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sábado, 30 de junho de 2012

Cantares homoeróticos – O mais belo Cântico




Nancy Cardoso Pereira

A amada: Beija-me com beijos de tua boca de mulher!
Teus amores são melhores do que o vinho,
O cheiro dos teus perfumes é suave,
Teu nome de fêmea, como o meu, é óleo escorrido
E tantos homens se enamoram de ti...
Arrasta-me contigo, corramos!
Leva-me, ó rainha, aos teus aposentos,
E exultemos uma na outra.
Eu me alegrarei em ti!
Com razão te desejam os homens,
Mas sou eu que gozarei de teus amores.

A outra amada:
Sou lésbica e formosa!
Ó gentes desse lugar
Mulher como tantas outras
Mulher como escolhi ser.
Não olheis eu ser lésbica:
Foi a vida que eu quis ter.
Os filhos da mãe
Se voltaram contra mim,
Dizendo-me hétero
Guardavam minha vinha.
Minha vinha, a minha...
Eu não quis que guardassem
Nem que dissessem por mim
O desejo e a quem desejar.

A amada: Avisa-me, amada da minha vida,
Onde descansas porque eu desejo
Teu jardim ao meio-dia.
Eu sou da minha amada
E a minha amada é minha.

Coro: Conjuro-vos, ó gentes desse lugar:
Não desprezeis nem condeneis este amor
Por mais que não entendas.
Rendas. Fendas. Sendas. Aprendas...
Que toda maneira de amor vale a pena.


(ps.: a imagem central acima é uma foto de minhas costas e de uma amiga minha)

"Pobres Ateus" (by Noreda Somu Tossan)




                                                       
Pobre de nós ateus que, como cordeiros ingênuos, caímos em covis de lobos ferozes. Pobres de nós ateus que somos vilipendiados pelos intolerantes crentes, e não temos nem sequer a oportunidade de manifestarmos nossa opinião, pois tudo que falamos é tolice. Crentes estes que esqueceram que divino era só o mestre Jesus, e eles, assim como nós ateus, tombaremos sobre a mesma terra e apodreceremos a medida em que somos devorados pelos vermes. Vermes estes que, ao contrário do que disse o messias, acabará ao ver que nada de nós existe mais para ser consumido.

Pobre de nós ateus, que no início de nossa descrença ficávamos preocupados com o fato de nossas atitudes estarem fazendo mal aos irmãos que ainda creem. Pobre de nós ateus que não falamos para nossos filhos e para nossas velhas e crentes mães que Deus não existe mesmo. Pobre de nós ateus que nos calamos quando lá dentro, uma voz implorava para que gritássemos nos ouvidos dos crentes que nos aporrinham o saco com suas idiotices, que Jesus não salva ninguém, que céu é lugar de zumbi, e que é preciso ser por demais burro para acreditar em histórias tão absurdas como as que são contadas na Bíblia "Constantinizada".

Pobre de nós ateus que sofremos... sim, sofremos ao ver que não adianta nada falar que a ilusão da fé é o maior freio-social que já puderam impingir ao homem. Sofremos por vermos nossos irmãos... sim, irmãos, padecerem sob o jugo de pastores, padres, líderes espirituais de todos os tipos, sendo levados para um caminho de negação, flagelação de consciência, repressão de desejos humanos, (desejos estes, demasiado humanos), estoicismo em pleno século XXI e falência de intelecto.

Pobre de nós ateus, que não queremos o mal de ninguém, que procuramos viver em paz com todos, que desejamos ajudar, ou melhor, agimos em prol daqueles que necessitam de auxílio, seja ele financeiro, sentimental, ou moral. Pobre de nós ateus que não oramos para que o mundo se torne um lugar tolerável, ao contrário disto, nos empenhamos em deixar filhos melhores para este mundo e não um mundo melhor para filhos maus. Pobre de nós ateus, que não temos ajuda de cima, que não somos socorridos por deuses, que não somos protegidos por um criador, que vivemos na angustia, aguentando calado a náusea causada pelo enfrentamento da realidade.

Pobre de nós ateus, que olhamos para o céu e só vemos o negro do espaço disfarçado de azul pelas muitas camadas de atmosfera, não olhamos além disso, não esperamos ser notados nem amparados em meio aos conflitos sociais e existenciais, estamos sós, e sós permaneceremos sempre... pobre de nós ateus que não temos alma nem espírito, que não possuímos a pneuma divina em nosso interior, que nos garantirá a vida eterna ao lado do criador se bom formos.

Pobre de nós ateus, que não nos prendemos a histórias antigas, daquelas que as crianças fantasiam e acabam por usá-las como válvula de escape para seus medos interiores. Pobre de nós, que não conhecemos os mistérios do reino, que não temos sobre nós o sangue do cordeiro, que seremos atirados no lago de fogo e enxofre, apenas para satisfazer os caprichos desse deus mesquinho, apático e mimado chamado Jeová.

Pobre de nós ateus, que desejamos que todos vivam, e vivam com abundância, enquanto que para nós é desejado apenas a morte... a pior delas, a saber, a morte da alma. Pobre de nós ateus que já ardemos em fogueiras "santas", queimados como hereges... mal sabendo eles que os hereges são todos aqueles que acendem a pira e contemplam as chamas lamberem a carne do incrédulo. Pobre de nós ateus que não cremos em nada e mesmo assim somos chamados de filhos do demônio, decepcionados, frustrados e carentes de uma experiência verdadeira de fé. Será que eles não percebem que o "demônio" aplaude e faz festa ao ver um irmão condenar o outro ao "inferno"?


Pobre de nós ateus, quando vemos que a loucura torna-se lógica quando a verdade torna-se indiscutível. Foi o que ocorreu também durante a Inquisição: para salvar a alma do desgraçado ateu, exigiam que ele admitisse estar possuído pelo diabo; se não admitia, era torturado para confessar e, se confessasse, era queimado na fogueira, pois só assim sua alma seria salva. Tudo muito lógico. E os inquisidores, donos da verdade, não duvidavam um só momento de que agiam conforme a vontade de Deus e faziam o bem ao torturar e matar os pobres ateus.

Pobres, sim, somos pobres ateus, mas não apreciem estas linhas como lamentos, e sim como regozijo, pois são justamente estes pobres ateus que experimentarão as maravilhas do mundo, que errarão tentando acertar, que perder-se-ão buscando novos caminhos, que perguntarão e não obterão respostas, e essas dúvidas serão o combustível que os levarão a entender que não possuem a verdade de nossa existência, que não se conformarão com o mal deste mundo, mas antes, se transformarão pela renovação constante de seu entendimento, experimentando assim, a boa, perfeita e agradável vontade da natureza  humana.

Enfim...

