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sábado, 18 de agosto de 2012

Paula Sorato & Anja Arcanja – debate sobre Sexualidade





Paula Sorato & Anja Arcanja – debate sobre Sexualidade

§1 - Cada debatedor tem direto a no máximo 3 postagens (de 4096 caracteres cada uma) por participação.   

§2 - Os debatedores DEVERÃO fazer 4 participações intercaladas por: considerações iniciais, réplica, tréplica e considerações finais. Todo é debatedor é livre para finalizar SUA participação a partir da réplica se assim desejar.

Considerações iniciais by Paula Soratto

"A Cópula

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo."

Manuel Bandeira



Olá Mademoiselle,

Começo minhas considerações com um poema explícito, seguido de uma pergunta:
A partir de que momento uma pessoa começa a se sentir sexualmente curiosa?

Vou delimitar o assunto abordado aqui para que não haja fuga ao tema proposto, especificamente sobre a sexualidade no seu sentido psicológico e biológico, excluindo assim a reprodução física do ser (Mesmo porque, para não entrar de cabeça em questões religiosas e tornar o debate maçante).


Na construção sexual, há muitos fatores envolvidos, que refletem tanto direta quanto indiretamente: como a sociedade em que se encontra inserido e seu nível de avanços em relação à moralidade, a religião predominante da comunidade e a religião pessoal do indivíduo.

Muitas vezes devido ao ambiente que vivem, as crianças tendem a uma sexualidade precoce. A criação dos valores começa na infância, na simples e inocente observação.

É observando seus pais e familiares, que as crianças aprendem a se comportar e agir em determinados momentos. Eles imitam o que veem, e na maioria das vezes os pais culpam as crianças por não agirem como deveriam. Aí é o ponto, a repressão.

O tabu sobre sexo não existe apenas nas catedrais de uma igreja, ela reside dentro do lar doce lar, e dentro do próprio “eu”.

A criança mais crescida, mais sábia das coisas da vida, começa a se perguntar dos sentimentos estranhos que ela tem ao acariciar certos pontos de seu corpo, começa se descobrir sexualmente pelo toque, pela experiência de grande prazer que lhe é causada.

Respondendo minha própria pergunta, essa curiosidade aflora dos 6 aos 7 anos de idade, na sua maioria.

Você, sendo duplamente mãe, já deve ter passado por essa situação: “Mamãe, da onde vêm os bebês?”.

E agora José?
Contar a verdade? Mas que palavras usar?
Apelar para a Cegonha?
Sementinha?
E agora José?

É incrível que no século que estamos os pais ainda tenham receio de conversar com os filhos sobre sexo abertamente, de criar esse laço de confiança mútuo.

Ao repreenderem seus filhos, os pais criam o tabu, que esse levará consigo até poder passa-lo adiante.

Quem nunca, em seus primórdios da masturbação, se sentiu culpado?
Qual adolescente que gosta do mesmo sexo, que não morre de medo do pai ser fazer o tipo Bolsonaro?

Na transição para a sexualidade adulta, mudam os interesses, os tabus e tudo que antes vinha relacionado a mudança física, agora acompanha uma grande mudança de comportamento e pensamento.

A fase adulta é onde os indivíduos permitem-se conhecer a si mesmos. Quando o desejo carnal soa mais alto do que qualquer culpa que ele tenha do passado.

Creio que levará o debate a um nível maior de libido e perversão, peço que o faça sem dó.
Aguardando suas respostas.


Beijos e abraços salientes.

Considerações iniciais by Anja Arcanja

Me confessando

Eu pequei. Tinha que confessar-me. Precisava ir à igreja para que pudesse me redimir, estava muito arrependida. Rezava enquanto caminhava apressadamente; ao chegar, antes que pudesse me confessar, ajoelhei-me diante da imagem de Cristo e rezei para que Ele arrancasse de mim toda aquela luxúria e volúpia que invadiam min ‘alma fazendo-me perder o controle e entregar-me aos desejos mais ardentes de meu corpo: Sexo ardentemente selvagem e intenso. Ser possuída vorazmente por dois homens gulosos… Incansavelmente gulosos! Com força, muita força! Sentir os cheiros… A quimiotaxia, o suor, os membros enrijecidos pulsando dentro de mim… Em minha boca… Em minhas entranhas… Num frenético vai e vem. Eu me entregava por inteiro, eles me possuíam por completo: beijos molhados, chupadas gostosas, penetravam-me inteira! Duas horas e meia de intenso prazer ao som da banda irlandesa de rock U2… A voz do Bono vox me deixava ainda mais excitada. Orgasmos múltiplos me invadiam a cada vez que era possuída. Depois, caíamos cansados… Esgotados de prazer… Mas depois me vinha a culpa… Eu precisava me confessar.

Aproximei-me lentamente do confessionário, respirei fundo, mas não me contive. Comecei a chorar enquanto me confessava tamanha era a culpa que sentia. O padre, sereno, fez com que me acalmasse. Então, mais calma pude confessar-lhe meus pecados.

Mas enquanto me confessava, podia sentir o cheiro da loção após barba do gentil padre, que de novo aguçara a minha volúpia fazendo arder em mim uma explosão de desejo e fantasias… Minha respiração tornou-se ofegante. Estava de novo tomada pelo desejo. O tom de minha frágil e trêmula voz mudou. Tornara-se numa voz mais grave e rouca pelo desejo que ardia em mim. Podia sentir a respiração do padre e percebi que ele também me desejava… Percebi sua respiração cada vez mais ofegante. Talvez ele estivesse se masturbando enquanto me ouvia (eu imaginava), e isto fez com que eu fosse confessando de forma mais calorosa pecados que eu nem ainda cometera, mas com certeza, iria cometer.

Já podia ouvi-lo gemendo, bem baixinho, mas eu o ouvia gemer. Aproximei-me mais um pouco e comecei a falar de como era bom ser possuída… Os seus gemidos começaram a ficar mais intensos na medida em que eu ia falando. Podia sentir seu convite para que eu entrasse para ser por ele possuída. E eu confessando meus pecados. Até que de súbito, ouvi um gemido mais intenso. Um urro de prazer! O padre gozara… Então, sentindo-me mais aliviada por ter me confessado, sai da igreja e fui embora para minha casa. Mas sabia que em breve eu ia precisar me confessar de novo…

In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti
Anja_Arcanja



Olá Paula Lilith, ser assim como eu, híbrida! Como voce começou suas considerações com um excitante poema (muito embora eu considere a linguagem usada por Manuel um tanto chula), o que não deprecia o poema, mas, prefiro um linguajar mais erudito, mas é uma opinião pessoal minha, postei também um de meus contos, e poderemos prosseguir assim: sempre antes (ou depois) de cada resposta, poderíamos postar um poema ou um conto, o que você pensa a respeito? Bom, deixa-me responder a suas perguntas né? Vamos lá!

