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domingo, 24 de junho de 2012

O Pecado involuntário







By Altamirando Macedo


O grego Orígenes (182-254), escritor eclesiástico e professor da Escola de Catequização em Alexandria, era o teólogo mais eminente da antiguidade cristã e o primeiro defensor de uma pesquisa bíblica crítica. Com sua formação platônica, Orígenes deu à “Escritura Sagrada” interpretações alegóricas tornando-a acessível à mentalidade da época. O quinto concílio condenou o dissidente e proclamou a sua exegese como desvio da fé.  “Aquilo que, doravante, deve ser aceito como a fé verdadeira, será proclamado única e exclusivamente pela alta hierarquia eclesiástica, inspirada pelo ES, a cujo cargo fica a convocar as pessoas devidamente inspiradas”.  Com esta deliberação conciliar, teve início a perseguição não somente aos numerosos adeptos de Orígenes, mas a todas as pessoas de credos diversos.

A Bíblia não é a “palavra de Deus”. Os ensinamentos da fé elaborados nos primeiros cinco concílios por toda uma legião de príncipes da igreja, apesar do carisma dos conciliares, não foram inspirados pelo Espírito Santo. Para o leigo crente e simples, isto constitui um choque muito forte por se encontrar despreparado.

O que acontece com Jesus? Existiu? Deu seu sangue na cruz por “nós, pecadores”? Teria pregado, ele próprio, o que relata o Novo Testamento? E, se os textos supostamente divulgados por Jesus não foram de sua autoria, de onde provêm as 1500 cópias dos textos primitivos? Um só personagem dos muitos que sofreram a morte na cruz não pode sustentar e perpetuar tamanho culto à pessoa. Todavia basta, por exemplo, ler os comentários feitos pela junta de autores a respeito de “Jesus, Filho do Homem”, de Rudolf Augstein, para nesta tentativa de contestação, reconhecer a antiquíssima técnica que Joachim Kahl qualificou de “encobrimento”.

Os teólogos cristãos constituem em pedra angular da religião cristã, o dogma religioso, o dogma de Jesus e exigem validade inconteste deste poder não comprovado. As centenas de milhares de pastores e padres de todas as igrejas cristãs perderiam a si próprios e o seu cargo se não pudessem mais agir em “nome de Jesus”. Honestamente e sem leviandade, deveriam dizer ao seu dizimista, sentado ali na 13ª fileira de bancos da sua luxuosa nave central que Jesus de Nazaré não é o “Filho Unigênito de Deus” e jamais se proclamou como tal. A que título as igrejas cristãs invocam um Jesus que não existe, ensinamentos que ele não deu, autoridade que ele não outorgou e uma qualidade de filho que ele jamais reclamou?   “Pois não me foi dado crer simplesmente porque para tanto fui mandado”.

Ao longo de dois milênios, desde o nascimento, o cristão carrega um fardo intolerável. Explica-se a ele que já nasceu manchado pelo pecado original e, para livrar-se deste, precisa do “Salvador”. Aprendemos na igreja que Deus é o começo e o fim de tudo, que é o alfa e o ômega, que Deus é todo-poderoso, todo-bondoso, todo-justo, onisciente, sublime, eterno e onipresente. Este é o conceito que aprendi sobre Deus. Mas Deus também é infinito por ser eterno. Ele desconhece o hoje, o amanhã. O Deus eterno e onipresente não precisa esperar pelos resultados de suas medidas já que os conhece de antemão. Pois, pois...

