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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Entrevista com a Anja: Tema - MASTURBAÇÃO




Para quem ainda não leu as partes anteriores, segue os links:





4° tema: Masturbação

[Carlos Carvalho Cavalheiro] – Um dos temas relacionados à sexualidade e que ainda gera polêmica, por incrível que pareça, é a masturbação. Não encontro nada especificamente sobre esse assunto na Bíblia, para ser sincero. No entanto, tenho visto e lido muita argumentação baseada numa suposta exegese ou hermenêutica que busca, até de forma filosófica às vezes, procurar desmerecer a prática do autossexo. Para ser honesto, sou obrigado a buscar argumentações outras que não as minhas para fundamentar as perguntas sobre esse assunto. Claro que isso não é demérito, ao contrário.

Como a intenção dessa entrevista é discutir as várias visões sobre a sexualidade e o sexo, sobretudo em comparativo com o texto bíblico, de maneira alguma o empréstimo honesto de argumentos irá desmerecer a entrevista. Começo, então, buscando argumentos disponibilizados no site “got Questions? Org” (http://www.gotquestions.org/Portugues/masturbacao-pecado.html Acessado em 20 ago 2012), em resposta a pergunta:

“Masturbação – de acordo com a Bíblia é pecado?”:

“A Bíblia nunca menciona especificamente a masturbação ou afirma se a masturbação é ou não pecado. Entretanto, não há dúvidas de que na grande maioria das situações as ações que levam à masturbação são pecaminosas. A masturbação é, quase sempre, o resultado final de pensamentos sensuais, estimulação erótica e/ou imagens pornográficas. São com estes problemas que devemos lidar. Se abandonarmos e vencermos os pecados de luxúria e pornografia, o problema da masturbação vai se tornar algo de mínima importância”.

                Qual o seu comentário acerca dessa afirmação?

Anja Arcanja:

Carlos, A Bíblia de fato não menciona a masturbação, mas podemos encontrar embasamentos para dizer que ela não apoie, isto partindo de interpretações de alguns textos. Mas eu pergunto se estariam estas interpretações corretas? Veja o exemplo que você mesmo cita em que o autor do texto diz: “A masturbação é, quase sempre, o resultado final de pensamentos sensuais, estimulação erótica e/ou imagens pornográficas. […] definitivamente, devo dizer que a masturbação, de acordo com a Bíblia, é pecado.” (http://www.gotquestions.org/Portugues/masturbacao-pecado.html)

Eu discordo solenemente do que o autor diz, pois não vejo como pensamentos sensuais estimulação e/ou imagens pornográficas possam ser pecados a menos que, de alguma forma, tais práticas nos atrapalhem a manter um bom relacionamento com nosso próximo, o que pode ser um sinal de distúrbio, como já disse.

Sobre a masturbação em si, penso eu, que é uma excelente forma de nos conhecermos melhor (seja solteiro/a ou casado/a), e assim, podermos ter um melhor desempenho sexual, pois conhecendo nossos corpos, podemos dizer ao parceiro/a onde queremos ser tocados e quais são as partes de nossos corpos que mais nos excitam.

Pra mim, é uma prática saudável, além de ser prazerosa.

réplica

[Carlos Carvalho Cavalheiro]

– Vou transcrever aqui os argumentos de Norman L. Geisler, no livro – já citado – “Ética Cristã”, no trecho em que ela trata do assunto da masturbação. Gostaria que você comentasse esse trecho:

“No que diz respeito à autossexualidade (i.e., a masturbação), é geralmente errada. A sublimação (drenar a energia sexual através do exercício) e as emissões noturnas são consideradas maneiras legítimas de queimar energia sexual excessiva. A masturbação é pecaminosa quando seu único motivo é o mero prazer biológico, quando é permitida tornar-se um hábito compulsivo, e/ou quando o hábito resulta de sentimento de inferioridade e causa sentimentos de culpa. A masturbação é pecaminosa quando é realizada em conexão com imagens pornográficas, porque, conforme disse Jesus, a concupiscência é uma questão dos interesses do coração (Mt. 5.28). A masturbação pode ser certa se for usada como um programa limitado e temporário de controle-próprio para evitar a concupiscência antes do casamento. Se a pessoa se comprometer plenamente a viver uma vida pura antes do casamento, talvez seja permissível ocasionalmente usar o estímulo autossexual para aliviar sua própria tensão. Enquanto não se tornar um hábito nem um meio de gratificar sua concupiscência, a masturbação não é necessariamente imoral” (GEISLER, 1997, p. 171).

Qual a sua opinião sobre os argumentos de Geisler?

Réplica Anja Arcanja

Como já disse Carlos, apenas considero ser “pecado” a partir do momento que tal prática comece a atrapalhar meu bom convívio em sociedade. Geisler diz que pode-se usar a masturbação como forma de controle para evitar a concupiscência antes do casamento, o que também não concordo, pois sou a favor do sexo antes do casamento, mas de forma alguma desejo que seja uma tônica, apenas penso que devemos respeitar a quem deseja fazer sexo antes de casado, mesmo que esteja congregando em alguma igreja.