Vou neste debate, falar de minhas experiências e meu aprendizado prático, não apenas como mãe, mas como mulher, ser humano que sou, ainda que seja anja (rsrs).

Penso que por mais que tentemos evitar, acabaremos por esbarrar no fator religião, mas, tentemos retardar o máximo possível. Quando você diz que “Na construção sexual, há muitos fatores envolvidos, que refletem tanto direta quanto indiretamente: como a sociedade em que se encontra inserido e seu nível de avanços em relação à moralidade, a religião predominante da comunidade e a religião pessoal do indivíduo.” 

Estas questões “morais” nos acompanham desde a idade média (sec. XVI mais precisamente) tendo em vista que antes disto, as crianças europeias falavam abertamente sobre sexo, ma a partir do sex XVI, os europeus redefiniram a criança como um ser inocente, o que perpetua-se até os dias de hoje. E o sexo, passou a ser tratado como algo ‘sujo’ e ‘mau’, isto, graças a religião.

Quando você diz que “muitas vezes, devido ao ambiente que vivem, as crianças tendem a uma sexualidade precoce”(…), concordo plenamente contigo e acrescento que não são apenas “muitas vezes”, mas 100% das vezes, pois a criança irá refletir o que vê em seus pais, somos os espelhos e elas, nosso reflexo. Mas gostaria de lhe perguntar o que é pra você, sexualidade precoce? E vou trazer para cá o exemplo de meu lar e de como tratamos a sexualidade e nudez no âmbito familiar.

Meu esposo é militar do exército e já possuiu três armas (hoje não mais), sendo uma delas de uso restrito. Meus filhos cresceram convivendo com as armas colocadas em lugares onde eles tinham pleno acesso, óbvio que descarregadas, mas pra que isto? Meu esposo dizia que era para que eles se acostumassem com as armas, para que isto passasse a ser algo natural para eles, pois elas estando ao alcance das vistas e eles tendo acesso (com meu esposo lhes explicando desde a tenra idade dos meninos, que armas são perigosas), eles perderiam aquela curiosidade natural que toda criança tem ao encontrar algo que seus pais lhes escondem, entende onde quero chegar? Se agimos com naturalidade em relação aos mais diversos assuntos, diante de nossos filhos, eles responderão com naturalidade, e é assim aqui em casa em relação a sexualidade e nudez, meus filhos (2 meninos lindos de 11 e 8 anos) beijam-me na boca e veem parte de minha nudez com a maior naturalidade e já sabem que a cegonha não lhes entregou a nós, e como isto aconteceu? (rsrs) foi até engraçado, pois residíamos em Rondônia e precisamos fazer uma viagem à capital para que realizássemos exames de rotina no hospital militar e ficamos no hotel de transito do quartel, muito bom por sinal, unimos o útil ao agradável, pois tínhamos acesso ao clube e cerveja era necessário para aplacar o calor de mais 40° à beira da piscina e a excitação, era inevitável.

Certa noite eu e meu esposo estávamos transando e meu filho mais velho, então com sete anos, acordou e presenciou nosso momento íntimo. Só percebemos que ele estava acordado e vendo porque ele de súbito, teve uma atitude de desaprovação, sem entender ao certo o que estava acontecendo, mas virou-se meio que reclamando e nós, claro, nos assustamos e paramos até que ele dormisse novamente. Na manhã seguinte, meu esposo o chamou para um conversa a sós, e explicou-lhe o que estava acontecendo e que o que ele havia visto, nada mais era que o ápice da manifestação do amor entre um homem e uma mulher, e desde então, temos mostrado a ele que é supernatural o sexo e não só a ele, mas também ao caçula. Por isto, ainda hoje nos divertimos muito, tomamos banhos juntos (os 4), claro que não é uma constante, mas tentamos lhes mostrar que nudez, sexualidade e sexo entre pessoas que se amam é uma coisa normal e deve ser visto e tratado com naturalidade. Então eles sabem onde guardamos os preservativos, sabem como funciona a dinâmica da coisa etc. até aconteceu algo engraçado na escola que meu filho mais velho relatou-me, pois um dos alunos questionou a professora sobre como eram gerados os bebezinhos e meu filho se adiantou e disse: papai come a mamãe, mas se ele e ela não querem ter filhos, eles usam uma camisinha. (rsrs) queria ser uma mosca pra ver a cara da professora (rsrs), e penso que só não fui chamada à escola, pelo fato de meu filho ter falado disto com naturalidade; bem querida, aqui em casa é assim, somos assim! Tratamos com naturalidade, e não com devassidade (sic), entende?

Quanto a suas questões: “E agora José?
Contar a verdade? Mas que palavras usar?
Apelar para a Cegonha?
Sementinha?
E agora José?”

Penso que a melhor forma é falar da sementinha (rsrs), pois de fato é isto que o esperma é e foi assim que com sete anos, meu filho descobriu que para papai “plantar a sementinha” na mamãe, tinha que…

Quando voce fala sobre repreensão, penso que isto influencia o tabu sim e devemos saber o momento exato de repreender; no nosso caso, nunca tive problemas com meu 1° filho, já com o caçula, com 5 anos ele vivia se tocando e o “pintinho” durinho (rsrs), ele chegava a ficar suado, tive que com todo zelo, repreende-lo, mas percebi que com o tempo, isto passaria, e de fato, passou! Mas agora eles estão se descobrindo de forma mais intensa (o caçula apresenta-se um pouco mais precoce), percebem partes erógenas de seus corpos, o que eu acho lindo e ao verem uma mulher seminua na tv, se excitam, mas me veem sempre nua e não tem a mesma reação! Você acha estranho? Claro que não! Pois eles se acostumaram comigo e me ver nua é para eles natural, mas não tem a mesma reação ao ver outra mulher não nua, mas apenas seminua.

Querida, penso ter abordado todas as questões que você tão sabiamente apresentou-me e espero tê-las respondido a contento.

