Pesquise artigos do blog:

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Gimnomorfose




“Se os homens vissem o que está sob a pele, assim como acontece ao lince da Beócia, sentiriam calafrios ante a visão de uma mulher. Toda aquela graça consiste em mucosidades e sangue, em humores e em bile. Se se pensa naquilo que se oculta nas narinas, na garganta e no ventre, não se achará senão imundície. E se te repugna tocar o muco ou o esterco com a ponta do dedo, por que desejaríamos abraçar o saco que contém o esterco?”

O Nome da Rosa; Umberto Eco



João Maria acordou no meio daquela tórrida noite, sobressaltado, ofegante e coberto de suor. Ergueu parte do corpo e deixou-se estar, assim, por um estúpido tempo, naquela pseudo-amnésia, misto de sonolência, cansaço e calor: lânguida, que não o deixava saber onde estava, para onde iria, que malditas horas da noite eram, quem ou o que ele realmente era.

Percebeu em meio à escuridão, a respiração lenta e pesada de sua mulher, perdida em seus ignotos sonhos femininos. E com um zelo que não lhe era habitual, levantou-se com cuidado, e pé ante pé, foi ao banheiro.

Olhou-se no espelho. Tinha uma aparência febril, a careca reluzia de suor. Jogou água fria no rosto, na vã esperança de melhorar seu estado, ou limpar um pouco sua confusão. Confusão tão quente, tão umidamente quente, que era quase sexual. Mas não melhorou nada. Talvez até tenha piorado, pois surpreendeu-se sentado no vaso sanitário, urinando, à moda das senhoras.

Riu-se, contudo não por que achou divertido. Sentia um desconforto no peito. Quase que uma coceira, uma alergia, mas a sensação em si não se definia com nenhum nome, talvez porque jamais a sentira antes. Removeu o pijama, e viu, refletidos no espelho, que seus mamilos, em meo aos grossos pêlos, ambos, estavam visivelmente inchados, túrgidos, sensíveis ao toque. Algum tipo de inflamação? Talvez devesse agendar uma consulta com um médico no dia seguinte.

...

No dia seguinte, esqueceu completamente as preocupações da noite anterior. Que dissiparam-se no ar como fumaça de sonhos esquecidos. Sentia-se ótimo. Mas “ótimo” não explicava corretamente seu estado de espírito, antes era uma aproximação bastante vaga. Nunca sentira tão bem em toda a vida. Sorria. Como não era seu costume. Antes sempre sisudo, cara-fechada, não chegava a ser um mau-humor, mas ninguém se preocupava em notar a diferença. Mas agora, exultava. Não leu o jornal do comércio, perdeu alguns minutos, talvez muitos, escolhendo a sua melhor roupa, fez um nó perfeito na gravata, borrifou um pouco de perfume – que nunca usara, a não ser em ocasiões especiais. E saiu para o trabalho, não sem antes beijar a mulher – que recebeu o beijo não sem alguma estranheza – como já não fazia desde os tempos de namorados. Bons tempos...

E era um dia como outro qualquer. A não ser pelo fato de que sentia-se intimamente bem. Não produziu muito naquele dia. Em contraposição, não lembrava de outro dia em que recebera tantos elogios. Principalmente das colegas, que o notaram particularmente bem vestido, senão cheiroso.

...

E outros dias cheirosos e suaves se seguiram àquele primeiro. Sucessivamente. E agora, abolira a gravata, e comprou diversos viros de perfumes, caros, sem a ajuda da mulher, em lojas especializadas. E recebeu com alegria as notícias que o espelho lhe dava, e apaixonava-se perdidamente pelo espelho, e via a barriguinha de “cerveja”, tão cuidadosamente cultivada com os amigos, desaparecendo lentamente, a pele suavizando-se, e o melhor de tudo, a princípio alguns poucos – só olhar bastante treinado e detalhista, como o dele vinha se apurando – fios de cabelos começavam a crescer em sua calva, ao que se seguiram muitos, fortes, viçosos.

E tudo ia bem em família. Convesava cada vez mais com a mulher. A parede invisível que os separava, e que o levara no princípio da vida em comum, a procurar uma amante – tentativa esta frustrada pelo hábito e pela indiferença que o tempo sempre traz –, agora estava derrubada. Falso muro de Berlim. Achava graça em seus diálogos. A entendia melhor, e sempre trazia na boca algumas palavras de carinho que a faziam sorrir. E aquela, a princípio confusa, agora parecia também estar entusiasmada pelas mudanças, para a melhor, e desdobrava-se em agradar ao marido. E ele retribuía, sempre arrajava tempo para acompanhá-las nas tarefas domésticas. Parecia ter se tornado um perito na alma feminina e seus desejos, como tudo feminino: secretos, ocultos.