Penso que Geisler foi contraditório em sua opinião, pois como a própria Bíblia diz, é sim sim ou não não, e neste caso específico, Geisler em sua opinião diz: sim, não; não, talvez; sim e não; o que pra mim demonstra dúvida e insegurança ao tratar de tal tema. A minha opinião é e sempre será sim, sou a favor, pois não é a própria Bíblia que diz em Tito 1:15: Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados?.

E cito algumas palavras do Pr. Jaime Kemp, fundador do ministério Vencedor por Cristo, conselheiro familiar, conferencista e autor de vários livros ligados a família: “A masturbação tem provocado confusão e conflitos entre os jovens. Sem a menor dúvida, é um assunto polêmico, motivo de debate nas comunidades cristãs. Equivocadamente alguns condenam o ato com veemência, definindo-o como pecado, sem chance de qualquer contestação ou mesmo diálogo. Outros preferem o meio termo, nem sim, nem não, e deixam a decisão sobre o que fazer para a responsabilidade de cada pessoa, colocando o tema sob a explicação da liberdade cristã. Ainda há outros que afirmam que ela é um presente preparado pelo Senhor para o alívio sexual do ser humano.” (http://omundodaanja.blogspot.com.br/2012/01/masturbacao-by-jaimer-kemp.html)

Apesar de pensar um pouco diferente dele, e como sempre gosto de ir além, penso que não apenas é um presente de deus para o alívio sexual do ser humano, mas também, como já disse, um aliado importante para o conhecimento do próprio corpo.

Tréplica

[Carlos Carvalho Cavalheiro]

– Jesus Cristo disse: “Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração.”, em Mateus 5.28. Considerando isso, se a masturbação for impulsionada pelo desejo de manter relações sexuais com uma mulher, ainda que em fantasia (como, por exemplo, em filmes pornográficos nos quais a concupiscência decorre de uma excitação pela imagem que se transforma numa fantasia, pois se sabe que são atores encenando e que dificilmente o espectador do filme poderia manter a mesma relação com a atriz, que pode ser até de outro país ou de uma realidade extemporânea a dele – em casos de filmes antigos, em que a imagem vista não condiz com a atual – se escorando, portanto, tal excitação estimulada em fantasias), isso não seria pecado? Entendo que há espaço aí para a argumentação: ora, o pecado não está nesse caso na masturbação e sim no desejo de possuir uma mulher que não a sua. Porém, se pensarmos assim, não contradiz o seu argumento quando refuta Geisler por ele situar a masturbação como pecado de forma relativa?

         Há quem afirme que em Levítico 15, quando se fala do fluxo do homem (semente da cópula), derramado de forma a ser desperdiçada, está se falando em polução noturna e masturbação. Em qualquer que seja o caso, o texto é contrário a isso. O que você pensa a respeito?

                Novamente, busco uma fonte extrabíblica no intuito de enriquecer o debate do assunto e, por isso, peço sua opinião também sobre a seguinte afirmativa de Samael Aun Weor, fundador do Movimento Gnóstico moderno: “…A adega energética do centro sexual também é saqueada pelos diferentes agregados psicológicos. A criança desde idades precoces começa com o vício da masturbação, perdendo elementos tão fundamentais para seu desenvolvimento como a lecitina, a colesterina e os fosfatos. Aí começa a via crucis do ser humano. A profunda ignorância na que vive a humanidade faz com que este centro seja o mais prejudicado...

Além de que tal expulsão inútil provoca, quando não se trata de usá-la para a reprodução da espécie, uma série de efeitos secundários como: um empobrecimento de certas substâncias vitais para o organismo; aumenta a dependência psicológica deste tipo de prática (a masturbação); provocará, em longo prazo, transtornos (naquele que a pratica por um longo tempo) que lhe produzirão problemas nas relações posteriores de casal e também isolamento, etc., como acabamos também de ler.
Longe do fanatismo, há que entender as palavras que dizemos aqui. Tudo é criticável e tudo é discutível, mas há uma realidade, e é que há três tipos de sexualidade: Geradora, De-generadora e Re-generadora. Se ficarmos sempre no mesmo tipo de sexualidade De-generadora, não podemos aspirar a uma regeneração física, psíquica ou espiritual. Isto há que sabê-lo. Cada um é livre de escolher, mas temos que ater-nos às consequências e agora, ainda que seja superficialmente, já as conhece, querido leitor. A qual sexualidade você se predispõe? O que é que você busca na vida: degenerar-se mais ou regenerar-se?”
                Qual o seu comentário sobre essa afirmação?

