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terça-feira, 5 de junho de 2012

Filosofia suja e empoeirada na existência (By Marcio Alves)




By Marcio Alves


Começo este meu texto com uma pergunta que será decisiva para compreensão e sustentação do mesmo, responda com sinceridade meu caro leitor, qual a pergunta mais importante para você: a) “Deus existe?” ou b) “Como tratar da doença do meu filho (por exemplo)?”.

O que quero demonstrar com isto é que na verdade a filosofia, principalmente a teologia, como filosofia abstrata da metafísica há muito perdeu sua relevância na vida diária das pessoas tidas como “comuns”, porque elas estão muito mais preocupadas com problemas “reais” e situações vivenciadas do que dilemas abstratos e/ou divagações filosóficas do tipo “o que é a verdade?” “existe liberdade?” “o que é real e/ou ilusão?” “o que é a vida?” “o que é o ser humano?” e etc.

Qual o peso de sabermos sobre questões como Deus, paraíso, vida após a morte, anjos e demônios e o sentido da vida? Estas questões irão ajudar você meu caro leitor a resolver seus problemas cotidianos? E o mais importante: por ventura você conseguirá responder a essas questões há centenas de anos debatidas pelos filósofos que não chegaram a um consenso?

Pois, mais importante do que sabermos o sentido da vida é sabermos qual o sentido que nós estamos dando para as nossas vidas!

Por isto é que a filosofia só não perderá sua relevância e importância se for aplicada aos dilemas circunstanciais da vida.
Neste sentido temos que fazer uma inversão milenar na filosofia, indo na contramão da própria filosofia, pois os assuntos tidos como mais importantes, valorizados, estudados e discutidos até então para a filosofia histórica, deixaria de ser o alvo principal para se tornar secundário, e passaríamos a valorizar muito mais dando total importância e atenção para os assuntos tidos até então como ordinários e corriqueiros, pois a vida é feita muito mais destes últimos.

É por isso que a filosofia cada vez mais tem que ser “filosofia de rua” e cada vez menos “filosofia de gabinete”, pois às vezes debatemos assuntos tão irrelevantes como: “Deus, céu, sentido da vida, vida após morte”, e esquecemo-nos do que realmente tem relevância para as pessoas mortais: “dinheiro, relacionamento, trabalho, a rotina do dia a dia”.

Sabe por que meu caro leitor? (aqui vai uma alfinetada no cristianismo histórico, pois como sempre não poderia faltar) porque há muito tempo as religiões vem enganando os seus seguidores, como sendo enganados por eles mesmos, pois no fundo por pior que seja a situação, e por mais “fé” (eu chamo de condicionamento) que o sujeito possa ter em um paraíso, em outro mundo eterno, perfeito e feliz, ninguém em sã consciência quer morrer e deixar essa existência, e sabe por quê? Porque no fundo no fundo elas mesmas não acreditam, só não se deram conta disto ainda.

É por isso que o cristianismo hoje tem sido mais do que nunca contextualizado no “chão desta terra”, sendo muito mais existencial do que espiritual, e, isto para não perder a relevância.

Já não faz mais sentido – e, muitos líderes religiosos tais como Ricardo Gondim, Caio Fabio, Ed. Rene Kivitz entre outros sabem disto – pregar mais sobre anjos, demônios, céu, inferno, apocalipse entre outras coisas que eram – e ainda são para algumas vertentes do cristianismo ortodoxo que ainda insiste em ficar paradas no tempo – tidas como mensagens principais no cultos.

Hoje, os pastores que procuram contextualizar os seus sermões, parecem mais psicólogos falando sobre relacionamentos.

É a nova roupagem da reformulação religiosa, que deixam de ser filosofia de gabinete para virarem literalmente filosofias de rua, pois é na e pela existência que é feito a vida.

Seria então o fim para sempre das religiões? Claro que não. Com esta urgente e necessária reformulação e roupagem existencial, “naturalizando” ao invés de “espiritualizar” o homem, mundo e vida, a religião dá um passo importante e decisivo para contribuição do amadurecimento e responsabilidade humana, ganhando apoio e simpatia inclusive de ateus – sendo eu, um deles.

Meu amigo Marcio alves escreveu este excelente texto exclusivamente para meu blog, pois vem de encontro ao drama que tenho vivido, sentido na pele e nos ossos. 

