério”, para dar jeito na vida dos rebeldes. Esse grupo de anciãos, bastante parecido com aquele que Jesus confrontou por diversas vezes, era responsável por interpretar os cânones do direito divino e estabelecer a pena necessária para corrigir (ou simplesmente punir de forma exemplar) os infratores.  Todo mundo tinha medo da tal “reunião de ministério”. Ali Deus manifestava, de forma concreta, seu desejo vingança; ali a honra de um Deus ofendido era severamente reparada.

Mas o Deus aterrador que me ‘livrou’ da rebeldia ainda tinha outro expediente de coação mais potente. Ele era o mentor e executor de todos os infortúnios e tragédias. “Ai de quem cair nas mãos de Deus”, diziam os pregadores. Eu tinha muito medo das mãos desse Deus grego, inconstante, vingativo, passional e, apenas ligeiramente, amoroso. Me lembro de uma vez que ousei desobedecê-lo. Não resisti e fui jogar bola. Minutos depois, estava eu lá no chão com o pé inchado, sentindo uma dor enorme, mas insignificante, se comparada à dor da culpa que me assombrava. Pensava comigo: “É um sinal de Deus. Ele está me dizendo pra eu não fazer mais isso. Se eu insistir, a coisa pode ficar pior”. Sai decidido a nunca mais nem me aproximar de um jogo de futebol para não ser nem tentado. Hoje desejo jogar futebol, mas sofro com a impossibilidade de fazê-lo. Não aprendi fazer coisas simples com uma bola, como por exemplo dar um passe certo. Para não envergonhar, nem aborrecer meus amigos, prefiro nem jogar.

Esse mundo, extremamente opressor, conseguiu aparar minhas asas, colocar cercas em volta de mim durante toda a infância e parte da adolescência. Simplesmente fui enredado. Opressão e o obscurantismo religioso, se mantidos e alimentados, podem deformar a vida, o caráter, a pessoa. Felizmente, o dia da liberdade estava à espreita. No final da adolescência, me vi em condições de começar uma jornada, árdua mas fundamental, de desidealização e esvaziamento dos poderes que tanto me assombravam. Fui para o seminário. Lá continuava a operar uma série de forças opressoras, mas sem o mesmo poder de antes.

Foi no seminário que entrei em contato com o mundo dos livros. A história nos mostra o quanto eles foram fundamentais para deflagração de praticamente todas as revoluções modernas. Os livros nos libertam (eles podem nos aprisionar também, eu sei!). Li alguns livros que supostamente dariam argumentos e fundamentos mais sólidos para aquela visão de mundo que cercou a minha infância. Achei todos muito chatos, superficiais, ridículos. Então comecei a ler outros livros, que não chegavam a ser proscritos, mas eram completamente alheios ao mundo da minha infância. Foi aí que comecei a ler alguns autores que falavam da necessidade de uma incursão social da fé. Fiquei fascinado. Entre eles estava, obviamente, Robinson Cavalcanti. Li avidamente “A utopia possível” e “Cristianismo e política”. De repente me descobri um petista entusiasta. Meu primeiro voto para presidente, em 1998, foi para Lula, com entusiasmo e militância. Poucas pessoas, do meu entorno igrejal e familiar, entendiam isso; afinal, eu estava no meio de assembleianos. Não é novidade para ninguém que os assembleianos só vieram a votar em Lula a partir da campanha de 2002, e com muita suspeita. Um assembleiano de verdade, da gema, só votava em Fernando Collor e Fernando Henrique.

São muitas as marcas de Robinson Cavalcanti em mim. Voltei a ler alguns artigos de “A utopia possível” hoje. Me surpreendi com semelhança de nossas ideias. Me apropriei de tal modo de algumas teses de Cavalcanti que já não me lembro mais da fonte. Penso que influenciar é exatamente isso. É fazer com que o outro seja tão envolvido por uma ideia alheia ao ponto de não mais se lembrar de que a ideia é alheia. Ser influenciado é ser surpreendido por uma amnesia; é se esquecer da origem do saber; é permitir que as vozes alheias se fundem de modo tão entranhado com a minha, ao ponto de faz nascer uma nova voz mestiça, mas com identidade própria. Devo muito a Robinson Cavalcanti. Já sinto saudades, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente. Em mim, seu desejo de uma utopia possível ressoou com muito ímpeto.

Sostenes Lima

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Robinson Cavalcanti - Ressonâncias de uma utopia possível de Sostenes Lima é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Based on a work at www.sosteneslima.com.

Por que Claudia Leitte, e não Edmundo? Afinal, que querem os gays?


Como ativista e jornalista LGBT, continuo considerando que a escolha de Claudia Leitte para madrinha da Parada Gay de Salvador é um equívoco. Das três, uma: ou o GGB (Grupo Gay da Bahia) tomou um chá alucinógeno, ou a diretoria é formada por fãs da loira - fãs daquele tipo que "tudo desculpa" em relação a seu ídolo -, ou criou um factoide para causar comoção e tão-somente divulgar a Parada. Torço para que seja a última hipótese.

Em entrevista a Léo Áquilla para o TV Fama, em 2008, para quem não se lembra, Leitte disse que "adora os homossexuais", mas preferia que seu filho "fosse macho". Ato contínuo, foi secundada pelo marido, que declarou que o filho seria "bem-criado". O curioso? Ainda tem gente - gays, inclusive - que não acha que a declaração foi infeliz!

Resta, porém, a pergunta: afinal, o que queriam os gays? Que ela dissesse que preferia ter um filho gay? E, diriam outros, não seria uma "discriminação" contra heterossexuais se ela assim o dissesse?

A resposta é não... Os gays não queriam que ela dissesse que preferia ter um filho homossexual. O que os gays queriam, e ainda querem, é ser amados por seus pais independentemente de sua orientação sexual. O que os gays queriam, e ainda querem, é que sua orientação sexual não seja, por si só, um elemento que cause decepção a seus pais, até o ponto que os pais gostariam que eles fossem de outro jeito, como se ser gay fosse, por si só, um "defeito".

