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terça-feira, 3 de julho de 2012

Para os livres de pensamentos



By Donizete


Alguém certa vez disse que em Nietzsche o niilismo se tornou profético e pela primeira vez consciente. Particularmente gosto muito de ler suas obras, ainda que sua filosofia, em boa parte delas gira em torno da revolta, e não é difícil de identificar que a causa desse sentimento impresso em suas palavras é a religião. Sobretudo o cristianismo. Contudo, se ele ataca particularmente o cristianismo, ele visa apenas à sua moral, os aspectos cínicos da igreja, o comportamento contraditório de seus ministros, e por que não dizer, a idiotização de muitos de seus seguidores. Mas é importante destacar que, em nenhum momento ele atacou diretamente a pessoa de Jesus. Esta, em seus escritos continua intacta.


Este aforismo, extraído de sua obra Gaya ciência, expõe verdades que para aceitação do cristão representa cortar na própria carne. Pois nem sempre as verdades produzem conforto e satisfação, mas são capazes de acender a luz amarela em nosso caminho envolto pelo romantismo produzido por uma expectativa solitária do porvir, e esquecemos de viver sabiamente e salutarmente o agora.

Vamos acompanhar este raciocínio do pensador:

Os crentes e sua necessidade de crença.

“A crença é sempre desejada com a máxima avidez, é mais urgentemente necessária onde falta vontade: Pois é a vontade, como emoção do mando, o sinal distintivo de autodomínio e força. Isto é, quando menos alguém sabe mandar, mais avidamente deseja alguém que o mande, que mande com rigor, um Deus, um príncipe, uma classe, um médico, um confessor, um dogma, uma consciência partidária.

De onde talvez se pudesse concluir que as duas religiões universais, o budismo e o cristianismo, poderiam ter tido a razão de seu surgimento, sobretudo de sua rápida propagação, em um descomunal adoecimento da vontade. E assim foi na verdade: ambas as religiões encontraram um desejo que, pelo adoecimento da vontade, se acumulara até a insensatez e chagara até o desespero, o desejo de um “tu deves”; ambas as religiões foram mestras no fanatismo em tempos de adormecimento da vontade e com isso ofereciam a inúmeros um amparo, uma nova possibilidade de querer, uma fruição do querer.

O fanatismo é, com efeito, a única “força de vontade” a que também se pode levar os fracos e inseguros, como uma espécie de hipnotização de todo o sistema sensório-intelectual em favor da superabundante nutrição (hipertrofia) de um único ponto de vista e de sentimento, que doravante domina – o cristão chama-o de crença.

Onde um homem chega à convicção fundamental de que é preciso que mandem nele, ele se torna “crente”; inversamente, seria pensável um prazer e força da autodeterminação, uma liberdade da vontade, em que um espírito se despede de toda crença, de todo desejo de certeza, exercitando, como ele está, em poder manter-se sobre cordas e possibilidades, e mesmo diante de abismos dançar ainda. Um tal espírito seria o espírito livre por excellence.

Mas a religião sossega a mente do indivíduo em tempos de perda, de privação, de pavor, de desconfiança, portanto, quando o poder se sente sem condições para fazer diretamente algo para mitigar os sofrimentos de alma do homem privado: e mesmo diante de males gerais, inevitáveis e, de imediato, inelutáveis (fomes, crises monetárias, guerras), a religião assegura um comportamento pacato, paciente, confiante da multidão.”

Um comentário:

Claudio Nascimento disse...

O Interessante é reconhecer os instrumentos psicológicos que prendem a mente "crente" num mundo ilusório de beneficio para os Bonzinhos, e tormento par os "seus" malfeitores, a esperança de um dia receber a recompensa do bem com juros, e "ver" seus "algozes" recebendo a recompensa multiplicada a milionésima potencia.
É a luta do bem contra o mal, quando as vezes os bons são determinados por posição social e religiosa do que pelas suas atitudes o que relativiza o bem e o mal, como elemento fundamentalmente partidarista.

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