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terça-feira, 16 de outubro de 2012

“O Inconsciente Judaico e a Homossexualidade” (by Anja Arcanja)




“Deus a Homossexualidade”



Tema que tem sido muito debatido nos dias atuais, tendo como força motriz, a luta dos homossexuais em terem seus direitos civis reconhecidos, o que despertou a ira dos evangélicos de modo geral, ainda mais com o surgimento de igrejas inclusivas, o que para os mais conservadores, não é apenas heresia baseada na eisegese feita pelos teólogos e líderes das igrejas inclusivas, mas uma ofensa não somente a igreja, mas ao próprio Deus.

Mas será mesmo que Deus condena a homossexualidade? Se a resposta for sim, com base em que pode-se afirmar que deus condena a homossexualidade? Será mesmo que textos como o de Levítico 18:22 e Levítico 20:13, Romanos 1: 26-27, 1 Coríntios 6: 9-11, 1 Timóteo 1: 9-11 falam especificamente de homossexualidade? Por ser homossexual, a pessoa então não tem direito a espiritualidade? E ter uma comunhão íntima com deus?

Mesmo se fosse antinatural e uma doença (o que não é) o homossexual deve ser proibido de frequentar uma congregação para alimentar seu espírito e comungar da fé cristã com os seus irmãos de fé? Como poderei eu excluir do seio da igreja, meu semelhante baseado num livro escrito e por muitos manipulado, antes de chegar as nossas mãos como o conhecemos hoje? Não teria ocorrido graves erros de interpretação e consequentemente, de tradução nos textos em que hoje, os adeptos da teologia conservadora usam para condenar seu semelhante, tolhendo-lhes o direito a uma comunhão e espiritualidade?

Quero mostrar com este ensaio (uma edição de um debate que tive com o amigo João Cirilo) que sim, existem graves erros de interpretação e tradução e que por puro preconceito, permanecem ainda de pé e penso eu que, apesar das conquistas já alcançadas pela comunidade homossexual, tais conceitos errôneos inseridos na bíblia, permanecerão firmes por longos anos, o que é lamentável.

Quero deixar claro que, eu não adoto a teologia ortodoxa e muito menos inclusiva (não que a inclusiva seja mentirosa ou equivocada, pois se formos falar de equívoco, mais equivocados e mentirosos são os cristãos conservadores que, sob o manto do amor travestido que “ama o pecador, mas odeia o pecado”, defendem as piores barbaridades, insurgem-se contra outros humanos, seus semelhantes e contra seus direitos e alimentam o preconceito e a discriminação), pois o cristianismo tem no seu DNA uma questão de escolha e divisão entre bem e mal, ímpio e justo, salvo e não salvo, abençoado e amaldiçoado – e sempre se escolhe alguém para estar no segundo grupo, “do outro lado”, em cima dos mais variados pretextos generalizantes e injustos; um deus assim, pra mim não serve, pois não desejo comungar com um deus que conspire contra a liberdade do ser humano. Este é meu pensar e agir, mas de forma alguma posso querer enfiar goela abaixo dos que creem em Deus com singeleza de coração, minha descrença. Antes, escrevo para os que querem comungar com este deus, seja homossexual, seja hétero e, que tem em seu íntimo, o desejo de entender melhor o que está escrito e, como visto na parábola do bom samaritano, identificar de fato, quem é nosso próximo real.

As palavras em hebraico que frequentemente são traduzidos por homem e sodomita é qadesh e  abominação (que subtende-se como sendo algo intrinsecamente mal) em Levítico 18:22 e Levítico 20:13 é toevah. Vamos ver os significados destas palavras:

Qadesh = separado (uma taça, um vestido, o sacerdote) e também PROSTITUTO MASCULINO DE TEMPLO ou TEMPLO DE PROSTITUIÇÃO MASCULINA, dependendo do contexto em que era usada.

Toevah = ritual não limpo

Mas então qual a palavra hebraica que no sentido literal significa homem? (rsrs) é iysh e nada tem haver com o original escrito em hebraico! Se o autor (ou melhor, o escritor, entendam como quiserem) quisesse fazer referencia a simplesmente HOMOSSEXUALIDADE não usaria a palavra iysh, que tão somente significa homem, ou macho?

Ressalto ainda que a palavra qadeshaw, que é traduzida por meretriz, ou prostituta, na verdade significa: templo de prostituição feminina, ou prostituta feminina de templo, ou seja, ambos eram TOEVAH (ritual impuro, ou não limpo).

Para exemplificar, usarei o verso 17 do cap 23 do livro de Deuteronômio:

"Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel." que ficaria assim "Não haverá qadeshaw dentre as filhas de Israel; nem haverá qadesh dentre os filhos de Israel." (citei este, mas ressalto que em todas as passagens é usado os termos em hebraico que citei, e em nenhuma delas usa-se a palavra iysh, que literalmente significa homem ou macho)

Como então poderemos ainda dizer que tratasse de homossexualidade no sentido geral que frequentemente é usado?

E quanto a palavra Toevah que é traduzida por abominação? E vemos que se trata de RITUAL NÃO LIMPO? Vejamos um exemplo para melhor entendermos:

Porco é toevah, a mulher no período menstrual é toevah. Ter uma ejaculação durante o sono é toevah. Participar da religião sexual pagã de Canaã era toevah. Estas proibições eram indicadas para fazer Israel destacar-se dos vizinhos cananeus. A única coisa que esses escritores sabiam a respeito da homossexualidade era que ela era usada em ritual pagão. Por isso indicado também como toevah. O texto não está falando de relacionamentos homoafetivos, mas de postura homossexual num ritual não aceito no meio judeu. Portanto, nós não podemos escolher e pegar uma toevah para associá-la ao pecado. Ou nós decidimos por todas toevahs ou por nenhuma!