Devo dizer que não me importa se Leitte é ou não homofóbica na sua vida particular, na sua vida profissional, na relação com seu staff ou com seus fãs nos shows, nem mesmo se seu bloco no Carnaval é aquele onde gays mais beijam ou não. Inclusive, considero ser impossível determinar que ela seja homofóbica ou não apenas por uma declaração que, de toda forma, pode ter sido totalmente espontânea e, quem sabe, até impensada.

O que importa, e aí já como profissional da comunicação social, é que sua declaração reforçou, simbolicamente, o machismo e a homofobia que tantos dissabores causam a gays já no seio da família. Somente quem é homossexual, travesti ou transexual sabe o sofrimento e as crises que nos são infligidos, ainda em tenra idade, por pais que "preferiam ter um filho macho" - e pelo medo de que eles descubram que somos homossexuais.

Somente quem é homossexual, travesti ou transexual sabe também que essa preferência quase nunca é tão-somente uma preocupação genuína dos pais ou das mães quanto ao fato de seus filhos sofrerem ou não preconceito por parte de terceiros, argumento que Luiz Mott, por sinal, tem usado para defender a escolha de Claudia Leitte por parte do GGB, mas a manifestação de um valor social inegavelmente de matriz homofóbica que os irmana a outros que veem a homossexualidade com desconforto e/ou algo indesejável... Como, enfim, algo indigno, um elemento passível de causar decepção.

Se Claudia Leitte tivesse respondido, frente à pergunta de Léo Áquilla, que se tivesse um filho gay, isso não importaria: ela o amaria de qualquer jeito, seria um exemplo e um modelo para tantos gays e seus pais, além de mostrar que existem pais e mães esclarecidos que, pelo amor, ultrapassam a barreira cultural imposta pela homofobia e amam seus filhos independentemente do que são - e não pais que amam com um "mas". Era isso, repito, que os gays queriam.

Ao não fazer isso, Claudia se irmanou aos pais do "mas": ama o filho, "mas" gostaria que ele fosse de outro jeito. Ama o filho, "mas" gostaria que ele fosse macho - e, muito provavelmente, não por simples preocupação com o filho, mas pelo conforto que isso traria para a própria Leitte, uma vez que sabemos que, mesmo quando o filho é patentemente feliz com sua homossexualidade, os pais do "mas" ainda preferiam que ele "fosse macho" e se casasse com uma mulher.

Exemplo muito diferente deu o ex-jogador e comentarista Edmundo (http://www.mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=2041 ), que declarou amar incondicionalmente seu filho, independentemente de sua condição sexual, uma mensagem, aí sim, muito mais condizente com o que queremos transmitir a nossos pais, ainda que Claudia Leitte tenha evoluído em suas opiniões, do que, de minha parte, até o momento, não vi qualquer sinal.

Portanto, não se trata, como se vê, de "rancor", como porta-vozes do GGB têm dito sobre nós outros, que discordamos da escolha da loira para madrinha. Trata-se da mensagem que estamos transmitindo à sociedade... Ou vamos fingir não é possível ver um Silas Malafaia fazer uso de todo esse imbróglio, a fim de argumentar que "nem os gays" querem ter filhos gays e usando a declaração de Claudia Leitte como "prova" de que a homossexualidade é algo sempre indesejável, até por parte daqueles que têm inúmeros fãs na comunidade homossexual?

Fica, portanto, a pergunta ao GGB... Por que optar pela madrinha do "eu amo, mas", e não pelo padrinho do amor incondicional? Por que optar por alguém que adora os homossexuais, desde que não sejam de sua família ou seus filhos, em vez de alguém que aprendeu a amar incondicionalmente, para além das diferenças sexuais? Por que Claudia Leitte, e não Edmundo? 

João Marinho


Via Gospel Gay
Outro texto relevante ao tema no link: Já que é pra falar a verdade. Eu não quero ter um filho gay!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A agenda de Jesus se opõe à agenda dos cristãos




Gosto do seu Cristo, mas não gosto dos seus cristãos. Eles são bem diferentes do seu Cristo
[Mahatma Gandhi]


Está na moda falar de agenda.  Essa palavra já começa a fazer parte do cotidiano das pessoas por causa de temas como: agenda da sustentabilidade, agenda econômica, agenda da reforma política, agenda da educação, agenda da gestão eficiente etc. Quero, neste artigo, introduzir a discussão sobre mais duas agendas, a de Jesus em contraposição à da religião dos cristãos. Mas antes de partir para o enfrentamento do tema, deixe-me dizer o que entendo ser uma agenda: é um conjunto de princípios, valores e compromissos que norteiam o que uma pessoa ou instituição é (identidade) e o que ela faz no mundo (prática, atividade). Noutras palavras, o que se é e o que se faz no mundo resulta de uma agenda que se tem diante da vida.

Uma pesquisa informal[1] feita no campus da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, mostra alguns resultados curiosos sobre a representação que as pessoas têm de Jesus e dos seus seguidores. A pesquisa se valeu do seguinte método: foram feitas duas perguntas a cada pessoa, a saber: 1) O que vem a sua mente quando você ouve o nome Jesus? 2) O que vem à sua mente quando você ouve a palavra “cristão”? As respostas dadas pelos entrevistados indicam o quanto a agenda de Jesus é inspiradora e a dos cristãos, às vezes, repugnante.

A reação à primeira pergunta era sempre animadora. Quando perguntadas sobre Jesus, as pessoas, em geral, reagiam com um sorriso iluminado no rosto, dando respostas positivas, como:
“Jesus era lindo”.
“Eu quero ser como Jesus”.
“Jesus era libertador das mulheres”.
“Eu sou a favor de Jesus”.
“Eu quero ser seguidor de Jesus”.
“Jesus era iluminado e possuía uma verdade superior”.

