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quinta-feira, 5 de julho de 2012

A vergonha de Cristo pela Igreja




Rodrigo da Luz


Alguma vez em sua vida você carregou uma má fama por algo que não cometeu? Como se sentiu?

É muito ruim ser injustiçado dessa maneira. Fico imaginando a situação de muitos pais cujos filhos escolheram o caminho errado em que, ao invés da sociedade compreender melhor a dor daquela família, ainda penaliza moralmente os genitores de um jovem viciado. Penso também no cônjuge que é frequentemente envergonhado por atitudes escandalosas de seu marido ou esposa como se ele fosse cúmplice de obras más.

São situações bem difíceis de suportar ainda mais porque muitas pessoas no meio social preferem afundar o outro ao invés de darem a mão. Se o ente querido foi visto num bar enchendo a cara de cachaça, a língua maligna da sociedade ainda diz que tal homem ou mulher rouba, prostitui-se, provoca confusões, usa outros tipos de drogas, é preguiçoso, faz dívidas e não paga, tem caráter ruim, etc.

Nestas horas, lembro-me de Jesus e do castigo infame que este Justo suportou pelas nossas transgressões sendo punido como um malfeitor.

Jesus não cometeu nenhum pecado que justificasse a sua prisão, condenação, açoites ou morte de cruz. Se o seu julgamento foi antecedido pelo episódio da expulsão dos vendilhões do Templo (Mc 11.15-19), este tratou-se de um ato de justiça, consubstanciado em ira santa, e que se reporta aos protestos dos antigos profetas de Israel (Jr 7.1-15; 2Cr 24.20-21). Pois nenhum crime pôde ser imputado a sua pessoa. Jesus apenas fez o bem!

Foi pelo pecado de sua nação e de toda a humanidade representada na injusta sentença de Pilatos que Jesus sofreu um dos mais vergonhosos castigos. Ali, no Gólgota, nosso Senhor amargou a dor do abandono, do escárnio, de estar sendo apenado pelo próprio Deus e foi tratado como um pecador. Foi como se um pai íntegro de um filho problemático levasse um cuspe ou uma bofetada na cara por resolver amar até o fim a sua semente.

Recentemente, um homem honesto começou a ser mal falado por seus parentes e pessoas próximas porque decidiu continuar amando sua esposa apesar da conduta escandalosa dela. Andando bêbada pelas ruas, a mulher chegava tarde em casa, adotou uma conduta ridícula e contou para terceiros coisas da intimidade do casal.

Pois bem. Na cabeça da sociedade estava configurada uma possível situação de infidelidade matrimonial. Já o marido, não se convencendo cabalmente disto, optou por perdoar mantendo o seu casamento, mas passou a ser visto até como alguém que estivesse se aproveitando de uma situação para participar de supostas imoralidades sexuais junto com a sua companheira. Diante de mentes bem maliciosas e julgadoras, a sua reputação foi a zero, tornando desacreditado o ministério por ele desenvolvido.

Acontece que Jesus sofreu muito mais do que isso! Em seu tempo, o fato de alguém sofrer uma morte vergonhosa como a sua seria sinal de punição divina. Na mentalidade de sua geração, não muito diferente da visão dos amigos de Jó, o infortúnio era interpretado como sinal de um castigo dos céus contra o pecador. Logo, se o nosso Senhor foi condenado aos trinta e nove açoites e à crucificação seria porque, no entendimento da maioria, ele estaria recebendo a recompensa por erros praticados.

Incrível como que, na cruz, Jesus ficou despojado de tudo o que tinha. Os soldados romanos deixaram-no completamente nu (aquele paninho nos quadros e imagens sacras que os artistas põem sobre o local da genitália não condiz com a realidade), porém a sociedade despiu-o da honra. A sua miséria foi tanta naquela hora que até o valor de seu nome ficou esvaziado diante dos homens. Aliás, diga-se de passagem que, muitas das vezes, o único bem que resta ao pobre é o nome. Só que até isto foi tirado de Jesus durante o seu martírio.

“Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte. E, assentados ali, o guardavam. Por cima de sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS. E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, outro à sua esquerda. Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.” (Mt 27.33-44; ARA)

Todavia, Deus conhece os corações e sabe dos nossos mais profundos motivos quando fazemos escolhas. O mundo inteiro pode achar que estamos vivendo de maneira errada, mas o nosso Pai Celestial, que nos vê em segredo, pode realmente julgar se estamos sendo sinceros ou não. Aos olhos do Onisciente, o seu justo é visto como de fato é, de modo que mais importa receber o louvor de Deus do que a bajulação hipócrita dos homens.

Assim Deus ressuscitou a Jesus com o seu poder e lhe deu um nome acima de todos os outros. Assentado à direita do Onipotente, foi-lhe dado o senhorio e o messiado sobre toda a Terra para que diante dele se dobre todo joelho. No tempo certo, as nações estarão submetidas ao governo de Cristo e caberá à Igreja tomar a frente de todo esse processo. Será a tão aguardada manifestação dos filhos de Deus como nos ensina o apóstolo Paulo:

“Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.” (Rm 8.17-19)

É certo que, em seus terríveis erros, até hoje a Igreja ainda continua envergonhando Jesus e seu santo nome. Por nossa causa, o Justo é blasfemado entre os que não obedecem à Palavra. Quando agimos mal, os inimigos da fé logo acusam a Igreja semelhantes o que fazem certas pessoas da sociedade com os pais, cônjuges e amigos de pessoas problemáticas:

“Vocês estão vendo esse casal de pastores ladrões detidos no aeroporto?! E o padre pedófilo que abusou do garoto?! Que coisa feia o comportamento daquela crente fofoqueira! Esse pessoal de igreja promete as coisas e não cumpre! Fulaninho se converteu e piorou mais ainda! Se seguir a Jesus fosse coisa boa, não haveria tantos escândalos no cristianismo...”

Ainda assim, Jesus não desistiu de sua Igreja! Nós podemos ser infiéis e reincidentes pecadores. Ele, no entanto, em seu terno amor, continua apostando na causa do Evangelho e na ideia de que gente falha, limitada e complicada, como é o nosso caso, algum dia ainda será capaz de dar muito fruto e de reinar com ele. Tanto é que os doze discípulos do Senhor eram homens comuns e até problemáticos nos relacionamentos dentro do grupo.

Mas glória ao Eterno porque fomos comprados por um alto preço. Trata-se de preço de sangue! Portanto, vamos honrar o nome de Jesus! Vamos buscar retribuir esse imenso amor demonstrado na cruz para que outras vidas também sejam incluídas no Reino de Deus e cada homem ou mulher neste mundo compreenda o seu verdadeiro papel diante da vida.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos!

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