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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Apoio real em base falsa (apenas mito?)




Engels considerava Bruno Bauer equivocado nas suas conclusões mais contundentes. Queria porque queria confirmar a origem do cristianismo no meio de gente indigente e revolucionária, e não no seio da burguesia da época. Na realidade, a história de Peregrino, de Luciano de Samósata (125-181), que Engels apresenta como uma das melhores fontes sobre o cristianismo primitivo, nada mais é do que mais uma das muitas fraudes documentais descaradas dos antigos cristãos burgueses, que ele “engoliu” por conveniência. Bauer não.
A reverência sintomática atribuída a um crítico ou adversário do cristianismo primitivo, para dar peso de um testemunho contrário, inclusive à historicidade forjada, foi largamente usada e abusada. Mostram-se apenas ridículas nos contexto que aparecem, quando atentamos para o fato. Engels não poderia, em hipótese alguma, ter desconhecido isto.

“Foi por essa época que se fez instruir na admirável religião dos cristãos, contactando na Palestina com alguns dos seus padres e escribas. Que vos hei de dizer acerca disso? Esse homem depressa lhes fez ver que eles não passavam de crianças; profeta, tiasarco, chefe de assembléia, tudo ele foi sozinho, interpretando os seus livros, explicando-os, compondo-os por iniciativa própria. Por isso muita gente o olhava como a um deus, um legislador, um pontífice, igual a esse que é honrado na Palestina, onde foi posto numa cruz por ter introduzido esse novo culto entre os homens. Proteu, tendo por este motivo sido detido, foi posto na prisão. Desde o momento que foi posto a ferros, os cristãos, considerando-se como presos nele, tudo fizeram para o libertar; mas, não o conseguindo, renderam-lhe pelo menos toda a espécie de honras com um zelo e uma dedicação infatigáveis. Desde a manhã, viam-se à volta da prisão uma multidão de mulheres velhas, de viúvas, de órfãos. Os principais chefes da seita passavam a noite junto dele, depois de terem corrompido os carcereiros: para lá levavam as suas refeições e liam os seus livros santos; e o virtuoso Peregrinus, ele ainda se chamava assim, era por eles tratado de novo Sócrates. Não é tudo; várias cidades da Ásia lhe enviaram deputados em nome de cristãos, para lhe prestar assistência, lhe servirem de apoio, de advogados e de consoladores. Era inacreditável a dedicação em tais ocorrências; para tudo dizer, nada lhes custava. Desse modo Peregrinus, sob o pretexto da sua prisão, viu chegarem grandes quantidades de dinheiro e acumulou muito. Esses infelizes acreditam que são imortais e que viverão eternamente; em conseqüência, desprezam os suplícios e entregam-se voluntariamente à morte. O seu primeiro legislador ainda os convenceu de que eles são todos irmãos. Desde que mudaram de culto, renunciaram aos deuses gregos e adoram o sofista crucificado de quem seguem as leis. Desprezam igualmente todos os bens e põem-nos em comum, pela fé completa que têm nas suas palavras. De forma que, se aparece entre eles um impostor, um patife decidido, ele não terá dificuldade em enriquecer rapidamente, rindo-se por trás da sua simplicidade. Contudo, Peregrinus depressa foi libertado pelo governador da Síria.”

“na admirável religião dos cristãos”
Quando um crítico e (ou) adversário vai se referir assim ao objeto do seu ajuizamento? Nunca.
“igual a esse que é honrado na Palestina, onde foi posto numa cruz por ter introduzido esse novo culto entre os homens”.
Confirmação da “historicidade” de Jesus de Nazaré que nenhum outro escritor pagão da época havia confirmado. O mesmo aparece nas declarações do filósofo Celso e pelo mesmo motivo.
“várias cidades da Ásia lhe enviaram deputados em nome de cristãos”
Quando gente pobre gozou de tanto prestígio na Antiguidade, capacidade de organização e mobilização? Nunca. A evidência que aparece aí é que o cristianismo foi mesmo originário da burguesia da Ásia Menor. Aliás, foi de lá que vieram os primeiros propagandistas a Roma e fundaram suas escolas para sua difusão no mesmo século, aliás.
viu chegarem grandes quantidades de dinheiro e acumulou muito”
Gente pobre e ignorante com grande quantidade de dinheiro? Já não se fazem pobres como os de antigamente.
“em conseqüência, desprezam os suplícios e entregam-se voluntariamente à morte”.
Confirmação do martírio de cristãos que só interessava a eles e que ninguém mais confirmou, fora do âmbito cristão, claro!
renunciaram aos deuses gregos e adoram o sofista crucificado de quem seguem as leis.”
Mais confirmação do Jesus histórico junto com a celebração da possível vitória do cristianismo sobre o helenismo. Tinham muita certeza disso... Não havia ainda unidade de pensamento quanto aos propósitos cristãos entre os próprios gregos. Particularmente entre os próprios gregos cristãos, pois sabiam alguns que, por si só, o helenismo não seria capaz de submeter o judaísmo. Era necessário que cessassem os ataques ao deus de Israel.
“Desprezam igualmente todos os bens e põem-nos em comum, pela fé completa que têm nas suas palavras.”
Mais propaganda cristã que ninguém mais confirmou. por intermédio da pena de um suposto adversário

Não posso dar qualquer desconto a Engels pela sua confirmação da falsa origem proletária do cristianismo. Ele foi um sujeito que teve o de melhor em oportunidade social. Cultíssimo que era não negava os sinais que apontavam para uma grande farsa na construção da história do cristianismo. Portanto, foi uma opção consciente.  Lenine caiu de pau em Artur Drews porque escancarou a farsa. A falsa base histórica de uma ideologia se apoiou na falsa base da outra. Até a etimologia “religare” é falsa. Foi inventada pelo filósofo cristão Lactâncio.

Referências

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