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segunda-feira, 9 de julho de 2012

O que um ateu pensa da morte




By  Marcio Alves

Já escrevi alguns textos sobre a morte, dentre eles talvez o mais importante seja mesmo o profundo e filosófico “A morte em dois momentos”, mas sabendo que constantemente estamos sempre mudando e consequentemente atualizando nossa maneira de ver e viver a vida, resolvi então escrever o que penso hoje sobre a morte.

Um texto simples, sincero e objetivo sem o rigor do academicismo que muitas vezes atrapalha mais do que ajuda na compreensão dos leitores.

A morte, assim como o nascimento, são as duas únicas coisas que temos que passar sozinhos, embora muito mais a morte seja mesmo o momento mais angustiante e dramático de toda nossa existência, não o depois, mas aqueles momentos que a antecedem, que eu chamo de “pré-morte”, que é aquelas experiências de quase morte que muitos de nós experimentamos em algum momento de nossas vidas.

Nada mais profundo do que a experiência de ir ao velório de um amigo ou parente nosso, pois só nesses momentos, da “pré-morte” e da “morte do outro” é que são capazes de tirar o ser humano de sua anestesia diária, como trabalho, diversão, lazer, hobby e etc, levando a refletir seriamente sobre a sua própria morte.

Pois saiba meu amigo leitor, que uma coisa é você ler alguns livros e pensar sobre a morte de maneira geral, outra completamente diferente é pensar a sua própria morte. É como você ler sobre pessoas com câncer, e, um belo dia você ir ao medico para fazer exames de rotinas e sem “querer” descobrir que esta com um câncer. Consegue agora perceber a diferença?

Para aqueles que nunca enterraram seu próprio amigo, pai, mãe, filho ou irmão, ou não vivenciaram uma experiência real de “pré-morte”, vão apenas entender com o intelecto este texto, pois só aquele que já vivenciou uma das duas maneiras de estar “cara a cara” com a morte é que irá conseguir ir para além do intelecto “sentindo” de maneira visceral as palavras escritas.

Assim como o câncer que na verdade é uma morte lenta e progressiva, a própria iminência de uma possível morte por outras maneiras e experiências vem para por em xeque tudo que achávamos ser importante em nossas vidas, e para colocar uma pergunta crucial que constantemente tentamos esquivar dela: “Porque e para que viver?” “Faz sentido a vida que temos levado?” “Qual o sentido real de viver?” (As três perguntas na verdade é uma só, apenas feita de maneiras diferentes para você refletir melhor)

Não importa se você seja religioso ou ateu, pois na verdade, no fundo no fundo minha opinião é que não existe na pratica uma separação entre ateu e religioso quando falamos da morte, embora na teoria exista sim uma divisão. É que não acredito na transformação e mudança na natureza humana quando falamos da pessoa acreditar ou desacreditar na religião e/ou em Deus, pois se sendo ateu ou religioso, continuamos sendo humanos, demasiado humanos, e como os existencialistas já falavam, somos seres em angustia, sendo a angustia uma marca registrada da natureza humana.

A única diferença entre o religioso e ateu em relação à morte é no autoengano; pois o primeiro (religioso) se engana na certeza de acreditar que ao morrer vai estar no paraíso, já o ateu com seu pensamento “tranquilizador” de que “morreu acabou”, e que por isso não tem o que se preocupar e ter medo. Mas que falsa certeza esta do religioso e do ateu!

A partir do momento que o homem teve a sua consciência despertada, seja pela própria morte como a maior responsável por isto, ele já se vê mergulhado em angustia, e, por isso mesmo, nós precisamos tanto ocupar nossa mente com tudo que estiver disponível, seja trabalho, festas, e tudo o mais, é como pascal já dizia que o homem que vai caçar, ele caça um animal que ele mesmo não teria a coragem de comprar num mercado, mas ele caça para distrair sua mente, para fugir de estar só consigo mesmo, e com a realidade inevitável de sua própria morte – e este exemplo serve para tudo que fazemos na vida!

