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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

II PARTE: O Sexo dos Anjos... Entrevista com Anja Arcanja - 2° tema: ADULTÉRIO




Continuação... 2° tema: ADULTÉRIO 

Para quem não leu a 2° parte e as duas partes do 1° trema, neste link encontrarão apenas a publicação da entrevista:


Tréplica Carlos

[Carlos Carvalho Cavalheiro] – Porém, Deus não aceitou a relação do faraó com Sarai, mulher de Abraão, mesmo com o consenso do casal, conforme Gn. 12: 10 – 20. Abraão pediu para que sua mulher dissesse ser sua irmã, o que possibilitou ao faraó desposá-la. Mas Deus não aceitou tal situação. Não estaria aí um exemplo de que, mesmo com o consenso do casal, qualquer relação extraconjugal é vista como inadequada aos olhos de Deus? E, ainda, insisto: se Jesus disse que “olhar” para uma mulher desejando-a já seria adultério, o que falar em manter relações com essa mesma mulher?

Não há realmente o “rompimento” da unificação (“uma só carne”) num casamento quando há outra pessoa envolvida na relação, ainda que de forma consensual? Não seria esse o contexto de 1Co. 6:16 – 18?

Ademais, Jesus diz daqueles que são pedra de tropeço, no sentido de pessoas que atrapalham o desenvolvimento da fé de outras. Numa relação aberta, deveria haver consenso, então, entre todos os participantes e sabe-se que nem sempre há. Melhor explicando: muitas vezes um homem casado, com a conivência de sua esposa, mantém relações com outra mulher, por sua vez casada com outro homem, sendo que este último não tem conhecimento de tal ato. Por isso pergunto: somente a mulher infiel é responsável pela infidelidade? Mas e quanto ao seu parceiro, que sabe do desconhecimento do marido dela, não comete adultério? Não contribui para a infidelidade de outrem? Não peca?

Tréplica anja

Carlos, no caso, não poderíamos dizer de forma alguma que houve um consenso em assumir um relacionamento aberto, no relacionamento aberto, não existem mentiras, engodos, enganos. O que houve na verdade, foram duas coisas (isto no meu entendimento):

1° - o sentido de preservação da vida – Abrão temendo ser morto em terra estranha pelos egípcios que com certeza, cobiçariam sua esposa, fez a ela tal proposta.

2° - percebendo Abraão que passou a ter lucros com a situação, pode ter até pensado ter sido um bom negócio, sei que pode soar estranho, mas devemos lembrar que a mulher era moeda de troca naquela época.

Mas perceba que o mais interessante nisto tudo é que nem Abraão nem Sarai foram punidos por Deus e sim Faraó, que fora enganado por Abraão, e segundo a própria bíblia, nunca teve intensões de desposar Sarai se soubesse que ela era esposa de Abraão e não irmã. Não nos parece que Abraão devesse ser punido por ter mentido e enganado a Faraó e não ter fé suficiente de que deus o livraria de todo mal? Uma pergunta que sempre me fiz: porque fora punido Faraó e não Abrão? Não soa como sendo deus injusto, uma vez que o faraó não sabia que Sarai era esposa de Abraão? (quero votar a falar sobre o engano, mas farei no fim de minha tréplica, agora irei abordar o outro texto que você cita).

Quanto ao contexto da carta de Coríntios, é bem claro que trata-se de meretriz (prostituta), e já deixo claro aqui que tenho uma visão singular a respeito de pessoas que fazem sexo por dinheiro e não vejo nada condenável em tais pessoas, mas, não quero abordar agora este assunto, antes, voltemos ao contexto da carta aos Coríntios, que trata de prostituição, e como já venho dizendo, sempre devemos fazer uma análise histórico-crítica, o contexto cultural da época, para quem era endereçado o texto, quais eram os costumes locais, para saber o que qual era a intenção do autor ao redigir tal texto. Mas, fica claro que não se trata de relacionamento aberto também, pois se refere à prostituição.

Bem, já disse no começo e volto a repetir (uma vez que você insistiu, fazendo questão de frisar isto), Jesus ao falar que se comete adultério apenas com o “olhar desejoso”, fazia referencia direta ao 10° mandamento da Lei mosaica, uma lei impraticável, da qual estamos livres.

