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quarta-feira, 30 de maio de 2012

O jardineiro de Madalena! - cap 2 - O sonho de Adão



O sonho de Adão

By Gilberto Begiato

Felipe entrou pela porta junto com Emanuel e avistou no batente da porta que estava escrito:
            Porta do Paraíso! Alfa e Ômega! Princípio e Fim!
            Será um condomínio, pensou Felipe. Mas ao entrar pela porta logo percebeu que aquilo era extraordinário! As paisagens e a beleza natural transmitiam uma paz e segurança como nunca em sua vida havia experimentado.
            - Que lugar maravilhoso – gritou Felipe.
            - Meu Pai é muito caprichoso. - Disse Emanuel.
            - Seu pai? - Perguntou Felipe.
            - Sim!
            - Ele é dono de tudo isso?
            - Sim!
            - Então você é rico?
            - Digamos que sim!
            Felipe lembrou que seu pai vivia numa pendura danada. Com muito sofrimento e trabalho mantinha o necessário em casa. Era jardineiro e que muitas vezes era obrigado a trabalhar nos finais de semana.
            Felipe então disse a Emanuel:
            - Você é feliz! Além de ter um pai, ele é rico.
            Emanuel respondeu:
            - Felipe o fato de se ter um pai não significa necessariamente felicidade. Há muitos que têm os pais e não são felizes ou não valorizam o que têm. E a felicidade não se encontra na riqueza material e nas grandes posses. A dignidade e honestidade de seu pai valem muito mais do que a riqueza injusta e egoísta. Por isso meu Pai criou tudo isto para seus filhos.
            -Você tem mais irmãos? - Perguntou Felipe.
            - Sim! Todos aqueles que fazem a vontade de meu Pai são meus irmãos e minhas irmãs.
            Emanuel por fim disse:
            - E quanto à exploração que seu pai sofria trabalhando tantas horas por dia e sem descanso é inaceitável e detestável por Deus. Por isso criou e ordenou o respeito ao dia santo. O trabalho foi feito para o homem e não o homem para o trabalho.
            Felipe gostou do que Emanuel lhe disse, pois por diversas vezes o trabalho de seu pai tirava dele a alegria da convivência e da presença tão importante de seu pai em sua vida.
            Felipe disse:
            - Você costuma ler os pensamentos das pessoas sempre?
            Emanuel sorriu e disse:
            - Sim, mas só comento quando for para curar a alma das pessoas.
            Neste exato momento Felipe arregalou os olhos e apontou à sua frente dizendo.
            - Veja! Uma luz enorme!
            Uma forma maravilhosa se mexia à sua frente, mas não mostrava o rosto, quase que se via suas costas. Parecia ser um ser magnífico e de uma presença única inexplicável.
            Felipe ficou extasiado, já não falava, não sabia explicar, mas queria ver Aquele Ser pelo resto da sua vida. É como se ele encontrasse, como que num passe de mágica o equilíbrio e a segurança total da sua vida, o que mais tarde definiu a Emanuel com a palavra: realização.
            - O que ele está fazendo? - Perguntou Felipe.
            - Está criando a obra mais bela e mais amada por Ele: a humanidade.
            - Mas com barro?
            - Do pó vieste e para o pó voltará. Disse Emanuel.
            Então Felipe notou que aquele barro foi-se formando como um vaso nas mãos do oleiro, uma peça formidável, era uma figura humana, um homem, que Aquele Ser parecia estar fazendo com tanto cuidado. Transparecia neste momento um amor incomparável e imensurável àquela criatura de barro. Quando então viu que Ele se inclinava para aquele boneco de barro e tocou com o seu lábio a boca do boneco.
            - O que ele esta fazendo? Está beijando o boneco de barro? Perguntou Felipe.
            - Sim, está soprando através de um beijo a vida para seu filho, a criatura mais bela. É o Ruah! - Disse Emanuel todo feliz - Meu Pai é amor!
            Felipe estava encantado com o que via, não podia definir com palavras humanas o que ali acontecia. Viu diante de seus olhos um boneco de barro se transformar em um ser humano belo. E tudo isso com um beijo de pai. Lembrou que quando era criança beijava seu pai e sua mãe na boca.
