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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Homossexualismo – considerações



Li certa vez como atribuído a Bergson (1859/1941) a afirmação de que busca-se conotação de pequenas ofensas para o que nos potencialmente agrida em grande escala. Não confirmei a fonte, por isso vendo o peixe no tamanho e preço que comprei.

Daí a tendência de adotar classificações distintivas de qualquer analogia, ainda que imaginária, que se associe a condições indesejadas.

Casualmente, percebi uma troca de opiniões sobre o politicamente incorreto homossexualismo e a politicamente correta homossexualidade, com o mesmo sentido. Por uma razão muito simples, antológica explicação. O sufixo ismo, quando atribuído a gênero, traria embutida a idéia de doença. E isso estaria "ofendendo".

Particularmente não penso assim. A OMS declinou seu veredicto de que homossexualidade não é doença, acredito nela até prova em contrário. Com tantos sábios, como discordar na minha ignorância. Mas o bom senso me diz que não é doença mesmo, que essa dissonância entre corpos e hormônios faz parte da criação, da formação fetal, talvez genética, talvez ambiental. Ninguém sabe realmente. Nem porque nascem canhotos e destros (há teorias a respeito sobre posição fetal), nem porque nascem homossexuais. Menos ainda suas implicações na homoafetividade.

O fato é que o fenômeno não ocorre somente entre os homens e seus mais próximos primatas. Entre os mamíferos, em diversos deles, observa-se isso. Não sei se entre répteis e artrópodes também, acho que ninguém teve a curiosidade de investigar. Mas sei que em peixes ocorre inclusive o metamorfismo sexual.

Vindo da criação, não há o que se falar em artificialidade, afaste-se essa idéia. Homossexualismo é natural, da natureza. Esbravejem santos ou fariseus. É da natureza, é natural.

Outro rótulo, o da normalidade, esse é mais complicado. Perfilho-me ao conceito probabilístico da normalidade. Isso porque acredito que a sexualidade humana percorra todas as hipóteses, desde a homossexualidade absoluta ao bissexualismo idem. Mas sua média situe-se na combinação fisiológico-hormonal, afetivo-emocional heterossexual, na normal probabilística.
Mas isso também não serve para rótulos de qualquer ordem.

Doença não sendo, como caracterizar esse fato? Fenômeno, ocorrência, síndrome? Síndrome, embora sua utilização preponderante na medicina, não é doença. Ponto pra ela. Antes, trata-se de um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam determinada situação patológica.
Patologia, ih!, Não gostei, lembra novamente doença. Mas não é só isso não. Patologia é o estudo de alterações estruturais ou funcionais. Com esse sentido é utilizado em engenharia, por exemplo. Mas haveria no homossexualismo alteração estrutural ou funcional?

Latu sensu sim, na medida em que, sendo os corpos vivos uma máquina reprodutiva e, nas espécies mais recentes, portanto mais evoluídas, sexuada, haveria aí uma contradição. Contradição é forte, mas ainda assim fui um pouco além, no conceito matemático de patologia. Fiat lux, os matemáticos chamam patologia o estudo do que não é intuitivamente esperado. Bingo.

Aí, vamos a alguns sufixos, dente eles o ismo. Houaiss (2001) busca no grego a origem, em ismos, como formador de um nome de ação, em contraposição ao nosso ista, formador de situação. Eu não sei, nem me convenci muito, talvez pelo descrédito atual dos gregos, sei lá. Prefiro dar os braços a quem o considera um galicismo, aportuguesamento do isme francês.
Fazem sentido os dois, pode ter aterrissado primeiro pelas tropas de Cesar na Gália e pulado depois pra terras lusitanas, que nem fogo pula a cerca. E de lá a nosso amado Brasil, no porão de uma caravela qualquer.

O fato é que o sufixo ismo é empregado, cá e lá, como um derivado formador de ação da palavra . No caso homossexual, derivado, homossexualismo, já com o sentido da ação homossexual. Portanto, nada de doenças nem de discussão de síndromes e outros bichos. Pura e simplesmente no vernáculo.E aí vale pra tudo, todas as correntes. Heterossexualismo, homossexualismo, hermafroditismo, enciclopedismo, comunismo, deísmo, nazismo, comunismo, cristianismo, budismo, islamismo, confucionismo etc, etc. É uma camisa tamanho único, cabe em qualquer corpo.