Bjux
Anja

(como disse que meu interesse não é disputa, já fiz mais de três comentários, violando as regras, mas to nem aí hahaha)

Réplica by Paula Soratto

Olá novamente Anja,

O linguajar de Manuel não é nem um pouco erudita aqui, acredito que esse poema trata de seus desejos reprimidos, bem como outros não propriamente ligados apenas ao sexo. Isso porque ele não tinha uma vida sexual ativa, não teve muitas namoradas e vivia aprisionado somente aos seus desejos, por conta da tuberculose que mal o deixava viver.

Mesmo faltando-lhe esse contato, ele descreve a mulher de forma bem realista, sem se preocupar com a colocação das palavras mais singelas, e é isso que eu gosto nele. Muitos acreditam que o poema não seja do pernambucano, apesar dele conter todos os traços e características da sua escrita, parece que ninguém quer acreditar que o letrado e intelectual Bandeira escreveria com tamanha perversão e se deixado levar pelo prazer. Por isso o escolhi.

 “Estas questões “morais” nos acompanham desde a idade média (sec. XVI mais precisamente) tendo em vista que antes disto, as crianças europeias falavam abertamente sobre sexo, ma a partir do sex XVI, os europeus redefiniram a criança como um ser inocente, o que perpetua-se até os dias de hoje.”

Na verdade essas questões morais sempre existiram, de uma forma ou de outra e ela era na verdade bem específica de acordo com a região.

Nas sociedades tribais, os filhos aprendem vendo os adultos não há uma pessoa fixa e designada para tal função. Li uma frase uma vez que gostei muito, dizia mais ou menos assim: As crianças aprendem para a vida e por meio da vida nesses tipos de comunidade.

No Oriente, temos uma teimosia ao tradicional, porque fomos criados com base em segmentos privilegiados.

Acontece que na Idade Média houve a idealização do homem como criatura divina, onde as pessoas se preocupavam com a salvação da alma e da vida eterna, e o sexo entra como ação necessária apenas para a reprodução (Lá vem a chata da religião, acho que não vou me conter e acabar falando muito dela rs).

E sim, como você mesma disse, utilizar-se do sexo para satisfazer o prazer pessoal era considerado sujo e errado, há ainda pessoas muito ligadas a sua religião que utilizam desse pensamento como modo de vida.

A globalização que mudou a forma como a moral era tratada especificamente em cada território, e formou padrões de comportamento, etiquetas para toda ocasião que podem ser utilizadas hoje em quase todo os países.

“Mas gostaria de lhe perguntar o que é pra você, sexualidade precoce?”(anja)

Sexualidade precoce, não é o fato da criança se descobrir naturalmente com uma idade exata, acredito que, embora exista um padrão aproximado como citei (dos 6 aos 7 anos), a sexualidade precoce está mais ligada aos estímulos que as crianças recebem através da mídia, dos interesses comerciais, e dos padrões de beleza milimetricamente estipulados.

E isso acontece, cedo ou tarde. A criança está assistindo ao seu desenho favorito, quando o programa é interrompido por uma propaganda de cerveja, com mulheres em roupas curtas e provocantes.
Um beijo de um casal, em um final de novela que a mãe assiste em prantos emocionada, e que faz atiçar a curiosidade dos menores.

O filho que vê os pais em um momento intimo, e não entende o que eles estão fazendo, mas decide experimentar, afinal se os pais estão fazendo aquilo é porque deve ser algo bom e aceito (Ou filha, no caso da história “O Aprendizado” do Chico Sofista, que decide copiar os movimentos dos pais e acaba grávida aos dez anos).

Vou copiar aqui alguns trechos da história, criado pelo Chico Sofista na sua infância.

“(...) A irmã trancada no quarto ouve a música que todas as suas amiguinhas escutam. A dança é uma sequencia de movimentos rítmicos sexuais. E ela tem apenas oito anos. Não compreende o que faz, mas passa pelo aprendizado que ensinar-lhe-á sua única função na cafajeste mentalidade do mundo moderno.

A letra da música por si só já diz tudo. É bom ser uma safada, uma ordinária. É esse o seu aprendizado (...)
Os corpos se unem, deixam a cozinha e vão para o quarto. Não têm tempo para mais nada. Esquecem a porta aberta.

Tiram suas roupas, começam o ato. Estão desejosos. O prazer carnal é sem limites. Gemem de prazer.

Sua filha no quarto ao lado ouve. Sua imaginação voa longe... O que poderia estar acontecendo? Melhor ela mesma ir verificar.

Presencia a cena. Entende melhor o que os movimentos rítmicos das músicas que ouve significam. Mas ela estranha. Para ela, aquilo era nojento. Crescera aprendendo que os órgãos que ali se encontravam eram sujos... Serviam para “fazer caca”. Aprendia precocemente o novo significado dos mesmos.

Seus pais não podiam estar fazendo aquilo... Sua mãe, tão pura, tão perfeita... Seu pai, tão justo, tão... Ela não conhecia seus pais. Não entendia mais nada. Voltou para seu quarto e se trancou...
Sua pobre mente nunca se atormentou tanto e sua imaginação nunca trabalhara como agora. É assim que nascem os traumas. E os pais nem perceberam. Estavam ocupados demais (...)

A menina, assim como o irmão, esperara o momento que seus pais estivessem fora para por em prática o que havia aprendido, e lá estava ela, em cima do amiguinho, ensinando-lhe o que já havia aprendido, reflexo dos pais, descobrindo o sexo na tenra idade de dez anos de idade (...)”.

Acredito não precisar fazer nenhum comentário sobre as palavras acima escritas, elas se expressam por si mesmas.

Gostei do que falou sobre seu marido ser militar e manter as armas ao alcance dos filhos, quando o recomendado a se fazer é justamente o contrário. Na verdade, minha criação não foi muito diferente.
O atual namorado da minha mãe é da polícia aeronáutica, e possui diversas armas em casa. Elas sempre ficaram no guarda roupa, ao alcance de qualquer um, a diferença é que aqui elas ficam carregadas, pelo fato dele também possuir uma empresa de segurança e precisar correr para eventuais alarmes de assalto.
Assim como fui apresentada a cerveja e bebidas alcoólicas desde pequenina, o que fez com que quando eu comecei a sair com os amigos para as noites de balada, eu não tivesse curiosidade alguma em beber exageradamente como quase todos faziam.

É complicado falar de repreensão, afinal, quando devemos intervir? Eu sinceramente não sei dizer, sou uma garota jovem, apesar da maternidade ser um sonho meu, acredito que vou demorar a realiza-lo. Quero poder dar uma boa educação aos meus filhos com total liberdade para falar sobre qualquer assunto.