Respostas como essas indicam que ainda encontramos muitas pessoas dispostas a falar sobre Jesus de modo afirmativo e receptivo, mesmo num ambiente pós-cristão, como um campus de universidade. Os jovens entrevistados, embora não conhecessem bem os ensinos de Jesus, reconheciam-no como um personagem que merece ser seguido, estudado, imitado etc.

Já a segunda pergunta (O que vem à sua mente quando você ouve falar a palavra “cristão”?)  provocou  nos entrevistados uma reação extremamente defensiva.  Com semblante fechado, cabeça baixa e expressões de ódio, os jovens deram respostas como:

“Os cristãos pegaram os ensinos de Jesus e fizeram uma bagunça com eles”.
“Gostaria de ser cristão, mas nunca encontrei nenhum”.
“Os cristãos são dogmáticos e retrógrados”.
“Os cristãos devem ser amorosos, mas nunca encontrei nenhum assim”.
“Os cristãos deveriam ser levados para fora e fuzilados”.

Sabemos que os cristãos sempre se meteram em grandes confusões históricas, verdadeiras narrativas de sangue: cruzadas, inquisição, massacre de São Bartolomeu, “inquisição” de Genebra, apoio ao regime nazista, apoio a ditaduras latinoamericanas, apoio à invasão do Iraque etc. etc. A lista é enorme; não dá para esgotar aqui. Todas essas incursões têm causado um enorme estrago na reputação dos cristãos e contribuído para a resistência. Eu realmente não me surpreendi com os resultados da pesquisa. Penso que se fosse refeita no campus de alguma universidade brasileira, os resultados seriam muito parecidos. Devo confessar que, mesmo sendo cristão, sou solidário à maioria das opiniões dos entrevistados.

Porém nem tudo está perdido. As respostas dadas à primeira pergunta me deixam animado: o líder dos cristãos é estimado. Esse dado só aumenta o meu entusiasmo com o evangelho. Os cristãos não são o meu modelo; não sigo os cristãos. O que os cristãos têm é uma religião, e por vezes um negócio religioso que lhes permite entremear em antros econômicos e políticos. Estou profundamente interessado na agenda de Jesus, mas, a exemplo dos jovens entrevistados, também tenho muita resistência à agenda dos cristãos.

Jesus não tinha estola sacerdotal, nem era líder de uma sinagoga. Jesus não participou de conchavos políticos; não fez alianças espúrias para manter o carisma. Jesus não quis o poder. A vida de Jesus revela uma série de compromissos abertamente opostos à pauta da agenda de muita gente que age em seu nome. A agenda de Jesus me fascina, me convida à ação, ao envolvimento. Gosto de falar sobre sua agenda, de me sentir envolvido nela.

Uma leitura, menos religiosa e mais radical, dos Evangelhos nos mostra alguns componentes da agenda de Jesus, prontamente contraditórios a certas pautas da agenda dos cristãos. A seguir apresento algumas proposições que refletem alguns fundamentos da agenda encarnada por Jesus:

1 Na agenda de Jesus há um Deus que considera todos, sem distinção de qualquer espécie, carentes do seu amor.
2 Na agenda de Jesus há um Deus que convida amorosamente todos e  respeita a decisão das pessoas; esse Deus não recorre a qualquer tipo de coação ou retaliação.
4 Na agenda de Jesus há um Deus que não interrompe o discipulado com uma exclusão, por mais errante que seja o discípulo.
5 De acordo com a agenda de Jesus, a chuva (ou falta dela) alcança a lavoura de todos, sem qualquer privilégio ao agricultor evangélico dizimista.
6 Na agenda de Jesus as pessoas são sempre a prioridade, e não certas determinações e rotinas institucionais.
7 A agenda de Jesus  prevê a implantação de um novo modelo de culto, baseado na simplicidade do relacionamento com o pai, em vez de um complexo sistema de liturgia sacrifical e templista.
8 De acordo com a agenda de Jesus, os discípulos (apóstolos) foram formados por meio de um intenso convívio relacional e não por meio de uma medida institucional rabínica ou sacerdotal formal.
9 Segundo a agenda de Jesus, o evangelho deve ser anunciado por pessoas e não por instituições.
10 Na agenda de Jesus, o reino de Deus é disseminado e praticado no mundo através de comunidades (ambientes de relacionamentos) e não através de instituições investidas de poder político, econômico, midiático etc.

Essa lista está longe de esgotar a grandeza da agenda de Jesus. Ela apenas introduz alguns fundamentos, com o fim de nos levar a uma inquietação. Precisamos nos incomodar com o fato de tantas pessoas estarem resistentes aos cristãos. Estou certo de que boa parte dos motivos tem a ver com a agenda religiosa que os cristãos empunham, bastante estranha aos princípios, valores e compromissos defendidos por Jesus.


[1] KIMBALL, D. A igreja emergente: cristianismo clássico para as novas gerações. São Paulo: Vida, 2008. p. 101-2.



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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Já que é pra falar a verdade. Eu não quero ter um filho gay!



       Sou mulher, humana! Ser humano e tenho dois filhos (meninos), mas. Eu, dentro em mim, jamais queria que fossem homossexuais! NÃO, eu não quero! Tenho que dizer a verdade! Ah! Mas, não tenho como escolher, como optar e nem orientar, isto está além de meu alcance de mãe, e muito além do direito de escolha deles! Porque não se escolhe ser, apenas se é! Somente isso. Nascem assim, são assim. A mim, resta apenas o amor de mãe; um amor inesgotável, o amor feminino de Deus.

       Se um de meus filhos fosse (ou for) gay, será que eu amaria mais a um que outro? Não! Mas, ao mesmo tempo, contradigo-me, e penso que talvez sim! Talvez dispensasse maior amor ao filho gay, por sua fragilidade, sensibilidade e pior, pelo preconceito sofrido por ter nascido gay, em um país onde a homofobia impera, onde pastores vão a todas as mídias condena-los (aos gays), onde cinco truculentos mastodontes se sentem no direito de espanca-los  apenas por ele ser gay, por ser diferentes deles, por conta da orientação sexual  e, assim, representarem uma ameaça a espécie humana[sic]. Onde pastores entram em blogs LGBT e ofendem, agridem em "nome de deus"; um deus que não existe e se existe,  é um Deus que é só amor, um deus de amor, o Amor!