Já no novo testamento escrito em grego (referindo-me as passagens que se encontram em Romanos 1: 26-27, 1° Coríntios 6: 9-11, 1° Timóteo 1: 9-11), encontramos as palavras malakoi que significa literalmente sem força moral, mole, macio, e arsenokoites ou arsenokoitai que somente aparece em escritos de Paulo e possivelmente ele a tenha criado e é uma palavra composta de arseno referindo a macho e koitai que era uma gíria para sexo, equivalente a uma das nossas palavras mais sujas e baixas. Alguns especularam que Paulo usa esse termo para referir-se aos clientes de prostitutos. Isso pode parecer estranho para nossa mente do século 21, mas devemos lembrar que no primeiro século, ambos, pagãos e judeus condenavam o prostituto, mas não condenava o cliente. (rsrs) Assim, ele pode ter sido expandido para a perspectiva moral dessa época. Outros especialistas, afirmam que o arsenokoitai refere-se o parceiro ativo, o homem mais velho, na relação da pederastia, e que malakoi o passivo, o garoto que se submetia ao papel feminino, desta forma os dois termos estariam relacionados, como também alguns defendem, se tratar apenas ao caso de prostituição cultual, mas, há um consenso que o termo seria melhor aplicado à LUXÚRIA, e isso atingiria bem o objetivo da carta de Paulo ao condenar o "viver à moda de Corinto".

E então? Deus condena a homossexualidade? Ou apenas considera como sendo toevah assim como tantas outras toevahs e porque ainda somente a homossexualidade é não somente considerada toevah (sem sequer saberem o significado literal de tal palavra), como é proibida no seio da igreja e as outras toevah’s não? Não se mostra aí um preconceito retrógrado e machista que afeta inclusive mulheres que, se mostram tendo aversão a homossexuais?

Porque tamanho equivoco na interpretação e tradução dos textos e vou além: deturpações e embustes tendenciosos, muitas a mando do sumo-pontífice!  

Não se pode negar que a teologia inclusiva foi um alento para pessoas que, queriam servir (ou seguir) a deus, mas, por serem homossexuais e não tendo como mudar sua orientação sexual, eram excluídas (ou excomungadas) do seio da igreja, afastadas do convívio com a família, com os irmãos na fé e até de deus (e porque não dizer que deus os desprezava sendo ele o grande e único culpado de suas condições como homossexuais?).

Mas será que a teologia inclusiva tapou e selou mesmo esta lacuna? A meu ver não, pois, ainda tendo a bíblia como “regra de conduta e base de fé”, estarei sendo separatista, pois, mesmo sabendo que deus vê como toevah (abominação) a prostituição cultual, e não a relação homoerótica (???) em si, ainda separa dois grupos distintos: OS SALVOS E OS NÃO-SALVOS, eleitos e preteridos. No fim, isso é dizer, como sempre disse o cristianismo mais ferrenho, que uns são melhores que os outros, mesmo entre homossexuais. É “melhor” ser gay casado e “sério” do que garoto de programa ou prostituta, independentemente de ser ele ou ela hétero ou gay, sagrado (a) ou não. Também é “melhor” ser adepto da hebefilia do que um sacerdote de outra religião.

Será esta a libertação que queremos (lgbttts)? A liberdade de escolher entre “salvos” e “não salvos”, entre “melhores” e “piores”, entre “abençoados” e “condenados”? Levar para o céu os gays e héteros casados e condenar ao inferno os (as) prostitutos (as), quer seja tão-somente por venderem o corpo, quer seja por servirem a outros credos?

Não! Para mim isto não é liberdade e por fazer estas reflexões é que hoje, estou afastada da igreja, seja ela adepta da TI, seja ela conservadora e não mais consigo crer em deus. Pois como bem pontuou-me meu amigo e articulista no blog, João Marinho, tomo emprestado as palavras dele e faço-as minhas: 

Eu não me contento com uma liberdade pela metade, com um respeito pela metade, com uma aceitação pela metade. Isso não confere com o que acredito ser o papel da divindade.

No entanto, me mantenho alegremente afastado dela, a Bíblia, porque não acho que é suficiente para minha felicidade uma coisa ou uma pessoa ser “mais ou menos homofóbica” e ser “mais ou menos homofílica”, aceitar “mais ou menos”, respeitar “mais ou menos”.

Não é, afinal, a própria Bíblia que diz, no Apocalipse, que, por ser morna, a Igreja de Laodiceia seria “vomitada” (“Oxalá fosses frio ou quente”)? No que tange à Bíblia, prefiro ser, então, um iceberg... 

Anja Arcanja


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Este ensaio nasceu de um debate meu e do amigo João Cirilo, que defende a teologia ortodoxa e é contrário a homossexualidade. Para os que quiserem ler o debate original, (sem edição e cortes rsrs) cm a participação do confrade João Cirilo defendendo a ortodoxia em meu blog, click: Deus e a homossexualidade - debate Anja Arcanja versus João Cirilo

2 comentários:

alexprocesso disse...

Excelente! Adorei!

Anônimo disse...

Vá se converter você esta querendo mistificar a palavra de Deus,a pessoas que adoram mesmo mas são pessoas que estão fora da realidade

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