Por isto meu caro leitor que chegou até aqui, lendo “pacientemente” esta minha postagem para descobrir como um ateu encara a morte, eu lamento decepciona-lo, mas nós encaramos do mesmo jeito que qualquer outra pessoa encara: com grande angustia, medo, tristeza, dor e duvida em saber que a nossa morte não é uma possibilidade que pode ou não acontecer,  mas uma realidade e certeza absoluta de que nós que aqui estamos, vamos um dia não estar mais....para quem acha que a consciência é um dom, eu diria que tenho lá as minhas duvidas, pois acho mesmo que é uma maldição, e que se os deuses existem mesmo, são cruéis e estão se divertindo com nosso sofrimento.

12 comentários:

Ivani Medina disse...

Marcio

Alguém já disse que a vida é uma grande aventura da qual ninguém sai vivo. Entendendo que buscar sentido para a vida é um dos passatempos preferidos da criatura humana. Já enterrei pai, mãe, irmã e dois colegas de escola, fora pessoas conhecidas aparentadas com minhas amizades. Sou ateu, não porque me preocupo negar a existência, mas por não me preocupar com ela. Também não penso no depois. Mas penso no momento da transição, se é que há um transito de consciência. Os relatórios QM falam em serenidade e bem estar. Tenho uma prima que passou por essa experiência e declarou o mesmo. Nosso instinto de preservação, que não é só nosso, mas de todo ser vivo, nos quer por aqui. A morte em si não me aflige ou preocupa, senão pelo imperativo do instinto. Parabéns pelo texto

Octavio Milliet disse...

Eu sou um ateu, e não penso assim, o que você escreve lá é uma faceta do pensamento acerca da morte. Um bilhão e meio de ateus chineses também não pensam assim. São ateus, mas acreditam em seus ancestrais.
Além de eu afastar o pensamento da morte, pois tento me focar mais na vida, quando penso na morte, minha divagação é mais sobre os outros, os que ficam vivos, do que no individuo que morre.

"embora muito mais a morte seja mesmo o momento mais angustiante e dramático de toda nossa existência", dramático é óbvio, mas angustiante, não necessáriamente. Vou dar um exemplo, tenho uma tia-avó que faleceu num hospital, com a família ao seu entorno. Ela faleceu com um sorriso de os ver ali, e aliás, seu corpo ficou com esse sorriso até ser enterrado.

É cultural o drama acerca da morte. Existiram culturas que enxergavam honra em morrer no campo de batalha, claro que com indivíduos que iriam discordar e temer esse fim.
Mas assim como não posso falar por cada individuo dessas culturas, eu diria que você também não fala por cada ateu.
Uns tem uma visão mais niilista sobre esse momento, outros tem uma visão cíclica, continuidade.
O seu texto força a sua visão dramática e angustiante, aliás não leve isso como critica negativa, mas eu me angustiei ao lê-lo. Angustiei pois discordo de ti, sua visão me entristece, não por estar errada, mas pois eu entendo sua visão e não quero tê-la em mim.

"Nada mais profundo do que a experiência de ir ao velório de um amigo ou parente nosso, pois só nesses momentos, da “pré-morte” e da “morte do outro” é que são capazes de tirar o ser humano de sua anestesia diária, como trabalho, diversão, lazer, hobby e etc, levando a refletir seriamente sobre a sua própria morte."

Eu também discordo. Tantos ali realmente passarão o tempo pensando e refletindo sobre a própria morte. Outros estão ali para dar apoio aos parentes próximos do falecido, estão ali para mostrar a vida que prossegue, mesmo em face da morte.

"É como você ler sobre pessoas com câncer, e, um belo dia você ir ao medico para fazer exames de rotinas e sem “querer” descobrir que esta com um câncer. Consegue agora perceber a diferença?"

A diferença é como uma pessoa irá lidar com isso. Claro que qualquer um se sentirá abalado, eu com certeza me sentiria abalado. Mas prezo pelo momento em que a razão combaterá a paixão, e observarei o câncer como um obstáculo a ser batido. Se eu perecer nesse conflito, será numa infelicidade, porém uma infelicidade digna.

Do contrário, ficarei anos pensando no câncer que tenho, e morrerei como um pobre coitado, sofrendo física e mentalmente.

Octavio Milliet disse...