Tréplica Anja

Carlos, sobre esta (suposta) fala de Jesus, já explicitei se tratar do 10° mandamento e de nossa incapacidade em cumprir tais mandamentos divinos (que a propósito não foi exclusividade do povo hebreu, pois muitos séculos antes de Moisés “supostamente” receber das mãos de Deus as tábuas da Lei escrita em argila, o povo sumério já as tinha escrito em mesmíssimas tábuas de argila, tal qual Deus “supostamente” fez e entregou a Moisés) necessitando um sacrifício divino em favor da humanidade, e assim, perpetuam-se as estórias das divindades que precisam das orações dos humanos para sobreviver, e nós humanos, necessitamos do favor divino e cumprir rituais e penitencias para sermos “merecedores de tal favor”, mas, este é outro tema e não irei desviar o foco.  Mas em suma, os deuses apenas vivem por se alimentarem de nossas orações, louvores e mendicância e nós, não recebemos favor algum dos deuses, já que deuses apenas existem em nossa psique, e é nossa psique que os alimenta.

Agora, retornando ao tema, eu (como mulher) faço uma enorme diferença entre cobiçar (no sentido que intentar possuir) e fantasiar, e é esta diferença que ressalto. Quando se fala quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la, entenda: aquele que quer para si (como esposa) a mulher de outro. O cobiçar aqui está além do campo “sonhar” e sim, se refere a querer mesmo. E não só a mulher, mas qualquer coisa que seja de meu próximo.

Sobre Levíticos cap 15, de novo recaímos na Lei escrita “exclusivamente” para o povo judeu para torna-lo “diferente” dos demais povos numa demonstração de eleição (exclusividade), sendo necessária a busca por santidade para que pelo povo hebreu, nascesse o salvador do mundo, ou melhor, mais um dos muitos salvadores do mundo.

Sobre a afirmação de Samael Aun Weor, é bem como minha vó que faleceu aos 97 anos dizia: “tudo que é demais sobra”, ou seja, em tudo que exagerarmos, teremos problemas, complicações e até, se houver uma predisposição, desenvolver um distúrbio. É assim não só com o sexo, mas em tudo na vida. E em geral, as coisas que mais nos dão prazer é o que mais devemos ter cuidado. Observe uma pessoa, por exemplo, que não consegue se controlar ao se alimentar, consequentemente terá problemas de obesidade e se não acordar para esta realidade a tempo, terá problemas ainda maiores, pois poderá chegar a uma obesidade mórbida. É assim também com a bebida e com tantas outras coisas que podem nos dar um prazer singular que, se não tivermos cuidado, moral e ética, estaremos ajudando a engordar as estatísticas dos que sofrem de algum distúrbio e em consequência disto, necessita um tratamento específico.

Os animais agem por puro instinto apenas para a preservação da espécie, e quanto a nós? Agimos assim também? Segundo Freud, a força que no impele a sempre buscar determinado prazer é a pulsão, e a busca pelo prazer, sendo ainda mais específica, é a pulsão sexual, pois na realidade, a sexualidade está muito além da genitalidade, pois, o homem é o único animal que busca o sexo por mero prazer, é o único que beija, busca diferentes posições, se toca, toca seu parceiro/a, ou seja, busca sempre alcançar um prazer que ainda não atingiu. É assim também com a comida, por exemplo, como sendo uma pulsão sexual, pois nos alimentamos com os olhos, com o cheiro e por fim, com o paladar; buscamos misturar sabores na busca sempre pelo sabor que mais nos agrada, mais se completa conosco. A psique humana está banhada dessa pulsão. E é isso que Freud chama de sexualidade, esse impulso constante que movimenta nosso organismo em busca de uma satisfação. Mas se não soubermos refreá-la… (pra quem sabe ler, um pingo é letra, coloquei três rsrs)

Sobre distúrbios, foi até bom tocar neste assunto, pois eu sofro de um transtorno bem incomum, não por excessos, mas desde minha adolescência, mas que se agravou logo após o casamento e só consegui ter diagnosticado há quase 4 anos e acredito que muitas mulheres assim como eu, sofrem caladas com o mesmo problema meu, trata-se do Transtorno da Excitação Genital Persistente, conhecido pela sigla TEGP http://omundodaanja.blogspot.com.br/2012/06/transtorno-da-excitacao-genital.html Acredito que este artigo pode ajudar a muitas mulheres a sentirem-se encorajadas a buscar ajuda.

Sobre o que eu disse a respeito dos deuses Carlos, não quero aqui pregar minha descrença, mas quero deixar claro que não podemos condenar pessoas por pensarem e agirem diferentes de nós. Tenho certeza que se muitos que hoje se dizem apologistas, exegetas entre outros, se forem de fato estudarem o que dizem ser, acabariam por descrer de deus, eu não quero aqui que digam que esta é a minha intensão, pois de fato não é, apenas quis trazer fatos que, tenho certeza, muitos desconhecem, mas, meu objetivo foi mostrar que podemos sim, ser religiosos (seja qual for o credo) e ter uma vida sexual livre de culpas.

Bjux querido…

Anja Arcanja

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