Deus em sua infinita bondade brindou duas pequenas e ingênuas criaturas humanas com a estada no paraíso, o lugar de alegria e felicidade. Os eleitos foram denominados Adão e Eva que viveram dias despreocupados, sem anseios nem saudades. Mas havia uma proibição feita por Deus:  Comer a fruta do conhecimento, aquela árvore era proscrita. É estranho. Porque o Todo-poderoso deu proibição tão rigorosa?  Teria Ele, tido prazer com aquele jardim de infância? Poderia Deus participar do sentimento humano?  Deus queria dar o amor e desejava que os dois participassem do seu reino. Segundo esta interpretação, Deus teria ansiado por companhia ou amor. A meu ver estes sentimentos não condizem com Deus, que, em sua qualidade de todo-poderoso se sente irrestritamente feliz. Afirmar que Deus queria tentar Adão e Eva fazendo-os passar por uma prova seria uma visão mesquinha sobre Deus? “Tentação e prova” seria jogar com cartas marcadas. Uma trapaça? Já que, de antemão, Deus, “onisciente” conheceria o resultado desta tentação e prova. Não vale dizer que Adão e Eva estavam perfeitamente  à vontade para comer ou não da árvore do conhecimento, pois, também a este respeito, Deus teria sido informado de antemão. De qualquer modo vamos levar a ideia até o fim. Suponhamos que eles não tivessem mordido a maçã paradisíaca. Neste caso, Adão e Eva, nús, continuariam brincando no paraíso até hoje? O que teria acontecido se, sem provar do fruto proibido, jamais tivessem ficados cônscios de sua nudez e com isto das suas possibilidades de procriação? Haveria Deus, então, ter criado homens e mulheres em série? Homens e mulheres que por sua “livre e espontânea vontade”, jamais teriam almejado o conhecimento, por obedecerem à proibição divina? É inútil dizer que  Adão e Eva foram induzidos a comer a maçã que houve tentadores, o Diabo ou a serpente. Toda criatura provém de Deus, assim aprendemos. Por conseguinte, o Diabo e a serpente também foram criados por Deus. Teria, então, o Deus bondoso criado o Diabo e a serpente para fazer parte do circo  e com sua assistência, provocar os seres humanos simplórios? E se assim  fosse, porque Deus ficou tão ofendido com a refeição vegetariana, a ponto deste pecado ficar inexterminável no mundo por ele criado?  Ele sabia o que iria acontecer. Sinto um Pastor me puxando pelo braço: não foi bem assim não; Lucifer, o Diabo, era um renegado do reino celeste de Deus. Não entendi Pastor... Um renegado ao reino celeste de Deus? Como? Se o “reino do céu” equivale à felicidade, conforme está sendo prometido aos fiéis, então por lá não pode haver oposição, nem rebeldes, nem renegados. Ou é ou deixa de sê-lo. Se o reino de Deus garantisse  o estado da felicidade completa, dificilmente “Luc” teria a ideia de agir contra Deus. Se, porém, no Reino do Céu não existiu a felicidade absoluta, então Deus não teria sido onisciente bastante para criar tal clima. Vou dar razão aos que  não encontram motivação lógica para a contenda entre Deus e o Diabo. Antes de Lucifer ter se aproximado do casal paradisíaco, para tentá-lo, Deus deve ter sabido que a tentação vingaria. Na questão do “livre arbítrio” de Adão e Eva, mesmo com a inclusão de “Luc” assume aspecto de Deus “ex machina”, pois tanto Lucifer como Adão, Eva ou a serpente agiram dentro da vontade e da ordem recebida de Deus, o onisciente. A história do criacionismo se faz sem pé nem cabeça, além do mais eu não gosto de maçã nem pequei involuntariamente.

Se quiserem saber mais, minhas fontes são: Sam Harris, Richard Dawkins, Erich Von Däniken, Stephen Hawking e outros cristãos.

Texto postado originalmente na confraria Logos & Mythos sob o link: http://logosemithos.blogspot.com.br/2012/06/o-pecado-involuntario.html e editado pelo autor para postagem no blog Mundo da Anja

Altamitrando querido, grata por sua preciosa contribuição.


13 comentários:

Altamirando Macedo disse...

Anja,

Esta maçã podre poderia ser o símbolo da ICAR que sustentou a mentira do pecado original por dois milênios.

Anja_Arcanja disse...

hehehe e vc não pensa que eu pensei nisto Mirandinha? haha queria ver o Edu comer esta maçã! hahahaha

Altamirando Macedo disse...

O pecado original da ICAR seria bem representado por um abacaxi.

Paulo Corrêa disse...

A mente carnal tende, sempre, a criar desculpas para não reconhecer seus erros/pecados. Esse projeto não te levará para o céu, talvez você se torne popular entre as pessoas que estão que também não estão indo para o céu. Ainda há tempo, assim diz o Senhor: "Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados" Atos 3:19

http://justificacaopelafe.com.br

Anja_Arcanja disse...