Vou pular as antigas discussões sobre heterossexuais, homossexuais e Bissexuais e propor algo novo. Já ouviu falar do Poliamor? Há quem ligue a palavra à poligamia, porém não se trata disso.

“Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.”

Essa é a descrição do site http://poliamorpt.com.sapo.pt que trata perfeitamente desse assunto.
Será que esse novo tipo de amor será bem aceito pela sociedade? A reposta disso para mim é óbvia, mas essa vou deixar você responder rs.

Difere-se da poligamia porque as pessoas envolvidas no poliamor não precisam necessariamente morar juntas ou então permanecer em um relacionamento aberto (como é o caso da bissexualidade, em sua maioria). Como o próprio nome sugere, são várias as formas de amor.
Você pode ser casada, e manter um relacionamento sério com outra pessoa, bem como um ficante.

Não se trata de não se comprometer com ninguém, muito pelo contrário, todos sabem da situação e se sentem bem desse jeito.

A Globo tinha no ar até alguns meses atrás uma minissérie chamada “Aline”, a história de uma mulher e dois homens que mantinham um relacionamento nada convencional.

Muitas pessoas criticaram, alguns diziam que era uma apologia a homossexualidade/bissexualidade, no fim, ela foi tirada do ar por falta de audiência, o que é uma pena, pois eu particularmente adorava a série.

Eu me pergunto se a sociedade está preparada para “pessoas poliamorizadas”, e fico até imaginando uma passeata dos adeptos por seus direitos, como ocorre com a homossexualidade. A verdade é que a ideologia atrapalha a liberdade de se expressar sexualmente falando. E isso nunca vai ser bem aceito enquanto a ideologia existir.

Encerro minha réplica com uma frase de Luís Fernando Veríssimo, confesso que já estou ansiosa para ler a sua próxima participação, e confidencio aqui que minhas próximas participações serão diferentes dessas que já fiz, me aguarde. Vejo você em breve Lady!

“Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.”

Réplica Anja

Paulinha, confesso que você surpreende-me, restrinjo-me a dizer-lhe os motivos in box, como já estamos fazendo.

Antes de responder-lhe, deixa-me esclarecer um ponto quer talvez não tenha ficado claro, quando mencionei que meu esposo deixava ao alcance das crianças as armas, era na sala, na mesinha de centro ou no criado do quarto, por este motivo, estavam descarregadas, mas como lhe disse, eram 3, o que claro, havia sempre uma ou duas no guarda-roupa, carregada/s e pronta para o uso e apesar de o exército, tal qual a aeronáutica proibir o exercício de função extra (segurança) ele chegou a acumular serviços como chefe de segurança em condomínios e ainda fazia a escolta de uma família de libaneses (rssr).

Sua resposta sobre sexualidade precoce me satisfez. Nada a acrescentar. E lerei posteriormente e com a reverencia necessária este texto do Chico que vc cita.

Pulemos então (mesmo que temporariamente) a discussão sobre homossexualidade e suas variantes e heterossexualidade e foquemos em sua proposta, que muito me agradou, e eu, tenho plena liberdade para abordar tal tema, uma vez que meu relacionamento é aberto. O Brasil está atrasadíssimo em relação a isto (mas em que não estamos atrasados né mesmo?) e ainda existem muitos tabus em relação ao relacionamento aberto, ou melhor, ao poliamor, em suas várias nuanças, ainda há um longo caminho a se percorrer, e eu e meu esposo resolvemos assumir nosso relacionamento aberto, não para chamar a atenção ou mostrarmos ser um casal “moderninho”, ao contrário! Nossa intenção foi exatamente mostrar sermos humanos e como qualquer casal, pessoas normais e que nada de diferente temos em relação aos casais ditos normais, pois somos tão ou mais normais quanto qualquer outro casal. Não vou atacar o esposo de minha amiga e não comemos criancinhas, e detalhe, meu esposo é MONOGÂMICO, pois apesar da liberdade que tem, recusa-se a ter relações com outra mulher. Não porque eu o prive, mas por uma escolha dele. Mas não foi sempre assim (rsrsrs).

Nossa intenção foi exatamente mostrar que o relacionamento aberto, pode ser uma boa opção para casamentos em crise, e muitos, por infidelidade de um dos parceiros/as, e até mesmo por outros motivos. No relacionamento aberto, ou poliamor, não existe a traição e a necessidade de trair, pois há liberdade, e onde há liberdade, há respeito, pois este último, tal qual a confiança, não se impõe, mas se conquista. E pode-se encontrar neste, o alimento de fantasias que, são tão necessárias a manutenção de uma relação, e faço uma pergunta aos leitores (e não a você viu paulinha? Rsrs) se porventura algum homem participante deste grupo nunca sonhou em ter duas mulheres em sua cama (ao mesmo tempo) e a mesma pergunta, faço as mulheres, por acaso quem de nós nunca fantasiou dar prazer a dois gulosos e vorazes varões e esgotar-se, plena de prazer, realizada física e emocionalmente, ou ainda, quem dos homens nunca fantasiou no banho estar numa relação homo? Ou ver sua amada nos braços de outro, ou outros? E o que nos impede realizar tal feito? Respondo: NOSSO CONCEITO DE MORAL! Tanto no sentido religioso, como em nosso próprio intelecto, pois desde tenra idade, somos condicionados/as a sermos “fieis”, mas em não conseguindo plenitude no casamento (não que um relacionamento aberto o seja por não haver plenitude), damos nossas “escapadinhas”. O homem, este desde pequeno é condicionado a ser garanhão, e sem o menor constrangimento, trair a esposa e a mulher, a sempre perdoar a infidelidade do marido e permanecer fiel; situação esta que tem mudado nas últimas décadas, pelo fato de estarmos tomando um mundo que antes, pertencia somente aos homens: o trabalho fora do lar e conquistando nossa independência, pois já não somos dependentes completas do soldo do cônjuge, e muitas de nós hoje, tem o salário maior, o que é constrangedor para alguns homens.

Não vejo que estamos próximos de vermos em larga escala casais que se permitam viver esta realidade, mas talvez, como diz a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, relações que abrem mão da exclusividade sexual são tendência para o futuro. Mas qual futuro é esse? “Não é possível fazer uma previsão precisa, em 10, 20 ou 30 anos”. (selá)

Casais que são adeptos do poliamor, são muitas vezes, vistos aos olhos da sociedade como sendo pessoas promíscuas, e sem moral, o que faz que casais adeptos ao poliamor, habitem o mundo marginalizado dos segredos e eu penso que se estes casais resolverem sair do armário, assim como eu e meu esposo, pode-se começar uma lenta e gradativa mudança de opinião da sociedade.

