Pesquise artigos do blog:

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Em Nome de Deus (By Priscila Pereira)




By Priscila Pereira

A religião existe desde o princípio. Quando o ser humano percebeu que não podia explicar o mundo e seus fenômenos, antes das descobertas científicas a respeito do universo como o conhecemos, a religião foi a forma encontrada para tentar entender nossa existência.


O relato de Gênesis, que fala da trágica ruptura entre a divindade e o ser humano, descreve essa busca pela “felicidade perdida”, o anseio do finito sobre o infinito.


Está na essência da religião o esforço no sentido do eterno retorno às suas origens místicas, assim como para a manifestação de uma ordem sempre ameaçada pelo caos.” Antônio Mendonça


Do latim religio ou religare, religião significa um laço entre os homens e deuses, ou seja, ela foi criada para fazer essa religação (perdida) entre Deus(a)/es e o ser humano.


Os anos se passaram, os/as deuses/as continuaram sendo criados/as e adorados/as. Houve um tempo em que a sociedade pensou não precisar mais deles/as. Alguns deuses/as permaneceram. E apesar do hedonismo de nossa era nos levar ao divino apenas em troca de sua graça, a religião é bem presente na nossa sociedade atual.


Com a religião, teoricamente nos acompanha a ética. A religiosidade nos faz buscar sermos pessoas melhores, fazer o bem, nos aperfeiçoar como religiosos/as, a fim de agradarmos a Deus.


Mas a religiosidade que vemos hoje está há muito tempo distante dessa busca pelo divino. Essa prática não tem sido efetiva em nos tornar pessoas melhores.


Com a religião, o ser humano tem se tornado mais individualista (sua fé é só dele/a), mais moralista (regras e dogmas, que fogem ao controle) e, o mais grave, mais alienado/a e fanático/a.


Pessoas matam em nome de Deus.


E com isto, não estou criticando o islamismo (o que é muito comum nos últimos dias), estou falando da minha religião, o cristianismo. Confira a história. Desde o início, os cristãos morrem e matam em nome de “seu único Deus”. Quantos homicídios, quantas chacinas, quantas guerras, em nome desse Deus, que segundo a tradição, é um Deus de amor e perdão. Tão incoerente.


Você pode argumentar, dizendo que não mata em nome do Deus cristão, mas pode ofender o próximo, o odeiar quando este não faz o que para você é certo, desprezar aqueles com religiões e posturas diferentes da sua. Que tipo de religiosidade é essa? Que tipo de cristianismo é esse?


A religião cristã deve nos levar até Deus, nos ensinar o amor, nos encher de esperança diante de toda essa loucura, nos tornar pessoas melhores e mais tolerantes.


(...)religião significa ser tocado pelas questões últimas, ter levantado a pergunta acerca do ‘ser ou não ser’ em relação ao significado da própria existência e tendo símbolos pelos quais a questão é respondida(...)ser tocado de maneira última a respeito do próprio ser, a respeito de si mesmo e do mundo, a respeito do significado deste, de sua alienação e finitude.” Paul Tillich


Espero que nossa religiosidade nos aproxime de Deus, nos aproxime de nós mesmos, com consciência, e principalmente, nos aproxime do nosso semelhante.
Que nosso cristianismo seja um cristianismo de amor, tolerância e de verdadeira, pura e consciente relação com o Divino.

E que, em nome de Deus, nós AMEMOS.

Licença Creative Commons
Em nome de Deus de Priscila Pereira é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Baseado no trabalho em edodiabo.blogspot.com.br.

Um comentário:

Marcio Alves disse...

Oi Priscila...olha eu aqui de novo. Rsrsrs

Para mim foi uma grata surpresa descobrir que você também é uma das colaboradoras de nossa amiga Rozana.

Em relação ao seu texto, tenho algumas considerações a fazer:
Primeiramente, você afirma que: “Quando o ser humano percebeu que não podia explicar o mundo e seus fenômenos, antes das descobertas científicas a respeito do universo como o conhecemos, a religião foi a forma encontrada para tentar entender nossa existência” (sua fala)

Concordo, porém a grande questão que fica é: quando e/ou porque surgiu no homem a idéia de criar deus (ou deuses)?
Pois me parece que este pensamento que a necessidade de explicar os fenômenos naturais até então desconhecidos em sua origem, não é plenamente satisfatória.
Alguns estudiosos chegam a defender a teoria que foi a morte do outro, que fez o homem pensar e criar algo além desta vida. Outros ainda, dizem que foi a plantação e a sua conseqüente colheita.

Em segundo lugar, eu tirei esta sua frase: “Os anos se passaram, os/as deuses/as continuaram sendo criados/as e adorados/as. Houve um tempo em que a sociedade pensou não precisar mais deles/as.” (sua fala)

Aqui também fica uma pergunta: com todos os avanços científicos, para que precisamos de deus e a religião?
Já me adiantando no dialogo, imagino que talvez você me responda com outra parte de sua postagem, rsrsrs me dizendo que: “Com a religião, teoricamente nos acompanha a ética. A religiosidade nos faz buscar sermos pessoas melhores, fazer o bem, nos aperfeiçoar como religiosos/as, a fim de agradarmos a Deus.” (sua fala)

Mas aqui ainda, cabe outra pergunta que esta ligada com a anterior a esta: Será mesmo que o ser humano precisa da religião como cabresto e referencia para ser melhor, fazer o bem? Para isto não é suficiente a educação dos pais e familiares e da sociedade?

E até porque minha amiga (posso te chamar de amiga? Rsrs) Priscila, você mesmo (deu um “tiro no pé” rsrsr) afirma em sua postagem que: “Com a religião, o ser humano tem se tornado mais individualista (sua fé é só dele/a), mais moralista (regras e dogmas, que fogem ao controle) e, o mais grave, mais alienado/a e fanático/a.” (sua fala)

Aqui, podemos prosseguir e aprofundar em nosso questionamento, pois não seria a religião hoje, principalmente a cristã, muito mais prejudicial ao ser humano do que benéfica?

E, por último, sua outra frase: “Quantos homicídios, quantas chacinas, quantas guerras, em nome desse Deus, que segundo a tradição, é um Deus de amor e perdão.” (sua fala)

Eu tenho que discordo mais uma vez de você. (me permite? Rsrsrs)
Talvez o deus reflexo do homem de hoje, que vive em um mundo mais humanitário, mesmo que somente em teoria.
Agora o deus do Pentateuco é sim, um deus sanguinário, punitivo e bárbaro, reflexo, claro do povo bárbaro da época, que “mandava” o seu povo exclusivo, destruir aniquilando povos inteiros, inclusive, cometendo até infanticídio.
Portanto, o deus da tradição da bíblia, do velho testamento, é um “demônio todo-poderoso”.

Fico aqui no aguardo de sua resposta e considerações, ansioso para também aprender contigo minha nova amiga.

Beijos

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...