Paulo Correa fico grata por seu comentário e por sua preocupação com minha ida para o céu. Estive vendo seu blog e vi que voce é discípulo de Calvino, o assassino. Se existisse um lugar chamado céu e lá estivesse Calvino, eu jamais iria querer estar junto dele! Adoraria discutir teologia com você, se bem que eu iria falar de teologia e você de ‘tologia’, mas sinceramente, penso que seria uma grande perca de tempo, tendo em vista que você cita um trecho das cartas que os bispos de Constantino escolheram como sendo ‘divinamente’ inspiradas, e a este apanhado de cartas onde encontramos simbologia, mitos e uma mistura de crenças em deuses pagãos e claro, que também tem a estória (ou mesmo que seja história) de Jesus de Nazaré (Nazaré não era uma cidade viu?), deram o nome de novo testamento. Nem quero entrar aqui na questão do antigo testamento, pois aí é que iria complicar de vez, pois Moisés, tendo sido criado como um príncipe egípcio, teve acesso ao melhor que o palácio real poderia lhe oferecer, e assim plagiou dos sumérios os dez mandamentos (que salvo engano, eram muito mais mandamentos nas tábuas dos sumérios, mas Moisés fez apenas um resumão do que ele se lembrava, e nos mandamentos Judeus constaram apenas dez). Pasme: até as tábuas de argilas ele plagiou, pois este era o costume do povo sumério: escrever em tábuas de argila suas leis. Isto mais ou menos quatro séculos antes de Moisés viu? Se fossemos falar que os Judeus na época do exilio babilônico, eram chamados de ratos de biblioteca, e se perdiam estudando os livros na imensa biblioteca babilônica, de onde veio os livros ‘proféticos’ de Ezequiel, Daniel… ou seja, todas aquelas figuras de linguagem nos livros, aquelas visões, eram exatamente de deuses tidos como pagãos! Engraçado né?

Imagino que você saiba que Jesus não foi o único filho de virgem que veio para salvar o mundo né? Alguns nasceram cinco mil anos antes de Cristo! Agora das duas uma: ou vivemos num mundo onde de tempos em tempos é preciso nascer um salvador de uma virgem, ou o cristianismo foi forjado plagiando crenças míticas, sendo também o Cristo, um mito. Ou você discorda?

Então meu querido, não se preocupe com minha mente ‘carnal’ e nem com a mente de meus colaboradores (que também é carnal), pois a mente que se abre para a verdade, despreza os mitos, ou apenas lhes da o valor que merecem, ou seja, mitológico. Não quero ir para o céu e muito menos para o céu de Calvino. Não preciso crer no seu deus, pois seu deus pra mim é um assassino prepotente e imaginário.

Continue com sua mente ‘espiritual’ que crê em contos de fábulas, duendes, diabos e deuses, que a minha já se abriu para a verdade ok?

Entre meus colaboradores e meu projeto aqui no blog, tenho pessoas de vários credos e até ateus, mas para mostrar exatamente que a religião é um engodo e o deus de todos é o mesmo: NOSSA PSIQUE!

Pra terminar quero apenas lhe dizer (já que você é calvinista) que o problema do Brasil e das igrejas é o mesmo: OS ELEITOS!

Grata.
Anja

Altamirando Macedo disse...

Anja,
Eu falei para você entrar com os dois pés no peito do Paulo Corrêa e não no fígado. Coitado do Paulo, nunca mais vai querer ir para o céu.
Paulo Corrêa, leia a bíblia e volte. Reze tres ave marias e ore dois pai nosso. Ou melhor: Peça proteção espiritual para a Anja Arcanja. Ela é mais real.

Marcio Mendes disse...

Tudo é questão de fé conforme Hb 11:1 se você num crê, paciência.

Viva o DEUS ventre!

SOLUS UMBIGUS!

Paulo Corrêa disse...

Anja,

grato pela resposta e pela visita. Não sou discípulo de Calvino, mas de Jesus Cristo, o único Filho de Deus que é Senhor e Salvador. Calvino e os demais reformadores apenas resgataram o que o Catolicismo e Constantino tinham "abafado". Todos os demais mitos antes da vinda de Cristo apenas apontavam de forma indireta para a perfeita revelação, o Cristo. Deus é soberano e por isso a Bíblia (tirando os livros que os Católicos por diversos motivos não bíblicos colocaram, e Deus os tirou depois da Reforma Protestante) foi formada por Deus, assim Ele determinou. Você querendo ou não, Deus tem tudo dentro do seu controle. Nada acontece por acaso. Não posso ter explicação para tudo, assim como vocês não tem. Sabe por que? Por o pecado limitou a vida do ser humano. Se fosse possível colocar todos os seus pensamentos oculto de você e de seus próprios amigos no youtube você provavelmente se fugiria e se esconderia para sempre. Pois, sente vergonha de muita coisa, e medos também. Isso chama-se consequencia do pecado. Não há para onde fugir. Somente quando reconhecemos que somos pecadores e nos arrependemos dos nossos pecados poderemos encontrar o perdão de Deus e a PAZ que só ELE pode DAR. Ainda há tempo.

Paulo Corrêa disse...

