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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A importância da mente





By Altamirando Macedo

Todos os fundamentalistas são intolerantes; sua escassa cultura condena-os a serem assim.  Defendem o que é anacrônico e o absurdo, não permitindo que suas opiniões sejam censuradas pela experiência. Chamam de ateu ou herege aquele que busca uma verdade ou persegue um ideal. Os negros queimaram Bruno e Servet, os vermelhos decapitaram Lavoisier e Cherniel ignorando a sentença de Shakespeare. “O herege não é aquele que arde na fogueira, mas aquele que a acende”.

A tolerância dos ideais alheios é a virtude suprema dos que pensam e difícil e inaceitável para os semicultos. Exige um perpétuo esforço de equilíbrio ante o erro dos outros, ensina a suportar esta consequência legítima da falibilidade de todo juízo humano. Aquele que se esforçou muito para formar sua crença, sabe respeitar as dos outros.

A tolerância é respeitar nos outros uma virtude própria, a firmeza das convicções, reflexivamente adquiridas, faz estimar nos próprios adversários um mérito cujo preço se conhece. A crença, síntese de todas as renúncias, é também o ato de renunciar a pensar. Nas crenças tudo é regido pela lei do menor esforço e o lasso enferruja a inteligência. A caixa craniana dos fundamentalistas é um estojo vazio, não consegue raciocinar por si mesmo, como se lhe faltasse os miolos. Desconfia de sua imaginação fazendo o sinal da cruz ou ajoelhando quando esta o preocupa com suas heréticas tentações. Renega a verdade se ela demonstrar o erro de seus preconceitos. Houve astrônomos que se negaram a olhar o céu através do telescópio temendo serem desfeitos seus erros.

Ignoram que o homem vale pelo seu saber, negam que a cultura é a mais profunda fonte de virtudes. Suas crenças ressecadas pelo fanatismo de todos os credos, abrangem zonas circunscritas por superstições passadas.  Chamam suas preocupações de ideais religiosos e sagrados sem perceberem que são simples rotina enlatada, paródias da razão, opiniões sem juízo, representam o senso comum desenfreado sem o controle do bom senso. Incapazes de ativar sua própria inteligência. Preferem o silêncio e a inércia mental, não pensar é a única maneira de não errar. Seus cérebros são casas de hospedagens sem donos, os outros pensam por eles, que no íntimo agradecem este favor. Desconhecem que a educação é uma descoberta progressiva da nossa própria ignorância.

Se a humanidade dependesse dos crédulos nosso conhecimento não excederia os do nosso ancestral hominídeo. Nenhum crente teria descoberto que a mesma força que faz a lua girar para cima é a mesma que faz a maçã Newtoniana cair ao chão. Mas são capazes de criticar, se opondo levianamente, às células tronco, aceleração de partículas, teoria do campo unificado ou Bóson W, pois lhes faltam noção de grandezas.

Muitos vivem com um telefone celular no ouvido, têm em casa uma TV de plasma com tela de 42´ que recebe seus programas via satélites, mas não acreditam que o homem foi à lua e desconhecem o avanço tecnológico da ciência com os programas aeroespaciais. Não sabem o que é uma fibra ótica, uma litotripsia, uma angioplastia ou desconhecem a complexidade da maioria dos exames médicos reiterando a evolução da engenharia.

A imensa maioria dos homens pensa com a cabeça de um padre ou de um pastor espertalhão. Não entende a linguagem de quem lhe explique algum mistério do universo ou da vida, a eterna evolução de tudo o que é conhecido, a possibilidade de aperfeiçoamento mental na contínua adaptação do homem à natureza e por conseguinte ao universo. Para conceber uma perfeição exige-se certo nível ético e é indispensável alguma educação intelectual. Sem isto pode haver fanatismos e superstições, jamais ideais. Encontram nos líderes uma faísca capaz de acender suas paixões, serão ou podem ser sectários. E, nem sequer perceberão seu fundamentalismo. Todo sonho seguido por multidões só é pensado por poucos visionários que são seus amos. Isto não é predestinação, é suicídio intelectual.

Há homens intelectualmente inferiores à medida de sua raça, de seu tempo e de sua classe social que são os criminosos hediondos, párias, parasitas e indigentes. Também existem os superiores dos quais se destacam os cientistas, os gênios e os intelectuais notáveis. Entre uns e outros existe uma imensa massa impossível de ser caracterizada por inferioridade ou excelência. A história não sabe seus nomes, a arte os desenha como incolores, não são interessantes. Os moralistas os tratam com igual desdém; individualmente não merecem o desprezo que fustiga os inúteis nem a apologia reservada aos virtuosos. Sua existência é natural e necessária. Em tudo que possui graus há mediocridade. Na escala da inteligência humana, esta massa representa o claro-escuro entre o talento e a ignorância. Quer que eu desenhe?

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