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sábado, 14 de julho de 2012

Somos tod@s putas!



By: Ricardo Rocha Aguieiras
(Via:  Nossos Tons )


Quando o Slut Walk começou, em Toronto, no Canadá, por volta de  abril de 2011, eu fiquei boquiaberto. Finalmente, eu gritei!  Depois, o movimento cresceu e ganhou uma força maravilhosa, internacional, mas também ganhou diversas outras nuances. Estaria o mundo recuperando o Direito supremo ao uso do corpo?  Achei, inclusive, que finalmente teriam recuperado o início das Lutas Homossexuais no mundo (uso, aqui, o termo "homossexual" por que nessa época não tinha a sopa de letrinhas "LGBT" imposta hoje, só para avisar...), já que lutávamos pelas Liberdades Individuais e não somente ou meramente pela Legalização ou por Direitos. No meu modo de ver, íamos além, muito além.

Depois, a nossa "Marcha das Vadias" tomou outro rumo e foi considerada a terceira onda do Feminismo, o qual respeito muito e até partidos se apropriaram da marcha, como sempre fazem, aliás. E vi, mais uma vez, que eu estava enganado: direito ao corpo acabou sendo sufocado pelo rumo imenso que a Marcha e seus ideais políticos tomaram.  Prostitutas e prostitutos, por exemplo, continuam não sendo contemplados por essa marcha (apesar de terem se apropriado do rótulo de "vadias", que no nosso contexto quer dizer putas mesmo); na própria marcha há pessoas que tentam falar que querem apenas o direito de usar as roupas que querem sem serem estupradas. O que acho justo, mas, ingenuamente, acreditei uma hora que poderia ir além. As leis brasileiras não criminalizam a prostituição, mas criminalizam o dono ou dona das casas e boates, saunas etc., onde a prostituição é oferecida a clientes, o que gera um estranho paradoxo criando mais espaços para fazerem leis em nome da moral, como se esta fosse única e não individual. Abre caminho para machistas, por exemplo, continuarem com suas já tradicionais e conhecidas formas de opressão. E mais, abrem espaços para que a violência sofrida por mulheres e homens prostitut@s continue, não podendo trabalhar em recintos fechados, são jogad@s às ruas, onde sofrem todo o tipo de violência e reforçam conceitos de marginalidade.  Ou seja, repito, mais uma vez as/os putas/os não encontram abrigo em nenhum movimento social, apesar de exercerem a profissão mais antiga do mundo, apesar de promoverem inúmeros benefícios à sociedade, grupos e etc., por que muitas dessas mesmas pessoas que fazem parte dessa marcha precisam de bodes expiatórios em seus discursos. Na verdade o que estão dizendo, infelizmente, é que apesar delas usarem roupas "provocantes" ou terem todo o direito à exibição de suas sensualidades, elas não são putas. E ponto. Sim, é uma luta válida, justa e concordo com ela, apoio ela. Mas acho que poderia ir além. Todo moralismo cerceia Direitos.

Entender ou lidar ou mesmo sobreviver com as questões morais d@s outr@s e da sociedade é uma coisa complicada, inúmeros discursos sempre tentaram, através dos séculos, controlar nossos corpos: os discursos religiosos, o político, o dos poderosos  e o das poderosas, o do Estado, o da medicina , que se esconde sob a alcunha de "preventiva", os autoritários discursos médicos que não permitem a escolha individual, o das sociedades que costumam falar muito em "bons costumes" e em "valores morais". Enfim, todos esses discursos fracassam em um determinado momento. Mas não por completo, eles agem por um tempo, conseguem cercear as pessoas, mas chega um instante em que elas chutam o balde e decidem por si. O corpo, o desejo e a libido sempre vencem, não tem jeito. A igreja católica, com sua imposição do celibato está aí e não me deixa mentir: fracassa sempre, mas gera infelicidades imensas enquanto dura em cada padre ou freira, bispo ou bispa e etc., mesmo que seja "por debaixo dos panos".

Na verdade, quem realmente fracassou fui eu, que sempre quis, lutei, acreditei, exigi a Liberdade dos Corpos. Entendi a luta homossexual como também uma luta pelo corpo livre, e corpos livres transgridem, incomodam, não são conformados. Não se submetem tanto ao olhar alheio, mesmo que este venha de um médico, de um padre ou pastor ou de um/uma presidente. Fracassei feio e tive que lidar com essa dor. Por que sei que corpos livres são corpos felizes e promovem a felicidade. Assim como putas e putos promovem a felicidade, mesmo que momentânea, de quem, por "n" razões, não tem como a buscar de outra forma. Infelizmente, novamente, não foi desta vez que putos e putas encontraram a sua libertação nem o reconhecimento pelo que fazem. Será que, algum dia, encontrarão?

Um comentário:

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Anja,
Meu muito obrigado emocionado, por que sei da sua grandeza e da grandeza do seu blog! Você me honra e honra a nossa luta, com uma extrema dignidade e brilhantismo! Beijoe e beijos!
Ricardo Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br

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