Pobre de nós ateus que não temos crise de consciência (mentira, temos sim), somos ateus, e eu pelo menos, pregarei o ateísmo até que a matéria orgânica que me compõe exaure suas energias, fato conhecido como morte. Morrerei negando a existência de qualquer tipo de deus. Nego-me a desperdiçar minha última palavra com algo que não seja um alto e sonoro: "Deus não existe".  Aliás...consciência? O que é isto senão uma maneira mais educada, e polida para disfarçar a palavra...covardia.

Noreda Somu Tossan

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cristianismo antes do cristianismo.



By Donizete Aparecido

Para quem já teve contato com as construções teológicas que fez Leonardo Boff, a partir do Cristo libertador, esta afirmação contida no tema, não soa de maneira antitética.


De acordo com o pensador católico, a estrutura crística pré-existia dentro da história da humanidade, e é anterior ao Jesus histórico de Nazaré. Disse ele:

“Todas as vezes que o homem se abre para Deus e para o outro, sempre que realiza verdadeiro amor e superação do egoísmo, quando o homem busca justiça, solidariedade, reconciliação e perdão, aí se dá verdadeiro cristianismo e emerge dentro da história humana a estrutura crística. Assim pois, o cristianismo pode existir antes do cristianismo; e mais, cristianismo pode se verificar também fora dos limites cristãos”.

Agostinho tinha uma cosmovisão semelhante quando afirmou:

“A substância daquilo que hoje chamamos de cristianismo, existia já nos antigos, e estava presente desde os primórdios da humanidade. Finalmente quando Cristo apareceu em carne, começou-se a chamar àquilo que sempre existia de religião cristã”.

Com essa concepção, podemos por inferência concluir que o cristianismo se realiza não somente onde ele é professado explicitamente e vivido ortodoxamente. Mas surge sempre e onde o homem diz sim ao bem, à verdade e ao amor.
Antes de Cristo o cristianismo era anônimo e latente. Não possuía ainda um nome, embora existisse e fosse vivido pelos homens. Com Jesus o cristianismo ganhou um nome. Jesus o viveu com tal profundidade e absolutidade que por antonomásia passou a chamar-se Cristo. Por que não se chamava de cristianismo, não significa que era inexistente. Existia, mas na forma abscôndita, anônima e latente. Com Jesus chegou a sua máxima patência, explicitação e revelação.
Daí podermos asseverar que o cristianismo é tão vasto como o mundo humano. Ele pode se realizar ontem, antes de Cristo, e pode se realizar ainda hoje fora dos limites “cristãos”, lá onde a palavra cristianismo não é empregada e conhecida. Mais ainda: cristianismo pode se encontrar lá, onde ele é, por uma consciência errônea, combatido e perseguido. Por isso cristianismo não é simplesmente uma cosmovisão mais perfeita. Nem uma religião mais sublime, muito menos uma ideologia.

Com toda razão dizia o primeiro filósofo cristão Justino: “Todos os que vivem conforme o Logos são cristãos. Assim entre os gregos Sócrates, Heráclito e outros; e entre os não gregos Abraão, Ananias, Azarias, Elias e muitos outros cuja citação dos nomes e obras nos levaria longe demais”

 Não é por acaso que Joseph Ratzinger em consonância com esse pensamento exprimia com felicidade: “Não é verdadeiro cristão o membro confessional do partido, mas aquele que se tornou realmente humano pela vivência cristã. Não aquele que observa de maneira servil um sistema de normas e leis, apenas com vistas para si mesmo, mas aquele que se tornou livre para a simples bondade humana”.

Seguindo ainda nesta mesma linha de pensamento, ser cristão, segundo Boff, é viver a vida humana naquela profundidade e radicalidade onde ela se abre e comunga o mistério de Deus.  Cristianismo é a vivência concreta e conseqüente na estrutura crística, daquilo que Jesus de Nazaré viveu com total abertura ao outro e ao grande outro, amor indiscriminado, fidelidade inabalável à voz da consciência e superação daquilo que amarra o homem ao seu próprio egoísmo. De modo que não é o que é cristão que é bom, verdadeiro e justo. Mas o bom, verdadeiro e justo é que é cristão...

Com a visão cristológica "diferente" que possuímos, confessamos um cristianismo moderno centrado apenas na ortodoxia, em detrimento, com raras exceções da ortopraxia. Vivemos um apego demasiado ao ritualismo e ao espiritualismo, e marginalizamos àquilo que é essência do evangelho: A empatia, o altruísmo, o compartilhamento, a sensibilidade às necessidades do outro. Ou seja, as coisas que fundamentalmente condizem com a proposta inicial do Jesus histórico. Como se o mundo em que vivemos hoje, a opressão, a pobreza e a desvalides já tivessem sido erradicadas à tempos. E com o agravante de desqualificarmos as intenções e ações de pessoas com propostas inclusivas e de libertação, simplesmente por não estarem ligadas ao nosso arcabouço de fé.

Não tenho a pretensão de fazer apologia à cristologia de Boff. Visto ter ela aceitação minoritária entre os cristãos. Não entro nesse mérito! Mas sim para levar-nos a refletir sobre duas verdades:

Primeira é em relação a nossa indiferença pela práxis cristã. As vezes ela é tão crônica, que quando um grupo ou uma pessoa que não tem a comunhão de idéias do cristianismo, apresenta propostas de auxílio ao outro, suas intenções e motivações são postas em cheque.

Segunda é que Jesus veio derrubar as barreiras sectárias que dividem os homens e que fazem ver irmãos somente naqueles que aderem ao seu credo. Quando na verdade todos aqueles que aderem à causa de Jesus estão irmanados com Ele e Ele está agindo neles para que haja um mundo melhor. 

Partindo desse pressuposto que Paulo Freire  dizia que Marx era um cristão inconsciente.

Abraços.



Bibliografia:
Jesus Cristo Libertador, Boff, Leonardo
  
 Via: Assembereano

O pecado original (by Ivani Medina)



 By Ivani Medina

Para os gregos o termo harmartia significava “errar” o alvo ou o propósito. Aludia ao conceito de viver a margem do essencial por causa da não consciência deste. Aliás, a filosofia se esforçava exatamente no sentido de desenvolver a consciência do indivíduo, pois o desejo de acertar ou viver melhor se frustrava pela não visualização do “alvo” ou pela não conquista de uma consciência nítida de propósito. Atirava-se e ainda se atira no escuro, por assim dizer.

Precedendo a citada ideia grega e antes mesmo de o aramaico ter-se espalhado pelo mundo antigo por intermédio dos persas, a ideia que serviu de base ao conceito de pecado se relacionava ao esquecimento de algo que continuava presente a despeito da inconsciência individual. Portanto, impedido de repetir eficazmente seus acertos e viver melhor, o indivíduo tornava-se muito mais sujeito às consequências dos próprios erros.

Enfraquecido, o Homem torna-se mais dócil à condução por outrem. Ao considerarmos o número elevado de tarefas desagradáveis que precisam ser feitas para que se mantenham em funcionamento as organizações humanas, não fica difícil se compreender os motivos da estratificação social e da hierarquia. Enquanto se festeja as excelências da sabedoria, é a ignorância que carrega o mundo nas costas.

