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domingo, 19 de agosto de 2012

Questionamento neo-ateísta: salvar-me de que?



By Donizete A. Vieira

Questionamento neo-ateísta:

“No que tange a salvação, pergunto-lhe; salvar-me de que? Do que? pra que? E ainda em não querendo ser salva, qual seria o "castigo"? Inferno? Céu? Estado de Espírito... gozo eterno e sofrimento eterno...
Hoje penso que a "salvação" ou céu ou ainda “reino de Deus” vive-se aqui e não acolá...”

São perguntas milenares que a teologia sempre tentou responder ao longo de sua história. Entretanto, as respostas estão longe de serem conclusivas.

Há grupos cristãos que sustentam a ideia da não existência de um mundo porvir. Para estes não existem nem “paraíso” e nem “inferno”. Ou seja, comungam a ideia de uma salvação essencialmente materialista, como na visão vétero-testamentária por exemplo. Para outros, a salvação representa a redenção de almas individuais no além, o que acontecerá por ocasião do apocalipse ou da morte individual do crente. Outros ainda advogam que a salvação se dá em termos holísticos. E assim por diante!

Na soteriologia, é elementar a compreensão dos diferentes modelos de salvação. Por exemplo, em dado momento da história cristã, a salvação era projetada para o âmbito da objetividade e da prática, (sou salvo por “fazer”, por “ser”) em outros para a subjetividade e abstração. (por “crer” por “assentimento”) Durante a maior parte do tempo a salvação esteve ligada ao campo físico e tangível, em outros a salvação é sempre associada à esfera espiritual, metafísica. (como crê a tradição protestante por exemplo). Grupos cristãos advogam que a salvação é holística, (Teologias da libertação) abarca o indivíduo na sua plenitude, enquanto outros defendem a tricotomia na composição humana, e que a parte onde à salvação é levada ao efeito, é apenas a espiritual. (teologia clássica)

Salvação em Jesus concretizava-se em termos holísticos. Não era apenas metafísica, ou um convite à transcendência. O aspecto transcendente da salvação surgiu na voz, ou melhor na pena de Paulo. Paradoxalmente, Paulo não esboçou nenhuma “doutrina de inferno”. Isso ocorreu nas narrativas dos evangelhos, com palavras supostamente atribuídas a Jesus.

Este é um tema riquíssimo de nuances que vale muito a pena discutir.

2 comentários:

marciorsg disse...

Há grupos cristãos que sustentam a ideia da não existência de um mundo porvir. Para estes não existem nem “paraíso” e nem “inferno”. Esse sou eu.

Paulor. Poletto disse...

O meu reino não é deste mundo” (Jo. 18:36). A herança de Cristo não é deste mundo. “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:12, 13).E para facilitar a entrada dos homens no reino celestial e eterno, Deus decretou a graça, isto é, perdão dos pecados a todos em Jesus Cristo: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt. 2:11). “Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At. 17:30). Essa graça salvadora começou a partir de Jesus Cristo.

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