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quarta-feira, 7 de março de 2012

O poder das mulheres sobre a História da humanidade


Rodrigo Ancora Da luz

Desde o final de minha infância conheço a popular frase de que “por trás de um grande homem, existe uma grande mulher”. E quem costumava me dizer isto era Diva, esposa de meu falecido avô paterno Sylvio Ancora da Luz e que acabou se tornando uma segunda mãe para mim, quando fui criado na mineira cidade de Juiz de Fora a partir do ano de 1985.

Após passar por reflexões, posso concluir que tal assertiva é de fato verdadeira, demonstrando que de fato, no decorrer da história da humanidade, através do núcleo familiar, as mulheres puderam influenciar importantes decisões que foram tomadas pelos homens nos campos da política e da economia.

O brilhante artigo de Richard Bauckham, “Uma história do ponto de vista feminino”, no qual o autor, ao fazer uma profunda análise do Livro de Rute, explica como surgiu a falsa impressão de que a História teria sido dominada pelos homens, uma vez que foram estes quem a escreveram por suas penas:

“Começamos a perceber que uma história contada do ponto de vista masculino, retratando principalmente aspectos da sociedade em que aparecia a liderança dos homens, tende a fazer co que a própria sociedade pareça ser mais dominada pelos homens do que realmente é. Somente do ponto de vista feminino podemos perceber até que ponto as mulheres eram as verdadeiras protagonistas de acontecimentos significativos”.

De fato, o Livro de Rute, canonizado na Bíblia cristã como sendo o oitavo do Antigo Testamento, mostra como que duas mulheres (Noemi e sua nora Rute) inteligentemente conseguiram sobreviver numa época em que as viúvas sem filhos ficavam praticamente sem opção de sustento. Através dos sábios conselhos de sua sogra a respeito dos costumes do povo israelita, a estrangeira Rute casou-se com o fazendeiro Boaz, com quem teve um filho, vindo a ser a bisavó do grande rei Davi.

De acordo com Gail Meyer Rolka, autora do livro “100 mulheres que mudaram a história do mundo”, não apenas rainhas e princesas influenciaram os rumos da humanidade. Sua lista inclui mulheres que, aparentemente, com menos prestígio do que as de origem nobre, promoveram grandes modificações dentro do contexto social em que viviam, dentre as quais se incluem Tarsila do Amaral, Anita Garibaldi, Cecília Meireles, Chiquinha Gonzaga, Joana d´Arc, Maria Quitéria, Maria Montessori, Rosa Luxemburgo, Marie Curie, Agatha Christie, Rachel de Queiroz, Frida Kahlo, Madre Teresa, Irmã Dulce, Evita Perón, Anne Frank, Toni Morrison e outras.

Sem dúvida, raramente as rainhas ou princesas conseguiram fazer alguma diferença quando assumiram o poder. Na Idade Média, houve mulheres que governaram feudos, mas o sistema de exploração servil não sofria alterações por causa disto uma vez que a sociedade era estamental, isto é, não sofria mobilidade vertical.

Do mesmo modo, tenho pra mim que o fato de muitas mulheres conseguirem ser eleitas para cargos de destaque na chefia da Administração Pública de hoje, não significa que elas estejam de fato participando do comando do mundo. Por trás de suas eleições, muitas das vezes existem interesses de políticos inescrupulosos, os quais usam os nomes de suas esposas, filhas ou funcionárias para manterem-se no poder juntamente com o grupo mafioso que lideram. Enfim, troca-se o seis por meia dúzia.

Na atualidade, em que o trabalho feminino acabou sendo mais escravizante do que libertador, a participação real da mulher pode estar sendo até menor do que foi no passado, uma vez que, na esfera do lar, a atuação das mães acabou sendo reduzido pelo menor contato com os maridos e com os filhos. Logo, é fundamental que se recupere o papel feminino nas famílias através da redução da jornada de trabalho das mulheres, o que é fundamental para que as crianças de hoje possam receber de fato uma formação educacional capaz de prepará-las para a vida.


OBS: A ilustração do texto refere-se ao quadro Rute e Boaz (1828) do pintor alemão Julius Schnorr von Carolsfeld.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu vejo que a humanidade é a mulher. O homem, mero coadjuvante para que ela não se encerre. (FregaJr)

Lôh disse...

Falou tudo FregaJr.

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