Preocupou-se no entanto, no dia em que flagrou-se tentando esconder, ou melhor, esconder não seria a mlehor palavra, antes seria a pior: flagrou-se tentando dar destaque, como se isto fosse instintivo, natural, ao peito. Estacou. Confuso, indeciso. E só então percebeu como estavam protuberantes cada um deles. Eram já quase seios de muher adolescente, ninfa, que vê, num desabrochar sangrento, aflorarem e abundarem todos os frutos de seu sexo. Estavam firmes, levemente apontando para cima os mamilos cheios e vermelhos. Os pêlos da área estavam minguando, desapareceram miteriosamente. E isto também o fez lembrar de que aparava as barbas cada vez menos nos últimos tempos, sem que esta no entanto lhe sobressaísse. Antes tão espessa e grossa que chegava a incomodar, agora era rala, e seu rosto estava macio a maior parte do tempo.

Só foi ao médico quando imaginou ter notado, numa minuciosa inspeção –  coisa que nunca fez outrora –  que seu pênis diminuíra sensívelmente de tamanho e de espessura.

...

O doutor ouviu pacientemente, por detrás de seus grossos óculos, a estranha história de João. E por detrás de sua fria e meticulosa concentração, os agora agudos e penetrantes sentidos do paciente, perceberam uma certa curiosidade quase mórbida, uma paixão lasciva pela ciência e seus recantos mais obscuros. Mas era tavez apenas uma impressão, como a das mulheres, passageira e sem fundamentos em fatos.

Após desculpar-se por tê-lo tratado, quando este entrou no consultório, por “senhora”, e após ter ouvido pacientemente o relato, longo, e permeado de impressões pessoais e subjetivas. O médico disse com precisão de máquina:

-Alguns quadros como o teu já foram descritos nos anais da história médica. Ainda não me arrisco a fornecer um diagnóstico completo, parece haver algo de hormonal envolvido, além de alguns fatores psicológicos, que devem ser levados em conta. A princípio, gostaria de ter em mãos alguns exames, que vou passar em uma lista. Talvez seja precipitado, mas também vou receitar um ansiolítico leve. Confesso que esta não é minha especialidade, porém, gostaria muito de acompanhar o teu caso – e seus olhos brilharam, por um segundo ou menos, talvez.

Perguntou:

-Acaso... Veja bem, isto é entre médico e paciente. Lhe asseguro que está sob o sigilo e a ética profissionais. Acaso, tomou drogas recentemente. Me refiro, mais especificamente a um tipo que apareceu nas ruas recentemente, que é vendida por mendicantes, ou por uma dessas seitas...

Respondeu evasivamente que não. Contudo, não se podia saber se dizia a verdade ou não.

E completou, a princípio, constrangido, depois, com sua habitual roboticidade:

-Retire as roupas, por favor, quero fazer um exame mais completo... – e apontou para um compartimento do consultório.

Sentiu uma vergonha, antes não experimentada, mas fez o que o doutor ordenava.

Sentiu também os olhos, passeando por seu corpo, e não sabia explicar o que sentia. Percebeu também que seus quadris estavam mais largos, os pêlos do corpo iam se rarefazendo, quando antes eram abundantes, os braços – muito embora nunca tivesse sido fã dos exercícios – haviam perdido o tônus.

Terminou dizendo.

-Aparentemente o senhor goza de boa saúde. Mas, gostaria realmente dos testes. Eram horas. Podia vestir-se. Imprimiu num aparelho eletrônico o receituário, apôs sua assinatura ilegível, e despediu-se mecanicamente.

...

Naquela noite. Percebendo certa preocupação no ar, seu marido cabisbaixo, a esposa achegou-se a João, e pôs os braços em torno do pescoço agora mais delgado, perfumado. Este resolveu fazer algo que já não se lembrava a quanto tempo não fazia. Faria amor com a mulher.

Despiu-a lentamente. Apagou as luzes, acendeu velas. Colocou uma música suave no “cd-player”, que antes não gostava, mas agora agradav-lhe deveras. Ela, antes tão distante nestes momentos, agora parecia deveras receptiva, e começou a participar da brincadeira.

Entre risinhos, desabotoava seus botões, abria a braguilha das calças novas. E afogaram-se em beijos cálidos todas as suas preocupações.