       Não! Eu não quero. Quero um filho que seja humano. Que respeite seu próximo e não o julgue pela cor da pele, religião, classe social e principalmente pela sua orientação sexual. Seja ele homo ou hétero. Apenas irei ama-lo, ama-lo e ama-lo!...

       Não nos cabe escolher sobre a sexualidade de nossos filhos, só nos cabe aceitar. Mas eu não queria um filho gay, porque sei que ele sofreria demais nas mãos de pastores, padres, e da maioria da sociedade, que por sua vez, não aceita a homossexualidade como natural. E de fato não é! A homossexualidade é mais que natural, é "SUPERNATURAL".

       E é só este o motivo de não querer um filho gay, pois, qual a mãe que amando seu filho iria querer vê-lo sendo agredido, ofendido e, quem sabe, até morto pelo simples fato de ser gay? Basta-nos lembrar a recente e trágica história de Alexandre Ivo (sei que muitos nem se lembrarão, mas a mãe dele com certeza ainda chora a morte de seu filho, que aos 14 anos foi espancado até a morte por ser gay!). Ponho-me a imaginar a dor desta mãe que não teve como proteger seu filho, não teve e nem pode! Mas se pudesse ela estaria lá e morreria tentando defende-lo! NÃO! EU NÃO QUERO TER UM FILHO GAY! Por medo de, tão precocemente ter que enterra-lo, morto por homofóbicos ou ainda pior, que ele mesmo tire sua própria vida por não suportar a dor do preconceito sofrido! Mas eu quero um filho, aliás, já tenho e, como já disse dois. E a mim não importa que sejam ou não gays. Apenas vou ama-los com todo meu coração de mãe. Vou ama-los. Eu os amo!...


Outro texto relevante ao tema no link Porque Claudia Leitte e não Edmundo(link)

Anja_Arcanja®(link)

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Amantes...


Posso sentir tuas mãos,
delineando meu corpo.
Ao mesmo tempo em
que me observo desnuda
e carente de seu afeto.
Minha pele se exalta,
ao simples fato de
imaginá-lo colado
e suado adentrando em
meus devaneios sem fim.
Respiro o teu perfume
por sobre a nuca e viajo
além das estrelas cadentes
e reluzentes de amantes
ávidos por se entregar.
O beijo é profundo,
expontâneo e fecundo
que desperta em segundos,
o sexo selvagem que
alimento por ti.
Ouço os teus gemidos,
teus desejos sentidos
por me possuir.
A poesia de amores
se faz presente,
e juntos latentes
gozamos enfim.

Izabel Silveira

GENIZAH E OS PROFETAS DO PINTO E DA VAGINA



By Renato Hoffmann

Quando Carlos Nascimento, no jornal do SBT, disse que nós já fomos mais inteligentes, no episódio em que Luiza volta do Canadá, pontualmente, eu discordei do âncora... Penso que a futilidade faz parte da vida, e que novas formas de sociedade estão em ebulição, dentre elas, redes sociais, que sim, podem ser notícia por fazer de uma anônima celebridade em questões de segundos, como com a Luiza, que mesmo no Canadá, ficou sabendo... Enfim, uma reportagem sobre as novas mídias e marketing.

Por outro lado, Carlos Nascimento acertou quando disse que já fomos mais inteligentes... Por exemplo, quando o brasileiro suspeitava de pastores evangélicos, que pediam dízimos e ofertas e trocavam seus carros velhos por máquinas zero quilômetros, com o dinheiro do povo. Mas, não acertou tanto assim... Afinal, sempre em contra partida se deixou dominar pela Igreja Católica e seus ideais metafísicos, ou por algum político de discurso eloquente e rostinho bonito: pois é, quem não se lembra do Collor?


Mas, lendo alguns artigos do Genizah foi que eu, de fato, acreditei na estupidez e na imbecilidade! Oras, num dos artigos do blog tem por anúncio: Quantas vezes as meninas do Big Brother Brasil se masturbaram diante das câmeras da TV Globo? E logo a baixo, como subtítulo em destaque: O Brasil mergulha fundo na iniquidade.

"Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás." Isaías 1.14:4 (SIC)

Eu tenho vergonha de viver em um país onde o assunto da semana é este e o da semana passada foi o estupro na TV.

O Genizah conclama seus leitores a se mobilizarem para não permiterm que o Brasil seja lançado, às gerações futuras, na iniquidade, afinal, são cristãos e não esquentadores de banco, blá, blá, blá, blá... etc, blá, blá!

Essa mesquinhez, hipócrita, sórdida, mascarada de santidade, não é diferente daquilo que Malafaias, Hinns, Santiagos, Macedos, Hernandes e tantos outros fazem... Iniquidade não nos fala de masturbação, ninguém é iníquo por sentir TESÃO, ou tocar em seus órgãos genitais... E demais, qual o problema de falar isso abertamente ou na mídia? Esse pudor fétido, virulento que o Genizah prega é fruto de uma mente decadente, que enxerga no pinto e na vagina o mal do mundo, produto de uma frustração sexual manipulada e manipuladora, oriundas da religião por subjugar os fiéis, como ovelhas, aos ditames severos dos pastores espertalhões, no final, o Genizah foi buscar apoio, novamente em MARCO FELICIANO, mas não é esse a quem eles fingem criticar? 
A guerra santa do Genizah é a guerra do sexo e do pudor, moralistas de plantão, que não têm nada a acrescentar e, portanto, fazem do PINTO E DA VAGINA os ícones de santidade, castidade e pudor, num discurso direitista, enganam milhares... Isso é fundamentalismo disfarçado de EVANGELHO, anti-ecumênicos, ultraconservadores, dizem apresentar um Reino de Deus, que nem o próprio Deus conhece! Mas tudo isso numa fala mansa... Afinal, não é bom despertar suspeitas das reais intenções... Dizem criticar os vendilhões, mas lucram $$ com a mesma crítica, e ao final, Malafaia, Terra Nova, Feliciano, não deixam de ser, para eles, fonte de renda $$$$$$$$$

