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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Inferno, uma hipérbole aos mortais





“Se o teu olho direito te faz pecar, arranca-o e lança fora, pois é melhor entrar na Vida com um só olho do que ir com os dois para o inferno”. Hora essa! Porque na nossa interpretação o olho é simbólico e o inferno é literal? Porque ninguém até agora arrancou o olho direito que tanto o fez pecar, e mais ainda: porque nenhum homem ainda não arrancou alguma de suas partes “indignas” para poder ser salvo. Então é assim: o inferno ta lá queimando que uma beleza! Mas arrancar a língua, a mão, o olho ou qualquer outro membro que é bom ninguém arranca!

Qual o critério de uma coisa ser literal e a outra alegórica? Porque se ignora um “mandamento” enquanto se teme uma analogia mítica como força de expressão de uma realidade eterna não compreensível? Entende-se que o bom senso é o discernimento do que se é fictício ou literal. Agora me diz uma coisa: que bom senso tem na existência de um lugar de condenação permanente para quem (não pediu para vir ao mundo) peca por setenta anos nesta vida (e não consentiu em nascer pecador) e passa o resto da eternidade pagando por esses seus pecados hediondos: dançar, beber e fazer “amor” fora de hora!

Meu Deus! Como assim? Eu lá no céu na maior alegria e milhares dos meus semelhantes queimando para sempre no quinto dos infernos? Só se eu estiver sedado para não me importar com isso! Ou será necessário Ele (usar deste artifício) apagar da nossa memória a existência dos nossos entes queridos que ficaram para traz, (blasfemando de Deus para sempre) para nós termos paz! Que paz? E a promessa de nunca mais choro, nunca mais dor? (nunca mais pra meia dúzia, será? Enquanto a maioria da humanidade se arrebenta, se acotovelando em ódio mútuo, perpetuando o pecado na existência?)

Aquele que era o pedagogo por excelência, instrutor em parábolas, analogias, metáforas, poeta das plantas e animais, prosador da vida do homem do campo, e contador de historias e enigmas, não nos quis falar do inferno como algo literal. Mas sim como uma hipérbole que é força de expressão do significado de aniquilação irreversível que representa o fogo eterno. Hipérbole é uma exageração intencional de linguagem com o intento de tornar mais expressiva à idéia, como figura metafórica propositada para acentuar a expressão do conceito, de modo a expor de forma dramática aquilo que se pretende vocabular, transmitindo uma idéia aumentada do autêntico.

Isso não é engano ou mentira, mas metodologia consciente para se dizer aos que não tem estrutura e entendimento para receber toda verdade. Pois sendo universal a sua mensagem Ele usava desses recursos para atingir de forma subjetiva cada pessoa, de todas as eras e povos, com entendimentos e capacidades de compreensão diferentes. Mas agora que crescemos e temos a capacidade de suportar certas desconstruções dos dogmas provisórios, e não somos crianças disciplinadas pelo medo, uma coisa não podemos deixar de sentir e dizer: que o inferno entendido como condenação literal e perpétua, não condiz nem com o senso de justiça intrínseco no espírito do homem e muito menos com o espírito do evangelho revelado no Amor e Graça do maior Mestre em figura de linguagem, contos alegóricos e palavras expressivas que já existiu!


3 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Oi, Anja.

Saudades dos intermináveis debates que há uns 2 anos nós(a turma da confraria e outros desgarrados) tínhamos. Foi a era de "ouro" de uma galera muito boa que se esbarrou na blogosfera por obra e graça dos desígnios divinos...rs

O argumento dele é válido. A doutrina de um castigo eterno foi cunhado em tempos remotos em Israel com boas influências do Hades grego e da demonologia persa.

Os conceitos teológicos devem evoluir conforme o grau de entendimento espiritual do homem de fé.

O purgatório já foi uma tentativa católica de amenizar o trágico destino das almas no inferno.

Mas eis que eu também digo que já é hora do cristianismo abandonar de vez a doutrina do inferno pois ela se encontra fora de sintonia com a ideia de um Deus que é essencialmente, amor. É sempre bom lembrar que o Deus cristão não têm amor, ele é o próprio amor, conforme declarou João.

beijos.

Anja_Arcanja disse...

Edu, Feliz demais com vc por aqui no meu mundo! rsrs

Grata pela ressonância.

Pois é. E parece que o debate no texto do Donizete não termina não né? rsrs e eu já descobri de onde vem sua força nos debates. rsrs Vc é militar e militar é osso duro viu? rsrs eu penso que por conviver com um, acabei pegando esta mesma garra, por isto o debate com a Guiomar rendeu tanto rsrs.

Mas muitas de minhas opiniões não são nem nunca serão embasadas em livros de teologia, pois pra mim eles são e sempre serão falhos. Eu sempre irei me embasar em minhas experiencias (que modéstia a parte não são poucas) e minha convivência pessoal com as pessoas, estas sim, eu sempre procuro manter uma aproximação, até mesmo entre os amigos da blogosfera eu tendo a oportunidade de conhecer pessoalmente, não deixo passar em branco. Olha que interessante como trabalha a mente do ser humano: outro dia eu falava com meu ex-professor de teo sobre homossexualidade e ele foi taxativo em condenar a prática como sendo pecado baseado em Lutero e agostinho, eu o rebati, dizendo que os atuais avanços da ciência e medicina, ainda não podem provar o porque de algumas pessoas nascerem homo, mas que isto já é um fato, pois NASCEM! Claro que há muitos casos em que há outros fatores que "conduzem e induzem a prática, mas tem de se avaliar caso a caso.

Pois bem, mal eu terminei de falar com ele e já fui interrompida com sua pergunta: - O que mudou depois de Agostinho em relação a Graça? (rsrs) Ora, ele me falava baseado em teologias e eu baseada na minha experiencia e convivência; ,as ele não percebeu isto, sendo preciso que eu "desenhasse' rsrs.(só citei pra vc entender onde quero ir )

Então Edu, assim também eu vejo o cristianismo moderno (??), preso a teologias antigas, escritas e pensadas por homens que tb tinham seus defeitos. Seja qual defeito for e ainda mais, por pouco ou muito que fosse estavam também presos ao que aprenderam, tiveram uma base dogmática e tendenciosa, o que influenciara negativamente, e estavam presos a cultura de sua época, o que não podemos condenar, mas porque não ser revisto? É por isto que eu penso que há uma necessidade de uma grande reforma, pois a reforma de Lutero veio impregnada de vícios rsrs.

Concordo 100% com seu comentário. Eu aprendi Edu que Deus é o próprio Amor, bem como vc citou, conforme declarou João (o cara que gostava de chá rsrs), e Deus sempre preza a vida e nunca os dogmas, pois cada vez que um dogma precisa ser salvo, se perde uma vida.(sobre Jo~´ao gostar de chá é só zueira minha viu??)

Mas eu não consigo ver uma grande ou mesmo uma pequena reforma nem a longo prazo, pois o medo do clero é grande demais. Medo de perder o poder e o força de manipulação que tem. Hoje o cara se entope de livros de Agostinho e cia LTDA e se diz pensador (rsrs) pensador?? mas enfim...

Prossigamos...

Obrigada querido...

Bjux

Anja

rodrigo disse...

Ora essa... que hora é essa?

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