"Assim como o câncer que na verdade é uma morte lenta e progressiva,--[aqui você afirma algo com muitas exceções] a própria iminência de uma possível morte por outras maneiras e experiências vem para por em xeque tudo que achávamos ser importante em nossas vidas --[e aqui o niilismo abala o leitor. Precisamos do que, viver pensando que podemos morrer a qualquer momento, ou viver focando-se em tudo o que podemos ter, em vida, pela frente?],

e para colocar uma pergunta crucial que constantemente tentamos esquivar dela: “Porque e para que viver?” “Faz sentido a vida que temos levado?” “Qual o sentido real de viver?”
--Seu texto tem uma veracidade auto-concebida, fico feliz que ao menos em dados momentos você dirá "na minha opinião".
Essas três perguntas acima, enquanto não respondidas, são extremamente niilistas (já vi que é essa tua ideologia, eu a respeito, mas digo, ela é de fato extremamente angustiante, é um beco sem saída). Veja, não existe um ser divino e controlador, mas existem tantas coisas que podem dar sentido à vida humana, e existe a liberdade humana essencial de poder escolher uma ou algumas dessas coisas para dar sentido à própria vida.

"Não importa se você seja religioso ou ateu, pois na verdade, no fundo minha opinião é que não existe na pratica uma separação entre ateu e religioso quando falamos da morte,
embora na teoria exista sim uma divisão. É que não acredito na transformação e mudança na natureza humana quando falamos da pessoa acreditar ou desacreditar na religião e/ou em Deus, pois se sendo ateu ou religioso, continuamos sendo humanos, demasiado humanos, e como os existencialistas já falavam, somos seres em angustia, sendo a angustia uma marca registrada da natureza humana."

--Sim, continuamos sendo humanos, mas deixe-me falar uma coisa que acontece entre cada um dos indivíduos humanos: Eles são diferentes, uns dos outros. Podem se dividir em grupos, porém cada um deles pensa de uma forma, seja cada um dos indivíduos ou cada um dos grupos.

Você limita 7 bilhões de seres, a um só, uma só natureza humana, um só intelecto. Somos todos ignorantes? Ou somos todos gênios?
Somos todos niilistas? Ou alguns de nós, mesmo ateus, buscam sentido nas coisas que existem?

"Os existencialistas" não, se você leu Heidegger, faça-me o favor de ler Sartre, da liberdade humana tiro meus conceitos dele e de Espinosa. A Ética é a representação do reflexo que somos de certas predefinições do nosso ser, nossa natureza humana. Os existencialistas diriam "a existência precede a essência" humana, os religiosos (exceto alguns existencialistas cristãos) diriam "a essência precede a existência", dado que a essência vem de Deus.

Espinosa diria "A essência e a existência existem juntas", nós enquanto humanos definimos por nossos atos se nossa essência ou nossa existência terá maior ou igual voz.

Por que eu disse tudo isso? Simples. Cada pessoa, religiosa ou ateia, poderá desenvolver uma visão distinta da vida. Essa visão pode ou não se comparar com a de outras tantas pessoas, mas não existe uma só visão, um só comportamento na natureza humana. A Ética nos mostra que da natureza humana surgem os afetos, nós portanto, enquanto indivíduos, faremos surtir uns afetos mais do que os outros.

O mesmo se dá com o intelecto humano. No "Intelecto da Natureza" por assim dizer, estão os fatos. O intelecto de cada homem atinge certos fatos, e outros não. A visão de uma pessoa sobre a morte, assim concluindo tudo, muda, de acordo com a sua consideração acerca dos fatos.

Abraços,

Octavio Milliet
Grupo A.M.A.A.

Marcio Alves disse...

Caro Ivani

Obrigado por seu importante comentário.

Na verdade o cérebro humano respira por significado, por isso inventamos deus que é o maior produtor de significado para o homem.

Sinto muito pela sua perda e dor, mas o que há de fazer? Esta é a vida com suas intermináveis contingências.

Ao contrario de você, eu sou ateu por muito pensar, justamente porque a religião era tudo para mim.

Na verdade (de novo) você não se preocupa e nem eu, e acho que quase a totalidade da população, e isto graças aos mecanismos de defesa e as diversas atividades que criamos para nos ocupar, para justamente evitar o encontro com a morte...tem um filosofo que já dizia que na vida há duas coisas que não podemos encarar de “frente” o sol e a morte.

Abraços

Marcio Alves disse...