Nós já fomos mais inteligentes, nunca vi o Genizah, por exemplo, mobilizar-se com tanta veemência contra a pobreza, isso mesmo cara-pálida! Nesse artigo catstrófico do Genizah, contra a natureza e as necessidades fisiológicas, o Genizah foi contundente, até usou Isaías para falar de uma iniquidade, em que, a despeito, Isaías nunca falou! Mas contra a pobreza esse blog de intenções duvidosas nunca foi tão profícuo ou tão ferrenho quanto!

E ao que pese, Isaías nunca falou do sexo como algo iníquo, pelo contrário, no texto usado Isaías 1,4 o profeta está falando contra a iniquidade, a injustiça, dos políticos de Israel contra os pobres, o próprio Deus está desprezando o culto desses senhores, e não é porque eles se MASTURBAM NÃO, pelo contrário, as pessoas que levam oferendas para Iahweh são as mesmas que não se importam em fazer o direito (mishpât)funcionar, que não fazem justiça ao desprotegido órfão e à abandonada viúva. Isaías, em um dos textos proféticos mais violentos contra um culto que funciona só para mascarar as injustiças que se cometem no dia-a-dia contra os pobres, pede aos príncipes de Sodoma e ao povo de - na verdade, de Jerusalém - para ouvirem a palavra de Iahweh. Ele fala de príncipes de Sodoma, não como algo sexual, o pecado de Sodoma é a injustiça social, onde os ricos exploram os pobres e se gloriam disso, então no capítulo 1, o mesmo que o Genizah usou diz: 
10 Escutem a palavra de Javé, chefes de Sodoma; preste atenção ao ensinamento do nosso Deus, ó povo de Gomorra
11 Que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios? - diz Javé. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos.
12 Quando vocês vêm à minha presença e pisam meus átrios, quem exige algo da mão de vocês?
13 Parem de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembléias… não suporto injustiça junto com solenidade. (1:10-13).
16 Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista as maldades que vocês praticam. Parem de fazer o mal,
17 aprendam a fazer o bem: busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. (1:16-17)


E assim, o que se pode concluir disso tudo, é que o Genizah OCULTOU o verdadeiro sentido do texto, usou a bel prazer, para guerrear contra o PINTO E A VAGINA enquanto o pobre que se dane, e isso não passa de mais um engodo evangélico... Solamento!

fonte GOSPEL GAY

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A farsa do martírio dos cristãos



 No martírio dos cristãos está estampado o sentimento anti-romano. Possivelmente  embora não passe de uma suposição  noventa por cento da população de Roma, no ano 100, era formada de não italianos de origem escrava [gregos na grande maioria]. Os romanos do principado constituíam uma raça nova e cosmopolita, diferente da composição étnica dos italianos [...]. (GRANT, p. 123) Esses orgulhosos descendentes de escravos gregos (anatolianos na maioria) não adotaram o latim. Impuseram a língua dos antepassados naquela nova sociedade na qual o ressentimento decorria. Contudo, devemos distinguir escravos, ex-escravos e descendentes dos gregos livres, que desde a república acorriam a Roma em busca de boa remuneração para instruir romanos.

Os romanos de origem (que já no final do primeiro século eram poucos na capital), as autoridades em especial, como no caso de Nero, foram retratadas como criaturas de uma perversidade inqualificável a se deleitarem com um grotesco requinte de tortura nas execuções de cristãos. Conta-se que Nero teria mandado besuntar os pobres coitados dos cristãos de óleo e lhes ateado fogo, para que iluminassem como tochas vivas o jardim do insano imperador.

Em 186 [a.e c.], por iniciativa do Senado, a polícia reprimiu grupos que praticavam os mistérios de Dionísio ou as Bacanais, que progrediam rapidamente no sul da Itália, penetrando em Roma. A essa prática combatida é atribuído um dos grandes males da sociedade romana, que já se iniciava naquela época. Desconhecem-se quando o culto de Dionísio passou da Trácia para a Grécia, possivelmente antes dos tempos históricos. Encontrou a resistência da racionalidade urbana grega, mas a vida no campo é dura e precisa de compensações. Inicialmente, continha elementos bárbaros, como cortar animais em pedaços e comê-los crus. Mulheres de diversas idades, em grupos, passavam a noite na colina, inteiramente nuas, entregues à dança, sob o efeito da embriaguez. O êxito do culto de Dionísio, na Grécia, se deve a uma ânsia por uma maneira de viver mais instintiva e apaixonada do que sancionada pela moral corrente. Baco, ou Dionísio, era, por fim, a promessa da união do elemento terreno com o elemento divino. (RUSSEL, 1957, p. 17, 18, 19, 20, 21)

 [...] quantas infamantes devassidões perpetraram com extorsões e assassínios; quantos conluios se tramaram para a subversão, não somente dos costumes, mas da sociedade e do Estado. Então, por mais de cinco anos, desenrolaram-se as investigações, as denúncias, os interrogatórios relacionados com a questão. Desencadeia-se a repressão: cerca de 7.000 pessoas são presas e um número bastante grande condenado à morte por uma justiça expedita.   (AYMARD; AUBOYER, 1974, p. 203)

