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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Lilith, rainha das succúbus

‎"Evocada, Lilith está aqui, em sua realidade de sombra"
 (Roberto Sicuteri)




Lilith, ou Lilitu ("espírito de vento" na mitologia Assíria-Babilônica) foi uma ávida amante do sexo.
Na lenda, Lilith foi a primeira esposa de Adão. De qualquer maneira, Lilith queria uma relação de igualdade com Adão. Adão aborreceu-se por Lilith negar-se a assumir uma posição submissa. Ela queria deitar por cima de Adão. Todas as vezes em que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada em ter de ficar por baixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. E indagava: "Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual." Mas Adão se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a ele, pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido. Adão tornou irredutível sua vontade e recusou o pedido de Lilith.

Quando Adão tentou forçá-la a fazer as coisas a seu modo, ela proferiu o nome mágico de Deus, elevou-se no ar, e voou sem rumo à procura de parceiros sexuais mais amenos. Sua vida sexual rapidamente sofreu uma grande mudança. Ela teve turbulentas aventuras eróticas com anjos caídos.Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho. Lá, onde habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. É um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder.
Muitos homens experimentaram o medo de seus ataques. Há muito, muitos homens procuraram explicações para seus sonhos molhados. De acordo com o Talmud: 

"– É imprudente para o homem dormir em uma casa como único ocupante, pois Lilith poderá capturá-lo" (Wedeck 88)

Homens que experimentaram "erupções" noturnas acreditam que eles tenham sido seduzidos por Lilith, rainha das succúbus, em seus sonhos. A estes homens era recomendado dizer encantamentos para prevenir sua prole de vir a se tornar demônios. Alguns homens não eram tão sortudos. Esses condenados tinham seu sangue sugado para fora de seus corpos.
O texto a seguir foi extraído de um conto folclórico hebraico:

"A esposa trouxe um espelho e toda a fina mobília do porão de seu próprio lar e orgulhosamente exibiu-a pelos cômodos. Ela pendurou o espelho no quarto de sua filha, que possuía os cabelos negros em forma de coquete. A garota olhava-se, de relance, por todo o dia, e desta maneira ela era arrastada para a teia de Lilith. Aquele espelho tinha sido pendurado em um covil de demônios, e uma filha de Lilith tinha feito do espelho a sua casa. E quando o espelho fora pego de uma casa assombrada, a succubus viera junto com ele. Pois todo espelho é uma passagem para o outro mundo e este era um caminho que dava direto para a caverna de Lilith.

Esta caverna foi para onde Lilith fugiu quando abandonou Adão e o Jardim de Éden por toda a eternidade, a caverna onde ela divertiu-se com seus amantes demoníacos. Destas uniões, multidões de demônios nasciam, que acabavam por, em bandos, saindo da caverna e infiltrando-se no mundo. E quando eles querem retornar, simplesmente entram no espelho mais próximo.
É por isso que é dito que Lilith faz sua casa em todos os espelhos. Agora a filha de Lilith, que tinha feito do seu lar o espelho que era todo o momento olhado pela garota para o qual posava. Ela aguardou seu tempo e, um dia, ela escorregou para fora do espelho e possuiu a garota, entrando através seus olhos. Deste modo ela tomou o controle dela, excitando seu desejo à vontade. Então, aquela jovem garota, controlada pelos desejos maldosos da filha de Lilith, passou a dormir com todos os jovens homens que viviam na mesma vizinhança."

Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus.
Lilith é o arquétipo da mulher indomada, que luta apaixonadamente pelo poder pessoal. Suas características são destemor, força, entusiasmo e individualismo.

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Fonte:
1. Extraído de "Lilith's Cave", Lilith's Cave: contos sobrenaturais judeus, editado por Howard Schwartz (São Francisco: Harper & Row, 1988)
2. (Joëlle de Gravelaine in "Lilith und das Loslassen", Astrologie Heute Nr. 23) 
Tradução: Maria-Fernanda Alves Guimarães 
3. Extraído de "Lilith's Cave", Lilith's Cave: contos sobrenaturais judeus, editado por Howard Schwartz (São Francisco: Harper & Row, 1988)
‎"Evocada, Lilith está aqui, em sua realidade de sombra"
(Roberto Sicuteri)

3 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Lembrando aqui do psicanalista Carl Gustav Jung, poderíamos dizer que Lilith seria um arquétipo negativo da sociedade patriarcalista. E aí vale dizer que, no último milênio antes da era comum, o patriarcalismo chegou ao seu auge.

Interessante que há uma forte semelhança entre Lilith e a Iansã das tradições africanas. Porém, enquanto que, na mitologia do Oriente Próximo, Lilith é considerada um demônio, eis que, no Candomblé, Iansã é adorada como deusa. Isto dá confirma que, nas comunidades primitivas, a mulher foi até mais livre do que nas sociedades patriarcalistas.

Lex Kane disse...

Lilith é o arquétipo da Grande-Mãe, do Sagrado Feminino que ao ser suprimido pelo patriarcado hebreu retorna em seu aspecto demoníaco no imaginário para aterrorizar os homens.
A mulher livre e indomada é o grande pavor do patriarcado.

Lex Kane disse...

Outro detalhe, quanto a etimologia da palavra.
O correto em português seria súcubo, derivado do latim succubus (succubi no plural).

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