Marcio, muito obrigada querido. É um prazer te-lo como um de meus colaboradores e presente em meu mundo.
Licença Creative Commons
Filosofia suja e empoeirada na existência de Marcio Alves é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Baseado no trabalho em omundodaanja.blogspot.com.
Perssões além do escopo dessa licença podem estar disponível em http://outroevangelho.blogspot.com.br/.

8 comentários:

Matheus De Cesaro disse...

Texto fantástico!!! Gostei mesmo!

Claudio Nascimento disse...

Acho bobagem, o papel da filosofia é exatamente questionar, em contrapartida a teologia, a politica partidária, e outras ciências já vem com a resposta.
Quem não tem tempo para pensar recorre a politica pronta representada pelos partidos ideológicos, e a religião.
Enquanto que a filosofia na sua essência visa principalmente derrubar axiomas, e dogmas, coisas criadas pela religião e politica, para assegurar o poder, sobre corpos e mentes.
Não existe tal filosofia de botequim isso é um esteriótipo pejorativo a todo aquele que entra pela senda do questionamento.

Claudio do Nascimento Souza.

José Lopes disse...

Excelente texto, o papel da filosofia, é buscar e a essência, a raiz dos fatos.

ORMES DE PAULA disse...

Qual é o papel da filosofia, se ela não tem de nos libertar da ignorância e nos elevar ao saber? É que só ela nos traz o entendimento da aparência como aparência. Porque vivemos na aparência, mas não sabemos, uma vez que, ao contrário, deixamo-nos levar continuamente a absolutizar aquilo que nos aparece, e, em vez de deixá-lo valer unicamente nos limites da aparência, nós o supomos valendo pelo "ser" mesmo, e pela essência das coisas, o que nos conduz a rejeitar, a "refutar", a abolir as outras versões, que, no entanto, são sentidas e vividas por outros. Ela nasceu na Grécia Antiga no século 6 a.C., como um meio de buscar conhecimentos diferentes daqueles apresentados pela mitologia, num tempo onde a religião explicava desde os fenômenos da natureza até os fatos do cotidiano. "O mundo era interpretado pela mitologia, por isso existiam deuses para tudo. A resposta para as coisas eram sempre 'porque deus quis'. Chegou um momento, no entanto, em que o mito não dava mais conta de explicar tantas novidades".
O papel da religião é o de explicar os conteúdos existenciais do ser humano: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para aonde vamos depois da morte. Quando indagamos sobre o papel da religião, associamos-lhe a ideia do sentimento religioso, um dos mais complexos sentimentos que fundamentam a essência do ser humano. É um sentimento natural, como se vê claramente na Lei de Adoração. É sempre uma reverência ao Criador, ao Ser Supremo, ao Ser Sobrenatural, ao Desconhecido etc. Ele, em si, independe da razão, da inteligência, da cultura, do estudo. É natural, e por isso mesmo adquire diversas formas.
A espiritualidade, a vontade de buscar uma entidade divina que guie nossas vidas através do bem, é um instinto que nasce dentro de cada um. A necessidade de se associar a um grupo de pessoas para compartilhar essa espiritualidade gera regras de comportamento que muitas vezes não se adequam mais aos padrões sociais da vida atual.
Promessas de mudança de vida imediata e não na salvação fazem com que fiéis contribuem e muito com dinheiro a seus pastores. Templos milionários em muitos países. Quem assistiu à entrevista de Edir Macedo viu que ele é um empresário muito bem sucedido. Um empresário de Deus. Uma de suas declarações, extraídas de uma revista, deixa claro sua missão: "Se Deus é um homem rico, porque eu que sou seu filho teria que viver miseravelmente?". Talvez o grande comandante evangélico se esquecesse de que a riqueza de Deus não é material.
No geral acho que as ideologias deveriam introduzir um Deus de amor, um Deus de compreensão, e focar suas regras morais e familiares nas tendências da vida social das pessoas na atualidade. Quebrar paradigmas de condutas defendidas por muitos anos. Criadas numa época onde os mais humildes não tinham direito a pensar, a tomar as rédeas de sua vida, questionar e a dialogar.
Ormes de Paula.

Marcio Alves disse...

Caros amigos

Matheus De Cesaro e José Lopes obrigado pelo elogio, mas confesso que adoraria mesmo é saber lendo a opinião e interpretação de vocês do meu texto, pois todo leitor é um “co-autor”, ou seja, um autor também que interpretou reescrevendo o texto lido segundo sua experiência de vida.