Poliamor não é sinônimo de promiscuidade. A promiscuidade acontece quando, no casamento de regime monogâmico, uma das partes anseia estar sozinho/a , e não perde a oportunidade, sequer tendo chance de escolher uma parceiro/a em que a quimiotaxia esteja em plena sintonia consigo, e muitas vezes, pequenos descuidos podem acarretar muitos graves problemas.

Passo a bola pra voce Paula.

Bjux,

Sessenta e nove vezes… boquilíngua.

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
O lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

“Carlos Drummond de Andrade”

Tréplica Paula Soratto

Para complementar alguns trechos do que você falou Anja, vou voltar no assunto homossexualidade que, por ora, tínhamos pulado.



“O Brasil está atrasadíssimo em relação a isto” (Anja Arcanja)


O Brasil pode estar atrasado em muita coisa, mas acredite ou não, no quesito “relacionamentos abertos, homossexualidade, poliamor e na sexualidade em geral” não estamos tão atrás assim.
A ABEP (Associação Brasileira de Estudos Populacionais) realiza seminários e pesquisas anualmente sobre esses temas.

A parada gay (movimento do qual eu já fui adepta, não sou mais) acontece nas ruas paulistanas desde 1997.
Demorou ao país tomar uma iniciativa, acredito que sua frase tenha se referido a isso, mas após ter dado o pontapé inicial não parou mais. Até mudanças na constituição já temos, garantindo o direito de casamento para pessoas do mesmo sexo, e a adoção pelos mesmos.

É claro que esse avanço abrupto causa sequelas, somos considerados o país que mais mata homossexuais do mundo.
Só nesse primeiro semestre de 2012, 148 homossexuais e transexuais foram assassinados no Brasil: “Mortos por diferença de opção sexual, nada mais do que isso”.

Calcula-se que nos últimos vinte anos, o Brasil assistiu a nada mais e nada menos do que 3.072 assassinados pela opção sexual.



 “o relacionamento aberto pode ser uma boa opção para casamentos em crise, e muitos, por infidelidade de um dos parceiros/as, e até mesmo por outros motivos” (Anja Arcanja).


Pode até ser que sim, na verdade nunca parei para analisar desse ângulo.
No caso, eu sou uma pessoa excessivamente possessiva e ciumenta, por mais que eu tente esconder acabo sendo muitas vezes chata, de forma que isso não me ajudaria e sim acabaria de vez com qualquer relacionamento em que eu estivesse.

Atrevo-me a colocar a “culpa” desses relacionamentos novos e diferenciados, na curiosidade e no acaso, nada mais.

“E o que nos impede realizar tal feito? Respondo: NOSSO CONCEITO DE MORAL”


Se você anda com aleijados, logo aprenderá a mancar. A verdade é que esse conceito de moral só existe nas nossas cabeças, não sei se vai concordar comigo, mas uma ou duas pessoas que se opõem a ele hoje, são consideradas loucas e rebeldes.
Conforme esse grupo vai crescendo, mais as suas ideias vão sendo desconsideradas como utópicas como inicialmente.

Talvez esse pensamento por si só seja utopia, hoje.

William Hazlitt, um escritor americano, define bem: Todas as coisas de que realmente gosto, são ilegais, imorais, ou engordam, então que seja.

Nenhum conceito de moral me impediu de fazer nada, seria hipocrisia caso eu dissesse o contrário, então o que será que nos impede?

Vamos falar de coisa boa agora, sexo.

Sem palavras fofas, sem tabus, sem vergonha. Totalmente sem vergonha!
Masturbação, fantasias sexuais, contos eróticos, sadomasoquismo, vibradores, bonecas infláveis, oral, sexo anal, virtual e o fio terra que os homens tanto adoram rs.

Que tal quebrarmos alguns tabus, ao menos nesse debate, e falar abertamente sobre tudo Anja?

Masturbação – Todos fazem, ninguém assume. Porque as pessoas tem vergonha de falar de sua vida intima? A masturbação é necessária para o conhecimento do nosso corpo. É o simples ato de você pegar o seu pênis/clitóris e começar a esfrega-lo. Simples assim, sem tabus. Eu me conheço todos os dias, sem pular nenhum rs.

Fantasias sexuais – Todos têm/tiveram alguma. Com aquela professora bonitona da infância, o professor de educação física, o padre da igreja, enfim, variadas fantasias pra tudo quanto é gosto. Qual a sua leitor?

(Sado)masoquismo – O prazer pelo sofrimento físico e moral de outra pessoa/ pessoal. Sofro dessa doença (in)felizmente, é mais do que mero prazer, se tornou uma obsessão. Será que é válido ultrapassar as barreiras do “saudável” em nome do prazer?

Vou deixar os contos eróticos, swings e ménages para a especialista, Anja Arcanja... (Para um ménage à trois só falta um candidato não é anjinha? Quem se habilita? Rsrs)

DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rigidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda em grito:
Mais abaixo, meu bem!? num frenezi.
No seu ventre pousei a minha boca,
Mais abaixo, meu bem! ? disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

- Olavo de Bilac

Tréplica Anja

“O direito de casar com quem quiser é um direito humano elementar comparado ao qual ‘o direito de frequentar uma escola integrada, o direito de sentar onde lhe apraz num ônibus, o direito de entrar em qualquer hotel, área de recreação ou lugar de diversão, independentemente da pele, cor ou raça’ são realmente secundários. Mesmo os direitos políticos, como o direito de votar, e quase todos os outros direitos enumerados na Constituição, são secundários em relação aos direitos humanos inalienáveis ‘à vida, à liberdade e à busca da felicidade’ proclamados na declaração da Independência; e a essa categoria pertence inquestionavelmente o direito ao lar e ao casamento”. Hannah Arendt – Reflexões sobre Little Rock, p. 271

