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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Esperar ou esperançar


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By Donizete Via Assembereano(link)

“Disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos contigo é estreito demais para nós. Vamos até o Jordão, tomemos de lá, CADA UM DE NÓS uma viga, e construamos um lugar em que habitemos”.

Dizem que a decadência de uma sociedade começa quando o homem pergunta a si próprio: “o que irá acontecer? Em vez de inquirir: o que posso eu fazer?

A decadência , seja ela na sociedade mais ampla, seja em quaisquer instancias como família, trabalho, política, igreja etc. Principia quando o imperativo ético da ação é substituído pela acomodação e pela espera desalentada.

Isto acontece quando abrimos mão do dever que emana da liberdade de poder fazer, de fazermos uso da nossa possibilidade, ainda que limitada, de intervenção consciente. Isto se deve a um sorrateiro entorpecimento que acomete a muitos de nós, aniquilando pouco a pouco a nossa capacidade de reagir e apontar como fora do lugar muitas coisas que precisam se encaixar na vida cotidiana.

O fato é que nos tornamos experts na arte da crítica. Temos uma sensibilidade incomum para notar e apontar defeitos e falhas em qualquer segmento da sociedade, sobretudo no ambiente em que vivemos.

Estamos nos acostumando com rapidez e sem resistência ativa, com desvios que parecem fatais e inexoravelmente presentes, como se fizessem parte da vida e não há nada que se possa fazer para ser solucionado. É a prostração como hábito. É a fatídica e equivocada sensação de impotência individual que no fundo é a mais exata expressão de egoísmo e indiferença, mesmo sabendo que somos diretamente afetados como cidadãos. É aquela zona de conforto que estacionamos a nossa carruagem da vida, e caímos naquele conceito despolitizado de que o mundo é assim, que a vida é assim, e que nada posso fazer para mudá-la?

O texto sugerido aponta para um evento onde as pessoas envolvidas num problema não se limitaram a apontar as deficiências ou se acomodaram na perspectiva de que surgisse alguém capaz de resolvê-lo. Não se acovardaram ante uma demanda. Como disse alguém: “a covardia tende a projetar nos outros a responsabilidade que não se aceita”. Não ficaram estagnados, possuídos por um sentimento de resignação, conscientes que estava em suas mãos, literalmente falando, a potencialidade de soluções. Em suma: não foram cúmplices passíveis a espera de um milagre.

Podemos argumentar que temos esperança de que um dia as coisas mudarão...

Mas como dizia o brilhante educador Paulo Freire: não se pode confundir esperança do verbo esperançar com a esperança do verbo esperar. Alias, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não tem mais alternativas que a vida é assim mesmo...Violência? o que posso fazer? Espero que termine... Desemprego? O que posso fazer? Espero que resolvam... Fome? O que posso fazer? Espero que impeçam... corrupção? O que posso fazer? Espero que aniquilem... Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de algum modo.

E se algo que tanto Paulo freire como Cristo fez o tempo todo foi incendiar a nossa esperança.

Abraços.  
Donizete 

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