Aí chego à conclusão de que discussões semânticas em sofismos derivados, não significam nada. São nada. É enxugar gelo e encaixotar fumaça. É enveredar em bergsonismos, se é que existe esse neologismo e se é que é de Bergson mesmo.

Estamos tratando de pessoas, em toda beleza da diversidade da criação divina. E, por sua própria natureza, iguais nas diferenças.

O resto, é o resto.

FregaJr.
Vinhos de crônicas embriagantes de Frega armazenadas em odres no link: Crônicas de FregaJr.

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Homossexualismo - considerações de FregaJr. é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Based on a work at omundodaanja.blogspot.com.

7 comentários:

Fabio Valle disse...

Amor segundo o MICHAELIS
a.mor
sm (lat amore) 1 Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2 Grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário. 3 Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 4 Objeto dessa afeição. 5 Benevolência, carinho, simpatia. http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=amor

Cara Comum disse...

Quando se considera a língua como um objeto passível de se caber num dicionário, sua hipóteses levantadas em seus escritos tão floreados de palavras belas (que me pareceram querer enfeitar um raciocínio vazio em si) poderia ser verdade!

Mas é preciso lembrar que a língua é viva e que o sentido das palavras ultrapassa os registros vernaculares oficiais. As palavras são marcadas pelo seu uso histórico, elas podem dizer exatamente o oposto do que significam, quando se usa outra entonação...

Vale lembrar que o termo homossexualISMO foi cunhado dentro de um contexto médico (e não existia anteriormente) sendo, portanto, associado à ideia de doença sim.

Assim, homossexualISMO já carrega uma marca histórica pesada demais e seu texto com belas palavras não vai conseguir derrogar tal mácula. Além disso, se você analisar bem algumas passagens, percebe-se que faltou um pouco de sensibilidade para criar a palavra de acordo com o que se observa (e seu texto faz o raciocínio de forjar a observação de acordo com a palavra).

Como definir a qualidade de quem é homossexual? Façamos um exercício de analogia. A qualidade (boa ou ruim) de quem é feliz é a felicIDADE. De quem é mediocre é a mediocrIDADE. Então, de quem é homossexual é a homossexualIDADE. Para essa palavra, não se aplica o caso de nenhuma convicção ideológica ou um sistema (comunismo, cristianismo, deísmo, nazismo, dentre outros), nem de uma doença (como o botulismo, ergotismo, estrabismo, e outros). Além disso esse sufixo está ligado a um sistema, tendência, atitude ou corrente, mas em geral com um sentido pejorativo (enciclopedismo, maneirismo, etc).

Portanto, porque preferir utilizar um termo historicamente carregado de uma carga pejorativa grande se há um correspondente muito menos ofensivo e até mais apropriado? É como dizer que "crioulo" pode ser usado para se referir aos negros simplesmente porque no dicionário ele é listado como sinônimo para referência racial.

Essas "regras" do politicamente correto valem para evitar desentendimento entre pessoas que não se conhecem ou não tem intimidade suficiente para perceber que uma palavra não foi usada de forma ofensiva (ou seja, vale para comunicadores, principalmente, quando estes falam a um público diverso). Mais importante que utilizar um termo politicamente correto, é combater o preconceito que temos em nós e que se expressa nas mais diversas formas (através da linguagem verbal e não verbal, através das atitudes, etc).

Fabio Valle disse...

Tenho direito de ser politicamente incorreto, pois não faço política com ninguém, sigo a linha médica homossexualismo é doença mental. Só peço que respeitem.

Anônimo disse...

Agradeço os comentários dos dois.
Sim, considero a língua viva, maior do que qualquer dicionário.
E, por ser viva, transforma-se.
Muitas dessas transformações ocorrem por palavras derivadas. Por mais que seja vontade de Dna Dilma ser chamada presidenta, e isso é só uma flexão, o termo não existe ainda. Embora creio que tema o uso masculino. Presidente (sm) é comum de dois gêneros. Mas poderá existir um dia. Porém, não por decreto nem melindre individual.
Da mesma forma, o sufixo ismo com sentido de estado, não de ação.
Quando quiser me referir à qualidade ou estado, modo de ser, falarei homossexualidade; fosse militância, homossexualista; semelhança, homossexualesco; referência, homossexualício; relação, homossexualino.
Na pretensão de expressar doutrina, escola, teoria, sistema, modo de proceder ou pensar, ação, homossexualismo.