Paula, vou discordar de você um pouco na 1° parte de seu comentário quando voce diz que “não estamos tão atrasados assim em relação ao relacionamento aberto e a questão homoafetiva”, primeiro, como eu disse, quem vive um relacionamento aberto, e o faz saber a terceiros, é alvo de preconceitos (vide o que aconteceu ontem no grupo, quando o Raoni, interpretou que meus filhos serão uns pervertidos que atacaram as coleguinhas na escola, imaginando que levamos uma vida de promiscuidade e libertinagem, chegando a sugerir-me manter relações sexuais com meus filhos, mas deixemos por enquanto este assunto), e é por este motivo, que os casais que mantem um relacionamento aberto, vivem a margem, frequentam clubes específicos, e mantem em sigilo o regime de seu relacionamento. E quando eu citei alguns dos motivos prováveis de se ter o relacionamento aberto, seria a infidelidade conjugal, é exatamente por eu ser contra a infidelidade, mas existem inúmeros motivos e não desconsidero jamais, como voce disse, a curiosidade e o acaso, e muitos o fazem e por acabar perdendo um pouco o controle, retornam para a relação monogâmica. Mas como assim perdendo o controle? Explico: ao experimentar o novo (e o novo pode ser muito bom), temos a tendência de querer o “novo” todos os dias, o que não é saudável, e nem o ideal e pode se tornar um poço sem fundo, com a necessidade de novas experiências a cada dia e porque até não dizer até mesmo o absurdo que o Raoni sugeriu? Conheci pessoas que tiveram dificuldades em administrar o relacionamento aberto (cito como exemplo um dos parceiros passar a querer praticar ménage todos os dias, ou apenas sentir interesse em fazer sexo com o parceiro/a se for nos moldes do relacionamento aberto, seja ele qual for) e o casamento, acabar indo por água abaixo. Eu mesma passei por um momento muito difícil logo no começo quando resolvemos abrir nossa relação, mas depois encontramos nosso “timer” e hoje, vivemos felizes (sem deus, sem religião, e sem infidelidade e principalmente, sem promiscuidade). Mas como lhe disse, ditei apenas alguns dos motivos prováveis, no nosso caso, sugiro que leiam este artigo sobre TEGP, transtorno que me acompanha desde minha adolescência, mas que se agravou sobremodo quando eu tinha 23 anos de idade:

E quando resolvemos assumir nossa relação aberta, não foi para pregar que só nosso regime era correto, e muito menos querer que todos assim procedessem, mas apenas para mostrar que sou tão normal quanto qualquer outra pessoa, mas eu já disse isto aqui, pena que alguns não leram e tomam pessoas como eu e meu esposo, como sendo imorais e libertinas. Sabe o que é engraçado Paula e demais? É que quem condena a relação aberta, na maioria das vezes, trai a esposa ou a esposa trai o esposo, mas isto em que difere? EM MUITO! Eu não perdoaria um ato de infidelidade, portanto, no relacionamento aberto, não existe traição, o mesmo não se pode dizer dos monogâmicos, e eu posso falar disto com autoridade, mas claro que não estou generalizando, existe também casais monogâmicos que a fidelidade e o respeito imperam.
Em relação ao que você disse sobre “casamento entre pessoas do mesmo sexo”, desculpe, mas você esta enganada, pois o que foi aprovado é o direito de ter reconhecido a união estável, pois, ainda há alguns entraves quando se fala em casamento, Segundo estimativas da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), ao menos 100 casais conseguiram a conversão. No entanto, a possibilidade varia de acordo com o Estado, já que, em teoria, só é possível conseguir o casamento - em alguns casos até mesmo a união estável -, mediante recurso judicial. No final de 2011 uma decisão, deste vez do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou o casamento civil de um casal de mulheres. A partir daí alguns cartórios passaram a fornecer a certidão sem a necessidade de recurso judicial, recomendação feita também por alguns tribunais de Justiça, como foi o caso do alagoano. Em Porto Alegre (RS) isso já acontece desde dezembro e 11 casais conseguiram o documento.

E em relação a adoção de crianças por famílias homoparentais, ainda gera a mesma polêmica dos casamentos e união estável. Agora eu te pergunto: Será mesmo que não estamos “atrasados”? será mesmo que existe o respeito ao diferente? Seja homo, seja bi ou seja casais com relacionamento aberto? Você bem disse que o Brasil é o país campeão de crimes homofóbicos, e temos um caso bem recente de morte de dois irmãos (gêmeos) hétero na Bahia, por estarem simplesmente andando abraçados no caminho para a casa de madrugada. E isto é um grave problema, pois no caso de morte de gays por homofobia, ainda temos outro fator preocupante. É QUANDO O GAY ALMEJANDO MOMENTOS DE PRAZER, se coloca, de livre e espontânea vontade, em situações potencialmente perigosas. Sexo é bom, sacanagem é gostosa, mas não custa tomar certos cuidados.

Agora entrando na 2° parte de seu comentário, você me chama para falarmos abertamente e quebrarmos alguns tabus no debate, pois bem, eu já estou fazendo isto desde o começo, mas se é pra falar de fantasias, eu pergunto, o que são fantasias senão não pudermos ter o direito de realiza-las? (rsrs) e eu, as realizo todas e já não sei se tenho alguma que ainda não realizei, e confesso, meu blog de contos e poemas é, em sua maioria, relatos reais, os poemas não são meros frutos de minha imaginação, mas cada um tem sua história, cada conto, sua dose de verdade, cada foto, seu sabor… é ali que registro minhas fantasias, meus casos… meus encontros…

quando perguntei as mulheres do grupo, qual delas nunca fantasiou ter dois homens consigo na cama, o tão falado ménage-a-tròi, é porque sei o quanto é intenso e prazeroso passar por tal experiência e não sou devassa ou promiscua por ter feito, apenas, como disse, penso que fantasias são para ser realizadas, e eu realizo as minhas, seja um sado, seja um ménage e masturbação, nem considero fantasia… não quero que pense que estou me expondo para aparecer, ou me passar por moderninha, mas para mostrar que sou humana como qualquer um e o fato de fazer o que faço, não me faz ter menos ou mais moral que ninguém, talvez eu seja até mais quadrada que muitos em muitos aspectos, mas não neste!

Sexo é bom, e é para ser bem feito! Sobre estar faltando um candidato para o ménage Paulinha, não responderei, deixo a incógnita… (será? )
E como voce postou este lindo poema de Bilac, e induziu-me a falar sobre sadomasoquismo, e eu, intencionalmente deixei em aberto, posto um poema de minha autoria:

Vassalo de minhas vontades, rainha dos seus desejos


Hoje te quero por inteiro.

Te quero servo de meus desejos,

Vassalo de meus caprichos.

