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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Responsabilidade é Minha, em Contrapartida a Culpa da Religião




By Matheus De Cesaro

“A fé sem ciência é loucura, a ciência sem fé é fanatismo” (Martinho Lutero)


Estou a alguns meses analisando e buscando entender algumas questões que envolvem crenças e convicções  associadas a violência e intolerância. E é certo que os nobres amigos concordam comigo que a violência é uma atitude um tanto quanto desprezível ao ser humano, sendo este dotado de racionalidade. É muito comum ouvir e ler frases de defesa a determinadas mazelas do tipo, “é culpa das religiões”, “é culpa da igreja”. Mas confesso que ultimamente eu fiquei muito inquieto e pensativo a respeito destas afirmações, que tendem a acusar, mas no fundo me parecem um mecanismo de defesa, um mecanismo de fuga as responsabilidades.  Percebendo  que há muitos religiosos que são exemplos de caráter, e que fazem o que for possível para promover a paz em todos os âmbitos, e também vendo uma infinidade de não religiosos que espumando nos cantos da boca promovem violência, ódio, ira e males a sociedade, resolvi tentar entender tudo isso, digo tentar, porque há algumas atitudes que são incompreensíveis (tanto de religiosos, como de não religiosos) se tratando de seres que em tese, pensam. Por isso quero aqui neste artigo falar um pouco sobre este “fanatismo”. Mas não o fanatismo religioso somente, mas sim, o fanatismo em si mesmo, nas nossas convicções. Que sejam as cartas lançadas sobre a mesa!

Começo trazendo o significado literal e etimológico do termo em questão.

"Segundo o dicionário Aurélio, fanático é aquele que segue cegamente uma doutrina ou partido, o termo não esta ligado unicamente a doutrinas políticas ou religiosas, pois tudo aquilo que leva o indivíduo ao exagero é considerado como forma de fanatismo. Esse termo tem uma de suas raízes no francês "fanatisme" e corresponde ao estado psicológico de extremo fervor, irracionalidade e obcessiva persistência naquilo que diz acreditar, independente de ser positivo ou negativo. É  extremamente frequente a paranóias, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se de delírio e da insanidade."

Para a psicologia, o quadro clínico de um fanático se faz real, quando o mesmo apresenta sintomas como, agressividade fora do normal, multiplicidade de preconceitos irredutíveis, dificuldade de compreensão a outras ideias devido a uma estreiteza mental, uma extrema credulidade no que são suas convicções ou a um sistema de crença, ódio, criação de sistemas subjetivos de valores próprios e por fim um intenso, cansativo e incontrolável individualismo. 

Pessoas que apresentam este quadro clínico são tendenciosas a radicalismos extremos, e são levadas a uma completa intolerância com aqueles que ousam não compartilhar de suas ideias e predileções. Segundo diagnósticos psicológicos, pessoas com estes comportamentos são marcadas por atitudes irracionais e agressivas, que podem chegar a extremos perigosos, fazendo até mesmo uso da violência como recurso para defenderem seus pontos de vista.

Estamos acostumados a identificar estes comportamentos na esfera religiosa com mais frequência, mas gostaria de enfatizar aqui, que este comportamento doentio esta longe de ser um privilégio dos "religiosos", e se percebe também nos meios cientifico, politico, esportivo, e tantas outras áreas. Por isso debater dentro da esfera religiosa, atribuindo o fanatismo somente aos religiosos e fazer da religião uma válvula de escape para camuflar fanatismos internos, que seriam nossas próprias convicções que defendemos com unhas e dentes. Talvez a hipótese de que todos nós sejamos fanáticos em nós mesmos (próprias convicções) seja um ideia mais próxima de ser uma suposta verdade. Pois se analisarmos bem, com honestidade, é muito comum defendermos com muito empenho e determinação nossos discursos, os tornando plausíveis e coerentes ao momento e contexto em que estamos. E nisto, muitas vezes, nos tornamos inconscientemente (as vezes conscientemente, o que é uma lástima) intolerantes difundindo preconceitos, desavenças, ódio e raiva ao contraditório.

Se analisarmos a história das religiões e suas bases principais, suas origens, constataremos que todas possuem um objetivo principal definido, e em tese bom. Que é o aperfeiçoamento do ser humano por meio de um Ser maior, divino, que por meio de um processo especifico (conforme a crença escolhida) o aperfeiçoa no intuito de que se torne uma pessoa boa. Existe um alvo, uma diretriz, que se for seguida pela base principal, a origem da religião em si, não tem maneira de se produzir o mal, a não ser pela cegueira do fanatismo. Por isso insisto em enfatizar, que o mal nasce na esfera religiosa, quando se perde o alvo, o foco, e se deixa tomar pelos seus fanatismos internos, criando assim seus próprios alvos. Como disse o filósofo e ensaísta americano George Santayana ao falar sobre como via o fanatismo, "O fanatismo consiste em intensificar os nossos esforços depois de termos esquecido o nosso alvo". É para mim, aqui que nasce e reside o mal das religiões, no homem, e não na religião em si.

Longe de mim, tentar aqui inocentar a religião, apenas tenho o intuito de afirmar que assim como não é a religião inocente, também não pode ser ela culpada. Pois são os homens, somos nós que a construímos, é são nossas as responsabilidades pelas mazelas que surgem  e pela má compreensão da ideia são produzidas, e acabam pela mídia se tornando a  ferramenta que a transforma em um terrível monstro a ser combatido. Trago este assunto a tona, não por ser um religioso ferrenho, até porque não o sou. Mas pelo fato de perceber que se tornou meio que um "modismo" culpar a religião pelas mazelas existentes. É assim nos confrontos na Palestina, é assim no caso da homofobia, no caso do aborto não ser legal em alguns países, é assim sempre que há casos de violência e preconceitos, e no meio há alguém com a bandeira de alguma religião levantada. Seria tudo culpa da religião mesmo?

Eu participo de fóruns com religiosos e não religiosos, e vejo diariamente discussões onde acusam a religião de intolerância, e ao mesmo tempo agem contra a mesma com intolerância mutas vezes até maior. A grande maioria dos não religiosos expressam uma raiva gigantesca, ódio, e isso não acontece porque não são religiosos, mas sim porque alimentam convicções irrefutáveis em suas mentes, das quais seriam capazes de tudo para defende-lás. E então? A culpa é da religião?

Estas afirmações tendenciosas não seriam apenas fuga de suas próprias responsabilidades?

Até que ponto a religião é como afirmou Jung, "fundamental ao funcionamento do psiquismo e ajuda o homem a compreender realidades do universo que não podem ser conhecidos de outras maneiras".

Quando se encerra o fenômeno religiosos e entra em cena um quadro clínico de fanatismo, tornando a culpa desta atrocidades em nome da religião uma responsabilidade pessoal?

Encerro este pequeno ensaio, com uma frase do meu poeta e filósofo favorito, denominado pelos critícos de "filósofo pop", Friederich Nietzsche

"O fanatismo é a única forma de força de vontade 

acessível aos fracos"



Matheus De Cesaro é colaborador do blog Mundo da Anja. Para ler mais textos deste autor, no link: Artigos Matheus De Cesaro(link) ou em seu blog:  http://filoboteco.blogspot.com.br

Um comentário:

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei o seu blog, estive a ler algumas coisas e posso dizer que é um blog fantástico,
com um bom conteúdo, dou-lhe os meus parabéns.
Se desejar fazer parte de meus amigos virtuais esteja à vontade, decerto que irei retribuir seguindo também o seu blog.
Sou António Batalha, do Peregrino E Servo.

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