Como se vê, português é suficientemente rico para a derivação correta. O resto, é só intenção de quem fala e interpretação de quem escuta.
Quanto à minha intenção, estejam certos,nada contém de ofensiva.
(FregaJr)

Anônimo disse...

Boa tarde.

Apenas uma pergunta: você é médica? Sabe, nada contra quem não seja... eu não sou teólogo e, por isso mesmo, não me sinto capaz de emitir “teorias ou hipóteses” acerca de coisas que versem sobre esses assuntos. A título de observação: você fez um verdadeiro “samba do criolo doido” ao tentar discutir sobre um conceito dos mais complexos no âmbito da medicina, que é o conceito de “normalidade”. Por favor, pense um pouco antes de emitir opiniões.

Obrigado pela atenção. Cesar.

Anônimo disse...

Fábio, claro que respeito tua opinião, tens direito a ela, especialmente se uma afirmação tão forte for fundamentada em conhecimento científico.
Quando eu era criança, ser canhoto era considerado um desvio comportamental. Colegas meus de primário eram reprimidos nisso. Aos olhos de hoje, é um absurdo.
Doenças são fenômenos que comprometem as funcionalidades, causados por motivos exógenos ou genéticos. Fisiologicamente, alguns fenômenos de má-formação não são consideradas doenças, como no caso de xifópagos, por exemplo.
Mesmo as mentais, que comprometem as funcionalidades cerebrais, algumas não são consideradas doenças, como o mongolismo, e sim uma má formação genética. Outras comportamentais também não, como fobias.
Em comum, todas comprometem as funcionalidades do ser.
A meu ver, isso não ocorre no homossexualismo. Não há comprometimento do ser, apenas uma dissonância entre o comportamento da libido esperado e o verificado.
A meu ver, não se trata mesmo de doença, em qualquer sentido que se dê. As pessoas são assim, diversas, não há igualdade nem de corpos ainda que da mesma raça, muito menos de mentes, milhões de vezes mais complexas do que corpos.
Proponho que não se pretenda classificar nem rotular. Eu, ao menos, não tenho conhecimento para isso. Apenas e tão somente que sejam aceitos e amados como irmãos, como seres que sentem as mesmas dores e gozam as mesmas alegrias. Seres que têm os mesmos problemas que nós e buscam as mesmas soluções.
E com mais amor ainda por sua fragilidade de minoria. É muito fácil e cômodo ser forte na maioria, ninguém precisa ser corajoso pra isso. Só para se despir dos preconceitos. Um exemplo? Quase todo homem aceita muito facilmente, até com uma ponta de sensualidade, deitar-se com 2 mulheres e ambas praticarem entre si o erotismo. É fantasia masculina. Porém, isso também não é manifestação homossexual?
Por essa razão, peço que repenses teu conceito, inteligente como és. E veja os seres humanos no seu todo d sua essência, não por fatores que não foram escolhidos, seja cor da pele, sexo ou sexualidade.
Isso é verdadeiro amor, Fábio. Esse é nosso farol.

Anônimo disse...

Cesar, obrigado por levantar esse ponto, certamente não ficou claro. Na normalidade, me referi ao conceito estatístico, curva de Gauss, sabe. É lá que se considera as probabilidades majoritárias e chama-se normal, podendo ser leptocúrtica, mesocústica ou platocúrtica, a depender dos desvios verificados a partir da dita normal. Não é medicina, César, é estatística.
Porém, ainda assim afirmei que não se podia tratar os aspectos da sexualidade humana com esse conceito de normal, pois se a tabulação é possível e aplicável à diversidade, não se pode rotular comportamentos em normais ou não, pois essa área não é estatística, é muito mais complexa.
Correta tua observação. Pensarei melhor para tornar meus escritos mais claros nas outras oportunidades.
Mais uma vez, obrigado.
(FregaJr)

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