Mas algo interessante que você disse, e pra esta eu tiro o chapéu, pois, pra mim, este será o ponto crucial da entrevista é quando você questiona sobre padra de tropeço, e nesta fala, Jesus se refere a ele próprio, mas penso que você fazia referencia a carta de Paulo aos Coríntios neste verso:

I Corintios 8:9
9 - Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos.

E ainda: I Corintios 10:32
32 - Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.
E em minha opinião o mais importante: I Corintios 10:31
31 - Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.
Gostaria de abrir um parêntese e replicar aqui algo que penso ser importante, pois a algum tempo atrás, escrevi um texto onde falo algo sobre a forma de louvar a deus:

Eu (nós como gênero humano), louvamos a Deus em nosso modo singular e plural de viver. Desfrutando de nossa humanidade intensamente. Gozando com limites os prazeres da vida. Amando a nosso próximo. Ajudando-o, respeitando-o, sendo um com meu esposo, sendo de fato uma mãe... Enfim, louvamos a Deus nas mínimas coisas e nos pequenos detalhes da vida! Até nos momentos mais difíceis louvamos a Deus sabendo como atravessar e transpor estes momentos. É assim que penso: devemos emprestar significados a cada momento da vida, cada abraço, cada beijo, cada relação sexual, (rsrs), em cada gesto, em cada, em cada... Fazendo de cada momento um momento único que não voltará de novo...

Mas voltando ao tema Carlos, gostaria de neste ponto falar que as coisas que fazemos entre quatro paredes, ou no secreto de nosso lar, de forma alguma precisa (ou deve) sair de lá, ou seja, ser externado. Pois é fato que tudo que de alguma forma, contradiz ao que para a maioria é comum, portanto, o correto, pode é claro, chocar a muitos; muitos neste ponto poderão questionar-me ao estar assumindo publicamente meu relacionamento aberto e, portanto, “escandalizando”, mas, deixei claro no começo da entrevista que hoje não mais pertenço a nenhuma igreja (como instituição) exatamente por não aceitar algemas e dogmas a mim impostos, sem que eu possa sequer questiona-los e por esta razão, decidi pular fora do barco chamado religião, e nadar no mar aberto e dizer aos que assim como eu, que podem ser livres sem, portanto, ter a necessidade de se exporem como eu, que faço exatamente para mostrar que podemos ter esta liberdade.

Para fechar, quero falar que, sim, existe uma necessidade recíproca de ambas as partes saberem, e digo que sou radicalmente contra a infidelidade, engano e todo tipo de engodo na relação. Como disse desde o começo, o respeito é a base de tudo.

Anja Arcanja

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Escritora e poetisa amadora e teóloga. Autora do blog “O mundo Da Anja” (http://omundodaanja.blogspot.com.br/), um blog que conta com diversas parcerias e articulistas, voltado a discutir religião, filosofia, teologia, ateísmo, homossexualidade, sexualidade humana, entre outros temas de relevância; e do blog “Poemas e contos eróticos da Anja” (http://anjaarcanja.wordpress.com/), um blog de cunho erótico. Escreve ainda para os blogs “confraria teológica Logos & Mythos”, "Vida Sofista" e   “Fragmentos Ativos”, além de ter textos publicados em vários blogs e sites.

Carlos Carvalho Cavalheiro - Nasceu em São Paulo em 09 de maio de 1972. Formado em História, Teologia e Pedagogia. Pós-graduado em Gestão Ambiental e em Metodologia do Ensino de História. Professor de História na rede pública municipal de Porto Feliz. Escritor e poeta, escreveu os livros: "A greve de 1917 e as eleições municipais de 1947 em Sorocaba"; "Folclore em Sorocaba", "Salvadora!", "Decobrindo o Folclore", "Scenas da Escravidão", "Histórias que não se contam mais - vol 1", "A História do Preto Pio e a fuga de escravos de Capivari, Porto Feliz e Sorocaba", "Histórias que não se contam mais - vol. 2", "O Peregrino do Caminho do Sol", "Moda da História de Sorocaba", "Vadios e Imorais", "O Mistério Revelado", "Memória Operária", "Folia de Reis em Sorocaba".
Foi co-diretor, juntamente com Adilene Cavalheiro, do documentário "Cantos da Terra".
Produziu os cds "Cantadores - o folclore de Sorocaba de Sorocaba e região" e "Passarela da Saudade" (Diolindo e Almeida).

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