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terça-feira, 24 de abril de 2012

Você escolheu a religião que acha que escolheu ou foi a religião quem te escolheu?



By Marcio Alves

Somos irremediavelmente produtos do meio. Assim tal meio social tal qual individuo. Neste estreito sentido, ninguém é uma ilha. Vamos sendo na medida em que já somos, influenciados num determinismo sócio-cultural-geográfico-génetico.

Você acha que pensa o que pensa ser o que pensa? Pense duas vezes e depois responda, pois a primeira resposta sempre será aquela que você herdou do meio social em que vive.

Você acha errado um homem já adulto ter relações sexuais com uma adolescente de 13 anos? Agora pense de novo, e me diga, porque então em algumas culturas não é considerado crime? (Não estou aqui nem defendendo e nem sendo contra, apenas levanto a pergunta como exemplo de que o que pensamos ter tudo haver com o meio social pelo qual nos relacionamos)

Ou por exemplo, o canibalismo praticado em algumas culturas....se você tivesse nascido num destes contextos, onde o canibalismo fosse “natural”, será que acharia errado e absurdo como pensa atualmente?

Na questão da crença religiosa, você meu caro leitor cristão, o que acha dos hindus que prestam cultos e adoram vacas e ratos como animais sagrados?
Ridículo não é mesmo?

Mas o que você acha que os hindus pensam de você, que adora um homem chamado Cristo que foi crucificado e morto numa cruz como deus, pelo qual você celebra em sua homenagem uma ceia, onde o pão simboliza o seu corpo, e o vinho o seu sangue?
Eles também diriam que é ridícula a sua crença.

Mas o mais importante na questão da religião é que as pessoas acreditam no que o meio a sua volta acredita, ou seja, se você tivesse nascido em um pais onde o hinduísmo prevalecesse, certamente a esta hora você estaria de joelhos adorando vacas e ratos como animais sagrados!

Sendo assim, todos os nossos valores, crenças, morais, atitudes, pensamentos e até vontades não passam de uma roupagem social imposta e colocada em todos nós....não escolhemos quase nada, na verdade nós é quem somos escolhidos pelas escolhas, ou como diria no entender de Nietzsche, todos nós ao nascermos somos camelos, onde toda bagagem social e psicologia será colocada em nossas costas.

Mas fica ai uma pergunta: A grande questão não é se nascemos ou não já escolhidos pelas escolhas, (pois este debate já esta mais do que claramente vencido pelo determinismo, onde o maior e simples exemplo é que para começar, não escolhemos nascer, simplesmente nascemos e ponto!), mas se temos que continuar sendo escolhido por elas. Sendo o primeiro passo o questionar e confrontar tudo que absolvemos nesta longa estrada da modelagem social, o qual, tínhamos como verdades até então, absolutas e inquestionáveis.

A grande questão é: podemos mudar....ainda há tempo para se mudar, ou então, no mínimo, escolher continuar sendo escolhido pelas escolhas.
Porque a reflexão comprometedora é aquela pela qual corremos risco, pois colocamos em xeque tudo que aprendemos com o meio social, e isto gera angustias e conflitos infindáveis.

Tem que se ter muita coragem para se pensar que o “certo” pode ser na verdade o “errado” e que o “errado” pode ser o “certo”.

Para isto se faz necessário criarmos uma consciência por trás da própria consciência, que consiga analisar e pensar todos nossos pensamentos, ao ponto de criticá-los e, se for o caso, mantê-los, pois entre o pensar e o fazer, existe um abismo de diferença, onde o primeiro passo é questionar os próprios questionamentos, pensar os próprios pensamentos, para no final, conseguirmos enxergar e diferenciar o que em nós é maquiagem é o que é natural, sendo que mais tarde, o social se tornará em nós uma segunda pele!

6 comentários:

Priscila Anjo disse...

Nossa, não faz ideia de como tenho pensado nesse assunto nos últimos dias.
Inclusive sonhei sobre isso essa noite!!!

É um assunto fascinante, e ao mesmo tempo complicado e até mesmo delicado.
Questionar nossas "bases" é mais dolorido do que parece, pois a religião faz parte de nossa construção. Mas como Bourdieu indica o caminho, é importante "desnaturalizar" as coisas, como fazemos com o machismo, a homofobia, a monogamia, etc.
Mas mexer com religião, com fé, com produção de sentido, é muito mais tenso.

Falando agora, como terceira geração de cristãos, e filha de pastor, mas também como teóloga, que "seguiu o coelho branco" (Alice) ou "tomou a pílula vermelha" (Matrix)há 8 anos, reconheço que esses 8 anos ainda não foram suficientes pra entender essa "escolha" da religião.

É mais fácil quebrar paradigmas morais e sociais que religiosos.

Enfim, acredito que o primeiro passo é reconhecer essa construção religiosa antes de nossas escolhas, e depois, se tiver forças, fazer a própria escolha - ou não, se pensarmos que mesmo nossas escolhas conscientes, ainda serão produtos do meio em que vivemos.

Coragem pra seguir o Coelho Branco!
Coragem pra conhecer a Matrix!
Existem outras verdades possíveis...

Amei o texto, colega!