Ficamos nós com a informação de que a justiça romana era expedita (prática e ligeira) no cumprimento das suas determinações: surras de varas para as penas mais leves; o machado (símbolo da polícia romana) para as penas capitais; crucificação para os crimes políticos. Ora, se era esse o costume, por que em toda história de Roma somente os cristãos foram vítimas de um sadismo grotesco e difícil de acreditar?
As notícias sobre as perseguições se devem principalmente a escritores eclesiásticos, sobretudo apologetas, e são em geral peças de retórica. Escasseiam os dados concretos. As anotações que seriam feitas sobre cada processo judiciário são um fantasma que paira sobre a hagiografia cristã: as Atas dos mártires é o argumento que desde Prudêncio justifica a vacuidade das notícias teriam sido destruídas por ordem de Diocleciano. Em qualquer caso, é sumamente escassa a documentação digna de algum crédito. (SÁEZ)

Os narradores dessas torturas, gregos natos ou de origem, objetivavam mostrar que as dores dos mártires ultrapassavam em muito às dores dos infelizes do circo. Uma dor que só valoriza aquele cujo padecimento não foi suficiente para que renegasse a própria fé. O que seriam as dores do cotidiano diante daquelas dores suportadas pelos mártires e pelo próprio Cristo, quando na outra vida a recompensa esperava por todos os crentes?

Antigas histórias gregas estão por trás da agonia literária dos mártires cristãos e do próprio Cristo. Sendo assim, encontraram eco facilmente em uma população ressentida. A idéia era provocar indignação e desprezo pelos bárbaros pagãos (romanos) e não contra o governo, pois os cristãos já faziam parte dele. O desprezo dos gregos pelos latinos perdurou por muito tempo nessa história, mas não ficou sem resposta. Os latinos sempre foram tidos e havidos pelos helenos e alguns helenizados como a ralé que mais escravizou no mundo. Se bem que os gregos, em momento algum da história dispensaram o serviço de escravos. Mas, enquanto não doeu na pele deles, tudo bem.

Os métodos de propaganda e convencimento utilizados pelo cristianismo eram sofisticados e requeria uma visão de largo escopo das mágoas e necessidades dos povos que compunham o Império Romano. Os cristãos foram muito competentes no trato com as classes baixas, médias e altas. Daí o sincretismo necessário e bem ao gosto urbano da época (primeiros séculos). Aquilo que a urbe consagrasse, o resto imitava. A cultura helênica permeava de longa data a tudo e a todos. Foi essa uma parte importantíssima da receita do sucesso e da rápida propagação do cristianismo depois que chegou ao governo.

Encontrei um interessantíssimo artigo de autoria do professor Oscar Cavalia Sáez, na revista Antropologia em primeira mão / Programa de Pós Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina. —, n.1 (1995). — Florianópolis: UFSC / Programa de Pós Graduação em Antropologia Social, 1995 a respeito do suposto martírio dos cristãos. Divirtam-se com esta leitura leve (só rindo mesmo) que, inclusive, oferece boas informações para consultas em suas notas.


Por mais que tentem distorcer a história, se apoiando na versão grega ou oficial (Novo Testamento), não há como se apagar esses vestígios. Passaram despercebidos porque não se procurava por eles. Passou-se muito tempo olhando para o lado errado (judeu) por pura indução na educação e no ensino. O pior é que ainda tem gente insistindo em estudar a bíblia para ver se descobre alguma “coisa nova”. A partir de agora, olhando para o lado certo (grego), tudo começa a fazer mais sentido. Quando começamos a descobrir gregos por trás de tudo o que diz respeito ao cristianismo, não há o que duvidar. Aquilo que chamam de influência grega é na verdade a própria origem, oculta há tanto tempo pela exposição.

Discordo do professor Sáez quanto à negação da interpolação no texto de Tácito, porque a intenção desta interpolação era dar “base histórica” à versão oficial do cristianismo no século I. Quanto a Constantino, que não adotou Cristo depois de uma batalha, discordo também. Trata-se de uma anedota reconhecida pela Igreja, inclusive nem há certeza de que ele tenha sido batizado no leito de morte. Causa-me espanto que estudiosos argutos tenham deixado passar a gritante incompatibilidade entre o desinteresse de Constantino pela fé cristã e a sua prestimosidade quase subserviente aos continuadores daquela crença. Isto merecia um estudo a parte e não um rótulo precário de “espertalhão”, dado por Engels.

O professor Saéz parece acatar a interpretação de Engels, que precisava sustentar a suposta origem proletária do cristianismo no primeiro século, e que a nova religião teria sido mais tarde manipulada pelo “espertalhão” Constantino. Na verdade, Constantino não teria sido tão esperto assim, pois o cristianismo era inexpressivo na ocasião e exigia grandes investimentos para se tornar viável como instrumento de poder. Estivesse Engels correto em sua conclusão, o lógico seria Constantino fazer-se batizar logo no início do seu governo, numa cerimônia estupenda que ressoasse por todo império, chegando ao trono como o piíssimo imperador bem-amado de Deus, à frente do verdadeiro Israel da Nova Aliança.
Se não foi assim, é claro que Constantino (que desprezava Roma) fazia parte de um plano maior, pois os cristãos há muito se relacionavam com os seus pais (que não eram latinos), na Ásia Menor. Quando Constantino chegou ao poder os cristãos já estavam bem posicionados pelo império, aguardando os recursos do governo, liberados prontamente pelo novo chefe do governo.  

Porém, admitir isto, seria admitir que o cristianismo tivesse sua origem nas classes médias e altas (como teve o socialismo científico de Marx e Engels) e não nas classes baixas (como conta a lenda cristã). Pois, era do interesse de Engels que assim aparentasse e o da Igreja também. Quem, de fato, poderia ter causado estragos ao cristianismo, ficou de fora (Bruno Bauer) e até hoje não se fala nele. Minha discordância está somente aí.

Referências
AYMARD, André; AUBOYER, Jeannine. História geral das civilizações. São Paulo: Difusão Européia do Livro. 1974. 
GRANT, Michael. História das civilizações: o mundo de Roma. Lisboa: Arcádia, 1977.
RUSSEL, Bertrand. História da filosofia ocidental. São Paulo: Companhia Editorial São Paulo, 1957.

