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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sobre Ética e Moral

APRESENTANDO MAIS UM AUTOR DE PESO NO BLOG MUNDO DA ANJA:




A priori devo dizer, sou um adepto e eterno estudante da filosofia de Espinosa, Baruch Spinoza, não vale a pena esconder esse fato gritante como se não fosse assim tamanha verdade em meu ser. Dito isso, me introduzo: Meu nome é Octavio Milliet, Octavio Pinheiro Machado Milliet, um dos maiores prazeres da minha vida é a escrita, me atenho aos longos textos mas não tive o prazer de escrever um livro de fato (fora um conto infantil que escrevi na infância ^^).

Acabei tendo a mania de, pelo longo contato com a internet, escrever textos e acabar utilizando apetrechos como “^^”, “=D”, “=)” e, principalmente (quem me conhece sabe bem disso), o “rsrs”. Às vezes essas coisas caem bem no meio de uma fala, outras, são como fantasmas que aterrorizam as coisas que eu falo! Mas tudo bem. Claro, não vou deixar que isso aconteça com muita frequência nos artigos desse Site, não se preocupem. Com… Muita frequência. ‘rsrs’

Enfim, de resto, ou seja, mais sobre mim, lhes será demonstrado ao longo do tempo pelos artigos que eu escrever por aqui, que, como todo texto de um escritor, carregam com eles um pouco da essência do autor.

Um grande abraço,

Octavio Milliet.
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Da Ética e a Moral
 




Estamos ainda nas primeiras décadas de um novo milênio. Somos, enquanto civilização, crianças começando a entender como funcionam seus brinquedos, pouco depois de aprendermos a brincar com eles. Mas aqui não discorrerei de tecnologia, essa será descrita ao longo do tempo.

Ética. Se existe um conceito extremamente (infelizmente) difuso no senso comum, você acaba de ler seu nome. A Ética se confunde com a moral, com os bons costumes, com o que é bom e mal, com prazer e dor… As pessoas, ao se questionarem sobre o que é a Ética, juntam um bolo de conceitos que elas conhecem por viverem eles em seu cotidiano, e respondem como alunos dos primeiros anos escolares, tentando acertar a resposta.

O fato é, a Ética não pode ser totalmente definida, pois nós, enquanto espécie, desconhecemos parte dela. Ao mesmo tempo, a Ética que já foi definida explica diversos fenômenos da natureza humana.

O que é, então, a Ética? Antes, desfaço rapidamente a confusão que se faz ao definir Ética como a Moral. Veja, a Ética é o conhecimento que podemos ter sobre a natureza humana, por meio da razão. A moral pode, porém, ser gerada puramente pelo homem, pode se basear em suas paixões, afetos, emoções. O homem pode definir para si uma moral própria, mas ele não pode definir uma Ética própria, a Ética é puramente o que nós somos, o modo de ser, dos seres humanos.

Assim, podemos dizer que Ética é a partitura da melodia humana, onde agimos de forma livre, soamos nossos instrumentos com mais ou menos volume, porém seguimos um comportamento em comum: O que nós somos está definido pelo modo de ser do ser humano. A evolução nos levou a esse modo de ser, da Natureza se derivaram nossas formas, podemos lutar contra elas ou aceitá-las e aprender a agir com elas, da forma que julgarmos melhor.   Não se engane, a Ética não é uma limitação, limites são impostos pela organização humana, e não por sua natureza. Mas a Ética é a definição de nossas buscas, a Ética não demanda nada de nós, mas nos diz, enquanto um fato, o que nós enquanto espécie costumamos buscar em nossas vidas, assim como indica como um ser humano pode ter sucesso nessa busca. Se a busca por felicidade, alegria e prazer é considerado bom pelos humanos, a Ética não define que os humanos devem considerar felicidade, alegria e prazer como boas coisas, mas ela define que os humanos o fazem de fato.

A Ética não demanda que um ser humano precisa ser grande, mas ela nos mostra que o ser humano costuma buscar por grandeza. A Ética, por certos pontos de vista, é uma estatística universal. Diferente da moral que uns impõem aos outros, outros impõem a uns, e todas diferentes umas das outras, a Ética é uma só, matematicamente definida. Uma ou outra moral humana pode ser baseada em diversos princípios Éticos, mas a própria Ética não dirá se isso é bom ou ruim. Talvez pelo pensamento Ético possa se demonstrar que uma moral que siga princípios Éticos poderá prover maior sucesso cultural, intelectual e social para uma sociedade. Mas a Ética não é uma regra humana, é uma condição.

“O homem é um ser de paixões”, uma frase constante na filosofia. Uma frase essencialmente Ética, e dizer que ele é dotado da capacidade racional (logo, dotado de Razão) para, se assim desejar, voltar-se de frente com suas paixões, e tentar compreendê-las, é igualmente Ético. Dizer porém que o homem, por ser um ser racional e apaixonado, deve entender suas paixões, deve ser racional, isso já não é parte da Ética, mas da Moral. Podemos dizer que essa Moral leva em consideração características Éticas, mas ainda assim, é uma Moral.