"Entre meus colaboradores e meu projeto aqui no blog, tenho pessoas de vários credos e até ateus, mas para mostrar exatamente que a religião é um engodo e o deus de todos é o mesmo: NOSSA PSIQUE!"

Você está acompanhada por pessoas que conhecem muita coisa, mas não conhecem a Deus. Tenha cuidado com quem anda. Ainda há tempo!

Anja_Arcanja disse...

Marcio, com vc é perca de tempo discutir porque sua cegueira é de nascença!

Anja_Arcanja disse...

Poxa Paulo! Então todos os outros são mitos e o seu cristo é o único que não é mito? Você poderia me dar uma prova da existência histórica de cristo? NÃO! Sabe porque? Porque não existem provas. Então como saber se ele realmente existiu? Aí você me dirá que é pela fé, né verdade? Como fez o meu amigo (cego) Marcio, até citando Hb 11:1; Mas pela fé os discípulos de Buda (nascido 556 antes de cristo, filho de uma virgem, no dia 25 de dezembro) também creem que buda é o verdadeiro Cristo. Pela fé os discípulos de Mitra, (mencionado pela primeira vez 1350 anos antes de Cristo, também parido de outra virgem e a quem pastores e magos vieram prestar homenagem) dizem o mesmo. Pela fé os discípulos de Krishna (5 mil anos antes de cristo, opa! Filho de virgem também rsrsr) dizem a mesmíssima coisa! Então em qual devo crer? Devo arrepender-me de meus pecados e render-me a qual dos salvadores?

Agora quanto ao seu conhecimento sobre a historia da bíblia, penso que nem compensa levar adiante a conversa com você, pois pelo que se nota, seu conhecimento (não sobre bibliologia, matéria que vc deve ter estudado em algum seminário) sobre a história bíblica, é débil e ínfimo, portanto, eu seria injusta levar uma discussão adiante com você neste tema.

Pelo que noto sobre a sua citação veemente de “pecado”, você crê mesmo que sejamos descendentes de Adão, que comeu do fruto da “árvore proibida” oferecido por uma serpente. Então, vejo também que não dá pra levar a sério uma discussão com você sobre este tema, uma vez que vários teólogos sérios, já descartaram esta hipótese (de sermos descendentes de Adão).

Já quanto ao que você disse sobre meus pensamentos , lamento decepciona-lo, crente é que tem vergonha do que faz e do que pensa! Quem vive como eu, não tem do que se envergonhar e não precisa se esconder. “isto é coisa de crente viu?”

E querido, vivo em plena paz de espirito e não preciso de um deus inventado pra me dar algo que posso eu mesma conquistar, como de fato, tenho conquistado.

Quando você diz que meus colaboradores conhecem muita coisa (e claro que até muito mais do que eu), e não conhecem a deus. Você acertou em partes; pois de fato eles conhecem muita coisa mesmo e principalmente sobre deus, e eu tenho certeza que muito mais que você.

E claro que ainda a tempo! Tempo para ser feliz e viver sem amarras, entre outras coisas, mas eu já aproveito bem meu tempo. Por isto vivo minha humanidade enquanto sou eterna (estou viva), porque da morte ninguém pode fugir! E sugiro o mesmo a você, aproveite melhor seu tempo e seja feliz (ainda a tempo Paulo, aproveite!).

Penso ser desnecessário continuar a responder seus comentários, mas se você quiser, poderemos continuar ok? Espero pelo menos que você saia desta conversa um pouco mais culto.

Anja

Altamirando Macedo disse...

Eu sou um que conhece umas boas coisas mas não conheço deus. Sou sessentão e nunca vi nemhum dos doze mil santos. Já freqëntei muita igreja mas nunca vi deus em nenhuma.
Anja, raciocine comigo; Deus só faz filho em virgens e já sepassaram dois milênios após seu último ato. É chegada a hora de nascer o próximo filho de Deus e pelo andar da carruagem ele nascerá de uma fiel carioca pois no Rio de Janeiro se encontra a maior quantidade de virgens por metro quadrado. É no carnaval do Rio que Maomé está buscando as virgens para oferecer aos soldados iraquianos que morrem por sua causa. Paulo Corrêa e Marcio Mendes, sua religião é tão mentirosa quanto.

edson Viana disse...

Bom amiga, vou deixar um pequeno post. aqui para nosso amiguinho Paulo. Cientificamente não existe provas de que Jesus existiu, pra não dizer que ele é uma inveção do cristianismo, existe uma pequena linhazinha nos textos de Flavio Josefo(história dos Hebreus).Vai ter fé assim na... sua igreja...

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