O termo “original” se refere aquilo que não existia antes. O ponto inicial de uma ação que teve continuidade no tempo – o Homem. A ocultação do surgimento do ser humano moderno sobre a Terra preserva a pirâmide social encimada pela ideia de “Deus”. Obedecer às chamadas leis divinas, nesse contexto de entendimento, equivale a preservar a própria existência humana.

[...] Tutu, [...] que teve compaixão dos deuses encadeados, que rechaçou o jugo imposto aos deuses, seus antigos inimigos, que, para liberá-los, criou a humanidade, ele, o misericordioso, em quem está o poder de dar a vida.  (Enuma Elish, tablete sete).

A versão mesopotâmica para a criação da humanidade, que serviu de base ao livro do Gênesis, associa esta criação ao trabalho escravo em favor dos deuses. Segundo ela, a origem da humanidade estaria nos deuses aprisionados que teriam servido de apoio para nova criatura, que os substituiu no trabalho pesado. A nova criatura, o Homem, como um ser híbrido, não pertencia a uma realidade e nem a outra: parte hominídeo, parte deuses aprisionados.

[...] Segue-se uma das explicações "antropológicas" (entendida no contexto de que o livro sagrado pretende a apresentação de uma explicação ou uma construção explicativa das origens do universo, do nosso mundo, da humanidade, da civilização em geral e da hebraica em particular, e por fim das origens do bem e do mal): Até atingir a fase da "civilização" o homem vivia no "estado de natureza", em oposição ao "estado de cultura", explicação essa totalmente compatível com o evolucionismo darwinista. O comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal seria o divisor de águas, ou seja a ruptura da comunhão entre o ser humano e a natureza. A partir de então o homem passou a reconhecer-se como separado e independente da natureza, adquirindo consciência de sua morte e finitude, adotando valores, crenças e objetivos independentes da natureza. Deu-se a traumática transição do animal para o hominal, como definia Teilhard de Chardin.(WIKIPEDIA)

A posterior variante da criação da humanidade, romanceada pelo judaísmo, fez da não crença nos preceitos estabelecidos por ela um delito moral grave, tendo em vista a sua pretensão pedagógica. O motivo disso seria o fato de que, segundo a religiosidade mesopotâmica, na medida em que o homem segue a moral divina, do deus que habita nele, pode contar com a sua proteção, pois é ‘filho do seu deus’. Quando fraqueja, o deus se irrita e se aparta dele, permitindo que a desdita o atinja. (CONTENEAU, 1979, p. 105). Daí a ideia de um deus pessoal.

Visto outras possibilidades de entendimentos para os termos “pecado” e “original”, fica claro que o propósito da ideia de erro de Adão e Eva, por desobediência, é evocar a obediência à autoridade. O conceito de pecado original, não existe no judaísmo, surgiu com Irineu no momento em que o cristianismo declarava o judaísmo destituído por Deus da autoridade sobre seus livros sagrados, pelo assassínio de Jesus Cristo, e reivindicava autoridade sobre todos crentes, judeus e cristãos.

[...] Irineu se volta para a questão prática de quem cultua a Deus corretamente e quem não cultua. Primeiro, diz ele, os judeus não cultuam, pois se recusaram a ver que “o verbo do Senhor” que falou a Abraão e a Moisés foi nada mais, nada menos, do que Jesus Cristo. [...]

Visto que não reconhecem Jesus como “o Deus que falou em forma humana” a seus ancestrais, os judeus, diz Irineu, foram deserdados por Deus, que os privou do direto de serem sacerdotes. Embora continuem a venerá-lo, Deus rejeita suas oferendas, assim como rejeitou as de Caim, pois exatamente como Caim matou Abel, os judeus “mataram o Justo” – Jesus -, portanto, “têm as mãos cheias de sangue”.

 Os judeus, portanto, cultuam Deus em vão, pois ele transferiu o sacerdócio deles para quem reconheceu o seu “verbo” – ou seja, os apóstolos, a quem Jesus ensinou a fazer “o sacrifício do novo pacto” quando lhes disse que oferecessem o pão a que chamou de seu corpo e o vinho a que chamou de seu sangue. Desde que Jesus morreu na cruz, a eucaristia que reencena o seu sacrifício é o para-raios que atrai o poder de Deus para a Terra. [...].     (PAGELS, 2004, p. 160)


Referencias
CONTENEAU, Georges.  A Civilização de Assur e Babilônia. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1979.
PAGELS, Elaine. Além de toda crença: o Evangelho desconhecido de Tomé. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Perdido no Parque da Tijuca (By Rodrigo Da Luz)



Conforme noticiei pelo facebook e twitter, meu amigo e colaborador Rodrigo, estava desaparecido (se perdeu numa trilha), mas tudo se resolveu da melhor forma possível, e ele compartilha os momentos terríveis que passou.


By Rodrigo Da Luz


Conforme a imprensa  andou noticiando e muitos espalharam pelas redes sociais, fiquei perdido três dias e duas noites neste último final de semana (23 a 25 de junho).

Gente! Minha imprudência foi enorme, mas mesmos os erros cometidos são cheios de significado.

Se eu disser que, nas minhas caminhadas anteriores jamais tive alguma dificuldade, estaria mentindo. Pois, desde 99, morando em Nova Friburgo, em que comecei a fazer minhas aventuras, ocorreram situações quando fiquei desorientado. Só que, quando não chegava ao meu destino, conseguia voltar por onde vim ou sair em outro lugar. O pior acontecimento teria sido em junho de 2001, quando eu e Núbia tentamos ir de Castália até Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu em que, tendo percorrido 2/3 da trilha, chegamos a uma antiga fazenda e não acertamos mais o caminho pois tinha várias picadas de caçadores. Aí anoiteceu e foram justamente dois caçadores que nos resgataram e nos trouxeram para a casa da família deles.

A maioria das vezes eu me dava bem! Fazia caminhadas de 6 horas sem problemas, o que me encheu de auto-confiança. Morando aqui no Rio desde meados de dezembro, fiquei ansioso por querer conhecer profundamente o território da cidade e, principalmente, esta área onde estou morando na Zona Norte. Minha compulsão por estar em novos lugares ficou a mil. De lá pra cá, fiz vários passeios e caminhadas.

Como antes eu tinha conhecido a pé uma boa parte do nosso estado e da Serra do Mar, pensei que o Parque da Tijuca fosse só um pequeno jardim. Brincadeira de Mickey Mouse pra quem se achava um grande trilheiro que já tinha andado praticamente Friburgo inteiro mais boa parte dos municípios de Cachoeiras de Macacu, Teresópolis, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Macaé e Trajano de Morais. Só que passear no meio rural é muito diferente de um parque ecológico! Principalmente porque as vias de acesso são menores e não há moradores.