E tudo era passado. E não preocupou-se nem quando não conseguiu manter uma ereção por mais que poucos segundos. Ao invés de possuir a mulher, por pouco minutos, queria gozá-la, usufruí-la por horas a fio, e o que poderia parecer uma fraqueza, era uma força renovada. E ela não parecia sentir falta nenhuma daquilo. Deu-se a beijá-la, a acariciá-la com dedos ágeis. Suas mãos agora tão aveludadas quanta a pele que tocava. Ao que a mulher respondia, com gemidos e sussurros ao seus ouvidos, aventurando-se às vezes, até a pequenas mordidinhas. Mostrou-se mais a vontade do que jamais estivera. E hoje, nada mais soava falso, como sempre suspeitara. Descobriu o poder misterioso e genital da ponta dos dedos e da língua. E chupou-lhe os mamilos, rijos, e podia sentir o corpo dela, tremendo ante todos os estímulos, por menores que fossem. E o suor que lhe brotava da pele, o enfeitiçava com um odor quente e doce. E imaginou como seria aquilo. E afundou-se, de corpo, alma – e principalmente boca – no sexo úmido dela. E perderam a noção do tempo, ou melhor, vivenciaram aquele tempo extático e infinito em toda sua lentidão.
...

Alguns dias depois, retornou ao médico. De posse dos exames requisitados. Sentia-se bem. Muito bem. Algumas pessoas lhe atiravam assovios na rua. Em vez de sentir-se irritado, sentia-se poderoso. Neste meio tempo, passara a usar um sutiã, não por gosto, embora também não lhe causasse repulsa a idéia, e sim por necessidade, uma vez que os seios, grandes como estavam, soltos, moviam-se demais sob as roupas, ficando em posições desconfortáveis, e os mamilos, hipersensíveis, chegavam até a machucar-se contra os tecidos mais grossos.

Entrou no consultório, já pressentindo algo estranho no ar.

Sua intuição não falhara. Deu um grito. Correu assustado embora, sem explicar-se à secretária gorda, de óculos fundos, uma expressão de mau-humor que parecia tatuada em suas faces pálidas e flácidas.

Só muito depois, em casa, teve coragem de reviver o acontecido: entrara no escritório, de luzes frias que cortavam o ar frio, dando em paredes gélidas. No chão, projetava-se a sombra, ainda balançando, para lá e para cá, do médico, que de calças arriadas, o pênis ainda ereto, enforcara-se, acidentalmente talvez, pois o banquinho estava caído, os olhos injetados de sangue quase para fora das órbitas, as faces muito roxas, a língua pendendo pavorosamente da boca escancarada num grito surdo e sufocante, as mãos, com unhas arrancadas, dedos sanguinolentos, que rasgaram o pescoço numa tentativa última, infantil e involuntária de soltar-se do aperto fatal. De sua cabeça, saíam fios, que ligavam-se a um aparelho de eletroencefalograma, que cuspia folhas cheias de rabiscos tão tortuosos quanto a sua assinatura. Não viu mais nada.


Não mais procurou nenhum médico. Afinal, sentia-se ótimo.

Mesmo quando seu queixo afinou-se, as maças do rosto se tornaram mais protuberantes. As carnes perderam os músculos, mas tornaram-se mais cheias, mais suaves. Cabelos loiros, vivos, volumosos, lhe enchiam a cabeça. Pêlos, agora só na região genital e um pouco sob os braços, que cortou, sob o pretexto de que lhe incomodavam.

Mesmo quando seus lábios tornaram-se mais cheios, carnudos, as coxas grandes, a voz um profunda e sensual, mas essencialmente de mulher, bela como o das cantoras negras.

Mesmo no dia em que sentiu uma dor, pungente, mas rápida, que ao tentar identificar a origem, teve de retirar as calças, e a princípio assustado, verificar que seu órgão havia se desprendido na roupa íntima. Deixando em seu lugar, apenas um pequeno corte, no qual se insinuavam pequenas lábios, rosadas. Se é que podia chamar aquele pequeno e decaído horror de órgão. Era quase uma casca, amolecida, retorcida, mirrada, escura e seca. Sentiu o coração bater mais depressa. Pegou em suas pequenas e bem cuidadas mãos. Sentia agora mais nojo que medo. Atirou depressa no vaso sanitário e apertou a descarga, sem remorsos.

Despiu-se e entrou no chuveiro, para limpar-se daquela mácula, e dos vestígios gosmentos que restavam sobre sua pequena e infantil vagina, sob a penugem macia, sedosa e levemente loira que a circundava e protegia. Qual rosa e suas pétalas. E sentiu um calor doce, um formigar excitante, ao passar o jato d’água em suas novas partes íntimas. E demorou-se no banho, experimentando aquelas novas e deliciosas sensações, logo após o pequeno susto.

...