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Eu creio que o nosso poder de escolha seja maior do que a extensão crida pelo autor.

Realmente acho dificílimo alguém se "revolucionar" por completo. A própria Bíblia nos mostra bque aqueles que transcenderam ainda se mantiveram presos a diversos valores de suas culturas. Um deles podefria ser o rei Davi que, con forme lemos nos salmos de autoria atribuída a ele, foi capaz de arrepender-se de condutas pecaminosas, sendo que muitos coisas que hoje entendemos como pecado lhe permaneceram ocultas. Por exemplo, o rei Davi continuou sendo um guerreiro e, em seu leito de morte, ainda aconselhou a Salomão que matasse Joabe quando subisse ao trono (1Reis 2.5-6).

Certamente que um hindu que busca mudar até certo ponto continuará sendo um hindu. Se ele converter-se a uma nova religião, talvez até consiga mudar mais do que tão somente abrir a mente em cafés filosóficos. Pois sem o aparelho da outra cultura em volta, ele irá reconstruir seu pensamento e visão de mundo conforme os elementos que dispõe perto de si.

ATualmente, nossa cultura ocidental permite grande mutabilidade nas pessoas. Ela não é mais tão rígica como no passado e aos poucos vai perdendo suas raízes. Já os muçulmanos, porém, ao contrário de nós, mantêm-se arraigados à cosmovisão de base alcoraíta. E, atualmente, temos visto eles crescend mais e mais na Europa, graças à alta taxa de fecundidade de suas mulheres, suplantando os europeus ecologicamente corretos que hoje em dia raramente têm em média mais de dois filhos. E as projeções mostram que, em 2050, a Europa será muçulmana!

Enfim, temo ser perigosa a total liberdade e as mudanças. Gosto de um ideal pluralista e com grande flexibilidade. Porém, temos que pensar em como funcionaria uma sociedade assim e como que ela se manteria convivendo com o monoculturalismo de outros, cercada de seitas que, por exemplo, usam do marketing religioso para prender pessoas descontentes com a vida pela pregação de um Deus ex-machina (dificilmente o Edir Macedo conquistaria tantos adeptos no Marrocos, no Japão ou na Índia). E, sendo assim, talvez as grandes possibilidades de mudanças permanecerão confinadas mesmas nas mesas de um café de pensadores.

Marcio Alves disse...

Oi Priscila anjo...tudo bem? (você não é irmã da “Arcanja” Rozana..ou é?? Rsrsrs)

Caramba você é filha de pastor e teologa?
Realmente fica mais difícil ainda questionar os valores da crença, até porque, sempre é mais fácil aprender uma idéia do que desfazer da mesma.
Na verdade os valores que o nosso meio, seja familiar ou de grupo, nos passam, com o tempo passar a ser nossa segunda pele, conforme já mencionado no meu texto.

Mas o caminho é este mesmo o de tentar ver o mundo com outras lentes que não a que herdamos do nosso meio, questionando os valores que colocaram sobre nossas costas, e, talvez, desfazendo de alguns ou afirmando outros porque não?
Até porque o homem é um ser social, e não dá para viver fora da sociedade, portanto, alguns princípios e valores e necessário se ter, mesmo sabendo que não precisava ter...complicado?
Também acho. Rsrsrs Mas a vida é assim mesmo e não somos livres para fazermos tudo que queremos, ainda mais, quando se tem pessoas as quais amamos.

Beijos querida e obrigado pelo comentário

Marcio Alves disse...

Priscila, esqueci de mencionar que se você não é irmã de nossa maravilhosa Anja, você é tão bonita quanto ela. rsrsrsr

Marcio Alves disse...

Rodrigão,

Até aqui você tá querendo causar polemica comigo mano??
Brincadeira rsrsrs você sempre é bem vindo, assim como os seus inteligentes comentários.
Desculpe por não ter respondido os seus comentários lá no blog da confraria, mas estou muito ocupado, principalmente com meus estudos na faculdade.

Minha opinião é igual a sua, pois penso que mudar ao ponto de revolucionar a nossa vida, caminhando contra o meio social é até loucura, até porque, como disse para a minha amiga Priscila, que precisamos do outro, ainda mais quando o outro é nosso amigo, familiar, colega de trabalho e até o nosso vizinho...mas a minha grande proposta nesta postagem não é a mudança radical de valores, até porque estaríamos trocando “seis” por “meia-duzia” rsrsrs , mas antes, a reflexão mesmo do quando nós somos condicionados, e, claro, algumas coisas podemos e devemos mudar, mas nunca indo ao extremo, porque sempre o caminho do “meio” é mesmo a melhor opção.

Valeu mano e abraços

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Caro Márcio,

Obrigado pelo retorno.

Realmene é este "caminho do meio", o equilíbrio, que precisamos observar.

O mundo não é estático, mas também não gira na velocidade da luz. E, assim como uma cultura totalmente engessada não sobrevive, o mesmo ocorre com aqueles que acabam se isolando de seu meio social. Mesmo assim, pessoas que fazem esta opção contribuem de algum modo. Elas correm na frente e, mesmo que o mundo venha a seguir outro rumo, saberá valorizar o esforço daquele revolucionário em algum momento futuro.

Abraços e boa sorte aí na faculdade.

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