Bem, mas quando eu olhava os morros da janela de casa, cada dia dava aquela vontade de ir daqui do Grajaú (bairro onde moro) até a sede do Parque da Tijuca, situada no Alto da Boa Vista, bem como descobrir um roteiro até à praia por dentro do mato. Aí soube que pessoas já faziam o roteiro, geralmente vindo do Alto da Boa Vista pra cá e outros até um lugar em Jacarepaguá chamado de Represa do Cigano. Passeios que nem são recomendados pelo parque porque fogem do circuito turístico. Porém, não quis esperar a oportunidade de pintar um passeio. Eu mesmo resolvi arriscar sozinho assim como já fazia lá em Nova Friburgo e nunca tive problemas.

Pois é. Dizer que antes disso Deus não me mandou um aviso, estaria mentindo. Quando foi no dia 3/5, saí à tardinha de casa e tinha chegado até o alto do Morro do Elefante. Não achei a trilha, o sol começou a se por, senti um certo desespero e quase me perdi. Naquele dia, consegui acertar o caminho de volta e cheguei em casa de noite, grato por não ter passado a noite ali e estar vivo.

Mas vocês acham que eu aprendi a lição naquele dia? Coisa nenhuma!

Não demorou muito pra que a minha mente justificasse que o fato de não ter achado a trilha pro outro lado do Morro do Elefante teria sido o fato de escurecer. Na manhã deste último sábado, após ter sido cancelado um evento do qual o pessoal da minha ONG participaria, resolvi então caminhar. Não avisei ninguém pra onde iria, nem levei celular, mochila, alimentos, lanterna, facão ou barra de acampamento. Simplesmente resolvi ir até o alto do Morro do Elefante e, se identificasse o caminho para o outro lado, desceria por ele. Aí, quando cheguei lá em cima, encontrei o Luiz Albuquerque vindo com seu grupo do Alto da Boa Vista pra cá. Perguntei-o se a trilha estava “limpa”, o que, no linguajar do meio rural significa “roçado”. Então, com a presença deles, senti-me super auto-confiante.

Continuei o caminho, descendo embalado e acreditando que, à tardinha, estaria na sede do parque talvez antes das 15 hs. Só que, quando cheguei num bananal é que comecei a me embananar. Fui descendo por uns vales e vi que não chegava a lugar nenhum. Retornei e não achei o caminho de volta, pelo que precisei passar a noite ali, ficando pouco acima do bananal, perto de, salvo engano, uns taquaruçus.

Só aquela noite foi num terrível teste de resistência pra mim. Sem ter me alimentado naquele dia (tomei apenas o café da manhã), dormi com estômago vazio e enfrentando o frio gelado da serra, tendo que deitar ao relento pela primeira vez na vida fora de uma barraca. Sofri uns ataques de mosquito, só que o pior mesmo foi o frio. Sabia que, sem comida, a pessoa sobrevive por dias e água tem bastante por ali. Ainda assim fiquei preocupado em não conseguir sair dali ou não ser achado.

Imaginei que minha morte seria por motivo de hipotermia e que estaria deixando este mundo de uma maneira tão sem razão. Algo bem diferente do que fizeram Jesus, Gandhi, Martin Luther King ou o nosso Chico Mendes. Meu corpo poderia ficar por lá, minha família nunca saber, ser aberto um processo de declaração de ausência até a Justiça permitir a abertura do inventário. O documento de identidade de minha mulher e o cartão da Unimed dela estavam comigo assim como a chave de um cofre onde ficam os remédios controlados dela que eu dou todas as noites pra Núbia tomar. O único conforto que tinha era o fato da ter vindo de Mangaratiba ficar conosco, o que não deixaria minha esposa sozinha dentro de casa.

Passando o aperto da primeira noite, fui procurar o caminho de volta ali pelo bananal e não consegui encontrar. Distanciei-me e fui sair num outro vale onde também fiquei andando desorientado sem encontrar alguma trilha que me levasse pra qualquer saída. As horas passaram e acabei ficando outra noite na mata que pareceu muito mais longa e fria do que a primeira. Principalmente porque ventava e meu corpo estava com menos energia do que no dia anterior. Por ser inverno, não tinha muito alimento disponível na floresta. Cheguei a comer um pouco de cana-do-brejo, folhas de assa-peixe, de bananeira e até larva, sabendo que são coisas comestíveis.

Segunda-feira, tomei a decisão de descer por um caminho a princípio aplainado entre dois morros que descia em direção ao barulho de uma estrada (a Grajaú-Jacarepaguá). Prossegui, atravessei um trecho cheio de plantas espinhosas e depois continuei andando por dentro de um rio que, por um longo percurso, parecia ser tranquilo. Tinha a esperança de que não encontrasse cachoeiras pelo caminho e fosse sair numa ponte da tal estrada onde eu subiria até o asfalto pra tomar o ônibus. Só que, infelizmente, depois de tanto andar, cheguei até o alto de um enorme precipício de onde despenca uma imensa queda d'água. Eu tava exausto para retornar e meus pés já machucados por causa do roçar do tênis no calcanhar. Achei melhor pegar um pouco de sol e descansar.

Meu corpo já doía devido ao ácido láctico. Eu estava profundamente arrependido com o que fiz, tomando providências quanto à minha possível morte de modo que raspei o código de segurança do cartão de crédito, cortei-o em dois e enterrei para o caso de alguém encontrar o corpo, não fazer compras indevidas e provocar danos à herança. Pensei muito no bem estar das pessoas que eu deixaria tipo Núbia e minha mãe.

Orei muito a Deus e pedi pelas pessoas. Achei que aquela seria mesmo a minha hora e que ainda poderia sofrer por dias até, finalmente, morrer com uma parada cardíaca porque tenho boa saúde. Disse a Deus que amo minha esposa e que, mesmo sem ela ouvir fisicamente esta mensagem, Ele a transmitisse. E, certamente, entristeci-me por estar deixando a vida tão prematuramente.

Entretanto, ainda naquela tarde, a alegria voltou ao meu coração. Ouvi uma voz na mata e respondi para ver se não era alguma alucinação (quando estive perdido várias vezes imaginava estar ouvindo alguém mas devia ser som de bicho). Então, quando recebi resposta e a mensagem para permanecer onde estava, percebi que realmente estava sendo resgatado.

Não sabia exatamente como aquilo estava acontecendo, se alguém teria escutado meus gritos de socorro na mata, e considerava bem remota a possibilidade de ter ocorrido o que de fato aconteceu: minha família ter espalhado na internet o meu desaparecimento e o Luiz Albuquerque visto a informação pelo Facebook a ponto de responder que me viu no alto do Morro do Elefante. E foi justamente isto que houve, mas que também poderia não ter acontecido. E, neste caso teria eu permanecido lá até os urubus comerem meu cadáver.