Prezado Octavio Milliet

Adorei o seu comentário, e gostaria muito de convida-lo a comentar outras postagens minha no meu blog outroevangelho.blogspot.com.
Inclusive, percebi que você comentou com o link do facebook...se tiver um, me add para nós continuarmos trocando ideias...será muito proveitoso para ambas as partes, disto, eu tenho certeza, pois é principalmente na discordância é que se aprofunda os diálogos.

Quanto ao seu comentário, vou responder ponto por ponto na sequencia em que os mesmos foram feitos.

Sua fala: “Eu sou um ateu, e não penso assim, o que você escreve lá é uma faceta do pensamento acerca da morte”

Minha resposta: Concordo, tanto é que o titulo é: “o que UM ateu pensa da morte” e não “o que OS ateus pensam da morte”, no mais, não apenas critico os religiosos (este é como bater em bêbado) como também os ateus, do qual estou inserido, pois não acredito que a razão de conta de explicar tudo.

Sua fala: “Além de eu afastar o pensamento da morte, pois tento me focar mais na vida, quando penso na morte, minha divagação é mais sobre os outros, os que ficam vivos, do que no individuo que morre”.

Minha resposta: Mas a morte é considerada pelos maiores filósofos com “a deusa da filosofia” pois só é possível falarmos da vida, por causa dela, até porque, sem ela talvez não haveria consciência.

Sua fala: “dramático é óbvio, mas angustiante, não necessáriamente. Vou dar um exemplo, tenho uma tia-avó que faleceu num hospital, com a família ao seu entorno. Ela faleceu com um sorriso de os ver ali, e aliás, seu corpo ficou com esse sorriso até ser enterrado”

Minha resposta: O detalhe importante é que muitas vezes as pessoas mostram um sorriso falso que acaba por enganar que por perto esta, mas por dentro ela esta em desespero e dor, só não quer passar para os que estão por perto, principalmente familiar, talvez por causa desta cobrança neurótica de que devemos ser felizes ou pelo menos mostrar estarmos felizes.

Sua fala: “É cultural o drama acerca da morte. Existiram culturas que enxergavam honra em morrer no campo de batalha, claro que com indivíduos que iriam discordar e temer esse fim.
Mas assim como não posso falar por cada individuo dessas culturas, eu diria que você também não fala por cada ateu”

Minha resposta: Até posso concordar contigo que muitas coisas são culturais, como a moral, e variam de cultura, época e lugar, apenas discordo que seja assim em tudo, principalmente no que concerne ao drama da morte, que para algumas pessoas com visões diferentes em tese é diferente o seu modo de perceber a morte, mas na pratica, como falei no texto, somos iguais, e me explico mais abaixo, respondendo um importante comentário seu.

continua.........

Marcio Alves disse...

Sua fala: “Angustiei pois discordo de ti, sua visão me entristece, não por estar errada, mas pois eu entendo sua visão e não quero tê-la em mim”

Minha resposta: A questão não é em que você acredita, mas como lida com isto....mas agora eu tem pergunto: se tua visão não é igual a minha, e ainda bem por isto, porque ai podemos e muito discutir e aprender um com o outro, como é sua visão então?

Sua fala: “Eu também discordo. Tantos ali realmente passarão o tempo pensando e refletindo sobre a própria morte. Outros estão ali para dar apoio aos parentes próximos do falecido, estão ali para mostrar a vida que prossegue, mesmo em face da morte”

Minha resposta: muito embora eu concorde que as pessoas que vão ao velório, vão claro, em tese, para dar apoio para quem fica, porque para quem vai não há mais o que fazer, embora também eu discorde, porque na verdade este motivo é o que todo mundo diz e aparente ser, mas no fundo, eu tenho a impressão de que vão lá e para mostrar que são bonzinhos, não há como não ser impactado com o corpo da pessoa morta que conheceu dentro de um caixão...não somos robôs somos humanos.

Sua fala: “Mas prezo pelo momento em que a razão combaterá a paixão, e observarei o câncer como um obstáculo a ser batido. Se eu perecer nesse conflito, será numa infelicidade, porém uma infelicidade digna.
Do contrário, ficarei anos pensando no câncer que tenho, e morrerei como um pobre coitado, sofrendo física e mentalmente”

Minha resposta: Aqui é um dos centros que gira em volta toda nossa discursão, porque você é dos times chamados cartesianos que acredita, valorizando acima de tudo a razão, pois eu não, porque acredito que o ser humano é dominado por paixões, sendo antes de mais nada paixão, para depois ser racional no sentido de dar nomes e explicações para o que de sua paixão.


cara que pena que o meu almoço terminou, mas depois eu volto para continuarmos nosso delicioso e proveitoso debate.

