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terça-feira, 13 de novembro de 2012

As analises e previsões de Freud sobre a religião (estaria ele certo?)




By Marcio Alves

Acabei de ler “O futuro de uma ilusão” de Freud, e, em cima deste texto, quero de forma bem resumida e objetiva, expor a opinião do pai da psicanálise, que foi sem duvida alguma, um dos maiores homens da historia da humanidade, sua analise e previsão sobre a religião especificamente, (pois o texto aborda outras questões igualmente relevante) como também, dar minha opinião sobre os seus apontamentos...estaria Freud totalmente certo?

Freud inicia esclarecendo que para ele, o processo civilizatório, que levou e elevou o homem de “animal” primitivo bárbaro, para o homem moderno, tal qual conhecemos hoje, foram; “(1) o conhecimento e a capacidade que o ser humano adquiriu com a finalidade de controlar as forças da natureza e extrair a riqueza desta para a satisfação das necessidade humanas. Por outro, inclui todos (2) os regulamentos necessários para ajustar as relações dos homens uns com os outros e, especialmente, a distribuição da riqueza disponível” (Freud)

Em todo esse processo de “humanização”, não foi somente o homem que se “humanizou” como sua vida em grupo, mas também, segundo Freud, as forças temíveis e desconhecidas da natureza, principalmente a morte, pelos nossos ancestrais, fazendo das mesmas, pais e deuses, criando crenças, que mais tarde se tornaram religiões. O que Freud quer dizer, segundo minha opinião, é que, todas as realizações de nossa civilização, incluindo aqui, principalmente todas as religiões e crenças, nasceram do impulso/instinto de autodefesa contra as forças opressivas e assustadoras da natureza.

Neste ponto, quero que você meu caro leitor pense comigo duas questões igualmente importantes:
O primeiro é que os deuses, como anjos, demônios e espíritos, tem características humanas, não seria isto uma das “provas” incontestáveis que, mais do que Deus dizer ao homem “faço-te a minha imagem e semelhança”, foi o homem quem criou os deuses e todos os espíritos a sua “imagem e semelhança”, contando (inventando) depois, que foram os deuses quem disseram isto, sendo perpetuada esta crença, de tal forma, que hoje, isto foi “escrito” em tabuas de mármore, e, é aceito sem nenhum questionamento pelos religiosos?

E, a segunda, e não menos importante, é a questão de que Freud deixa claro, de forma inequívoca no seu texto, que o medo e o desejo são os dois fatores primordiais que fizeram tantos os homens criarem as crenças nos deuses como protetores, e na vida depois da morte como recompensa e consolo, como também mais ainda a necessidade de acreditar nisto tudo, daí, a maioria dos religiosos quando são confrontados por questionamentos sobre sua religião e crença, terminarem o dialogo com a frase que virou jargão popular: “se você não acredita, eu creio, não importa o que você me diga, eu nunca vou deixar de crer, até porque, a crença me faz me sentir bem, e, isto é o que importa”.

Ora, se Freud estiver certo neste ponto, como “acho” que esta, se a crença nasceu e se mantém do medo do desconhecido que era até então as forças da natureza para nossos primitivos ancestrais, como ainda é a morte para muitos de nós, juntando se a isto, o desejo de acreditar nessas mesmas crenças para aplacar o medo, a angustia, o sentimento de desamparo que todos nós compartilhamos, de nossa real finitude e insignificância, o homem, só poderia mesmo crer, seguindo alguma religião, embora, estando este medo e desejo no inconsciente, é totalmente lógico e racional, até porque, a razão é serva dos nossos desejos, medos e vontades, como disse Schopenhauer.

Freud chega a afirmar que “(...) se voltarmos nossa atenção para a origem psíquica das idéias religiosas. Estas, proclamadas como ensinamentos, não constituem precipitados de experiência ou resultados finais de pensamento: são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade. O segredo de sua força reside na força desses desejos. Como já sabemos, a impressão terrificante de desamparo na infância despertou a necessidade de proteção - de proteção através do amor -, a qual foi proporcionada pelo pai; o reconhecimento de que esse desamparo perdura através da vida tornou necessário aferrar-se à existência de um pai, dessa vez, porém, um pai mais poderoso. Assim o governo benevolente de uma Providência divina mitiga nosso temor dos perigos da vida” (Freud)

Por isso que “Ilógico”, “incoerente”e “loucura” mesmo é ir contra tudo isto, toda esta crença milenar, crida e sustentada pela maioria, contra nosso medo, desejo e desamparo mais intimo, não crendo em nenhum Deus, não seguindo nenhuma religião e crença, assumindo nossa mais pura condição humana de duvida, de incerteza, mas, de coragem de caminhar pela existência sem as muletas, manuais e mapas da religião.

Freud acreditava que mesmo a “deusa” e “toda poderosa” ciência não seria suficiente para acabar de vez com a religião, como se iludem muitos ateus militantes que desejam o fim da religião, porque psiquicamente, a ciência nunca poderá substituir a função e papel da religião no psiquismo humano, e, neste sentido novamente eu tenho que concorda com o mestre e pai da psicanálise, embora, através da ciência o homem moderno atual diferem e muito do antigo religioso, porque aprendeu com o avanço e disponibilidade do conhecimento, a ser mais criterioso e racional, mas, isto ainda, não determina o fim da religião, na verdade, eu já escrevi algumas vezes, que a religião nunca deixará de existir, por vários fatores expostos nesta postagem como em outras, e, tomará mesmo que nunca acabe, pois mesmo sendo ateu, como estudante de psicologia vejo significado e importância da religião para muitas pessoas, alem do fato de que o mundo seria sem graça e perderia o seu colorido se todo mundo se tornasse ateu, pois a pluralidade e diversidades de ideias e crenças tornam o mundo para o ser humano, “infinito” em suas possibilidades e escolhas, como são “infinitos” a subjetividade e particularidade de cada individuo.

E para terminar, esta postagem que já está ficando muito extensa, um pensamento de Freud que discordo, ou melhor dizendo...que não concordo inteiramente, e, isto não com o que ele irá dizer, mas sim com o que esta nas “entrelinhas”, pois ele afirmou que: “A religião, é claro, desempenhou grandes serviços para a civilização humana. Contribuiu muito para domar os instintos associais. Mas não o suficiente. Dominou a sociedade humana por muitos milhares de anos e teve tempo para demonstrar o que pode alcançar. Se houvesse conseguido tornar feliz a maioria da humanidade, confortá-la, reconciliá-la com a vida, e transformá-la em veículo de civilização, ninguém sonharia em alterar as condições existentes” e, mais: “Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar” (Freud)

O que eu discordo não é com o que está escrito, mas antes com a possível ideia interpretativa, que para mim não passa de ilusão, fantasia e sonho, de que o homem é infeliz com a religião, mas de que possivelmente poderá ser feliz com a ciência, pois na verdade, nem religião e nem ciência consegue dar conta de todo este desamparo e finitude própria, inato do homem, que é apenas humano, e como humano, não passa de um ser frágil, carente, desamparado e infeliz, porém, a ciência e em alguns momentos a religião, podem colaborar em amenizar o sofrimento humano, mas nunca, em hipótese alguma, acabar de vez, pois uma vida sem sofrimento só “existe” mesmo no céu das fantasias mais desejantes e ilusórias das promessas existentes nas crenças religiosas...se assim fosse, bastaríamos então todos morrer para gozarmos deste paraíso, mas como no fundo no fundo ninguém acredita de verdade, ninguém quer morrer para “pagar pra ver”, deixemos então o “céu para os anjos” e aproveitemos nossa curta caminhada em vida na terra.

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