Escravo de minha vontade…



Minha vontade é tê-lo por inteiro,

Ser rainha de teus desejos.

Meu capricho, ter você.

Leva-lo ao meu céu.



E no céu dos orgasmos…

Coabitarei contigo.

Dar-lhe-ei o vinho de meu cálice.

E exausto, adormecerás no meu colo.



E o conduzirei de volta a seu lar.

Te colocarei na cama,

Até que te queria novamente



Não pedirei nada…

Apenas o conduzirei…

Sem reservas, sem pudores,

Sem culpa… apenas eu e você.

Anja Arcanja®

Considerações finais Paula

Sim, foi exatamente isso que eu falei.
O Brasil não está tão atrasado assim nesse aspecto. Porque não está realmente, toda essa briga pela luta de direitos não significa um atraso, é um ponto positivo.

As pessoas estão finalmente vendo que são elas que fazem o país e suas leis, e que os representantes servem para transmitir a vontade da população e não a sua. É claro que existem pessoas que são contra, o preconceito ao diferente sempre vai existir.

Lembra-se de que eu mencionei não mais ser adepta da Parada Gay, nas minhas participações acima?

No início, havia todo um propósito.
O público LGBTs saia nas ruas à procura dos seus direitos, da sua igual valorização na sociedade. A Parada Gay teve sua finalidade, que hoje foi alterada.
Ir para tal evento, remete-se a beijar o máximo de pessoas que puder. Poderiam até mudar o nome de “Parada Gay” para “Micareta Gay, vem gente!”.

Nada contra as pessoas sentirem necessidades de beijar outras, mas não gosto quando isso é confundido com passeatas.

Iniciei minhas Cis com um poema de Manuel Bandeira, que causou muito rebuliço.

Tratamos da sexualidade desde o seu suposto início, na infância, até chegar a vida adulta. Enfim, ao invés de abordar tudo o que já mencionei vou fazer diferente. Tem muita coisa para falar ainda, sendo desnecessário eu abordar tudo o que já escrevi.

Continuando.

Achei superinteressante seu artigo sobre TEGP, nunca havia visto o assunto sendo tratado como você o fez Anjinha.
E me lembrou alguns pontos que eu estava esquecendo, vamos falar sobre as taras sexuais?

Crinofilia é quando o indivíduo fica excitado por conta de excreções líquidas, como a saliva, o suor, a urina, as secreções.

Pederastia – O nome pode soar estranho, mas é bem comum hoje em dia, mesmo que ainda seja polêmico, é o desejo de homens adultos por jovens adolescentes. (Sim, homens adultos e meninos mais novos).
Embora seja considerada repulsiva por muitos (por conter a mescla de relação homoafetiva com a pedofilia), essa prática era normal na Grécia Antiga.

Nos comentários do nosso debate Anja, discutimos sobre isso com o Raoni.

Na Grécia Antiga, as famílias que tinham uma boa posição social e financeira pagavam “professores” para seus filhos do sexo masculino, para que estes pudessem aprender com uma pessoa que entendia de como deveria ser feito o ato sexual.
Em meias palavras, as famílias pagavam mestres varões para ensinar seus filhos a transar, transando com eles.

Esse tipo de relação na época, também se difundia na China e Japão por conta da limitação de contato que existia entre os homens e as mulheres.
Agora sim, compreendi a proposta do Raoni.

Anemofilia – O individuo se excita com o vento ou sopro nas partes intimas.

Asfixiofilia - Pessoas que sentem prazer quando são forçadas a ficar sem ar.

Coprofilia - Prazer ao ver/sentir as fezes do parceiro.

Menofilia – Excitação ocasionada por mulheres menstruadas.

Necrofilia – Desejo sexual por mortos.

Orquifilia – Consiste na excitação pelos testículos.

Partenofilia – Fixação por virgens.

Pirofilia – Prazer com o fogo, seja queimando algo ou alguém presente no ato sexual.

Pregnofilia – Atração por Gestantes.

Zoofilia – Atração sexual por animais
.
Voyeurismo – Excitação por ver um ato sexual de terceiros.

Também há pessoas que sentem prazer em serem estupradas.
Os taras são inúmeros e a cada dia surge um novo. A verdade é que o homem (e não me refiro a gênero) sente prazer por tudo o que existe no mundo.
O que precisa ser avaliado e devidamente tratado são parafilias onde o individuo se sente desconfortável ou quando há a invasão do limite alheio.

Como você disse Anja “Sexo é bom, sacanagem é gostosa, mas não custa tomar certos cuidados”.

Existem pessoas (vulgo eu) que ao ficarem excitadas perdem o controle da situação, dos pensamentos e dos atos cometidos.
Eu sempre procurei pesquisar sobre isso, mas na verdade não existem muitos materiais sobre (basicamente nenhum) e fico receosa de procurar ajuda médica e acabar sendo encaminhada a um psiquiatra.

Ao ficar excitada, eu faço qualquer coisa que estiver ao meu alcance para saciar a fome que me domina.
E mesmo após atingir o orgasmo, leva um tempo considerável até que eu volte ao meu estado normal.
E sempre que essa fome é alimentada, ela fica maior. Qualquer dia ainda chego em casa com um pedaço de carne e pele humana entre os dentes.

Onde eu quero chegar? Pois bem.
Qual é o limite do saudável se tratando de sexo e considerando todas as parafilias como algo normal e natural de uma vida sexual?

Quais certos cuidados que devem ser tomados não só pelos homossexuais como você colocou, mas em geral, em relação a sua intimidade?

Não quero que me responda essas perguntas, porque todos sabem o limite. Cada um sabe o seu e deve respeitar o alheio, mas o desejo carnal grita mais alto do que deveria.

Uma prática oriental chamada Pompoarismo permite que a mulher bem treinada consiga controlar a pressão nos músculos vaginais, podendo quebrar com a contração, o pênis de seu companheiro.

O pompoarismo masculino se retém a levantar pequenos pesos com o pênis duro, para assim proporcionar maior prazer sexual.

Essa prática tão comum na Índia, Japão e no oriente em geral pode ser utilizado como arma contra o estupro.

Encerro minha participação desta vez com uma sugestão de leitura, e peço desculpas por ter demorado a postar.
“Blue Lard” - Vladimir Sorokin.
Lançado no ano de 1999, Blue Lard narra cenas de sexo entre os líderes soviéticos Nikita Kruschov e Josef Stalin. É pornográfico, obsceno e hilário! O melhor papel que Stalin já se colocou rs.