Angústia é ganho (By Gondim)


Ricardo Gondim

Nascemos entre a bigorna e o martelo. A noção de perigo nos acompanha pela vida e não demoramos perceber: somos mortais. De repente, damos conta: o oceano onde nadamos não tem porto. Sabedores do fim, cansados de nadar contra a maré, provamos um fel chamado angústia.

Não há como fugir, é o medo existencial que faz nascer a angústia. Dela vem o choro que nunca desengasga. A angústia é mãe de pequenos surtos depressivos – que jamais entristecem totalmente. Angústia dói em todas as línguas. E lateja feito dor de dente.

A vida não se deixa domesticar. Não há unguento que cure o sofrimento de existir. E depois de toda obra e toda aventura, sobra a única certeza: a guilhotina descerá no pescoço de todos.

Não se extirpa a angústia dos ossos, da pele, do coração. Não existe antídoto para sua peçonha. André Comte-Sponville afirmou que “somos fracos no mundo, e mortais na vida. Expostos a todos os medos. Um corpo para as feridas, ou para as doenças, uma alma para as mágoas, e ambos prometidos à morte somente… Ficaríamos angustiados por menos”.

A angústia nunca se deixa descobrir. É assintomática. Oxigênio algum resolve quando falta fôlego na alma. Inexistem saídas. Tudo termina em tragédia. Fernando Pessoa constatou sobrarem pratos na mesa. Era dia do seu aniversário e, triste, disse ser “sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio….”.

Todos vestirão luto um dia.

Pascal comparou o sentimento de angústia a homens acorrentados: “Todos condenados à morte, sendo todos os dias uns deles degolados à vista dos outros. Aqueles que restam veem sua própria condição naquela de seus semelhantes, e, olhando-se uns aos outros com dor e sem esperança, esperam sua vez”. No seu pessimismo, resta enlouquecer ou “ se divertir”. Numa equação shakespeariana: fuga ou loucura, eis a questão.

A modernidade tecnológica também se apropriou do jargão antigo:“Consumamos, consumamos, porque amanhã morreremos”. Nenhum país incorporou tanto essa ideia quanto os Estados Unidos. Lá virou o paraíso do consumo, a nova Roma para onde bárbaros desejam emigrar. Na América, rodam duas vezes mais automóveis per capita que o restante da humanidade. Gasta-se mais energia com ar condicionado que toda a produção energética da China. O desembolso com sapatos tênis fica em torno de doze bilhões de dólares. Mas, o consumismo desenfreado atual deixa as pessoas mais contentes ou felizes do que em 1954? Brinquedos caros ou baratos são impotentes para tirar a vontade de chorar.

Onde está a fonte da juventude eterna? A humanidade conseguiu adiar o dia fatídico. Os avanços da medicina se tornaram espantosos. Com o culto ao corpo, países ricos refizeram padrões estéticos. A beleza atual é bem diferente da medieval. A expectativa de vida aumentou mais nos últimos quarenta anos do que nos 4.000 anos precedentes. Cresceu de 53 anos – incluindo os países mais miseráveis – em 1960 para 67 anos em 2005. Uma criança nascida hoje viverá em média 122 mil horas ou 5,83 mil dias a mais do que uma, nascida há quatro décadas.


Um desdobramento negativo desses avanços é que as pessoas foram condenadas a passar mais tempo convivendo com a realidade.  A longevidade também faz crescer a angústia.

O mesmo soluço que afligiu filósofos gregos e salmistas judaicos soluça hoje. Mudaram os rótulos. Continuam as fobias do passado. O avanço da psicologia e o progresso da espiritualidade não desmentem que viver é um perigo. A força da angústia resiste a comprimidos e todas as alquimias.

Não sobram muitas escolhas. Jogados ao mundo, resta-nos aprender a viver.

O judeu itinerante, Jesus de Nazaré, falou coisas agradáveis, sem, contudo, evitar as antipáticas.  Sua mensagem convidou homens e mulheres a considerarem a vida como rara e imprescindível. Ao referir-se à verdade, ensinou a necessidade de enfrentar a realidade. Ele deixou as pessoas decidirem se queriam ou não lidar com a angústia. Não receitou fórmulas fáceis de como desatar os nós da alma. Seguidores e ouvintes deviam aprender a usar a força negativa da angústia em favor da felicidade. E não basta um estado transitório – estar alegre, feliz. A vida é um convite a ser.

Jesus acreditou que viver é somar pequenas decisões; é juntar experiências boas e más na construção do ser. Fiel à tradição do Eclesiastes, ele viu que só encontramos algum sentido mínimo de existir ao somarmos choros e risos, desejos e realizações, frustrações e sonhos.

Ninguém precisa exorcizar a angústia, que, assumida, gera sede de transcendência. A vida carece também de um lado sombrio para ser eterna. Além do mais, a angústia garantiu a sobrevivência da espécie. Só os angustiados buscam companhia. A angústia fez com que os primeiros seres humanos desejassem viver em sociedade. Ao notarem que eram frágeis e iguais no sofrimento, deram as mãos.

O grito que se ouviu no Calvário – Eli, Eli, lamá sabactini?, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” – tornou-se o grito de toda a humanidade. Os lábios de Cristo passaram a representar os negros que morreram em navios fétidos, as mulheres perseguidas na Inquisição, as crianças que se exauriram em trabalho escravo, os curdos que nunca tiveram pátria. O filho de Deus desentranhou a sua angústia, que ressoou pelos quatro cantos da terra, e passou a ser o grito de todos. Cravados com ele no madeiro da solidão, seguimos o seu exemplo e encaramos qualquer sina – Ele é autor e consumador da fé.