Bem receptiva, a equipe de socorro cumprimentou-me, trouxe alimento, fez curativo nos meus calcanhares e me guiou dali até uma das saídas do parque na represa dos ciganos. Eles tinham começado a busca no começo da tarde, viram os locais onde eu tinha dormido e improvisaram uma trilha para me tirarem daquele buraco. Eu pedi muitas desculpas pelo transtorno causado já que viaturas e agentes públicos foram deslocados para me salvarem, porém ninguém ali ficou me julgando mau pelos erros cometidos.

Cerca de uma hora depois, sendo já noite, cheguei até à ambulância do Corpo de Bombeiros onde, após a médica examinar e ver que nada havia de grave, ainda assim sugeriu que eu fosse ao hospital. Concordei e fui conduzido ao Lourenço Jorge, unidade municipal de saúde. Ali, dormir numa maca e num lotado corredor com luzes acesas e uns pacientes alcoolizados perturbando o tempo todo, acabou se tornando um verdadeiro hotel cinco estrelas para quem tinha passado duas noites frias no mato sobre o chão frio da serra.

Depois desta experiência, estou buscando reavaliar a maneira como tenho conduzido meus caminhos. Pedi a Deus uma nova chance de viver e Ele, na Sua grande misericórdia, me concedeu. Estou me sentindo um pouco como o profeta Jonas quando ficou três dias na boca de um peixe e também me cuido para deixar de ser estúpido como orei Ezequias que, depois de receber o livramento divino, quis orgulhosamente exibir-se diante da embaixada dos babilônicos.


“Andaram errantes pelo deserto,
por ermos caminhos,
sem achar cidade em que habitassem.
Famintos e sedentos,
desfalecia neles a alma.
Então, na sua angústia,
clamaram ao SENHOR,
e ele os livrou das suas tribulações.
Conduziu-os pelo caminho direito,
para que fossem á cidade em que habitassem.
Rendam graças ao SENHOR por sua bondade
e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!
Pois dessedentou a alma sequiosa
e fartou de bens a alma faminta.”
(Salmo 107.4-9; ARA)

Via http://doutorrodrigoluz.blogspot.com.br/2012/06/perdido-no-parque-da-tijuca.html

AOS MESTRES COM CARINHO! (Rev. Marcio Retamero)




Rev. Márcio Retamero, pastor da Igreja da Comunidade Metropolitana Betel do Rio de Janeiro e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo, RJ.

Dedico este artigo aos companheiros e companheira: Luiz Mott, Ricardo Aguieiras, João Silvério Trevisan e Míriam Martinho.

          Hoje é 28 de Junho, Dia Mundial do Orgulho LGBT! Dia de festa e comemoração; dia de relembrar nossos heróis e heroínas de Stonewall, que enfrentaram a polícia de Nova Iorque, acabando, desta maneira, com os abusos que ocorriam destes para com a população LGBT daquela cidade.

          Dias antes, numa pequena sala de estar em Los Angeles, Califórnia, nascia a “Igreja dos Direitos Humanos” – a Igreja da Comunidade Metropolitana, com 12 pessoas e U$ 3.95 de ofertas/dízimos. Troy Perry é o nome do corajoso homem que decidiu que não se calaria mais diante da homofobia produzida pela religião fundamentalista cristã e hoje, presente em 38 países da Terra, a Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana se alegra e faz festa hoje com o povo LGBT dos quatro cantos da Terra, construindo por onde passa um lugar seguro e saudável de adoração, além de militância política em prol dos direitos civis de LGBT.

          Nós – o povo LGBT – temos muitos heróis e heroínas dentro e fora da nação brasileira, pessoas que nos antecederam, nos ensinaram, nos encorajaram, nos fortaleceram e nos mostraram o caminho que devemos seguir para o avanço da cidadania gay. Pessoas essas já falecidas e outras em pleno combate, vivíssimas, graças a Deus, como Miriam Martinho, Luiz Mott, Ricardo Aguieiras e João Silvério Trevisan.

          Os que faleceram, lembro de Raimundo Pereira, deixaram um legado importante e um exemplo de luta incansável contra as hostes da injustiça e da maldade que habita o coração de uma maioria que não cede, em nome da homofobia, ao avanço da cidadania plena de gays e lésbicas; travestis e transexuais, bem como bissexuais.
          Hoje, no Brasil, nossos maiores opositores encontramos entre as hostes evangélicas de vertente fundamentalista, que com seus representantes no Congresso Nacional não deixam avançar os projetos de lei que visam a cidadania LGBT. Contra eles e a homofobia que espalham, lutamos todos os dias, tentando espalhar as trevas da ignorância e da injustiça, para um dia assistirmos o raiar do sol da justiça para o nosso povo.

          O movimento LGBT ou movimento homossexual brasileiro, infelizmente, está, em grande parte, cooptado pelos partidos políticos, notadamente o Partido dos Trabalhadores que está no poder desde a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Subvencionado pelo governo ou governos estaduais e municipais, parte do movimento se cala diante de tantas injustiças governamentais – como a suspensão do Projeto Escola Sem Homofobia – ou a fachada nunca realmente implantada do Plano de Combate à Homofobia do Governo Federal. Os militantes LGBT profissionais, que ganham dinheiro com a miséria do nosso povo, muitas vezes se cala diante da opressão, alguns, um pouquinho mais vergonhosos, escrevem aqui e ali um artigo de baixa crítica ou de justificação da atuação do atual governo petista.

          Eu lamento muito que muitos dos meus companheiros e companheiras de luta LGBT se vendam por um prato raso de lentilhas a nossa cidadania e a luta dos nossos antepassados. É triste demais perceber os conchavos, as picuinhas, as discriminações, o machismo e a misoginia dentro do movimento LGBT. Na verdade, é uma vergonha! Como decidi que neste país nenhum hipócrita gritará mais alto que eu – Troy Perry me ensinou isso – eu não me calo diante das mazelas do movimento LGBT, eivado de preconceitos e – pasmem! – homofobia!

          O movimento homossexual do Brasil, muitas vezes cego, inútil, massa de manobra e equivocado, rejeita, sabe-se lá em nome do que, a parceria com as chamadas Igrejas Inclusivas, logo elas, que podem desconstruir os argumentos falaciosos dos nossos maiores opositores, os fundamentalistas cristãos. A fogueira de vaidades muitas vezes não permite que se abra um espaço onde nós, cristãos/cristãs inclusivos poderíamos ter voz e vez, aliando-nos com eles no combate ao assalto fundamentalista ao Estado Laico, talvez “a” luta a ser travada no momento, porque nossos inimigos têm nos vencido e tem acontecido isso, porque eles, os militantes de carteirinha, que nada entendem de religião e cristianismo, não sabem derrubar um Malafaia num debate por exemplo, tampouco um ignorante em matéria teológica como o deputado federal Marcos Feliciano.