E sua outrora esposa, atual amante fervorosa, parecia preferir o marido de agora ao de antes. Tanto que, como jamais o fizera, partiu de si a iniciativa certa noite. E apalpou os seios do marido, não como os de mulher madura, e sim de jove, firmes, apontando em direção aos céus, sensíveis. E pôs-se a beijá-los. E realizá-va as fantasias mais novas e secretas do marido. E sugava os mamilos com lentidão, e estes enrijeciam. Apalpava suas coxas, e deslizava os dedos por seu ânus, e esfregava seu pequeno e ardente corpo no dele. E o atrito dos sexos, úmidos, quentes, inflamados, lhe fazia suspirar e gemer. E os suspiros eram sufocados em beijos ainda mais úmidos e quentes. E respiravam o hálito febril um do outro. E ele queria... queria... e seus pensamentos foram atendidos. Sua mulher mergulhou a cabeça em seu sexo, e aprovou a mudança, sorriu um riso assanhado, cheio de segundas e terceiras intenções, assim como os olhos brilhantes. E deslizou a língua cuidadosa pelos pequenos lábios. O que ele sentia como uma massagem erótica e surpreendente, afastou-os levemente com os dedos e penetrou-lhe. E a tensão em seu corpo ia aumentando e aumentando. Podia sentir a pressão no bater de seu coração, que retumbava em seus ouvidos, embalados pela música pulsante ao fundo. E sentiu os olhos umedecerem. Sentiu como que um pequeno choque, quando beijaram-lhe o botãozinho que sobressaía, meio que escondido, da parte de cima de sua vagina. Corou violentamente. E pôs as mãos sob a cabeça de sua amante e mulher, e forçou-a para baixo, enquanto erguia a e arqueava o corpo. E pedia mais, e mais, e mais. Ao que a mulher, por maldade, parava, só para recomeçar depois o jogo de chupar aquele botãozinho, como botão de minúscula rosa. Até que a pressão era tanta que ele explodiu. Numa sensação que jamais havia experimentado, e só podia descrevê-la como líquida e fervente e delirante. E não parou, e se sucederam outras e outras explosões. E entendeu a suprema, profunda e penetrante desnecessidade do pênis. E pareciam não parar, e queria e não queria, e não sabia mais o que desejava e quem era, até caírem de exaustão, malditos e suados, na calada da noite, e dormiram abraçados e felizes, como irmãs que partilham fraternais segredos.

...

Até que um dia, corroído de cíumes, brigaram, o que era esperado. Uma briga lacrimosa, com ranger de dentes, e profundos remorsos, e ameaças vazias. E talvez fosse apenas a menstruação, que naquele fatídico mês, custava a chegar.

E a raiva borbulhou o seu sangue como nunca, e era uma raiva semelhante à uma noite maldita de amor.

E foi até o quarto. E pegou um vestido da mulher. Vestiu. Os olhos lacrimosos. Qual menina, nova e tola, que na petiz ânsia de mimetizar a fêmea mais próxima, ou seja, sua mãe, pega suas cores brilhantes, suas maquiagens, e transforma a pequena boca, numa pequena e vermelha vagina, úmida, entumescida, como num encontro carnal, e deixa as bochechas coradas, como de excitação, e ressalta os olhos, que ficam dilatados e úmidos como o dos amantes. E torna-se uma lasciva palhaça ou uma cômica e anã prostituta, e prenuncia, por instinto e brincadeira, o futuro.

Louca prostituta.

João foi a uma danceteria. Deixou a mulher chorando na sala. Estava prestes a desistir do intento. Seja ele qual fosse, não sabia, agia por impulso. Mas ver a outra, ali, prostrada, fraca, soluçando, lhe deu mais vontade de abusá-la, e fazê-la sofrer o que ele sentia. E foi.

E tudo transformou-se em brilho, e em cor, e em música. Vibrante. E dançava em meio a tudo isso. E embebedou-se. Devia estar desacostumado ao álcool, pois algumas poucas doses o puseram em tal euforia, que já não mais se reconhecia – se é que alguma vez se reconheceu. E no meio do salão, sentia-se apalpar, por mãos grossas. Nas coxas, serpenteando até as nádegas. Faces lúbricas. Risos ameaçadores. Empurrões brutos. E sentia corpos se resvalarem no seu. E ouviu grosserias em seus ouvidos. E não gostou de nada disso. E tentava futilmente se afastar. Se ao menos fosse mais delicado... Mas já estava tão bêbado, que como disse, já não mais se reconhecia, se é que alguma vez o fez.

Da luz, colorida, cegante, do som ensurdecedor, sentiu-se oscilar, cambalear, e cair, numa depressão silenciosa, num abismo, numa vaginal escuridão...

...

Acordou em casa. Roupas apenas trapos. O corpo dolorido, uma dor de cabeça violenta. A boca amarga. Ressaca. Mais terrível que a dos mares orientais após o maremoto. Levantou-se e vomitou.

E os vômitos e mal-estares se seguiram com mais e mais freqüência.

...

João Maria. Estava num manicômio. Uma cela só para ele. Acolchoada. Os olhos, antes sem graça, depois, belos, agora vidrados. Baba escorrendo pela boca. Longos cabelos desgrenhados.

Pela janelinha de vidro, na porta, alguns médicos e estudantes, curiosos, olhavam.

Na plaquinha, uma advertência, dizendo para não aplicarem sedativos em excesso. A razão:

A paciente estava grávida.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...