            Felipe extasiado afirmou:
            - O criador e sua criatura.
            Emanuel retrucou:
            - O Pai e seu filho amado.
            Felipe não via o rosto do Pai, mas tinha a sensação que aquele Ser Maravilhoso e misterioso lembrava muito seu pai. Também achou o homem ali criado muito parecido com todas as pessoas que conhecia. Então perguntou a Emanuel:
            - Parece que eu conheço o filho! Sua aparência é de alguém conhecido?
            Emanuel respondeu:
            - A humanidade é a imagem e semelhança de Deus.
            E continuou:
            - Este homem se chama Adão. A humanidade é sua extirpe. E todos são parecidos com o Pai. Ele amou tanto a humanidade que a fez parecido com Ele: homem e mulher.
            Neste instante Felipe observou que o Pai estava falando algo ao homem que criou, mostrou uma árvore esquisita e outra muito bela. Depois mostrou diversas árvores, um pomar enorme e diversos frutos.
            Felipe então fez a seguinte observação:
            - Nossa! Quanta abundância! Aqui o homem jamais passará fome.
            - É Felipe, o Pai não é nenhum pouco econômico quando se trata de providenciar o que o homem precisa.
            - Uma coisa que nunca entendi é o porquê de gente passando fome se o mundo é tão providente? - Disse Felipe.
            - Por causa do egoísmo. O Pai constrói e o homem destrói. O Pai reparte e o homem retém para si.
            - O que eles estão conversando? Por que os animais estão todos ali ao redor do homem e do Pai e não atacam e nem são agressivos?
            - O Pai está dizendo ao homem que toda a criação está a serviço dele. Aquilo se chama harmonia. No princípio era assim.
            Neste momento Adão foi tomado de um profundo sono e o Pai tirou de sua costela uma mulher. Felipe achou a cena hilariante. Viu que o homem estava triste e agora via Adão feliz observando a mulher diante de seus olhos.
            - Emanuel! Já vi muitas piadas a respeito disso. Dizem que o homem é melhor porque a mulher é uma cópia do original. Por outro lado ouvi as mulheres dizendo que o homem é um rascunho da mulher.
            Emanuel sorrindo disse:
            - Também já ouvi muito destas piadas. Mas eu prefiro a interpretação que algumas pessoas fazem deste momento. Dizem que a mulher foi tirada da costela de Adão porque possui a mesma igualdade que o homem. Se tivesse sido tirado dos pés diriam que é escrava, inferior. Se tivesse tirada da cabeça, que era superior a ele. Então Deus tirou da costela para mostrar a igualdade entre o homem e a mulher. Do mais qualquer observação que tenha como objetivo inferiorizar uma das partes é fruto de uma disputa mesquinha e vazia.
            - Em sua opinião quem é superior? - Perguntou Felipe.
            - Superior é aquele que se faz servo. É o que não tem medo de morrer pelo outro. O homem completa a mulher e a mulher completa o homem.
            Felipe começou a pegar intimidade com Emanuel e perguntou:
            - E quem não joga em nenhum dos dois times?
            Emanuel respondeu:
            - Deus não faz acepção de pessoas. Deus sabe tudo, conhece tudo e, portanto não pode ser preconceituoso, tem um conceito claro e real e por isso é misericórdia e ama a todos igualmente. O importante é saber que quem ama não erra.
            - E Deus? Ele é homem?
            Emanuel respondeu:
            - Deus não tem sexo.
            - Então porque o chama de Pai?
            - É uma forma que encontramos para ser entendido pela humanidade.
            - Antropomorfismo. Falou Felipe bem baixinho, lembrando que na escola aprendera o significado desta palavra que significava uma forma de pensamento que atribui características ou aspectos humanos a Deus.

2 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Vou tirar uma hora para ler esses capítulos do livro do Gil.

Anja, qualquer textos meu que você quira publicar aqui neste teu espaço, está liberado, não precisa mais pedir.

bjs

Gilber†o Ângelo Begia†o disse...

Edu você lendo meus textos é sempre uma honra! Abç

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