Bom lembrar que “Paixões”, enquanto termo filosófico, não significa amores fortes,  como é frequentemente utilizado no senso comum, embora podemos dizer que isso de certa forma está incluso. Paixões, explicando rapidamente, são os diferentes afetos humanos. Existem as paixões alegres (Exemplos como a satisfação, amor, sentimentos de alegria), mas também as paixões tristes (Exemplos como o ódio, a inveja, sentimentos de tristeza). Logo, as paixões são forças naturais do homem que o afetam.

“Por afeto compreendo as afecções do corpo, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, estimulada ou refreada, e, ao mesmo tempo, as ideias dessas afecções. Explicação: Assim, quando podemos ser a causa adequada de alguma dessas afecções, por afeto compreendo, então, uma ação; em caso contrário, uma paixão.” Espinosa em “Ética”: Parte 3, definição 3

Entende-se pelo que Espinosa define, que a paixão é aquilo que nos controla parcialmente, já quando agimos por meio da Razão, ou seja, quando nós mesmos, de forma consciente, somos a causa de nossas ações, sem nos deixar controlar parcialmente pelas paixões, ele chama de Ação.

Acho que agora já deu para entender essa diferença crucial entre as duas (Moral e Ética), não? Então podemos nos perguntar: “Se a Ética não nos demanda um certo comportamento, por que motivo ela seria importante?” Bom, se isto já não ficou óbvio, a resposta é simples. Uma Moral sem conceito ou consideração ética é uma moral apaixonada (ou seja, uma moral derivada das paixões do homem), ela obedecerá simplesmente aos desejos humanos. Um exemplo: Se por acaso um homem sortudo tiver a oportunidade de criar essa moral apaixonada e espalhá-la por um povo, muito provavelmente ela fará desse povo um povo machista, um homem, com desejo por mulheres, cria uma moral apaixonada, sua moral leva em consideração seu desejo pelas mulheres, ele as quer tanto que não se importa com a vontade delas, se importa somente em consegui-las. Sua moral demandará que as mulheres se submetam à ela, demandará que elas aceitem essa moral, e se elas não aceitarem, muitos homens que gostaram da ideia irão fazer de tudo para mantê-la imposta, até mesmo usando de força bruta.

Então pensemos no oposto, ou seja, na aplicação da Ética, na consideração da Ética na criação de uma moral. A priori um pode dizer que deveríamos nos abster da moral e sermos somente Éticos. Logo se percebe que foi desconsiderado o fato de sermos, como antes dito, seres de paixões. Cada homem segue uma moral, seja ela própria, alheia com modificações próprias, ou até mesmo puramente e fanaticamente alheia, ou seja, a moral imposta.

De um ser humano Ético e naturalmente apaixonado, esperamos que sua razão o guie por sobre a moral humana. É aí que entra a tal da moral própria, ou alheia com modificações próprias, ou seja “Eu sigo a moral x, mas tem certas coisas que eu não concordo, portanto faço elas do meu jeito.”

De uma moral Ética, esperamos que a natureza humana e a liberdade individual, visando o bem de toda uma sociedade, sejam levadas em consideração. Esperamos que as pessoas sejam tratadas por igual e que, se elas desmerecerem esse direito em outras pessoas, sejam assim corrigidas. É de fato o caminho que uma civilização começa a tomar, quanto mais avançada a estrutura do Estado, mais desenvolvida e quanto mais Laica, isenta de influências religiosas e ideológicas (falo disso mais adiante), ela se torna independente, ela passa a respeitar os indivíduos, a Ética surge numa estrutura neutra, de forma quase natural.  Pessoalmente, eu não confiaria em moral qualquer que se dissesse a mais Ética, pois não é sobre isso que se trata. A forma mais Ética de ser é a análise constante da Moral, seja ela qual for, por meio da Razão. Seguir fanaticamente uma moral leva o sujeito a abrir mão de sua liberdade e simplesmente se tornar uma ferramenta nas mãos de poderes alheios. É abrir mão da própria potência humana em prol de potencializar outra pessoa.

Porém mantendo constante atenção e aplicando o pensamento Ético na avaliação dos próprios atos, ou seja, numa moral própria, com ou sem influências alheias, o indivíduo potencializa a si mesmo, e a todos os outros que o acompanham no mesmo caminho. Vide portanto que aí não se faz necessário o fanatismo por um ideal ou ideologia para desenvolver uma forma de pensar e agir potente e produtiva. Essa pode ser formada de diversos ideais, individuais e coletivos, trabalhando em prol de bens comuns. Essa atenção e aplicação do pensamento, a noção cada vez mais clara do desenvolvimento de ideias, pode-se dar o nome de “Livre Pensamento”. Quantidades extraordinárias a mais de conceitos podem ser ditas acerca da Ética, porém aqui termina a minha relação e comparação dela com a Moral.

Via Universo Racionalista ( http://universoracionalista.wordpress.com/)


2 comentários:

Voz do povo disse...

Ah, se nossos políticos colocasse em prática, bela postagem, voz do povo.

Octavio Milliet disse...

Obrigado "Voz do povo" =)

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