Paula Soratto

Considerações finais Anja

Paulinha, mas será mesmo que não estamos atrasados? Não vou refutar, tendo em vista que já disse o que penso a respeito no comentário anterior. Mas não mudo uma vírgula na minha fala, ou seja: ESTAMOS SIM ATRASADOS! Claro que lutar por direitos, é um ponto positivo, mas a difamada, intolerante e “divina” bancada evangélica intenta a cura para os gays! O deputado federal João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara, apresentou o projeto. Isto é sinal de avanço ou de atraso? Se formos falar de relacionamentos abertos? Aí que ferra tudo de vez, pois embora não precisemos lutar por direitos, como no caso específico dos homossexuais, há um grande preconceito sofrido por quem opta por viver uma relação aberta (vide meu comentário anterior), e penso eu, que você não entendeu de fato, o que o Raoni quis dizer, eu entendi perfeitamente! Não teve nada a ver com a questão cultural, como você bem trouxe e eu poderia citar aqui Mutilação Genital Feminina, como sendo outra prática absurda, mas infelizmente, é comum em vários países, principalmente da África, isto sim, poderia retratar uma questão cultural, mas não está inserida em nossa cultura, tal qual a pederastia era prática comum na Grécia antiga e também não faz parte de nossa cultura.

Como vc citou alguns “fetiches”, vou acrescentar apenas mais três, para poder ampliar o leque, e Paula, eu aconselho sim você procurar orientação médica, relate ao seu ginecologista e ele saberá o que deve ser feito em tais casos. Sae for necessário apenas uma terapia, melhor, mas se for preciso ajuda psiquiátrica, não fique receosa, você deve sim fazer o tratamento. Sexo deve ser algo saudável, prazeroso e principalmente, SEGURO!

Podolatria – fascinação por pés

BDSM - Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo.

Ménage à trois - é a prática de sexo a 3, e ainda temos hoje algumas siglas que qualificam ou rotulam (apesar de não gostar de rótulos) os praticantes desta (deliciosa) e ousada maneira de vivenciar o relacionamento aberto, que são:

MMF : Dois homens e uma mulher com bissexualidade
FFM : Duas mulheres e um homem com bissexualidade
MFM : Dois homens e uma mulher sem bissexualidade
FMF : Duas mulheres e um homem sem bissexualidade
MMM : Três homens em ato homossexual
FFF : Três mulheres em ato homossexual

E antes que algum engraçadinho/a pergunte se tem MMA, UFC e sei lá mais o que, respondo: NÃO! (rsrs)

Ainda existe outra, mas esta não me atrai em nada (aliás, tem outras também que não me atraem, mas esta especificamente, não mesmo), é FMA : Homem mulher e animal.

(legendas: F = Fêmea, M = Macho, A = Animal).

Como postei anteriormente um conto, um poema de Drummond e um poema sobre BDSM, agora postarei um bi, de minha autoria mesmo. Gostei muito de poder estar debatendo sobre o tema e ressalto, que em momento algum ridicularizei, ou apregoei que apenas o modo como vivo é o certo e deve ser aderido por todos. É uma escolha pessoal e antes, deve-se pesar os prós e os contras. Se resolve-se tentar e percebe-se que não está dando certo, para, pense e volte! Não tenha medo de voltar, pior, é deixar que tudo se perca, e se acabe um relacionamento por egoísmo .

O amor da pele branca e morena (um poema bissexual)


Vem, beije-me e deixe-me toca-la
Vem… toque-me e deixe-me beija-la
Sinto no rubor de tua face todo teu tesão
Asas… corpo… curvas e seios…
Com prazer intenso nos entregamos
Quando tu me tocas a vulva e eu teus seios
Ah… as cores mudam, meus olhos cintilam
Tua pele branca estremece em arrepios…
A minha morena estremece em desejos
Logo somos uma em duas… duas cores em uma…
A nesta mistura nos fundimos em amor e carinho
Uma a outra nos entregamos…. Completamo-nos
Deleitamo-nos e o gozo vem! Intenso numa mistura única de cores
De asas… de desejos… eu anja tu Lilith, eu Lilith tu anja
Eu morena, tu branca… eu e você em duas, uma…

Anja… Lilith…

Anja_Arcanja®


Em tempo: Voce me fez lembrar do mito Lilith ao falar sobre pompoarismo, reza a lenda que Lilith foi a primeira mulher de Adão (feita da mesma matéria prima), mas não aceitava ser subjugada e ficar por baixo na relação e Deus a expulsou do paraíso (por reclamação de Adão) e fez eva da costela de Adão, esta sim, se submeteu; Lilith por sua vez, habitou nos desertos, se transformou em demônio, fora a serpente que tentou Eva e, seduzia viajantes que passavam pelo deserto, decepando lhes o pênis após o coito. Assim surgiu as lendas vampíricas: Lilith tinha 100 filhos por dia, súcubos quando mulheres e íncubos quando homens, ou simplesmente lilims. Eles se alimentavam da energia desprendida no ato sexual e de sangue humano. Também podiam manipular os sonhos humanos. Mas uma vez possuído por uma súcubos, dificilmente um homem saía com vida.

Dá pra encarar? rsrs

Bjux a todos..............

Anja

Debate postado originalmente no blog http://duelosretoricos.blogspot.com.br/
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Paula Soratto, 18.
Nascida em 19 de maio, ela adora tirar fotos, ler livros, escrever textos, sair com os amigos, ficar em casa assistindo filme com o seu amor. Faz faculdade de direito embora não seja totalmente direita na vida.É uma geek que usa salto alto e maquiagem, embora não largue o seu all star branco e sua calça jeans surrada por nada. Ela gosta de rock, mas sabe dançar de tudo. Desde funk a tango. Ela também prefere cachorro a gato. É viciada em chuva e chocolates. Adora uma boa discussão saudável.







Escritora e poetisa amadora e teóloga. Autora do blog “O mundo Da Anja” (http://omundodaanja.blogspot.com.br/), um blog que conta com diversas parcerias e articulistas, voltado a discutir religião, filosofia, teologia, ateísmo, homossexualidade, sexualidade humana, entre outros temas de relevância; e do blog “Poemas e contos eróticos da Anja” (http://anjaarcanja.wordpress.com/), um blog de cunho erótico. Escreve ainda para os blogs “confraria teológica Logos & Mythos”, "Vida Sofista" e   “Fragmentos Ativos”, além de ter textos publicados em vários blogs e sites.



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