Claudio Nascimento sua critica é bem vinda, mas saiba que de maneira nenhuma nego em meu texto a contribuição da filosofia, até porque seria loucura, pois foram, naquele tempo, dado o momento histórico, essenciais, mas antes, reitero que é preciso focar também e principalmente nos dilemas “pequenos” da vida diária, porque são estes que toda humanidade compartilham e que realmente nos preocupam.

Olhe para si mesmo e me responda com sinceridade: durante esta semana quais foram os seus principais pensamentos e preocupações?
Se existe verdade absoluta? Se existe uma natureza humana pré-dada? O que é real e ilusão?
Ou, com seu trabalho, casamento (se for casado), como pagar as suas dividas, suas preocupações com o seu futuro, formação acadêmica (caso não seja já formado), com seus filhos (caso tenha), com problemas de saúde (seu ou familiares)?



ORMES DE PAULA obrigado pela sua rica contribuição, pois de fato, a grande diferença da religião para filosofia é que a primeira dá respostas prontas, petrificadas e inquestionáveis para o ser humano, já, a filosofia nos faz perguntas que é a grande responsável pela evolução humana, pois as perguntas, e não as respostas, é que nos impulsiona abrindo caminhos antes desconhecidos.

Meu abraço e obrigado a todos meus amigos que leram o meu texto!

Marcio Alves disse...

Anja a você meu muito obrigado por me conceder este espaço especial para postar minhas ideias, mas, principalmente pela sua carinhosa amizade.

Anja_Arcanja disse...

Grata eu querido Marcio pelo carinho de sua amizade e pelo prazer de te-lo aqui no meu mundo!

Bjux querido

Anja

Claudio Nascimento disse...

Caro, Marcio.
Se quis dizer que nos preocupamos muito com questões existenciais do que com questões cotidianas. Acho que com uma simples frase como a supracitada. Creio que deveria ser mais categórico. e talvez em poucas linhas teria se expressado melhor.
Em relação ao que escrevi não preciso mudar nenhuma linha ou palavra pois você mesmo concordou comigo.
Eu poderia não gastar energias fazendo essa tréplica, já que meus problemas cotidianos são muitos e a resolução deles requerem muita atenção e um projeto bem elaborado.
Mas eu me importo sim com a sua opinião, e não estou aqui para defender nenhuma bandeira, nem criar um debate sobre sua questão filosófica, porem creio no axioma que diz: É conversando que a gente se entende.
E por acreditar nisso não quero debater quem esta com a razão, mas através do dialogo chegar a um consenso, e isso só é possível através da filosofia, pois se formos debater religião por religião ou ideologias politicas não haverá Serves no mundo que comportem o Histórico de nosso debate, isso no nível comum, imagina no acadêmico do qual não faço parte.
Mas seu texto é meio confuso primeiro porque iguala a Filosofia a Teologia, esse é o primeiro ponto de que discordo.
Segundo que as questões mais fúteis da nossa vida se baseiam nas questões levantadas pelos Filósofos porem eles usaram de mais complexidade, e aquilo que eles falaram sobre o macro pode ser aplicado ao micro.
Terceiro é em uma das suas frases você critica os Religiosos de Trazerem o seu discurso dialético sofisticado para o nível mais baixo e cotidiano das pessoas como: Relacionamento e finanças!! Ora eis ai uma contradição, é fato que eu também sou contra a Teologia em todas suas convenções mais não descarto o conteúdo histórico de sua mitologia, mas nem por isso uso do Sofismo para debate-la, já que até um Ateu poderá rebater-me se assim fizer.
Então Fica assim: Filosofia não é Teologia. Mesmo que a Igreja tenha levantado Filósofos como Tomás de Aquino e o ex maniqueísta Agostinho. Assim como a Igreja Tinha cientistas como Copérnico mas nem por isso deixou de perseguir Galileu, Isaque Newton etc.
Segundo, Sem filosofia vamos fechar todos os Blogs, já que não teremos base para "Conversar" sobre nada, e assim cada um vai na sua opinião pré formatada, pré concebida, pré-conceituosa e até condicionada por sofistas profissionais Profissonais como Pastores e políticos.
Seria o adeus ao mundo da Razão e o bem vindo ao mundo do mais forte.
Terceiro, sem filosofia nunca que eu poderia arrazoar com razão sobre as questões mais pequenas da minha vida pacata.
Por isso que não vou responder a sua réplica deixo acima o que já escrevi, espero que entenda. Abraços.

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