          A parte do movimento homossexual cooptado pelo PT, nessas eleições municipais de 2010, em São Paulo, por exemplo ou no Rio de Janeiro, apoiam dois candidatos – Haddad naquele e Paes neste – envolvidos até o pescoço com os fundamentalistas religiosos, o segundo já tendo recebido até oração de unção de caciques da vertente fundamentalista das igrejas cariocas, com direito a fotos estampadas nos jornais e o segundo correndo atrás destes eleitores dizendo que nada teve a ver com o Projeto Escola sem Homofobia. Esta parte do movimento deveria tomar vergonha na cara e, no mínimo, não manifestar apoio aos tais candidatos ou – o que seria muito bom, uma faxina – abandonar a luta e deixar aqueles que não se locupletam à frente deste, tornando-o mais limpo, honesto e transparente.

          No dia do Orgulho Gay eu não deveria trazer à tona tais mazelas, mas trazer à memória o que nos pode dar esperanças e por isso dediquei este artigo aos que considero heróis da nossa história homossexual brasileira, porque neles ainda arde a chama por justiça de fato, avanço da cidadania LGBT de fato e conquistas de direitos; pessoas que não venderam o nosso direito à primogenitura por um prato – raso e azedo – de lentilha$.

          Como militante LGBT e pastor do meu povo, me preocupa muito o atual estado de coisas no movimento e fora dele, como por exemplo, a situação da nossa terceira idade LGBT, jogada e esquecida nos asilos pertencentes, muitos deles, às igrejas fundamentalistas, onde têm de voltar pro armário, depois de uma vida fora dele ou as chacotas a que são submetidos, sejam nos bastidores – inclusive do movimento – seja na cara mesmo, quando resolvem se divertirem numa balada LGBT.

          O preconceito que combatemos fora do movimento mora dentro dele: homofobia, machismo, misoginia, preconceito religioso, étnico, de origem e etário. Isso nos assola e nos desune, posto que pessoas como eu e outras tantas, não aceitam tal estado de coisas, bem como não se calam diante delas! As guerras intestinais do movimento homossexual brasileiro, infinitas e sem data para acabar, também é algo de nos deixar desolados e de cabelos em pé, além dos seus conchavos e velanias de bastidores. É triste, mas alguém tem que levantar a sujeira debaixo do tapete e nada melhor que o dia de hoje, para refletirmos sobre tais mazelas.

          Eu sei que não estou sozinho na luta e que outros e outras estão comigo, contudo, alguns se calam porque perderam o vigor e a coragem, outros se omitem por temer represálias e ostracismos, como não temo nenhuma das coisas elencadas, mostro o que tem de ser mostrado, para que haja mudança de fato no atual estado de coisas, principalmente entre os caciques e os poucos índios calados que lhe são submissos.

          Os homens e a mulher a quem dedico este artigo me dão forças e esperanças de dias melhores para os que tiverem coragem de enfrentar de peito aberto e corajosamente os que estão no comando da luta e detém o poder hegemônico dentro do movimento LGBT; eles me dão com seus exemplos de vida força e vigor, além de destemor diante de tudo o que é podre e azedo, a fim de clamar por mudanças e por revolução, sim, revolução, por um movimento apartidário, não cooptado, pelego e que não se deixa vender por poucas moedas de Real.

          Contra a homofobia, inclusive a que nos assola de dentro, a luta é todo dia!

          Haja esperança! Feliz dia do orgulho LGBT, meu povo! Garra, força e destemor! Uni-vos! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Igreja Universal dormindo com o inimigo



By Luís Fernando de Almeida*


Igreja Universal dormindo com o inimigo

Recebi em casa um panfleto da Igreja Universal do Reino de Deus convidando-me para uma espécie de banho de luz que me traria libertação financeira. Como minha vida financeira faz parte de toda uma engrenagem política e econômica sobre a qual é sabido que Deus nenhum costuma intervir, resolvi proceder a uma reflexão sobre o primeiro ponto que me saltou aos olhos nesse marketing neopentecostal: o pacto com o inimigo.

A prática litúrgica da IURD, calcada na Teologia da Prosperidade, adota um misticismo semelhante ao dos xamãs e pajés, e incorpora conceitos ritualísticos de seus inimigos, a saber, umbanda, candomblé e espiritismo.

No campo religioso, tudo é impregnado de simbolismo, e com o cristianismo não é diferente. Exemplos disso são o batismo representando um novo nascimento e a eucaristia representando o sacrifício de Cristo. Segundo Justo Gonzales (2007, p.33), o cristianismo adotou, desde o período de Constantino, formas litúrgicas simbólicas, como, por exemplo, o culto do Sol Invicto:

“Constantino interpretava a fé em Jesus Cristo de uma maneira que não o impedia de adorar a outros deuses. Seu pai já tinha sido devoto do Sol Invicto. Este era um culto ao Deus Supremo, cujo símbolo era o sol, mesmo não negando a existência de outros deuses. Parece que Constantino, durante boa parte da sua carreira política, pensou que o Sol Invicto e o Deus dos cristãos eram o mesmo ser, e que outros deuses também eram reais e relativamente poderosos, apesar de serem divindades subalternas. Por esta razão Constantino podia consultar o oráculo de Apolo, aceitar o título de sumo sacerdote dos deuses tradicionalmente conferidos aos imperadores, e participar de cerimônias pagãs de todos os tipos sem pensar com isso estar traindo ou abandonando o Deus que lhe tinha dado a vitória e poder.”

Com a modernidade, cristãos e não-cristãos passaram a ansiar as mesmas coisas, e ambos igualmente têm suas vidas atravessadas por um desejo de consumo e apelos de prazer. O cristianismo histórico dá pouca atenção a tais demandas, enfatizando os bens espirituais. Com isso, os neopentecostais vieram preencher tal lacuna, ao darem livre âmbito a nossos desejos mundanos de prosperidade material. O gerenciamento pentecostal de nossos desejos mundanos se dá mediante um panteão de símbolos que se assemelha ao panteão de deuses romanos. O discurso sacerdotal é que sustenta e legitima tal panteão simbólico.

As igrejas neopentecostais, como a IURD, operam uma simplificação máxima do mundo e tornam-no facilmente inteligível mediante um conceito tradicional cristão, qual seja, o diabo. O problema do mal, para o qual o cristão histórico não raro procura respostas racionais, no neopentecostalismo é explicado inteiramente, e à exaustão, pelo conceito de diabo. É por culpa dele que temos problemas financeiros, que nossos relacionamentos afetivos nos frustram, que existe violência, desastres, etc. Tal conceito eximiu os neopentecostais da necessidade de uma teologia sólida para enfrentar os problemas do mundo.

A doutrina da Iurd tem como principal agente a pessoa do diabo, e não a de Cristo. A atribuição de poderes ao diabo foi fundamental para a ampliação das fronteiras do império de Macedo, tal como diz Ricardo Mariano (2010, p. 54): “Macedo vai, em parte graças ao Diabo que tanto ataca, interpela e humilha, construindo a passos largos seu império”.

Vale lembrar que a figura do diabo está muito mais presente no imaginário evangélico do que no católico. Os pentecostais igualmente instrumentalizam tal conceito para explicar o mundo, mas no neopentecostalismo esse é um traço marcante.