 Soli Deo Gloria

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Poderosa Campanha do Frango Ungido (By Franklin)



Poderosa Campanha do Frango Ungido

lOKAVENTURAS PENTECA OS TAIS


Palestrantes
(Com experiência em Mandinga Profética)

Bispo Pedir Mais Cedo 
Igreja Fenomenal do Reino de Zeus
Missionário R.R. $omare$ 
Igreja Sensacional da Graxa e do Breu
Apóstolo Vaidormindo Bem Marvado 
Igreja Colossal do Suor de Alfeu
Missionário Vovô Piranda 
Igreja Penteca os Tal Teus Costumes Tem Valor
Pastor $ifra$ Malacheia 
A.D. (Afanando Dindim) Vexame em Xisto
Apóstrofo Esteves Enjaulândus e Bispa Sonsa 
Igreja Enriquecendo em Xisto
Paipóstumo Rendendo Terra Nova 
Ministério Internacional da Arrecadação

Como participar

Pré requisitos – Estar revoltado, endividado, macumbado, estressado, esclerosado, abandonado, galhado, enfim... “enfiofado” dos pés a cabeça e de pai e mãe no sub-solo ou pré sal do fundo do poço!!!

Recebendo a benção

Adquirir pela bagatela de R$ 1.000,00 via Polishop Gospel ou em uma das afiliadas Paranóia Gospel, um frango ungido em Israel com azeite extraído da oliveira onde Judas perdeu as botas. Se esse já estiver em falta no mercado, pode ser utilizado um “franguinho cover” ungido com azeite da Santa Ceia dos Oficiais da Enriquecendo em Xisto.
Se você for um patrocinador do “presépio fiel”, terá direito ao novo livro do pastor $ifra$ Malacheia (Deixa De Ser Trouxa! – Dicas para um energúmeno bem sucedido).

Com o galináceo ungido em mãos participar ininterruptamente da corrente forte durante 7.000 (sete mil) sextas-feiras pontualmente às 00:00 trazendo toda sua família nem que para essa nobre causa precisem ser amarrados, arrastados ou dopados (Se vira nos trinta, Deus vai honrar sua fé pois sem obras ela é morta seu inútil!).

Chegando a uma das filiais da Paranóia Gospel cumprimente e seja cumprimentado reciprocamente por seus irmãos na fé com 4 (Quatro)  golpes de Frango Ungido em sinal de cruz, pois está escrito: “é dando que se recebe”. Tá escrito aonde mesmo?! @#$%¨&*

3.1 O primeiro golpe será frontal na testa (Tome cuidado para não exagerar na porrada santa e deixar o pobre infeliz com o para-choque avantajado do Frank Einstein, pois está escrito: ... tudo o que o homem semear, isso também ceifará).

3.2 O segundo e o terceiro golpe serão desferidos sucessivamente no ombro direito e esquerdo ao brado de um sonoro e caloroso “tá amarrado!!!” e “queima ele Gézuis!!!” (Tome cuidado novamente para não fazer do seu irmão o novo protagonista do filme “O Corcunda de Notre Dame).

3.3 Finalmente o quarto golpe “o de misericórdia”, será encaixado suave e precisamente na altura da cintura próximo a região dos “bagos” para que seu irmão seja abençoado vomitando toda mandinga feita e que foi ingerida através de alimentos consagrados por algum pastor, bispo ou apóstolo de esquerda (Creio que nem preciso lhe alertar para que o “golpe de misericórdia” seja de pontaria de um “sniper” para que não aconteça das partes baixas e íntimas da pessoa serem alvejadas e se tornarem amaldiçoadas e esterilizadas). Essa é a razão do título do item 3.3.

Se você for Levita oficializado um conselho na hora do louvor e da adoração: Cante de costas para o público para que não corra o risco de roubar a glória que pertence ao “Frango Mor” dando assim brecha para a “Maldição de Herodes Ladrão” que enquanto cantava “Nossa, nossa, assim você me mata, ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”, morreu comido de bicho.
Se fores um reles adorador “prego de banco”, preste sua reverência em língua ixxxtranha pronunciando tresloucadamente com acompanhamento de rodopios e sapateados na “Unção do Galinheiro” um espiritual COCORICA-LÁNASÍRIA,COCORICÓ-TAMEMNAARÁBIA!!!É mixxxtério puro, você será elevado até o terceiro galinheiro transcedental e sentirá que sua benção está próxima, só faltarão mais 6.999 sextas-feiras de “galinhagem profética”.

A farofa interna que mantém a firmeza, boa aparência e espiritualidade do “Frango Ungido”,  deverá ser renovada obrigatoriamente toda sexta-feira com ingredientes adquiridos no “Bazar de Ajuda aos Pobres Missionários  Órfãos Eclesiásticos”.
Depois de cada sessão do “Frango do Descarrego”, você deverá esparramar o ingrediente santo na porta de entrada de sua casa fazendo um tapete para que seus parentes pisem sobre a farofada levando bons fluidos e a benção do “Frango Mor” para dentro do seu lar. Agindo assim vocês estarão protegidos de toda seta malígna dos “frangos hómi-cidas e muié-cidas” até a próxima sexta-feira 13 com a benção de São Freddy Krueger Protetor dos Penteca os Tais Ludi-Briados.

E para encerrar e garantir o sucesso em sua campanha galinácea, você terá que dizimar e ofertar todas as vezes que o ministro da galinhagem (seja ele pastor, bispo, apóstolo, coveiro ou trambiqueiro), disser amém, aleluia, ôôô glória, tá ligado, tá amarrado, eu abençôo, eu repreendo, vamos abrir nossa briba, tua benção tá chegando irmão, espera no sinhô, tô tendo uma revelação, assim diz o sinhô, dê um sorriso pro irmão do seu lado... enfim, a qualquer sinal de embromation gospel, doe até mesmo seu fígado para abençoar a obra do sinhô que ele te devolverá em “drôbu”.
Se desconfiar que o Santo Ministro discípulo do Jack Estripador está exagerando, cumprimente ele com o item, mas certifique-se de empregar força descomunal no 3.1 e 3.2 e erre a pontaria no 3.3.

P.S. – Inspirado em casos hilários da gospelândia.


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