Abraços

Marcio Alves disse...

Continuação.........

Sua fala: “Precisamos do que, viver pensando que podemos morrer a qualquer momento, ou viver focando-se em tudo o que podemos ter, em vida, pela frente?”

Minha resposta: aqui você comete um erro ao meu ver, pois é justamente quando temos a consciencia de que a vida é breve (e, ela é!) de que podemos morrer a qualquer momento (e de fato é!) é que passamos a valorizar cada momento de nossa efemera existencia.

Sua fala: “Essas três perguntas acima, enquanto não respondidas, são extremamente niilistas (já vi que é essa tua ideologia, eu a respeito, mas digo, ela é de fato extremamente angustiante, é um beco sem saída). Veja, não existe um ser divino e controlador, mas existem tantas coisas que podem dar sentido à vida humana, e existe a liberdade humana essencial de poder escolher uma ou algumas dessas coisas para dar sentido à própria vida”

Minha resposta: Outro erro seu, também a meu ver rsrsr...é que você me rotula de nilista, isto é normal do ser humano de tentar enquadrar os outros em caixinhas conceituais dizendo você é isto ou você é aquilo, pois eu sou na verdade uma contradição ambulante, pois leio de tudo, e de tudo tendo absover e construir meu caminho...na verdade eu quase caiu no nilismo, mas não, e isto graças ao bigodudo alemão, que contraponho com a alegria de olhar para todo o sofrimento real da existencia e dizer que apesar do pesares vale apena viver, e, isto também graças ao sofrimento que na verdade só valoriza ainda mais a existencia...já pensou se nossas vidas fossem um paraiso que tedeio seria??!!!

Sua fala: “Sim, continuamos sendo humanos, mas deixe-me falar uma coisa que acontece entre cada um dos indivíduos humanos: Eles são diferentes, uns dos outros. Podem se dividir em grupos, porém cada um deles pensa de uma forma, seja cada um dos indivíduos ou cada um dos grupos.
Você limita 7 bilhões de seres, a um só, uma só natureza humana, um só intelecto. Somos todos ignorantes? Ou somos todos gênios?
Somos todos niilistas? Ou alguns de nós, mesmo ateus, buscam sentido nas coisas que existem?”

Minha resposta: Cara é que na verdade eu penso que existe sim uma natureza humana, e que mais temos coisas semelhantes do que diferentes, é por isso, que nietzsche dizia que partia dele mesmo para entender o ser humano...acho que nietzsche, Freud, Dostoeviski e alguns outros é o caminho para se entender meu pensamento. Rsrsrs

Cara desculpe meus erros ortograficos é que eu estou no serviço trabalhando enquanto te respondo. Rsrsrs

Octavio Milliet disse...

Olá Marcio, a Anja me avisou da sua resposta então vim desenvolver uma tréplica =)

Bom, a primeira coisa que eu vou falar é a mais inútil, então não precisa dar muita importância para ela, rs
"“o que UM ateu pensa da morte” e não “o que OS ateus pensam da morte”"

Eu só achei, quando li o título, que ambas podem ser interpretadas como a mesma coisa. Já se você tivesse entitulado de "O que eu, enquanto ateu, penso sobre a morte", ficaria mais claro e definido.

Enfim, também não acho que a Razão dê conta de explicar tudo, porém é ela que torna tudo inteligível, pois por intuição, muitas coisas se tornam inexplicáveis, muitas coisas se tornam "por acaso", e dela surgem as religiões. Já pelas paixões criamos conceitos baseados na natureza humana, partindo de dentro dela. No fim do comentário te mando um texto meu.

Quando me responde acerca da importância da morte, bom, mas isso eu julgo óbvio, até porque a morte deve ser levada em consideração na racionalização acerca da vida. Isso não significa que devo pensar nela como guia, e sim como o último fim, o único ponto que dele não passaremos. Mas é importante também considerar que esse fim chega em um momento para cada pessoa. Impor o constante pensamento acerca da morte é impor a moralidade do medo, tal qual existe em diversas religiões. Aliás, é algo originado no cristianismo (digo, dentro da nossa cultura, a forma como vemos a morte originou-se no cristianismo), a contínua consideração da morte durante a vida.