Ocorre que no Brasil, para essas religiões, o diabo se tornou mais palpável, ganhando uma realidade muito mais imediata: as entidades afro-brasileiras. Passou-se a identificar não apenas o Exu, que se aproxima mais do diabo cristão, mas toda e qualquer entidade com o diabo. Como diz Reginaldo Prandi, pesquisador das religiões afro-brasileiras: “Esse diabo tem que estar muito próximo, o diabo pentecostal você vê, você pode tocar. Uma pessoa em transe é uma pessoa que tem o diabo no corpo, você bate nela, você pode xingar o diabo, você transforma o diabo numa coisa muito próxima, muito fácil”.

A situação começa a ficar estranha quando se atenta para o fato de que nas reuniões e campanhas da IURD é comum o uso dos elementos mágicos dos cultos encontrados nas superstições populares do Brasil e nas religiões de matriz africana, entre eles o sal grosso (para afastar maus espíritos); a rosa ungida (usada nos despachos e nas oferendas a Iemanjá); a água fluidificada (usada por credos espiritualistas a fim de trazer a influência espiritual para o corpo humano); fitas e pulseiras (semelhantes na sua designação as fitas do chamado Senhor do Bonfim); o ramo de arruda (usado para afastar o mal); o pão abençoado (que tem o poder de curar doenças); e uma quantidade enorme de apetrechos aos quais se emprestam supostos valores espirituais que podem ser passados aos seus usuários.

Leonildo Silveira Campos (1997, p. 79) escreveu que “A mentalidade mágica, presente em vários grupos neopentecostais, nunca considera que seus objetos são portadores de poderes mágicos, mas sim meios para que ocorra uma manifestação divina”, mesmo que esses objetos sejam idênticos às doutrinas combatidas, e ainda: “Em outras palavras, os objetos cúlticos dos concorrentes estão carregados de magia negativa, enquanto os próprios conseguem ser um eficiente meio de comunicação com Deus” (CAMPOS, 1997, p. 79). Ou seja, a Iurd condena práticas religiosas e simbólicas da mesma forma que as adota.

Enquanto isso acontece, a umbanda, religião mais atingida pela propaganda pentecostal, talvez justamente por abrigar os Exus e a pomba-gira, tem perdido fieis, de acordo com as últimas pesquisas.

Pode se dizer que os neopentecostais, deliberadamente ou não, têm dormido com o inimigo e estão recolhendo todos os seus despojos. Assim, nessa abertura sincrética, constroem impérios e asseguram seu lugar ao sol no mercado de bens simbólicos.

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*Apresentando o mais novo colaborador do blog Mundo Da Anja em sua primeira (de muitas) participação:



Luís Fernando de Almeida

Tem 24 anos e é estudante de filosofia pela Unifesp. É uma pessoa atormentada por questões teológicas, filosóficas e metafísicas. Tem interesse em pesquisa nas áreas de ciências da religião, filosofia da mente, psicologia e antropologia. Apesar de ter uma alma eminentemente religiosa, gostaria de ter fé suficiente para se declarar devoto de Nossa Senhora.

Confira a pag de colaboradores no link 


domingo, 24 de junho de 2012

O Pecado involuntário







By Altamirando Macedo


O grego Orígenes (182-254), escritor eclesiástico e professor da Escola de Catequização em Alexandria, era o teólogo mais eminente da antiguidade cristã e o primeiro defensor de uma pesquisa bíblica crítica. Com sua formação platônica, Orígenes deu à “Escritura Sagrada” interpretações alegóricas tornando-a acessível à mentalidade da época. O quinto concílio condenou o dissidente e proclamou a sua exegese como desvio da fé.  “Aquilo que, doravante, deve ser aceito como a fé verdadeira, será proclamado única e exclusivamente pela alta hierarquia eclesiástica, inspirada pelo ES, a cujo cargo fica a convocar as pessoas devidamente inspiradas”.  Com esta deliberação conciliar, teve início a perseguição não somente aos numerosos adeptos de Orígenes, mas a todas as pessoas de credos diversos.

A Bíblia não é a “palavra de Deus”. Os ensinamentos da fé elaborados nos primeiros cinco concílios por toda uma legião de príncipes da igreja, apesar do carisma dos conciliares, não foram inspirados pelo Espírito Santo. Para o leigo crente e simples, isto constitui um choque muito forte por se encontrar despreparado.

O que acontece com Jesus? Existiu? Deu seu sangue na cruz por “nós, pecadores”? Teria pregado, ele próprio, o que relata o Novo Testamento? E, se os textos supostamente divulgados por Jesus não foram de sua autoria, de onde provêm as 1500 cópias dos textos primitivos? Um só personagem dos muitos que sofreram a morte na cruz não pode sustentar e perpetuar tamanho culto à pessoa. Todavia basta, por exemplo, ler os comentários feitos pela junta de autores a respeito de “Jesus, Filho do Homem”, de Rudolf Augstein, para nesta tentativa de contestação, reconhecer a antiquíssima técnica que Joachim Kahl qualificou de “encobrimento”.

Os teólogos cristãos constituem em pedra angular da religião cristã, o dogma religioso, o dogma de Jesus e exigem validade inconteste deste poder não comprovado. As centenas de milhares de pastores e padres de todas as igrejas cristãs perderiam a si próprios e o seu cargo se não pudessem mais agir em “nome de Jesus”. Honestamente e sem leviandade, deveriam dizer ao seu dizimista, sentado ali na 13ª fileira de bancos da sua luxuosa nave central que Jesus de Nazaré não é o “Filho Unigênito de Deus” e jamais se proclamou como tal. A que título as igrejas cristãs invocam um Jesus que não existe, ensinamentos que ele não deu, autoridade que ele não outorgou e uma qualidade de filho que ele jamais reclamou?   “Pois não me foi dado crer simplesmente porque para tanto fui mandado”.

Ao longo de dois milênios, desde o nascimento, o cristão carrega um fardo intolerável. Explica-se a ele que já nasceu manchado pelo pecado original e, para livrar-se deste, precisa do “Salvador”. Aprendemos na igreja que Deus é o começo e o fim de tudo, que é o alfa e o ômega, que Deus é todo-poderoso, todo-bondoso, todo-justo, onisciente, sublime, eterno e onipresente. Este é o conceito que aprendi sobre Deus. Mas Deus também é infinito por ser eterno. Ele desconhece o hoje, o amanhã. O Deus eterno e onipresente não precisa esperar pelos resultados de suas medidas já que os conhece de antemão. Pois, pois...

