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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Reflexões sobre o assédio



By Rodrigo Âncora da Luz

Um dos maiores problemas na convivência humana chama-se assédio. Este pode ocorrer de várias formas dentro das nossas relações sociais. Fala-se, por exemplo, no assédio moral, no assédio sexual, no assédio publicitário, no assédio religioso, político, profissional, estudantil e cultural. E já existe até mesmo o assédio consciencial que consiste numa invasão ou intrusão doentia de ideias, de emoções e de motivações de uma pessoa sobre a outra.

Nem sempre é possível punir ou responsabilizar um assediador. E, por um lado, acho até bom certas condutas de assédio não serem criminalizadas pelo direito brasileiro afim de evitarmos o desenvolvimento de paranoias dentro da nossa sociedade semelhante ao que ocorre há algum tempo nos Estados Unidos. A meu sentir, não é pela repressão, mas sim pela educação, que as pessoas aprenderão sobre a importância de se respeitar a vontade e o jeito de ser das outras para podermos viver melhor.

Muito ainda impressiona o público as notícias que falam no assédio sexual. Acertadamente, a nossa legislação já protege o funcionário de uma empresa contra os assédios do empregador e do superior hierárquico. Principalmente para que a empregada não fique constrangida a ir pra cama com o chefe contra a própria vontade, sob a ameaça de ser dispensada do trabalho.

Se pensarmos bem, há outros tipos de assédio sexual que não estão restritos às relações trabalhistas.

Será que o fato de uma moça receber indesejados e repetidos convites para sair com um vizinho, internauta, conhecido do trabalho ou colega de escola também não caracterizaria algum assédio?

Mesmo que com um baixo potencial ofensivo, a conduta assediadora existe nas mais simples situações do cotidiano. Até mesmo com insistentes olhares não discretos dentro de um coletivo, um homem pode estar incomodando uma passageira com sua atitude perturbadora. E acho que nada justifica a manutenção da conduta se a outra pessoa demonstrou desinteresse ou repulsa à cantada.

Mas seria possível falar em assédio dentro de uma relação de namoro ou mesmo no casamento?

Bem, eu diria que, no companheirismo, é o que mais ocorre por causa do elevado grau de intimidade entre os parceiros. Inclusive em relação ao sexo! Só que nem sempre o assédio sexual será aquele que mais incomodará um dos cônjuges. Muitas das vezes, o assédio irá se tornar manifesto quanto ao desejo de querer mudar o comportamento do outro, no convencimento de ideias a respeito de crenças religiosas, na maneira da pessoa vestir-se, no jeito de ela se expressar, bem como no direito da mulher trabalhar ou estudar.

Graças à insubstituível experiência do casamento, tenho verificado o quanto nós homens ainda somos tremendos assediadores das nossas mulheres. É muito fácil respeitar a liberdade das pessoas de fora e sufocarmos quem vive debaixo do mesmo teto que nós. No íntimo não queremos uma parceria realmente livre na comunhão conjugal porque pretendemos dominar ou suprir carências emocionais.

Verdade é que, quando o homem assedia sua mulher, ele acaba ignorando a sua co-dependência em relação à esposa, recusando-se a evoluir. Pois a beleza do relacionamento está justamente na apreciação da natureza espontânea e quase selvagem do outro, o que exige de nós uma renúncia à posição de domínio. Ou seja, devemos lidar com a pessoa amada dando-lhe espaços sem esperarmos uma egoísta satisfação imediata das nossas expectativas. E aí só uma atitude realmente amorosa de um em relação ao outro é que poderá nos ensinar.

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