"Vou produzir, pois amanhã poderei estar morto", parece algo pelo qual se vale a pena lutar?

Já sobre o sorriso falso, não é falsidade, é natureza humana, é muito real, a neurose eu conheço bem, tenho bastante experiência na depressão, dizem "estão todos felizes, mas ninguém sorri. São assim pois quando estás triste, és doente para eles.".
Mas é apenas pela cobrança que, em um funeral alheio de um parente de um amigo seu, você não mostra sua tristeza? Ou é para ajudar a pessoa que perdeu alguém próximo? Isso diria muito do caráter das pessoas presentes.

Cont.

Octavio Milliet disse...

"como é sua visão então?"

Bom, a morte é o sumo fim. Você disse que sou cartesiano, cometendo o mesmo equívoco que disse que eu cometi ao te taxar de niilista (e teu texto dá fortes razões para tal, convenhamos). A diferença é que eu disse que é de Sartre e Spinoza que tiro diversas noções. Mas tudo bem. Quem conhece Espinosa sabe que ele se opõe muito a Descartes. Continuo ao que importa:

A nossa sociedade, essa cultura em que somos forçados a viver, é uma constante e cíclica morte. Ela não se importa com a morte no momento em que ela ocorre, não. Ela foi e é feita já fazem mais de mil anos de forma que cada indivíduo que tem família, convive com a questão da morte diariamente. Bens que serão acumulados pelo ancestral, herdados pelo filho, ou mesmo concorrência de um para com o outro, pensando nos erros que o pai cometeu... Isso não é natural, é puramente cultural.

Estudando antropologia em relação com tribos indígenas podemos perceber que diante de uma cultura desvinculada aos valores do consumo, da agregação, aos valores religiosos que dão tamanha importância ao momento da morte, e não apenas aos ancestrais em si, vemos já um ponto de vista totalmente diverso nesse tema.

O ponto chave dessa história não é somente a diferença, mas o fato de haver diferença. Povos poderiam simplesmente enterrar os mortos, passar por cima dos túmulos e continuar na luta pela sobrevivência, como acontecia com certa cultura esquimó. Ou poderiam rezar por uma semana, imaginando seu antepassado em um novo lar.
Ou mesmo como os havaianos, realizar uma grande e bonita festa, chorando de alegria pela existência forte de um familiar importante que se foi.

Como eu disse, não importa quais as diferenças, mas que elas existem.

Veja, como vou mostrar no texto que quero te passar, somos seres de paixões, cuja organização de quais delas nós iremos dar destaque se faz por tantos e tantos diferentes fatores, externos e internos, que um ser em determinadas circunstâncias será inimaginavelmente diverso de um ser em outras, assim como podemos pensar, ao relembrar o capítulo dos choques culturais que ocorriam nos tempos de descobrimento das Américas.

Texto:
http://omundodaanja.blogspot.com.br/2012/07/sobre-etica-e-moral.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

Continua

Octavio Milliet disse...

"tenho a impressão de que vão lá e para mostrar que são bonzinhos, não há como não ser impactado com o corpo da pessoa morta que conheceu dentro de um caixão...não somos robôs somos humanos."

Salvo raras exceções com o que chamamos de problemas psicológicos (mas que perante a indiferença da Natureza, são apenas casos a parte do resto da humanidade), eu concordo. Não há como não ser impactado com o corpo de alguém morto presente a poucos metros, centímetros de você. Mas como você será impactado não depende apenas da sua natureza, mas de como suas escolhas de vida, tanto enquanto existência quanto intelecto, foram feitas e te moldaram.

Veja, Espinosa nos mostra que podemos nos esclarecer enquanto seres intelectuais. Que mesmo sendo presos em grande parte por nossas paixões, temos também as ações (está no meu texto), que partem da Razão humana. Logo, é certo que muitas pessoas agem da forma que você prevê, mas é errado dizer que todas o fazem. Eu não o faço, julgue minha honestidade, mas digo que não o faço. Estou lá, enquanto ateu, tendo memórias (se eu tiver conhecido o/a falecido/a) da vida de alguém, alguns momentos de tristeza, mas além de tudo, querendo dar força para as pessoas próximas.