Deus em sua infinita bondade brindou duas pequenas e ingênuas criaturas humanas com a estada no paraíso, o lugar de alegria e felicidade. Os eleitos foram denominados Adão e Eva que viveram dias despreocupados, sem anseios nem saudades. Mas havia uma proibição feita por Deus:  Comer a fruta do conhecimento, aquela árvore era proscrita. É estranho. Porque o Todo-poderoso deu proibição tão rigorosa?  Teria Ele, tido prazer com aquele jardim de infância? Poderia Deus participar do sentimento humano?  Deus queria dar o amor e desejava que os dois participassem do seu reino. Segundo esta interpretação, Deus teria ansiado por companhia ou amor. A meu ver estes sentimentos não condizem com Deus, que, em sua qualidade de todo-poderoso se sente irrestritamente feliz. Afirmar que Deus queria tentar Adão e Eva fazendo-os passar por uma prova seria uma visão mesquinha sobre Deus? “Tentação e prova” seria jogar com cartas marcadas. Uma trapaça? Já que, de antemão, Deus, “onisciente” conheceria o resultado desta tentação e prova. Não vale dizer que Adão e Eva estavam perfeitamente  à vontade para comer ou não da árvore do conhecimento, pois, também a este respeito, Deus teria sido informado de antemão. De qualquer modo vamos levar a ideia até o fim. Suponhamos que eles não tivessem mordido a maçã paradisíaca. Neste caso, Adão e Eva, nús, continuariam brincando no paraíso até hoje? O que teria acontecido se, sem provar do fruto proibido, jamais tivessem ficados cônscios de sua nudez e com isto das suas possibilidades de procriação? Haveria Deus, então, ter criado homens e mulheres em série? Homens e mulheres que por sua “livre e espontânea vontade”, jamais teriam almejado o conhecimento, por obedecerem à proibição divina? É inútil dizer que  Adão e Eva foram induzidos a comer a maçã que houve tentadores, o Diabo ou a serpente. Toda criatura provém de Deus, assim aprendemos. Por conseguinte, o Diabo e a serpente também foram criados por Deus. Teria, então, o Deus bondoso criado o Diabo e a serpente para fazer parte do circo  e com sua assistência, provocar os seres humanos simplórios? E se assim  fosse, porque Deus ficou tão ofendido com a refeição vegetariana, a ponto deste pecado ficar inexterminável no mundo por ele criado?  Ele sabia o que iria acontecer. Sinto um Pastor me puxando pelo braço: não foi bem assim não; Lucifer, o Diabo, era um renegado do reino celeste de Deus. Não entendi Pastor... Um renegado ao reino celeste de Deus? Como? Se o “reino do céu” equivale à felicidade, conforme está sendo prometido aos fiéis, então por lá não pode haver oposição, nem rebeldes, nem renegados. Ou é ou deixa de sê-lo. Se o reino de Deus garantisse  o estado da felicidade completa, dificilmente “Luc” teria a ideia de agir contra Deus. Se, porém, no Reino do Céu não existiu a felicidade absoluta, então Deus não teria sido onisciente bastante para criar tal clima. Vou dar razão aos que  não encontram motivação lógica para a contenda entre Deus e o Diabo. Antes de Lucifer ter se aproximado do casal paradisíaco, para tentá-lo, Deus deve ter sabido que a tentação vingaria. Na questão do “livre arbítrio” de Adão e Eva, mesmo com a inclusão de “Luc” assume aspecto de Deus “ex machina”, pois tanto Lucifer como Adão, Eva ou a serpente agiram dentro da vontade e da ordem recebida de Deus, o onisciente. A história do criacionismo se faz sem pé nem cabeça, além do mais eu não gosto de maçã nem pequei involuntariamente.

Se quiserem saber mais, minhas fontes são: Sam Harris, Richard Dawkins, Erich Von Däniken, Stephen Hawking e outros cristãos.

Texto postado originalmente na confraria Logos & Mythos sob o link: http://logosemithos.blogspot.com.br/2012/06/o-pecado-involuntario.html e editado pelo autor para postagem no blog Mundo da Anja

Altamitrando querido, grata por sua preciosa contribuição.


A abominação "sagrada" da bíblia




By Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.

Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?

Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?

Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda sequer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?

Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários à vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente  no blog:http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html

E também no blog pessoal de Marcio http://outroevangelho.blogspot.com.br/2012/06/opiniao-sincera-de-um-ex-crente-e-atual.html com o título: “A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia sagrada”

sábado, 23 de junho de 2012

Visões do Profeta EREZIAS



lOKAVENTURAS PENTECA OS TAIS




Epístola que psicografou o Profeta EREZIAS secretário do Pai Kilin de Yeshua

Ficha técnica: 666 mega-pixel de alta definição em revelação instantânea com clarevidência em 3D


VISÃO de Erezias, filho de Dalai Brahma, neto do Guru Skol, a qual ele viu depois de ter consumido socialmente 20 doses de Pitúacompanhado de umas garrafas de 51.

No ano em que a Mangueira entrou na Sapucaí e a borracha cumeu sôrto no Anhembi, “Bumbum Paticumbum Prugurundum”, foi o incenso que subiu até minhas ventas, diz o Sinhô Caô!

Estava eu próximo ao Sagrado Tonel de São João da Barra na província de Pirassununga, quando me assombraram terrores noturnos do Karma que haveria de sofrer o reinado de Gospelândia.

Disse-me o Guardião do Taxo Fervente que tem em suas mãos as sete chaves e treze michas¹ do Caldeirão dos Quinto:

KARMA Erezias, KARMA! KARMA que o tempo ainda não é chegado! Escreve a visão e anuncia no facebook, no twitter e no orkut, pois a rebordosa virá e não tardará sobre esse zé povinho.

Ouviste o que foi dito aos antigos: 1000 chegará e 2000 não passará. Eu porém vos digo: Largues a mão de ser besta mané, pois Nostradamus cheirou cola na meia em que Judas perdeu as botas e coou chá de lírio nela para Milhomens tomar.

Indignado e marrento retruquei: Purralhos!!! Até quando Sinhô, até quando batucarei e pagodearei eu e tu não escutarás? Até quando me condenarás a escutar Justin BieberRestart e Distante do Tronosem direito a me embriagar?

Por que razão me fazes ver ainda os atos frenéticos, as sessões do descarrego, as terapias do amor e os asnos proféticos? Porventura joguei eu pedra na cruz para que tu viesses me sacanear?

Disse então o Sinhô: Meu povo perece por falta de cacete imenso² Erezias!

Beje de xilique gritei: Oh my Darling!!! Tadim de mim, que vou perecendo! Sou bofe de lábios impuros, e habito no meio de um povo feio e carçudo, e os meus olhos ficaram serelepes pelo Nei, o Bombadão dos Exércitos!

Macacos me mordam Erezias! Conexão de download das visões interrompidas! EXE Details³Encosto na linha!!! Encosto na linha!!! Encosto na linha!!!

Nota:
¹Michas: Chave abre tudo de alta tecnologia desenvolvida por cadeeiros especializados
²Cacete imenso: Período extenso em que alguém é submetido à uma grande surra
³EXE Details: Detalhes dos arquivos extensivos revelados ao profeta

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