Penso em mim nesse momento? Sim. Mas não como alguém que quer se mostrar bonzinho. Eu não tenho essa vontade, ou eu seria alguém muito diferente do que sou. Não, eu penso em mim como alguém que poderia estar na situação da filha da pessoa que perdeu a mãe. Eu quero confortar essa pessoa pois tenho amor por ela, nesse momento. Eu não perdi parentes tão próximos assim, mãe ou irmãos, mas quando eu perder, sei que a presença de pessoas que eu amo será muito fortificante.

cont

Octavio Milliet disse...

"você é dos times chamados cartesianos que acredita, valorizando acima de tudo a razão, pois eu não, porque acredito que o ser humano é dominado por paixões, sendo antes de mais nada paixão, para depois ser racional no sentido de dar nomes e explicações para o que de sua paixão."

É um erro dizer que eu "acredito", até porque se eu valorizo tanto a Razão, é uma conclusão racional, e não uma crença. rs
Mas não, eu sou um dos raros times espinozanos que mantém a Razão em relação constante com as Paixões humanas. Sendo antes de mais nada conflitante, e depois, a ignorância ou sabedoria definirá quais forças agirão principalmente acima dessa pessoa.
Sobre isso recomendo a leitura do "Tratado da Correção do Intelecto", Bento de Espinosa.

Ah, sobre a importância da vida, mesmo enquanto ateu, que foi tão debatida no meu comentário prévio, recomendo "O Existencialismo é um Humanismo", Jean-Paul Sartre.

"é justamente quando temos a consciencia de que a vida é breve (e, ela é!) de que podemos morrer a qualquer momento (e de fato é!) é que passamos a valorizar cada momento de nossa efemera existencia."

Discordo! A noção da morte é só uma falsa ou pequena ajuda, baseada no medo, e o medo é uma paixão triste, é uma corrente ou até uma escravidão. Eu diria que é justamente quando temos noção de nossa potência e de como podemos alcançar uma potência cada vez maior, junto com outras pessoas que pensam de formas potentes, que podemos valorizar a vida, podemos valorizar a felicidade e o que podemos atingir enquanto seres humanos!

Isso do que você me acusou, de te colocar numa caixinha de rótulos, eles chamam de "Argumento do Espantalho", onde você coloca um indivíduo num grupo, pois não tem críticas ao indivíduo, mas sabe criticar o grupo. Acho que não é o caso, estamos discutindo argumento por argumento um do outro, não é mesmo? Só uma curiosidade, sabe que o bigodudo do Nietzsche tem influências espinosanas? rs

"Cara é que na verdade eu penso que existe sim uma natureza humana, e que mais temos coisas semelhantes do que diferentes, é por isso, que nietzsche dizia que partia dele mesmo para entender o ser humano...acho que nietzsche, Freud, Dostoeviski e alguns outros é o caminho para se entender meu pensamento. Rsrsrs"

Ah mas não discordo, existe uma natureza humana, existem semelhanças, mas existem os diferentes grupos humanos que, a partir da natureza humana, criam diferenças, rotulam uns aos outros, elevam certas paixões sobre as outras a níveis sociais. E sobre a influência de Espinosa sobre Nietzsche, a Marilena Chauí dirá que Espinosa se diferencia dos demais filósofos de sua época e das passadas, por ser o primeiro a se colocar fora de sua cultura para analisar a humanidade e a Natureza.

Dentro da natureza humana existe a capacidade de racionalizar as coisas, acima até mesmo, certas vezes, das paixões humanas. Dessa capacidade que homens como Nietzsche e Espinosa puderam conhecer o que passa com os seres humanos e seus afetos. Homens como Hitler se perderam nas paixões, homens como Chaplin puderam criticar homens como Hitler, partindo da Razão e atingindo as paixões dos seus espectadores.

Então sim meu caro, temos tantas semelhanças, mas delas partem nossas diferenças.

Abraços,

Octavio Milliet.

Eu entendo seu pensamento, não significa que concordo com ele.

Anônimo disse...

Parem com essa de ser ateu. Deus existe! Quando confirmarem isso pode ser tarde demais. Eu também não acreditava que Deus existia,mas Ele me provou que existe. Façam prova de Deus, sem ironia, Ele vai responder

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